Por Edição MMA Brasil | 30/07/2021 18:02

Com um card bem menos badalado, o UFC retorna neste fim de semana (31) para realizar mais um evento. Trata-se do UFC Vegas 33, que será realizado diretamente do UFC Apex em Las Vegas, Nevada (EUA), protagonizando um duelo na categoria dos médios.

Em seu retorno após a trágica lesão de Chris Weidman, Uriah Hall busca dar sequência a sua boa fase de quatro vitórias consecutivas na categoria dos médios, na qual ocupa a oitava colocação no ranking da divisão. No entanto, ele terá pela frente o duro Sean Strickland, que também venceu quatro seguidas e ocupa a 11° posição do ranking.

Outra luta bem interessante no card envolve o brasileiro Rani Yahya, nome experiente da categoria dos galos que ainda tenta provar seu valor para chegar entre os tops da divisão. Ele irá enfrentar o sul-coreano Kyung Ho Kang, que retorna ao octógono pela primeira vez desde 2019 e tenta somar sua sete vitória em oito lutas na luta coprincipal do evento.

O UFC Vegas 33 está previsto para iniciar às 19:00h no próximo sábado (31) com o card preliminar, enquanto o card principal deve começar às 22:00h pelo horário de Brasília. O evento será transmitido com exclusividade pelo Canal Combate no Brasil.

Peso médio: #8 Uriah Hall (EUA) vs. #11 Sean Strickland (EUA)

Por Idonaldo Filho

Dentre os veteranos que formam a divisão, Uriah Hall (17-9 no MMA, 10-7 no UFC) é um dos mais bem conservados, inclusive vivendo um grande momento na organização, mostrando renovação em seu estilo de luta, com os treinos realizados na Fortis MMA. A história de Hall é conhecida, desde o destaque no TUF, apelido de “Homem Ambulância” e a frustração no octógono, com dificuldades para estourar. Surpreendentemente, o jamaicano, que completa 37 anos justamente no dia do evento, vem na maior sequência vitoriosa da carreira, com quatro triunfos, incluindo os rivais Anderson Silva e Chris Weidman, o primeiro nocauteado e aposentado, enquanto o segundo se lesionou gravemente no combate. Sean Strickland

Todos sabem do atleticismo e explosão de Hall, um cara bastante imprevisível e plástico, que a qualquer momento pode soltar um golpe giratório destruidor, mas também foi por muito tempo conhecido o pouco coração de Uriah, que tendia a entregar a paçoca facilmente quando pressionado, tendo duvidosa absorção de golpes. Hoje, mais cauteloso, Hall ainda tem muito poder nos punhos e pés, mas anda com mais cautela e consegue conservar melhor a energia e sendo mais estratégico. Dentre as falhas, além do duvidoso QI de luta e da já citada tendência a se frustrar no combate, o jogo de chão é bastante contestável. Contra Strickland, um atleta capaz de aplicar pressão e que está no auge da carreira, será testado definitivamente.

Sean Strickland (23-3 no MMA, 10-3 no UFC) vem rendendo bem melhor no peso médio, categoria onde se encontrou, mostrando que nem sempre cortar muito peso é a solução certa para ter melhor desempenho dentro do cage. Na nova divisão Sean venceu três combates, o principal deles sobre o sólido veterano Krzystof Jotko, na decisão dos juízes. Outra vitória de destaque foi sobre o promissor Brendan Allen. Será a primeira vez de Strickland liderando um evento, assim como sua primeira peleja em cinco assaltos disputada no UFC.

Sean é um atleta bastante disciplinado, condicionado e que tem um jogo bastante sólido. A preferência é óbvia pela trocação, onde aplica constante volume de golpes, mas tendo como ponto fraco o pouco poder nos punhos, que faz com que boa parte de suas lutas vá para a decisão dos árbitros. Seu boxe é preciso, utiliza preferencialmente jabs que minam o rosto do oponente, atacando muitas vezes de longe aproveitando a estatura e envergadura. Tem algumas brechas defensivas e problemas em variar o jogo, podendo ser facilmente mapeado. Atualmente, é seguro falar que Sean tem potencial de top 10, diante de uma categoria em fase de renovação, com a decadência de nomes que por muito tempo se consolidaram por lá.

