Por Edição MMA Brasil | 09/10/2021 02:10

O UFC adentra em um horário bem mais cedo do que o comum para realizar mais um evento no formato de fight night. Neste sábado (9), a maior organização do mundo segue sua estadia na base do UFC Apex, em Las Vegas, Nevada (EUA), para realizar o UFC Vegas 39.

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Na luta principal da noite, a estrela do jiu-jítsu Mackenzie Dern retorna ao octógono mais famoso do mundo para tentar continuar em sua escalada na categoria dos moscas rumo a uma possível oportunidade de disputar o cinturão da divisão. No entanto, ela terá pela frente a brasileira Marina Rodriguez, que possui as mesmas pretensões da americana e vive ótima fase na carreira.

Pelo card principal do evento, um intrigante duelo na divisão dos moscas merece o devido destaque. Ex-desafiante da categoria e vencedor do TUF 24, o veterano Tim Elliott retorna ao octógono para encarar o promissor brasileiro Matheus Nicolau, que fará sua segunda luta desde que retornou ao evento em 2021.

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O UFC Vegas 39 será transmitido com exclusividade pelo Canal Combate no Brasil. O evento tem o início previsto às 15:30h com o card preliminar, enquanto o card principal está previsto para iniciar às 17:00h pelo horário oficial de Brasília.

Peso palha: #4 Mackenzie Dern (EUA) vs. #6 Marina Rodriguez (BRA)

Por Rodrigo Rojas

Descoberta no Contender Series, Marina Rodriguez (14-1-2 no MMA; 4-1-2 no UFC) vem traçando uma trajetória muito promissora dentro da maior organização do mundo. Depois de estrear com um empate contra Randa Markos, a gaúcha venceu as veteranas Jessica Aguilar e Tecia Torres com atuações convincentes, invadindo o ranking da divisão. Após mais um empate – este contra Cynthia Calvillo -, conseguiu as duas vitórias mais importantes de sua carreira, contra Amanda Ribas e Michelle Waterson. Com isso, posicionou-se com vantagem na corrida pelo cinturão da categoria mais leve do UFC.

Especialista na trocação, Marina é uma clássica lutadora do muay thai, utilizando bons golpes retos e chutes em combinação, sempre caminhando para frente e impondo pressão. No entanto, os melhores momentos de Rodriguez são quando encurta a distância, utilizando violentas joelhadas e cotoveladas no clinch, onde causa a maior parte do seu dano. O principal ponto fraco do seu jogo é o grappling defensivo, principalmente na parte de quedas. De costas para o chão, Marina utiliza as cotoveladas para abrir espaço para tentar levantar, mas sem grandes ações ofensivas. Além disso, mostra-se muito confortável na guarda fechada, o que faz com que não tente levantar com tanto afinco – o que pode ser um enorme problema no próximo sábado. O condicionamento já mostrou ser suficiente para aguentar a pressão inclusive por cinco rounds.

Provavelmente a maior competidora do jiu-jitsu a ter sucesso no MMA, Mackenzie Dern (11-1 no MMA; 6-1 no UFC) parece finalmente ter se consolidado na carreira na nova modalidade. Depois de anos de problemas com o peso e, supostamente, com a disciplina dentro da academia, o nascimento da filha parece ter dado foco à filha de Wellington Megaton, que vem de duas vitórias muito impressionantes contra Virna Jandiroba e Nina Nunes.

Como é esperado, o jiu-jitsu de Dern não tem paralelo dentro do octógono. Uma vez no chão, Mackenzie consegue finalizações de todas as posições, além de passar a guarda e chegar nas costas com facilidade. Ela também não se importa de jogar por baixo, já que consegue raspadas e até finalizações de costas para o solo. Os problemas, no entanto, passam pela luta em pé e condicionamento físico – ainda que ambos tenham melhorado nas últimas apresentações.

A trocação ainda é muito crua. Apesar das mãos pesadas, Mackenzie joga socos ao ar no intuito de buscar a curta distância, se expondo muito à contragolpes de adversárias mais técnicas. A parte física, que já foi bastante precária, melhorou bastante, mas ainda é inferior à da elite da categoria.

