Por Edição MMA Brasil | 04/06/2021 16:20

Depois de uma rara semana de hiato para aquele merecido descanso, a maratona do UFC recomeça neste sábado (5). O UFC Vegas 28 entra em cena diretamente do UFC Apex em Las Vegas, Nevada, para sediar mais um evento no formato de fight night repleto de brasileiros.

Na luta principal da noite, o surinamês Jairzinho Rozenstruik tenta retomar o bom momento na carreira e encara mais um adversário do top 10 da categoria dos pesos pesados. Desta vez, ele terá pela frente o brasileiro Augusto Sakai, que tenta provar que consegue medir forças contra os melhores nomes da divisão após algumas tentativas falhas.

+ O retorno do The Ultimate Fighter: Team Volkanovski vs. Team Ortega – Episódio 1

Já pela luta coprincipal do evento, o experiente Walt Harris retorna ao octógono do UFC e faz sua primeira luta no ano de 2021. Tentando evitar uma possível nova demissão com uma hipotética terceira derrota consecutiva, o americano terá pela frente o polonês Marcin Tybura, que vive bom momento na carreira e tenta chegar ao quinto triunfo consecutivo.

Outra luta que chama atenção pelo card do UFC Vegas 28 é o embate entre Montana de La Rosa e a brasileira Ariane Lipski pela categoria dos moscas, num duelo que pode colocar a derrotada em maus lençóis e em risco de demissão.

+ Apoie o MMA Brasil e participe do programa de colaboradores

O UFC Vegas 28 tem início previsto com o card preliminar às 17:00h, enquanto o card principal tem início previsto para acontecer às 20:00h pelo horário de Brasília. O evento terá transmissão exclusiva do Canal Combate no Brasil, mas terá suas duas primeiras lutas transmitidas pelo SporTV3.

Peso pesado: #6 Jairzinho Rozenstruik (SUR) vs. #9 Augusto Sakai (BRA)

Por Matheus Costa

Em meio a uma categoria repleta de leões velhos de guerra e outros que já estão conversando frequentemente com a aposentadoria, Jairzinho Rozenstruik (11-2 no MMA, 5-2 no UFC) é um raro sopro de entretenimento para uma divisão tão combalida como a dos pesos pesados do UFC. Não que o surinamês seja um primor técnico, mas sempre proporcionou lutas legais ao longo de sua passagem na organização. Contratado em 2019, o lutador de 33 anos fez fila no ano e deixou uma fila de corpos estirados. Primeiro, nocauteou Junior Baby no segundo assalto. Depois, bateu Allen Crowder em míseros nove segundos. Aí veio Andrei Arlovski, que foi além e durou apenas 29 segundos. O sarrafo subiu e ele enfrentou o experiente Alistair Overeem, que foi nocauteado de forma brutal com quatro segundos para o fim da luta.

Aí o UFC ativou o modo empolgou, como sempre, e o escalou contra Francis Ngannou. Quem durou pouco desta vez foi o honônimo do lendário centroavante brasileiro, que provou do próprio veneno e foi suprimido pela força descomunal do atual campeão dos pesados em 20 segundos. Jairzinho logo se recuperou, assinando os papéis de demissão do ex-campeão Junior Cigano no segundo round, mas foi derrotado pelo promissor Cyril Gané em decisão unânime. Agora, chegou a vez de Rozenstruik recomeçar de baixo, com calma, enfrentando adversários mais distantes do topo da divisão para, quem sabe, recuperar o bom momento.

Kickboxer de origem e com carreira sólida no esporte antes de voltar suas atenções ao MMA, Jairzinho é muito bem dotado de um poder de nocaute avassalador. Seu arsenal ofensivo também impressiona, com uma variedade que vai desde de um boxe competente até chutes altos e giratórios. Embora não seja muito técnico, Rozenstruik também é muito forte e acaba levando vantagem nesse sentido, sendo adepto da tão amada grosseria, principalmente na hora de defender tentativas de quedas. No entanto, sua defesa de golpes não é das melhores, seu condicionamento físico é visivelmente ruim/duvidoso e o jogo de chão é tão bom quanto o de uma porta.

Um dos principais talentos revelados pelo Contender Series Brasil, Augusto Sakai (15-2-1 no MMA, 4-1 no UFC) se tornou um ativo bem interessante para a categoria dos pesados, que se bem trabalhado, pode alcançar o topo da categoria no futuro. Isso ficou claro em sua última, após vencer quatro seguidas e enfrentar o ex-desafiante Alistair Overeem, sofrendo com o jogo de chão e um inevitável nocaute no quinto round. No entanto, o brasileiro pode, sim, alcançar voos maiores.

Especialista no Muay Thai, Sakai destoa da grande maioria dos companheiros de categoria por ter a capacidade de se movimentar com boa agilidade e explosão. Augusto gosta de pressionar seus adversários e trabalhar muito os chutes baixos, minando a movimentação de seus oponentes para que fique mais fácil de coloca-los contra a grade para usar o seu bom clinch. Seu arsenal de golpes, no entanto, é escaço e o torna um lutador de certa forma previsível. Seu jogo de chão também não é muito bom, mas isso não deve ser algo que ele deve se preocupar para esta luta.

Augusto Sakai vs Jairzinho Rozenstruik odds - BestFightOdds

Essa é um confronto que certamente irá se desenhar em pé. Rozenstruik pode ter problemas com a movimentação do brasileiro, que certamente vai querer minar seu trabalho de pernas para fazer com que Jairzinho se torne um alvo mais fácil de ser atingido. Por outro lado, o surinamês deve encurtar a distância para colocá-lo num alcance confortável para que possa golpear de forma contundente. A tendência é que o jogo do sexto colocado do ranking entre em cena e que o nocaute ocorra pelo terceiro ou quarto round.

