Por Edição MMA Brasil | 25/09/2020 12:21

Depois de uma série de eventos em Las Vegas, o UFC retornará para mais uma passagem na Ilha da Luta. A Yas Island em Abu Dhabi receberá o UFC 253, que contará com uma das lutas mais esperadas do ano.

O duelo entre o campeão Israel Adesanya e o desafiante Paulo Borrachinha pelo cinturão dos médios é bem aguardado pelos fãs e promete grandes momentos. Além disso, o combate coprincipal coroará o novo detentor do título dos meios-pesados. Dominick Reyes tentará novamente conquistar o reinado da categoria ao enfrentar Jan Blachowicz pelo posto deixado vago por Jon Jones.

Outras lutas de destaque envolvem os pesos moscas Brandon Royval e Kai Kara-France, que buscam a consolidação no top 10, e o embate entre Brad Riddell e Alex Leko nos leves.

O UFC 253 será realizado neste sábado e terá início às 20h00 com o card preliminar, enquanto a porção principal tem o início previsto para 23h00, no horário de Brasília, com transmissão exclusiva do Canal Combate.

Cinturão Peso Médio: C Israel Adesanya (NIG) vs. #2 Paulo Borrachinha (BRA)

Por Bruno Costa

Israel Adesanya (19-0 no MMA, 9-0 no UFC) chegou ao UFC causando impacto em curto espaço de tempo. Ele se tornou campeão linear do peso médio em menos de 20 meses após estrear na organização. O nigeriano radicado na Nova Zelândia, além de ser ótimo tecnicamente, tem estilo de luta atraente aos fãs e personalidade marcante. Dessa forma, acelerou seu processo de desenvolvimento no octógono.

Um preciso trocador que utiliza fintas com maestria pouco vista no MMA, Adesanya utiliza a altura e envergadura para controlar a distância dos adversários e variar a região dos golpes desferidos. Para conter os oponentes, que normalmente tentam pressioná-lo para tirar sua efetividade, utiliza uma movimentação inteligente e reflexos muito apurados. A defesa de quedas é de ótimo nível porque incorpora a movimentação constante. Isto faz com que tenha se visto pouco do seu grappling defensivo até o momento – o que deve permanecer uma realidade para o próximo duelo.

Paulo Borrachinha (13-0 no MMA, 5-0 no UFC) é mais um lutador de rápida ascensão nos rankings do UFC. O ex-campeão do Jungle Fight teve grande evolução física, técnica e mental desde a passagem pelo TUF Brasil, em que foi eliminado por Marcio Lyoto.

Antes um lutador de pouca movimentação, bastante cru na troca de golpes e que buscava também a luta no solo com maior constância, Borrachinha passou a exercer pressão sobre os adversários e se utilizar da grande potência nos punhos para mudar completamente de nível. Pela capacidade de aumentar o arsenal ofensivo e mudar a forma de encarar os combates, o brasileiro parece ter uma boa equipe ao seu redor e ouvir muito aos treinadores.

Desde a chegada no UFC tem demonstrado resistência física para resistir aos ataques dos oponentes mesmo com uma defesa esburacada. Assim, parte para cima como uma carreta sem freio. A questão agora é se conseguirá dar o próximo passo para virar campeão da categoria. Para isso, precisará se ajustar às dificuldades que serão apresentadas pelo confronto de estilos.

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A disputa do título do peso médio entre os dois invictos tem tudo para ser das melhores lutas do ano. Muito embora a última luta do campeão não seja digna de elogios e muitos fãs comparem Borrachinha a Yoel Romero, a força física brutal parece ser a única semelhança.

Adesanya é um lutador que melhora ao longo dos combates e adapta sua fase ofensiva ao tipo de iniciativas tomadas pelos seus oponentes. Contra Romero, que pouco ataca e muito menos ainda se utiliza de padrões previamente estabelecidos, Adesanya sofreu para entender o adversário. Preocupado com contragolpes muito duros do touro que enfrentava, acabou, por consequência, espelhando as poucas ações que tornaram o combate muito monótono.