Mackenzie Dern vs Marina Rodriguez odds - BestFightOdds

A luta de sábado é basicamente um throwback dos primeiros UFCs: uma excelente trocadora contra uma excelente grappler. Parece raso, mas é fato que quem conseguir impor seu jogo conseguirá o triunfo. De costas para o chão, Marina sabe amarrar o jogo e até fazer dano com cotoveladas, mas deve ser questão de tempo até que Mackenzie passe sua guarda e finalize. Por outro lado, em pé, Dern tem pouca chance contra uma trocadora visceral como a gaúcha. Para não ficar em cima do muro, vamos apostar que Marina virá preparada e com a movimentação em dia para evitar as quedas, acumulando danos para conseguir uma vitória por nocaute técnico na segunda metade da luta no UFC Vegas 39.

Peso mosca: 9# Tim Elliott (EUA) vs. 11# Matheus Nicolau (BRA)

Por Matheus Costa 

O caso de Tim Elliott (17-11-1 no MMA, 6-9 no UFC) é um dos casos mais curiosos dos últimos anos na categoria dos moscas. Depois de uma passagem ruim no início da década de 2010 que resultou em sua demissão, o americano pegou experiência no cenário regional americano e ganhou a chance de retornar através do TUF 24, que deu ao vencedor da temporada a chance de enfrentar o dominante campeão Demetrious Johnson. Elliott venceu o reality e deu um calor desgraçado para o então rei da categoria, mas acabou sendo superado por decisão unânime. Logo, todos pensaram: temos um novo grande lutador na divisão. Acontece que… não.

Desde a sua surpreendente atuação contra o “Mighty Mouse”, o americano acabou derrotado em quatro de seis lutas que fez até a metade de 2020, mostrando que a performance contra Demetrious Johnson se tratou muito mais de um surto coletiva do que qualquer outra coisa. Quando a segunda passagem de Elliott parecia que estaria chegando ao fim, o americano conseguiu novamente surpreender ao somar duas boas vitórias sobre Ryan Benoit e Jordan Espinosa, ambas por decisão unânime dos juízes.

Quando falamos de Tim Elliott, falamos de um grappler bem ofensivo com um vasto arsenal de transições e finalizações, mesmo que não tenha muita intensidade física e não tenha capacidade de impor muita pressão. Por não ter muita técnica na luta em pé, não ser um lutador com muita agilidade e ter uma defesa bem vazada, também estamos falando de um lutador bem previsível.

Matheus Nicolau (16-2-1 no MMA, 4-1) foi um dos inúmeros lutadores que retornaram ao UFC no ano de 2021, mas estamos falando de uma contratações que mais fez sentido. Quando surgiu através do TUF Brasil 4, o jovem mineiro desembarcou na categoria e se tornou um dos nomes mais promissores até então. No entanto, quando a organização tomou a inexplicável decisão de tentar encerrar a categoria dos moscas, Nicolau e tantos outros foram demitidos. Em 2019, o brasileiro venceu duas lutas e isso foi o suficiente para ser recontratado.

Nicolau é um lutador talentoso em muitas áreas do jogo. Em pé, Matheus é um boxer rápido e com capacidade decente de conectar golpes com combinações não tão óbvias. Rápido e ágil, a especialidade do mineiro é o jogo de chão, já que mostrou evolução no wrestling em seu retorno contra Manel Kape e provou ter um jogo de quedas bem capaz. No chão, o grappler é bem habilidoso nas transições e sempre busca finalizações com agressividade. Sua defesa ainda é um problema, já que não possui muita movimentação de tronco e pode enfrentar problemas contra strikers mais capacitados – não é o caso da luta contra Elliott.

Matheus Nicolau vs Tim Elliott odds - BestFightOdds

Em uma luta intrigante de dois bons grapplers, confesso que a minha tendência é ficar com a aposta no atleta que possui mais capacidade numa forma geral. Embora Elliott seja um lutador muito perigoso no chão, Nicolau é melhor em todas as outras áreas e é mais do que capaz de lidar com o jiu-jítsu agressivo do americano. Logo, aposto na vitória por decisão dos juízes para o brasileiro no UFC Vegas 39.