Sean Strickland vs Uriah Hall odds - BestFightOdds

Há bastante equilíbrio em minha opinião, pois Strickland pode muito bem aplicar pressão com seu volume de golpes, frustrando Hall e tirando o espaço que ele precisa para aplicar seus golpes, embora o Tarzan tenha defesa esburacada e possa muito bem ser apagado. Mas a minha opinião? Acredito que o Hall mais estratégico de ultimamente seja capaz de vencer o combate, pois está com mais recursos e mostrou alternativas para superar adversidades, sobretudo contra Cara de Sapato, além de ter vantagem atlética significativa e estar mais acostumado no peso. Vou de “Prime Time” por nocaute.

Peso galo: Rani Yahya (BRA) vs. Kyung Ho Kang (COR)

Por Rodrigo Rojas

Veteraníssimo do WEC e do UFC, Rani Yahya é um dos principais representantes do jiu-jitsu puro no UFC hoje. O brasileiro foi campeão mundial na faixa marrom e venceu o ADCC em 2007, superando excelentes nomes como Leozinho Vieira, Marcio Feitosa, Jeff Glover e Barret Yoshida. Desde que veio do WEC, tem uma carreira consistente, vencendo nomes do meio de tabela e perdendo quase sempre que sobe de nível, como aconteceu contra Chad Mendes, Joseph Benavidez, Takeya Mizugaki e Ricky Simon. O cartel do brasiliense é um “who’s who” dos grandes pesos galos e penas dos anos 2000, incluindo, além dos supracitados Fredson Paixão, Mark Hominick, Kid Yamamoto, Eddie Wineland, Mike Brown, Takeya Mizugaki e Josh Grispi.

O jogo de Yahya é quase o de um mini-Demian Maia, guardadas as devidas proporções. A trocação é nula, usada apenas para encurtar a distância. O wrestling é acima da média para jiu-jiteiros, mas baseia-se em uma ou duas quedas que, se defendidas, se transformam em puxadas de guarda ou tentativas de chaves de perna, sem muito sucesso. No chão, no entanto, Rani é um mago. Suas transições e passagens de guarda são coisa de cinema, e as finalizações um show à parte, com destaque para estrangulamentos pouco ortodoxos, como o norte-sul, a gravata peruana, e variações de triângulo de mão – além das kimuras, mata leões e katagatames. O jogo monocromático cobra o preço no gás, uma vez que, quando não consegue as quedas e a finalização, Rani costuma cansar.

Incrivelmente, Kyung Ho Kang está no UFC desde 2013, quando veio do Road FC, organização asiática onde fez sua estreia como galo, uma vez que, antes disso, competia como peso leve e peso pena. No UFC, acumulou seis vitórias em nove lutas, incluindo um no-contest contra Alex Caceres. Agora, ele volta de um período de dois anos no serviço militar obrigatório na Coreia do Sul.

Com origem no taekwondo e no wrestling, Ho Kang tem boas quedas ofensivas de estilo greco-romano, e gosta de iniciar scrambles malucos no chão, buscando cair por cima ou chegar às costas. O coreano é muito agressivo no solo, sempre buscando avançar posições, finalizar ou bater no ground and pound. Isso, muitas vezes, o deixa exposto para raspadas, inversões ou até finalizações no contra ataque. Em pé, a trocação é relativamente alinhada, com bons socos retos e uppercuts, mas serve, principalmente, para chegar na luta agarrada. O condicionamento físico e atleticismo podem ser um bom diferencial nesse sábado, uma vez que Ho Kang é grande e forte para a categoria.

Kyung Ho Kang vs Rani Yahya odds - BestFightOdds

Yahya já está muito perto do final da carreira, e o UFC tem tratado o seu matchmaking de acordo. Rani tem enfrentado lutadores medíocres da categoria ou servido de teste para prospectos, e a luta de sábado não é exceção. Kyung Ho Kang é um lutador divertido, mas de quem ninguém espera voos muito altos. O casamento é intrigante pelo fato de serem dois bons grapplers – um mais atlético, outro já mais velho -, mas não há dúvida de que o brasileiro é muito superior na luta de chão. Por isso, salvo um apodrecimento muito grave de Rani, ele deve apertar o pescoço do adversário ainda na primeira metade da luta, vencendo por finalização.