Peso pesado: #8 Walt Harris (EUA) vs. #11 Marcin Tybura (POL)

Por Matheus Costa

Um dos nomes mais carimbados do médio-baixo escalão da pior categoria do UFC, o carismático Walt Harris (13-8-1 NC no MMA, 6-8-1 NC no UFC) já está com 37 anos, mas não quer deixar sua idade falar mais alto e quer provar que ainda pode oferecer algo de bom para o nível elevado na divisão dos pesados. Depois de vencer duas seguidas, o “Big Ticket” enfrentou um drama pessoal que parou o mundo do MMA, quando sua enteada foi sequestrada e morta por um homem que a conheceu em um aplicativo de mensagens. Ele voltou ao octógono em 2020, talvez muito antes do que deveria, e acabou sendo nocauteado por Alistair Overeem e Alexandre Volkov em cerca de cinco meses. Marcin Tybura

Campeão do famoso torneio Golden Gloves, podemos definir o estilo do lutador nas palavras do grande Idonaldo Filho: uma carreta descontrolada. Um lutador tão técnico tanto como uma maçaneta, Walt Harris tem o jogo baseado na potência de seus punhos, que sempre fazem estrago e garantiram todas as suas vitórias na carreira por nocaute. Não tem boa capacidade defensiva, não tem bom preparo físico e seu QI de luta é negativo. No chão, o americano é… triste. Bem triste.

Depois de uma aparente decepção ao chegar com ampla expectativa devido a sua ótima estadia no M-1 Global, Marcin Tybura (21-6 no MMA, 8-5 no UFC) parece estar, aos poucos, engatando. Favorecido por uma divisão de qualidade pavorosa, o polonês vem de quatro vitórias consecutivas, sendo que na última delas realizou um favor para a humanidade um bom trabalho ao vencer Greg Hardy, em dezembro.

Especialista na área de grappling, Tybura é faixa preta de jiu-jítsu e costuma utilizar o wrestling para anular o jogo de seus adversários e jogar no clinch. Suas transições no chão são interessantes e se destaca por uma certa facilidade em chegar na montada, embora não tenha finalizado ninguém no UFC ainda. Em pé, é preocupante. Não tem muita absorção de golpes com o famoso queixo de vidro, o preparo físico é bem limitado e seu arsenal de golpes se limita aos chutes.

Marcin Tybura vs Walt Harris odds - BestFightOdds

Por mais que os dois atletas possuam apenas dois anos de diferença, Walt Harris e Marcin Tybura estão momentos bem distintos na carreira e a tendência é que isso seja refletido dentro do octógono. O polonês é um lutador mais polido tecnicamente e possui melhor preparo físico, então a aposta é na vitória do ex-campeão do M-1 Global por decisão com uma atuação dominante no UFC Vegas 28.

Peso mosca: Montana De La Rosa (EUA) vs. Ariane Lipski (BRA)

Por Matheus Costa

Montana De La Rosa (11-6-1 no MMA, 4-2-1 no UFC) surgiu como uma boa sequência e deixou boa impressão no início de sua trajetória na maior organização de MMA do mundo. No entanto, quando o sarrafo subiu um pouco na categoria dos moscas, a americana não entregou. Desde 2019, a lutadora soma apenas um triunfo em quatro lutas e pode perder seu emprego caso passe em branco no próximo sábado.

De La Rosa é uma grappler talentosa, que conta com a vantagem de boa altura para a divisão dos moscas (1,70m) e com um jogo de chão perigoso. Em pé, a atleta costuma usar bastante os jabs e diretos, não tendo muita criatividade para criar ângulos diferentes na hora de golpear e sem muita potência para fazer um estrago maior em suas adversárias, sempre se baseando em volume de golpes. A parte defensiva deixa a desejar, já que sempre é acertada com facilidade pelos contragolpes, e a situação piora por ser lenta e não ter muita agilidade lateral.

Entre 2017 e 2018, a Europa era palco de uma lutadora bastante promissora que prometia alcançar grandes feitos na maior organização do mundo. Ex-campeã do KSW, Ariane Lipski (13-6 no MMA, 2-3 no UFC) dava amplos sinais de que tinha condições de se tornar uma realidade no UFC, já que era considerada uma das melhores lutadores do mundo fora do grande palco. No fim de 2018, o contrato chegou e a curitibana assinou com a empresa de Dana White. O problema foi que o tempo mostrou que as expectativas talvez fossem altas demais para a realidade.

Ariane era conhecida por seu muay thai extremamente agressivo e golpes bem potentes, com um poder de nocaute aguçado e com um arsenal ofensivo acima da média. No UFC, aparentemente perdeu muita de suas valências ao se adaptar a um nível mais qualificado. Especialista na luta em pé, Lipski até mostrou certa evolução no jogo de luta agarrada, mas pouco para que a área deixe de ser sua maior fraqueza no jogo.

Ariane Lipski vs Montana de La Rosa odds - BestFightOdds

Essa é uma luta que oferece risco de demissão para as duas atletas, principalmente para a brasileira. Ariane terá que se movimentar bastante e usar sua explosão para golpear a americana, que certamente tentará levar a luta pra o chão e explorar a notória vantagem na luta agarrada. Entre os contextos, acredito que Lipski consiga uma vitória apertada por decisão dos juízes, mas um triunfo de De La Rosa estaria longe de ser uma surpresa na noite de UFC Vegas 28.