Por Edição MMA Brasil | 11/06/2021 18:14

O grandioso UFC 263 está mais próximo do que nunca, senhoras e senhores. Neste sábado (12), o UFC realiza diretamente da Gila River Arena em Glendale, Arizona (EUA) um dos melhores eventos do primeiro semestre, com duas disputas de cinturão que trazem duas revanches interessantes.

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Na luta principal da noite, o nigeriano Israel Adesanya retorna da falha tentativa de conquistar dois cinturões e coloca novamente o cinturão dos médios em jogo. Do outro lado, o desafiante é o italiano Marvin Vettori, que traz um cenário interessante por ter conseguido colocar o campeão no chão em algumas oportunidades no primeiro embate entre os dois.

Já na luta coprincipal do evento, o brasileiro Deiveson Figueiredo reencontra o desafiante Brandon Moreno depois de um dos melhores combates de 2020 entre os dois. O primeiro encontro, que terminou em empate majoritário, deixou brechas inevitáveis para uma segunda dança dentro do octógono.

Por fim, Leon Edwards retorna ao octógono após o decepcionante fim de combate contra Belal Muhammad e tenta engatar sua disputa de cinturão nos meios-médios. Para isso, ele terá pela frente o grande Nate Diaz, que retorna após quase dois anos e tenta se provar contra um lutador de elite da divisão.

O UFC 263 tem início previsto para as 19h com as lutas preliminares, enquanto o card principal deve começar por volta de 23h (horário oficial de Brasília). A transmissão do evento será feita de modo exclusivo pelo Canal Combate no Brasil.

Cinturão peso médio: (c) Israel Adesanya (NIG) vs. #3 Marvin Vettori (ITA)

Por Israel Silveira

A disputa de cinturão dos pesos médios no UFC 263 representa uma revanche entre o atual campeão Israel Adesanya e o nome em plena ascensão na categoria, Marvin Vettori. Os dois se enfrentaram em 2018 quando ainda eram peixes pequenos na divisão, e na ocasião o nigeriano saiu vencedor por decisão dividida.

Israel Adesanya (20-1 no MMA, 9-1 no UFC) está a poucos passos de verdadeiramente limpar a divisão dos médios, tendo enfrentado tudo o que a categoria tinha a oferecer: wrestlers, strikers, brawlers, ex-campeões etc. O astro da City Kickboxing até agora se mostrou irrepreensível, exceto por sua mais recente luta, na qual subiu para a divisão dos meios-pesados por uma chance de glória mas acabou sendo controlado pelo campeão Jan Blachowicz, em uma luta onde a diferença de peso provou ser fator crucial a favor do polonês.

A luta contra Blachowicz certamente acendeu uma ponta de esperança nos demais desafiantes ao cinturão dos médios: a defesa de quedas de Israel Adesanya não é perfeita. O nigeriano se mostra intocável em pé e outros nocauteadores da divisão como Paulo Borrachinha, Yoel Romero, Whittaker e Anderson Silva pouco puderam fazer. Adesanya está simplesmente em outro nível, sendo que mesmo no Kickboxing o nigeriano teve impressionante cartel de 75-5, com 14 nocautes. No entanto, a sua defesa de quedas foi pouco vazada até aqui na divisão dos médios, sendo que os únicos que conseguiram colocar o campeão de costas para o solo foram Rob Wilkinson, que eventualmente foi nocauteado; Brad Tavares e Kelvin Gastelum, que não conseguiram segurar Adesanya no solo e um certo italiano chamado Marvin Vettori.

Marvin Vettori (17-4-1 no MMA, 7-2-1 no UFC), aluno de Rafael Cordeiro na Kings MMA, vem em ótima sequência de cinco vitórias consecutivas e vive a melhor fase da carreira. O italiano, que chegou como um prospecto bastante “básico” ao UFC, demonstrou uma acentuada evolução em pé e no wrestling, apesar de continuar um lutador bastante básico. Alguns até o comparam com o americano Chris Weidman, dada a sua abordagem carregada de wrestling e striking de bastante pressão. Vettori sempre tenta estabelecer seu jab e o usa para aproximação, tal qual diversos outros lutadores da Kings MMA. Vettori também tem bastante gás e capacidade para implementar seu jogo por quantos rounds forem necessários.

