Por Edição MMA Brasil | 18/09/2020 16:00

A longa sequência de eventos do UFC na cidade de Las Vegas está chegando ao fim. Mas depois de dois eventos de qualidade bastante questionável, o UFC Vegas 11 chega para tirar o gosto amargo da luta com um card muito bom para os parãmetros de fight night.

Na luta principal da noite, o ex-campeão interino Colby Covington faz seu aguardado retorno ao octógono do UFC para enfrentar seu desafeto de muito tempo Tyron Woodley, ex-campeão dos meios-médios que tenta provar que ainda pertence ao topo da divisão.

Por falar em tentativa de provar nível, Donald Cerrone tenta afastar a má fase de quatro derrotas consecutivas contra um lutador menos conhecido. Por isso, encara o empolgante Niko Price em duelo válido pela divisão de até 77kg.

Um dos principais prospectos da atualidade, o checheno Khamzat Chimaev retorna ao octógono para enfrentar Gerald Meerschaert pela divisão dos médios. Nos meios-pesados, o brasileiro Johnny Walker tenta provar que seu hype não foi à toa ao enfrentar Ryan Spann. Por fim, nos palhas, Mackenzie Dern tenta emplacar na divisão ao enfrentar a experiente Randa Markos.

UFC Vegas 11 será realizado no próximo sábado e terá transmissão exclusiva do Canal Combate no Brasil. O início do card preliminar está previsto para às 18:00h, enquanto a porção principal deve se iniciar às 21:00h (horário de Brasília).

Peso Meio-Médio: #2 Colby Covington (EUA) vs. #5 Tyron Woodley (EUA)

Por Rodrigo Rojas

O folclórico Colby Covington (15-2 no MMA, 10-2 no UFC) é um dos personagens mais polarizadores do mundo do MMA. Outrora um lutador de meio de tabela pouco relevante, o americano elevou o trash talking a patamares absurdos após sua vitória sobre Demian Maia, no Brasil. O personagem criado por “Chaos” levou-o a uma disputa pelo cinturão interino, conquistado contra Rafael dos Anjos, mas uma lesão fez com que ele ainda tivesse que engolir Robbie Lawler antes de disputar o cinturão linear da categoria. Quando finalmente chegou à disputa, fez um combate acirrado contra Kamaru Usman, mas acabou nocauteado na última etapa.

Wrestler All-american da primeira divisão da NCAA, Colby transformou seu jogo pacato de grappling sem muita emoção em uma máquina de volume de jogo. O gás e resistência infinitos permitem que “Chaos” vá pra cima soltando golpes ininterruptamente, sem dar espaços para seus oponentes respirarem. Ele ainda mescla o jogo de quedas em meio aos inúmeros golpes em pé, criando um jogo sufocante. Em contrapartida, a defesa não é das melhores, já que a agressividade excessiva acaba abrindo muitas brechas para contragolpes e quedas. A falta de poder de definição também é um fator marcante, já que os golpes acertados não parecem ter poder de nocaute por trás.

O ex-campeão Tyron Woodley (19-5-1 no MMA, 9-4-1 no UFC) vive a pior fase da carreira no UFC. O americano defendeu seu cinturão em quatro oportunidades, após arrancá-lo das mãos de Robbie Lawler, mas acabou entregando-o em uma perfomance apática contra Kamaru Usman. Em seu retorno, em Maio deste ano, fez uma apresentação ainda mais preocupante contra Gilbert Durinho, sendo dominado e derrubado mais de uma vez pelo jiu-jiteiro.

Assim como o adversário, Woodley foi wrestler All-american da primeira divisão do esporte nos EUA. Esse background, unido à força física e ao centro de gravidade baixo, formavam uma barreira defensiva quase intransponível. Woodley usa a defesa para manter a luta onde se sente mais confortável, e aprendeu, com o tempo, que a grande quantidade de massa muscular cobra um preço na capacidade cardiorrespiratória. Por isso, passou a esperar brechas dos oponentes para atacar, o que gerou várias lutas monótonas em seu reino como campeão. Tyron tem muita capacidade de explodir com agressões curtas, seja para acertar a potente mão direita ou encurtar a distância e arranjar uma queda. Por cima, o faixa preta de jiu-jítsu sabe trabalhar boas finalizações e um ground and pound pesado.

