Por Idonaldo Filho | 30/04/2021 17:15

Após o grandioso UFC 261, o UFC retorna a sua base do UFC Apex para realizar mais um evento no formato fight night. Trata-se do UFC Vegas 25, que traz duelos bem interessantes, principalmente para a categoria dos meios-pesados.

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Na luta principal da noite, o ex-desafiante Dominick Reyes tenta se recuperar e voltar a subir na categoria por uma nova oportunidade de disputar o cinturão da divisão dos meios-pesados. Agora, ele enfrenta o perigoso Jiri Prochazka, ex-campeão do PRIDE e que chegou fazendo barulho na divisão de até 93kg da maior organização de MMA do mundo.

Outras duas lutas interessantes que ocorrem no card principal do UFC Vegas 25 são os duelos entre Ion Cutelaba Dustin Jacoby nos meios-pesados, que miram uma vaga no ranking com uma vitória na noite de sábado, e entre Merab Dvalishvili Cody Stamann, que querem subir no ranking da divisão dos galos.

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O UFC Vegas 25 será realizado no próximo sábado (01) e conta com transmissão exclusiva do Canal Combate, exceto as duas primeiras lutas do card preliminar que também serão transmitidas através do Facebook e do SporTV3. O card preliminar tem início previsto para 20:00h, enquanto o card principal deve começar por volta de 23:00h (horário oficial de Brasília).

Peso meio-pesado: #3 Dominick Reyes (EUA) vs. #5 Jiri Prochazka (POL)

Por Israel Silveira

Dominick ReyesNão faz muito tempo que Dominick Reyes (12-2 no MMA, 6-2 no UFC) era considerado uma realidade inevitável na divisão dos meios-pesados. O “Devastator” foi o lutador que mais esteve próximo de destronar Jon Jones, em fevereiro de 2020. Desde que o então campeão decidiu abandonar o cinturão em agosto do mesmo ano, muitos colocaram Reyes como um futuro e duradouro campeão. Muitos, na verdade, viram vitória de Reyes contra Jones em uma luta que o canhoto acertou “Bones” com tudo o que tinha durante três rounds, mas acabou eventualmente cansando e sendo derrotado por margem mínima em uma decisão. Entretanto, muitos esqueceram de combinar essa previsão com Jan Blachowicz, que teve a melhor atuação da carreira e tirou o americano pra nada, nocauteando-o em dois rounds e conquistando o cinturão vago da categoria.

Reyes é um excelente kickboxer canhoto que sabe usar bem sua envergadura de 1,95m. O americano traz boas combinações em seu arsenal, além de bons chutes de esquerda, que são particularmente devastadores contra adversários destros. Domicick também utiliza muito bem as fintas, as quais foram especialmente efetivas contra Jon Jones, que por vezes não interpretou por onde o desafiante iria atacá-lo. Contra Blachowicz, no entanto, ele foi vítima de um adversário muito potente e que fez questão de cair pra dentro na curta distância, mas suas vitórias contra Joachim Christensen, Jared Cannonier, Chris Weidman e Ovince Saint-Preux comprovam que não é qualquer um que consegue decifrar o jogo do americano.

Jiri “Denisa” Prochazka (27-3-1 no MMA, 1-0 no UFC) faz apenas sua segunda luta no UFC, mas dado o legado de destruição que o tchéquio traz em seu currículo, está explicado o motivo de ele já ser top 5 na organização e estar fazendo uma luta que possivelmente garante uma disputa de cinturão em caso de vitória. Prochazka foi o único campeão dos meios-pesados da história do RIZIN FF, tendo derrotados nomes conhecidos como Vadim Nemkov (atual campeão do Bellator), Kazuyuki Fujita, Fábio Maldonado, King Mo e mais recentemente CB Dollaway. “Denisa” foi nocauteado por King Mo em seu primeiro encontro em uma luta bastante equilibrada, até que Jiri foi de encontro a um direto do ex-desafiante do Bellator, que o mandou direto para o país dos sonhos. Foi a última derrota da carreira do atleta.