Contudo, não há dúvidas de que o cenário será diferente contra Borrachinha. O brasileiro é um lutador de muita agressividade e que não economiza na movimentação para cortar o cage em busca dos adversários. Os golpes no corpo, ferramenta cada vez mais incorporada ao jogo de Borrachinha, podem ser de vital importância para que o desafiante consiga diminuir o poder de movimentação que será essencial a Adesanya no combate.

Com mais habilidoso na troca de golpes e excelente vantagem de envergadura, além de disciplina e capacidade atlética para levar a luta por cinco rounds, caso necessário, Adesanya é o favorito para a disputa. Entretanto, Borrachinha tem volume de golpes e potência o suficiente para levar muito desconforto ao campeão. Qualquer equívoco de movimentação ou cálculo de distância pode ser fatal. O brasileiro precisará demonstrar uma evolução defensiva considerável para aumentar suas chances na disputa. Esta impressão vem do fato de que sofreu contra um oponente muito inferior ao de sábado quando enfrentou o instável Uriah Hall. Na ocasião, recebeu uma clínica de jabs no primeiro assalto, um cenário que deve ser repetido caso não tenha feito ajustes.

Adesanya sofreu por alguns momentos contra Gastelum quando pressionado, mas esse com as mãos muito mais velozes do que o próximo desafiante. Contra Marvin Vettori também ficou desconfortável em alguns momentos em que foi encurralado no octógono. No entanto, esta era uma fase bastante diferente da atual e ainda inexperiente no esporte. Porém, quando pressionado contra Robert Whittaker, encontrou diversas vezes o queixo do rival, controlando magistralmente a distância, mesmo que o ex-campeão tenha se exposto em excesso na ocasião.

Esperando por um duelo cheio de ações, a aposta é que Borrachinha comece o duelo em alta velocidade para abafar Adesanya. Para isso, finalizará sequências com socos e chutes no corpo. Todavia, a tendência é que o campeão seja capaz de controlar o ritmo do combate e a distância em que será disputado. Dessa forma, conseguirá desgastar o rival para buscar uma vitória por decisão ou até mesmo uma interrupção no quinto round.

Cinturão Peso Meio-Pesado: #1 Dominick Reyes (EUA) vs. #3 Jan Blachowicz (POL)

Por Israel Silveira

Dominick Reyes

Dominick “Devastator” Reyes (12-1 no MMA, 6-1 no UFC) provavelmente foi o lutador que mais fez o ex-campeão Jon Jones parecer vencível. Jones já havia passado por apuros contra Alexander Gustafsson, mas Reyes realmente o deixou desconfortável durante todo o combate. O “Devastator” conseguiu vitórias contra bons nomes como Ovince Saint Preux, Chris Weidman e Volkan Oezdemir.

Para conseguir esta sequência, se valeu do bom kickboxing e excelentes atributos físicos. Reyes traz para o octógono 1,93m de altura e uma mão esquerda devastadora com a qual ele já acumula quatro knockdowns no UFC. Há algumas brechas em seu jogo, notadamente o gás e defesa de quedas. Inclusive, esta última quase lhe custou a luta contra Oezdemir. Reyes visivelmente cansou contra Jones após os dois primeiros rounds. Contudo, enquanto teve gás, frustrou o campeão com combinações rápidas e bom trabalho de pés. Muitos esperavam que Weidman seria capaz de controlar Reyes com seu wrestling, mas Dominick o despachou antes dessa possibilidade. O americano consegue destruir adversários com um único golpe e especialmente nos primeiros rounds.

Jan Blachowicz (26-8 no MMA, 9-5 no UFC) teve um início de carreira pouco inspirador no UFC.  Isto foi reforçado após as derrotas para Jimi Manuwa e Corey Anderson. Além disso, a derrota para Alexander Gustafsson fez muitos pensarem que o polonês atingira seu teto no UFC. Entretanto, desde 2017 ele vem em uma sequência de sete vitórias, sobre nomes como Luke Rockhold, Ronaldo Jacaré e o já citado Anderson. O único tropeço no período veio contra Thiago Marreta. Na ocasião, Jan se empolgou e acabou recebido por uma dura esquerda do brasileiro que o mandou direto para o além-vida.