Colby Covington vs Tyron Woodley odds - BestFightOdds
 

Em seu auge, Woodley teria todas as qualidades para vencer Covington. A defesa de quedas intransponível e a excelente defesa em pé, sempre oferecendo grande perigo com a mão direita, são as armas perfeitas para anular o jogo de volume do “Chaos”. Porém, em suas derrotas, Tyron mostrou uma enorme dificuldade em lidar com pressão constante, volume de golpes e mudanças de nível. E Colby faz essas coisas como ninguém. A não ser que o “Chosen One” entregue uma performance vertiginosamente diferente das últimas duas, Covington tem tudo para engoli-lo com volume de golpes em pé e tentativas de queda, conquistando uma decisão confortável.

Peso Meio-Médio: LW #13 Donald Cerrone (EUA) vs. Niko Price (EUA)

Por Matheus Costa

Preenchendo a cota de violência deliberada na noite de sábado, o eterno Donald “Cowboy” Cerrone (36-15 no MMA, 26-13 no UFC) retorna ao octógono para tentar provar um ponto. Afinal, são quatro derrotas consecutivas para o atleta de 37 anos, que tenta lutar contra o adversário mais difíicl de sua carreira: o tempo. Agora, mais maduro, pai e pagando pelo preço da alta quantidade de lutas em sua carreira, as chances não são muito favoráveis.

Mas é simplesmente inegável que Cerrone escreveu seu nome na história do MMA, não apenas pela quantidade de lutas e por seu carisma único, mas pela sua qualidade e feitos dentro do octógono. Seu arsenal técnico sempre foi vasto e completo, embora sem nenhum ponto fora da curva. Trocador bastante competente, sempre com ótimas combinações e volume de bom nível, que se juntam a um excelente uso de clinch com joelhadas e cotoveladas. No chão, Donald é um jiu-jiteiro de qualidade e muito capacitado na hora de buscar finalizações, sempre descolando ótimas oportunidades.

Pequeno para a categoria dos meios-médios, o “Cowboy” vive um óbvio declínio de suas capacidades físicas e a absorção de golpes, um dia impressionante, ainda é decente. Ao longo dos anos, Donald conseguiu corrigir alguns erros importantes de seu jogo, como a defesa que era tão esburacada quanto um queijo suíço. Entretanto, talvez seja tarde demais para isso.

E se Donald Cerrone possui um estilo bastante divertido, o croata Niko Price (14-4-0-1 NC no MMA, 6-4-0-1NC no UFC) não fica para trás neste quesito. O “Híbrido” é dono de um par de mãos bastante potentes e que fazem estrago em seus oponentes de qualquer posição. Mesmo. Fica o exemplo do nocaute sobre Randy Brown, que estava dominando por cima no chão e acabou apagando com supapos que pareciam dignos de um fim de baile funk.

Adepto da estratégia na curta distância, Niko é explosivo e gosta de trocar no pocket para utilizar seu poder de nocaute. Não muito técnico, Price se destaca com combinações simples e potentes, com muita, mas muita agressividade. Entretanto, o jogo de chão não é muito a praia do croata e é um território que ele gosta de evitar para não se expor de forma desnecessária.

Price é um lutador que precisa de uma maior regularidade para tentar chegar em algum lugar em uma das melhores divisões do UFC. É um consenso afirmar que Niko não é o lutador que vá chegar a um top 10 da categoria e talvez nem seja ranqueado, mas trata-se de um atleta que proporciona lutas divertidas e sempre entrega desempenho dentro de suas capacidades.

Donald Cerrone vs Niko Price odds - BestFightOdds
 

Trata-se de um confronto que serve para pedir a atual capacidade de Donald Cerrone dentro de um octógono. Com quatro derrotas seguidas, perder para um lutador que não consegue superar adversários de uma prateleira acima da sua. Entretanto, no panorama atual, não é difícil imaginar que Price possa deitar o Cowboy numa trocação na curta distância.

Acredito que Cerrone vá poupar riscos e jogar dentro de uma estratégia similar a de que lhe fez superar tranquilamente Mike Perry. Ou seja, o Cowboy deve utilizar levar a luta no chão, onde é tranquilamente superior, e buscar uma finalização ainda no primeiro assalto. Esta é a aposta da casa: finalização de Cerrone entre o primeiro e o segundo round, provavelmente com um mata-leão.