Em sua estreia no UFC, Prochazka nocauteou Volkan Oezdemir em uma luta que mais gerou dúvidas sobre o tchéquio do que confirmou sua posição como novo contender da divisão. O primeiro round começou muito mal para Prochazka, que foi muito atingido no primeiro assalto, mas fez o suficiente para cansar o suíço e eventualmente nocautea-lo no segundo round após usar sua poderosa mão direita. “Denisa” possui um estilo muito peculiar, por vezes parecendo displicente com sua defesa, mas sabendo utilizar bem sua envergadura de 2,03m e muita movimentação de pés para confundir seus adversários.

Dominick Reyes vs Jiri Prochazka odds - BestFightOdds

Tratando-se de dois lutadores com grande envergadura, o combate tem tudo para se desenrolar na longa distância. Já ficou provado que Reyes é excelente quando seus adversários tentam manter a luta na longa distância, apesar do americano também possuir suas brechas defensivas. Prochazka sempre foi muito atingido em sua carreira, além de ser vulnerável a low kicks, o que pode ser muito problemático contra um canhoto potente como Reyes. Caso o combate se estenda, Jiri deve assumir o controle das ações, mas não há como fugir de uma aposta em quem já mostrou consistência no nível mais alto do MMA. A aposta é para Dominick Reyes via nocaute no primeiro round.

Peso meio-pesado: Ion Cutelaba (MDV) vs. Dustin Jacoby (EUA)

Por Idonaldo Filho

Da Moldávia, temos Ion Cutelaba (15-6 no MMA, 4-5 no UFC), brucutu disfarçado de lutador conhecido por se pintar de verde durante as pesagens e pela tendência de se envolver em pancadarias mesmo em uma categoria mais pesada, onde é frequente o acontecimento de lutas arrastadas e deploráveis. Cria do bom WWFC, Cutelaba chegou no UFC em 2016 e, desde então, vem sendo bem irregular como o seu cartel no evento demonstra. Em sua última luta, Ion virou estatística na mão do daguestanês Magomed Ankalaev, em tirateima que ninguém pediu.Dustin Jacoby

Doido de pedra, Cutelaba tem muito poder de nocaute e não se intimida, lutando quase sempre de forma irresponsável e sem se importar com defender golpes, começando em ritmo muito alto no início do combate, tendendo a perder fôlego se a luta seguir por muito tempo. Seu sambô ofensivo é de bom nível, podendo surpreender com quedas, mas o nível no jogo de solo é duvidoso. O QI de luta é um aspecto que é problemático em Cutelaba, já que não toma decisões inteligentes no combate, pelo contrário. Ainda sim, como é atlético e nocauteador, se estabelece como membro interessante das castas mais baixas do meio-pesado no líder do mercado.

Dustin Jacoby (14-5 no MMA, 2-2 no UFC) é um veterano das artes marciais, com passagem pelos principais eventos do mundo além do UFC, como o Bellator, o WSOF (hoje PFL) e também tendo feita extensa carreira no kickboxing pelo Glory. Ademais, Jacoby chegou também a se aventurar no boxe, com uma luta profissional realizada em 2019. Sua primeira passagem no UFC não foi boa, sendo um atleta jovem em 2011 e sendo despachado rapidamente para fora do evento. No entanto, após adquirir mais experiência, 9 anos depois, assinou para atuar no Contender Series, onde surrou Ty Flores e assegurou uma vaga no evento, acumulando duas vitórias, a última de forma controversa enfrentando Maxim Grishin.

Um striker muito técnico com boa trajetória no kickboxing, Jacoby é perigoso em pé e atua muito bem na longa distância. Cauteloso, Dustin não atua em busca de nocautear com um golpe só, pois sua estratégia costumeira é ir desgastando pouco a pouco o oponente, continuamente atacando pernas, corpo e cabeça, com um volume interessante de golpes. No clinch já mostrou que pode ser dominado, assim como seu jogo de chão não aparenta ser confiável, mas no geral, Jacoby evoluiu bastante e hoje em dia pode ser considerado um lutador que pode chegar ao top 15 da categoria dos meios-pesados.