Em seu primeiro confronto com Israel Adesanya, Vettori fez uma luta bastante competitiva, mas acabou sendo vítima do jogo de pés do campeão que aproveitou o fato do italiano ser um lutador bastante previsível. No entanto, ele eventualmente conseguiu colocar as mãos em Adesanya e o colocou para baixo em duas oportunidades durante o terceiro assalto. Não foi o suficiente para superar os dois primeiros rounds quase perfeitos de Adesanya, nos quais Vettori foi bastante acertado. Esse talvez seja o principal ponto fraco do desafiante: sua defesa. O italiano sempre recebe muitos golpes em suas lutas enquanto tenta encurtar a distância. Mesmo contra Kevin Holland, luta em que Vettori dominou por completo, ele tomou alguns sustos em pé. Contra Adesanya o italiano sempre estará em perigo enquanto a luta estiver na distância.

Israel Adesanya vs Marvin Vettori odds - BestFightOdds

O panorama para o combate é claro: Adesanya tentará manter seu adversário na longa distância e tentar fazê-lo pagar caro por cada investida, já que é um dos melhores contragolpeadores de todo o MMA. Já Vettori tentará o bom e velho “lay and pray”, ou seja, se jogar para conseguir uma queda por quanto tempo for necessário para evitar os golpes do campeão. No chão, não há dúvida de que italiano é o lutador superior. Em pé, o nigeriano tem claros caminhos para a vitória. É uma luta em que Marvin tem bastante chances, mas acredito que sua defesa bastante vazada o deixará na mão. A aposta vai para Israel Adesanya por decisão tranquila.

Peso mosca: (c) Deiveson Figueiredo (BRA) vs. #1 Brandon Moreno (MEX)

Por Matheus Costa

Depois de um dos melhores confrontos do ano de 2020, os deuses do MMA agraciaram a cabeça dos matchmakers do UFC com a decisão de remarcar a revanche imediatamente. Por isso, o brasileiro Deiveson Figueiredo (20-1-1 no MMA, 9-1-1 no UFC) tem a chance de espantar o fantasma do seu cartel e seguir sua carreira com o cinturão dos moscas.

Cria da Ilha de Marajó, no Pará, o “Deus da Guerra” teve um ano de 2020 completamente espetacular. Em fevereiro, nocauteou Joe Benavidez pelo cinturão dos moscas, mas não conquistou a cinta por não bater o peso. Cinco meses depois, o resultado se repetiu, e com o peso batido, o cinturão, enfim, chegou. Em novembro, enfrentou o talentoso Alex Perez e fez o americano parecer um amador ao finalizar o combate em menos de dois minutos. Sem levar danos, topou enfrentar Brandon Moreno pouco menos de um mês depois para protagonizar uma das melhores lutas do ano e da história da categoria, que terminou em empate majoritário.

Ao longo de sua evolução nos últimos anos, Deiveson Figueiredo se tornou um lutador muito acima da média com um estilo muito bom de assistir. Violento ao máximo, Figueiredo tem o estilo baseado em pressão e alto volume de golpes, que trazem as mãos mais pesadas de toda a categoria dos moscas. Seu chão também mostrou grande evolução nos últimos tempos, e a finalização contra Alex Perez prova isso. A defesa de golpes é um dos poucos buracos do brasileiro, que não costuma reagir bem quando é pressionado.

A história de Brandon Moreno (18-5-2 no MMA, 6-2-2 no UFC) é uma das mais legais dos últimos tempos em todo o esporte. Campeão de um evento regional de quase zero visibilidade, conseguiu a chance de participar do TUF 24 e impressionou por sua resistência e qualidade. E mesmo não sendo o campeão da edição, recebeu uma chance e assinou com a organização. E quando Dana White teve uma inexplicável decisão de quase encerrar a categoria, o latino foi um dos principais nomes a serem demitidos numa leva de lutadores talentosos. Em sua primeira luta fora do evento, assinou com o LFA e conquistou o cinturão, sendo recontratado logo em seguida. Desde então, três vitórias e dois empates em cinco lutas lhe deram o espaço para ser um dos melhores lutadores da categoria.