Peso Médio: Khamzat Chimaev (RUS) vs. Gerald Meerschaert (EUA)

Por Idonaldo Filho

Checheno, mas representando a Suécia, Khamzat Chimaev (8-0 no MMA, 2-0 no UFC) é a nova aposta de estrela do UFC. Cria do BRAVE CF, Chimaev atropelou concorrência de nível razoável no regional, chegando no líder do mercado como uma grande promessa. Em suas duas lutas, duas surras. Contra John Phillips deu dó tamanha disparidade. Contra Rhys McKee, facilmente derrotou o adversário com um nocaute técnico.

Muito forte, Khamzat costuma pressionar bastante os adversários, apostando no bom wrestling para derrubar e atacar em um ground and pound perigoso. O russo também mostra boa noção no grappling com boas transições e habilidade nos estangulamentos. Em pé, já conquistou um impactante nocaute contra Ikram Aliskerov, via uppercut, além de exibir boa movimentação. É preciso mencionar que Chimaev precisa enfrentar adversários melhores para se identificar fraquezas em seu jogo, já que as duas surras inicias não deram abertura para isso.

O experiente Gerald Meerschaert (31-13 no MMA, 6-5 no UFC) é um dos lutadores mais irregulares no peso médio do UFC, mas serve de ótimo teste para lutadores em ascensão. A maioria de suas derrotas foram contra lutadores ranqueados, ao mesmo tempo derrotando promessas mal preparadas, como Oskar Piechota e Trevin Giles. O americano fará sua primeira luta em 2020, após duelos cancelados em meio a pandemia.

Gerald é conhecido por ser um lutador com bons recursos ofensivamente, mas que tem uma defesa muito esburacada. No chão o faixa preta de jiu-jitsu é muito ativo em busca de submissões, mas entrega muitas posições para o oponente. Em pé tem bons chutes, mas o rosto fica limpo, fruto de uma guarda muito ineficiente. É um lutador de muita raça, mas que com seus defeitos e, com pouca perspectiva de evolução, fica estagnado no meio de tabela.

Gerald Meerschaert vs Khamzat Chimaev odds - BestFightOdds
 

Sem dúvidas é um teste melhor para Chimaev do que foi Phillips nos médios. O russo aparentemente quer atuar em duas divisões ao mesmo tempo e já pede mais lutas. Esse tipo de confiança pode ser bom, mas se empolgar demais contra Meerschaert pode não ser o ideal, tendo em vista o oportunismo do veterano.

Dito isso, a aposta é em vitória dominante do russo por nocaute técnico lá pra metade da luta

Peso Meio-Pesado: #11 Johnny Walker (BRA) vs. #12 Ryan Spann (EUA)

Por Israel Silveira

Poucos lutadores no UFC foram do céu ao inferno tão rápido quanto Johnny Walker (17-5 no MMA, 3-2 no UFC). O brasileiro, já no Contender Series mostrou kickboxing e muay thai perigosos, além da mão pesada e bastante carisma. O hype se confirmou com vitórias rápidas sobre Khalil Rountree, Justin Ledet e Misha Cirkunov (que, combinadas, somaram menos que três minutos) e pareceu que o brasileiro seria um contender na fraca divisão dos meios-pesados. Contudo, Walker teve um duro choque de realidade contra Corey Anderson e uma grande deficiência em seu jogo exposta contra Nikita Krylov.

Uma das respostas que essa luta deve trazer é como Walker estará mentalmente e se ele evoluiu algo em seu jogo com sua mudança para a SBG, com a mentoria de John Kavanagh. Essa luta também serve para analisar se Walker é feito somente de golpes giratórios e plásticos ou se é um lutador bem comportado em pé com bom arsenal de golpes e capaz de se defender. Ele tem muito a provar após uma terrível apresentação contra Krylov.

Ryan “Superman” Spann (18-5 no MMA, 4-0 no UFC) talvez seja a antítese de Johnny Walker: poucos golpes impressionantes, muito clinch, boxe que consiste basicamente em jab com diretos e uma incrível capacidade de deixar as lutas feias.  Apesar do estilo “feio”, Spann vem tendo sucesso em uma divisão fraca de talentos e já acumula quatro vitórias seguidas, mesmo que nenhuma tenha sido impressionante. O “Superman” esteve muito próximo de ser nocauteado por Sam Alvey, o que liga um sinal de alerta para qualquer um que pense em apostar nele.