Uma palavra que resume bem o jogo de Blachowicz é “justo”. Não há nada de especial em sua caixa de ferramentas, porém ele faz tudo com grande competência. Tem um bom jab, poder de nocaute, sabe se defender em pé, aplicar um jogo efetivo de quedas e tem jiu-jítsu sólido. Geralmente este tipo de jogo não é o suficiente para derrotar um “fora de série” em uma disputa de cinturão. Todavia, este não parece ser o caso contra Reyes.

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Reyes é bastante favorito para a disputa com razão. Blachowicz não terá nenhuma vantagem de tamanho para este combate e o americano é bem mais técnico em pé, além de trazer sério poder de nocaute. Jan depende muito do jab para estabelecer a trocação e Dominick, canhoto, mostrou a capacidade de neutralizar e contragolpear este movimento até aqui. Os chutes de Reyes também trarão problemas para Blachowicz, comprometendo sua movimentação. O polonês deve tentar a queda em algumas oportunidades e testar a defesa do adversário. No entanto, durante os dois rounds iniciais, Reyes vai ditar as ações do combate e eventualmente conseguir o nocaute.

Peso Leve: Brad Riddell (NZL) vs. Alex Leko (BRA)

Por João Gabriel Gelli

Brad Riddell (8-1 no MMA, 2-0 no UFC) é mais um integrante da City Kickboxing no card. Companheiro de treinos de Adesanya, Kara-France, Shane Young e Alexander Volkanovski, é um lutador em ascensão no peso leve. Ele tem um longo histórico no kickboxing, com duelos contra os ótimos Regian Eersel e Cedric Doumbé no currículo. Brad estreou no MMA em 2013, mas sua carreira só avançou a partir do fim de 2016. Sua vitória de maior destaque no cenário regional veio contra Song Kenan. Já no UFC, superou Jamie Mullarkey na luta da noite do UFC 243 e venceu um difícil teste diante de Magomed Mustafaev.

Como seu histórico indica, o ponto forte de Riddell está na luta em pé. Não só isso, mas é possível dizer que ele é um dos melhores no quesito no peso leve. Ele ataca com potência, é rápido para avançar, tem um trabalho de pernas de qualidadade. Brad usa bem as fintas para abrir espaços e fazer leituras que permitem os contragolpes precisos. Costuma atacar em combinações, quase sempre terminando com chutes e é adepto dos socos no tronco dos oponentes.

Além disso, mostrou evolução rápida até aqui, sobretudo na luta agarrada. Contra Mustafaev foi muito bem ao neutralizar as investidas e evitar situações complicadas. Riddell é atlético e está no auge físico da carreira, o que significa que pode trazer ainda mais melhorias.

Alex Leko (21-2 no MMA, 1-1 no UFC) fez boa parte da carreira no Aspera FC. Integrante da Astra Fight Team, teve muitos confrontos fáceis, como é padrão para lutadores da academia nesse evento. No final de 2016 foi para o Brave, fez três duelos e conheceu a primeira derrota. Com dois triunfos seguidos, recebeu o chamado do UFC. Ele chegou na organização sendo finalizado por Alexander Yakovlev, mas se recuperou ao superar Rodrigo Vargas no último compromisso.

O brasileiro demonstra velocidade e boa capacidade atlética. Na luta em pé, tem alguma potência, mas não parece muito confortável. Ataca com muitos golpes cruzados e alguns chutes, com uma técnica um tanto mecânica. A preferência está em levar o duelo para o solo. Leko exerce um controle efetivo por cima, tem noção para as transições e dispara um ground and pound razoável. No entanto, a impressão é de que depende mais da força do que da habilidade para conseguir quedas.

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Este é um confronto abaixo do que esperava para o próximo passo na carreira de Riddell. De qualquer forma, parece ser de algum interesse para o UFC colocá-lo em um duelo para exibir suas qualidades.

Leko deve buscar a luta agarrada. Contudo, se Mustafaev teve dificuldades para derrubar e controlar o neozelandês, o brasileiro também terá problemas. Assim, a expectativa é que o duelo se passe em pé. Nessa configuração, é difícil imaginar um cenário que não envolva um domínio por parte de Brad. Riddell provavelmente abusará dos golpes no corpo para abrir caminho e chegar ao nocaute ainda na metade inicial do confronto.