Com um coração enorme e uma raça interminável, Brandon Moreno é um lutador fora da curva na luta em pé para os padrões da divisão dos moscas. O mexicano é bastante rápido e possui um vasto arsenal de golpes, mas é no chão que ele se destaca, já que é considerado um grappler muito efetivo e de alta capacidade técnica. Ele também se destaca pela inteligência dentro do octógono, sempre se adaptando com facilidade a diferentes cenários. Como ele não gosta muito de defender golpes, a primeira luta mostrou que Deiveson pode explorar certos buracos, mas em momentos certeiros.

Brandon Moreno vs Deiveson Figueiredo odds - BestFightOdds

Acredito que os dois primeiros rounds sejam praticamente idênticos aos da primeira luta, com uma terceira guerra mundial com bombas lançadas dos dois lados. Acredito que ambos, novamente, irão se destacar por suas principais valências na luta em pé: Deiveson pela agressividade e Brandon por seu jab e noção de distância. No entanto, em toda revanche, ajustes são necesários e isso deve acontecer.

A luta agarrada deve ser o trunfo desse confronto, e caso Deiveson mostre uma defesa de quedas afiada como vem mostrando, isso pode ser o diferencial. É uma luta bastante parelha e muito complicada de apostar, mas o escriba vai no palpite de que o cinturão continuará no Brasil por decisão dos juízes.

Peso meio-médio: #3 Leon Edwards (ING) vs. Nate Diaz (EUA)

Por Matheus Costa

Depois de ser preterido de uma disputa de cinturão por mais de dois anos, o inglês Leon Edwards (18-3, 1 NC no MMA, 10-2, 1 NC) tenta, enfim, voltar a ser ativo dentro do octógono para que consiga concluir seu objetivo. Antes disso, ele terá outro sonho realizado: a tal “money fight” que tanto sonhou contra um dos nomes mais conhecidos da organização em Nate Diaz.

Desde o início de 2020, Leon Edwards teve cinco combates cancelados ou remarcados e isso dificultou demais sua sequência. O início da pandemia cancelou seu confronto com o ex-campeão Tyron Woodley em março de 2020. Só contra Khamzat Chimaev foram três cancelamentos por conta de Covid-19, e o último rendeu o confronto contra Belal Muhammad. Com uma boa atuação no primeiro assalto, uma dedada no olho do americano com descendência paquistanesa interrompeu o confronto no segundo round com um no-contest. Agora, contra Nate Diaz, uma lesão de Diaz remarcou o duelo de maio para junho. Sim, uma zica das brabas.

Edwards, acima de tudo, é um lutador bem completinho. Em pé, falamos de um boxer polido e talentoso, que se destaca pela precisão de seus golpes e pouco volume. Sua movimentação e ótimo jogo de pés lhe dá uma versatilidade e capacidade de adaptação aos momentos de adversidade, um ponto importante em seu jogo, assim como o bom controle de distância. Muito pragmático em certas situações, o “Rocky” não possui um senso de urgência muito aguçado, algo que lhe prejudica na hora de finalizar as lutas.

Lutando pela primeira vez em um ano e meio, o interminável e sempre carismático Nate Diaz (20-12 no MMA, 15-10 no UFC) está longe de ser um lutador que aparece com frequência no octógono, mas sempre que dá o ar da graça, mostra que sua qualidade é imensa. Depois de bailar contra Anthony Pettis após três anos de férias prolongadas, o “Gangsta” não se deu bem contra Jorge Masvidal e foi derrotado por interrupção médica.

Versátil e dono de um dos estilos mais únicos da história do esporte, Nate Diaz é um boxer de origem de qualidade imensa. Alto volume de golpes e precisão letal destacam um estilo que traz uma criatividade notória para encontrar golpes na hora de atingir os adversários. Embora seu wrestling seja bem questionável, o faixa-preta de Cesar Gracie mostra ótimo jiu-jítsu e traz um vasto arsenal de finalizações na hora de atacar, independentemente da posição em que estiver.

Leon Edwards vs Nate Diaz odds - BestFightOdds

Numa luta empolgante com dois atletas que estão de certa forma enferrujados pela pouca atividade em um tempo considerável, acredito que Edwards e Diaz protagonizem um confronto de altíssima qualidade na luta em pé. A tendência é que os dois troquem socos de forma desenfreada por cinco rounds, ou seja, gostamos.

No entanto, acredito que a movimentação constante do atleta inglês seja o ponto-chave para que a vitória caia nas mãos de Leon Edwards. Em um confronto apertado, a aposta fica para a vitória do “Rocky” por decisão dos juízes.