Spann é capaz de sustentar um jogo cansativo de clinch por três rounds, mesmo que pareça chato. Seu wrestling também é uma boa arma, capaz de levar adversários para o chão, principalmente usando bodylocks. Todavia, seu ground and pound é muito mais no estilo do “Deus nos acude”, já que raramente consegue infligir grandes danos em seus adversários estando por cima.

Johnny Walker vs Ryan Spann odds - BestFightOdds
 

A grande questão para essa luta é: Ryan Spann pode fazer com Walker o mesmo que Nikita Krylov fez? A tomada de decisão de Spann é quase sempre questionável e muitas vezes ele tenta quedas sem prepará-las com golpes. Isso pode ser um grave problema contra um bom lutador de muay thai como Johnny Walker. Caso não consiga levar a luta para o chão, ele deve ser presa fácil para Walker em pé. A aposta vai para Johnny Walker por nocaute.

Peso Palha: #15 Mackenzie Dern (EUA) vs. Randa Markos (CAN)

Por Matheus Costa

Uma das promessas de maior hype dos últimos anos no MMA feminino é a estadunidense Mackenzie Dern (8-1 no MMA, 3-1 no UFC) – afinal, trata-se de uma das maiores lutadoras da história do jiu-jítsu. Entretanto, essa expectativa toda ainda não se explicou quando analisamos seus desempenhos dentro do octógono.

O processo da carreira de Mackenzie no MMA foi muito corrido. Muito antes de estar pronta para competir em alto nível no MMA, se acostumando com a rotina de cortes de peso e treinos, Dern já tinha assinado seu primeiro contrato com o UFC. Em sua primeira luta na maior organização do esporte, era claro que sua única capacidade técnica era realmente o seu jogo de chão, que de fato é muito fora da curva. Mas será o suficiente? A história do esporte já provou que não. Depois de duas vitórias, a filha de Megaton foi dominada por Amanda Ribas e tomou o necessário choque de realidade. Em seu retorno, em maio, finalizou rapidamente a limitada Hannah Ciffers com uma bela chave de joelho, a primeira da história das categorias femininas do evento.

Em pé, Dern é lenta e tem muita pouca capacidade técnica na hora de trocar golpes, chegando a ser desengonçada. Por ser forte e habituada a competir em categorias acima da dos palhas, logo, sua força acaba sendo um dos poucos destaques e já mostrou que tem uma mão que consegue fazer danos. A luta agarrada é muito acima do nível da maioria, mas aplicar o jiu-jítsu de pano para o MMA com a utilização de luvas torna-se uma missão não tão simples.

Uma das veteranas do MMA feminino, Randa Markos (10-8-1 no MMA, 6-7-1 no UFC) torna-se um bom teste para provar a capacidade de Mackenzie Dern. Em má fase, uma derrota para a “Tempestade Calma” pode significar um convite para passar no departamento de recursos humanos da organização de Dana White.

Aos 35 anos de idade, Markos sempre deu poucos sinais de que conseguiria alçar voos maiores rumo ao topo da categoria dos palhas, mas sempre bateu no teto e caiu de cara no chão. Sua grande especialidade é o wrestling, que não deve ser muito utilizado na luta contra Mackenzie por motivos mais do que óbvios. Portanto, decente em pé, deve ser por onde a estadunidense deve tentar guiar a luta em busca da vitória. Longe de ser agressiva, Randa deve tornar o confronto tedioso para buscar uma vitória burocrática, anulando sua adversária.

Mackenzie Dern vs Randa Markos odds - BestFightOdds
 

Como dito acima, este é um bom confronto para testar a capacidade de Mackenzie Dern contra uma veterana que cumpre seu papel de porteira na boa categoria dos palhas. A tendência é que a especialista em jiu-jítsu tente buscar um bote de olho em uma finalização, enquanto Randa deve tentar manter o confronto em pé para minar a baixa capacidade de sua oponente na trocação.

A aposta fica para uma luta tediosa, mas que não dure os três rounds. Acredito que Markos não seja capaz de parar o ímpeto de Mackenzie na luta agarrada, até mesmo pela diferença de força. Logo, o palpite é a finalização de Dern no segundo assalto do confronto.