Dustin Jacoby vs Ion Cutelaba odds - BestFightOdds

É imprevisível apostar em qualquer luta de Ion Cutelaba já que o moldavo pode nocautear em 10 segundos, ou gastar toda a energia e virar boneco de treino. Contra Jacoby, que é um trocador experiente e versátil, acredito que Cutelaba levará a pior em pé e tente partir para queda. Mesmo assim, não creio que Ion terá muito sucesso. Entrando como substituto de Devin Clark, Jacoby conduzirá o combate em pé, conseguindo vencer na decisão dos juízes.

Peso galo: #12 Merab Dvalishvili (GEO) vs. #13 Cody Stamann (EUA)

Por Rodrigo Rojas

Merab Dvalishvili (12-4 MMA, 5-2 UFC) é mais uma das feras que busca escalar o ranking na acirradíssima divisão dos galos dentro do UFC. Após um início nada favorável em que sofreu duas derrotas consecutivas, o georgiano engatou cinco vitórias consecutivas que o levaram até a décima-terceira colocação da categoria. Fazendo jus a alcunha de “A Máquina”, Merab é mecânico e imparável em seu modus operandi de avançar e derrubar os oponentes, repetindo o processo quantas vezes for necessário. Essas características não o tornam somente um problema para os adversários, mas também um deleite para os fãs.

Em sua última aparição dentro da jaula mais famosa do MMA, o atleta da Serra BJJ colou o último prego no caixão da passagem do ilustre John Dodson pelo UFC. Se a forma atual do “The Magician” ainda trouxe algumas ressalvas sobre o que é possível inferir em relação ao teto de Dvalishvili, a vitória também deixou claro que era questão de tempo até que desafios grandes viessem. Ainda faltava um teste contra alguém de boa defesa de quedas ou cujo trocação pudesse trazer grandes problemas.

É nesse cenário que entra Cody Stamann (19-3-1 MMA, 5-2-1 UFC), um nome com um jogo bem completo e equilibrado. Após dois duelos feitos na divisão dos penas com um saldo de 1-1, o “Spartan” volta aos 63kgs com a missão de manter seu posto no ranking. Já introduzido ao MMA com base prévia no wrestling e no boxe, o atleta natural do Michigan se destaca pela consistência, apresentando sempre um nível bom de competitividade contra todos os oponentes pareados até aqui.

Se Merab tem pela frente talvez o seu duelo mais difícil até aqui na organização, o estadunidense volta a se testar contra um especialista. Apesar de costumeiramente adotar a estratégia de buscar a queda quando é o melhor wrestler do confronto, na última vez em que encarou um grappler de ofício, Stamman acabou finalizado. Estamos falando aqui de Aljamain Sterling, atual campeão e companheiro de treinos de Dvalishvili. São características muito diferentes e níveis muito diferentes, mas é o paralelo mais próximo possível para este duelo de sábado.

Cody Stamann vs Merab Dvalishvili odds - BestFightOdds

Dvalishvili deve fazer a pressão de sempre, mas encontrará do outro lado um oponente que se movimenta melhor, bate melhor e oferece maior resistência a suas investidas. Stamann deve conseguir equilibrar isso nos primeiros momentos da luta, mas a minha dúvida é o quanto isso vai durar no decorrer dos rounds. Por mais que estejamos falando de dois atletas com um rendimento físico muito bom, o estilo de Merab acaba sofrendo menos com o desgaste.

Não vejo Stamann tentando combater fogo com fogo e creio que a melhor saída para o americano é se movimentar bastante, evitar se expor e pontuar com seu bom striking sempre que possível. Apesar da possibilidade, não vejo isso durando os 15 minutos – ou dois dos três assaltos. Merab Dvalishvili por decisão.

Fotos: UFC/Divulgação