Yair Rodríguez impõe mais uma derrota brutal a BJ Penn na luta principal do UFC Fight Night 103

Sólida dieta de chutes garantiu a Yair Rodríguez uma vitória impactante sobre o veterano BJ Penn, que sofreu o primeiro knockdown neste UFC Fight Night 103.

A primeira noite da maior organização do MMA mundial acabou do modo esperado. No UFC Fight Night 103, numa luta absolutamente unilateral, o mexicano Yair Rodríguez chutou BJ Penn de todos os modos até chegar ao nocaute.

A maioria dos 11.589 torcedores que compareceram à Talking Stick Resort Arena, em Phoenix, apoiou Penn a plenos pulmões. O havaiano até tentou imprimir ritmo no começo, levando Rodríguez para a grade. Porém, uma luta acelerada era favorável ao mexicano. Foi exatamente isso o que aconteceu. Quando saiu do clinch, o “Pantera” estabeleceu a distância e passou a agredir o veterano com chutes de toda sorte, um mais potente que o outro. Dois altos deram a tônica do que poderia vir e balançaram BJ, que mostrou a raça costumeira e aguentou a surra. Suas pernas também foram minadas e o primeiro assalto terminou com a sensação de que o combate não duraria muito mais.

Não durou mesmo. Logo nos primeiros segundos de ação no retorno, Yair acertou um chute alto frontal e emendou com um cruzado sem equilíbrio. Porém, a soma dos dois golpes mandou Penn à lona pela primeira vez em sua carreira no UFC. O que se viu a partir de então foi um brutal ataque no ground and pound, diante de um passivo “Big” John McCarthy. O árbitro estava bem colocado, mas demorou muito para interromper o duelo.

Nunca é fácil ver um ídolo do esporte sucumbir desse jeito. O duelo foi um matchmaking ridículo. Rodríguez, que não tem nada a ver com isso, abocanhou um dos bônus de desempenho da noite, adicionou o nome mais pesado em seu cartel e se firma como uma força na categoria dos penas.

Joe Lauzon vence duelo animado contra Marcin Held e mostra caráter no fim

No segundo duelo mais importante do evento de Phoenix, Joe Lauzon e Marcin Held trocaram momentos de domínio. No final, o americano teve uma atitude rara.

Logo de cara, Lauzon atingiu a lateral da cabeça de Held com cotoveladas dos infernos quando o polonês tentou pressioná-lo contra a grade. Os golpes foram tão potentes que fizeram o jovem europeu ceder a posição para o chão. Depois de uma bela movimentação de ambos, Held conseguiu outra queda, mas não encontrou espaço para trabalhar. No fim, Marcin foi à lona num movimento que não ficou muito claro de ter sido um knockdown. De qualquer maneira, 10-9 para o americano.

Na segunda etapa, Held teve mais sucesso nas quedas e, mesmo quando Lauzon o derrubou, o europeu conseguiu reverter e pegar as costas. Quando o cronômetro marcava menos de dois minutos para o fim, Held aplicou um belo double leg e caiu na guarda de J-Lau. Joe então deu um belo bote no braço do europeu, mas perdeu a posição quando tentou esticar o armlock. Apesar da tentativa de finalização ter sido o momento mais agudo do round, Held empatou a contenda pelo tempo de domínio.

Lauzon encaixou dois socos potentes na abertura do último assalto, o que fez com que Held buscasse novamente a luta agarrada. O polonês mais uma vez derrubou, mas fez pouco no chão e cedeu espaço para Lauzon ficar de pé. O americano então pressionou com socos fortes e o adversário provocou o clinch novamente. Mais uma queda de Held no final do round possibilitou que o europeu acabasse o duelo no controle das ações.

No fim do combate, uma postura sensacional de um camarada sensacional. Quando Bruce Buffer leu os resultados oficiais – dois 29-28 para Lauzon contra um 30-27 para Held – Lauzon balançou a cabeça negativamente. Na entrevista a Jon Anik, o americano disse que discordava totalmente do resultado e que seu oponente merecia ter vencido. A contagem do MMA Brasil foi de 29-28 a favor de Held.

Contundência de Ben Saunders supera volume de Court McGee

O primeiro round foi movimentado e equilibrado, como esperado. Os lutadores praticamente se igualaram no volume de golpes lançados, mas Saunders teve vantagem na contundência e na diversidade, usando mais os chutes, principalmente no corpo, e joelhadas no thai clinch.

McGee ajustou a distância no segundo assalto, manteve o volume na distância e conseguiu alguns bons momentos quando esteve no pocket, mas sem sair para o clinch. Já Saunders continuou superior na potência, que é o principal critério de pontuação.

A terceira etapa foi a mais tranquila de pontuar. Quando McGee finalmente conseguiu uma queda, iniciou um bom trabalho de ground and pound. A guarda ativa de Saunders incomodou, mas o vencedor do TUF 11 estabilizou a posição, esmagou o adversário contra a grade e desceu cotoveladas até o fim do combate.

Depois de dois rounds equilibrados, poderíamos esperar placares para todos os lados e não seria absurdo algum. No entanto, os juízes oficiais valorizaram a contundência, como mandam as regras, e pontuaram a luta com um triplo 29-28, mesmo placar anotado pelo MMA Brasil, a favor de Ben Saunders.

Sergio Pettis vence John Moraga com mais uma atuação madura

Apesar de ter apenas 23 anos, Sergio Pettis mostra cada vez mais maturidade no octógono. Neste domingo, ele não teve dificuldade de passar pelo ex-desafiante John Moraga e já se firma entre os bons valores da divisão dos moscas.

O boxe foi o principal argumento de Pettis na primeira etapa, seja nas combinações de socos que não permitiram que Moraga ficasse confortável, seja na movimentação de cabeça que fez o adversário errar muitos golpes. Sergio se mostrou tão bem que conseguiu vantagem inclusive na curta distância, que deveria beneficiar o rival, especialmente usando os contragolpes. Por duas vezes, Moraga foi balançado por pancadas violentas de Pettis e quase foi a knockdown.

Moraga tentou mudar de nível no segundo round com uma queda, mas não arrumou nada no chão. Com o combate de volta ao centro, Pettis retomou o controle, usou mais os chutes, mas imprimiu menor margem do que na parcial anterior. No terceiro, Moraga precisava ligar o senso de urgência, mas Pettis o fez recuar. O ex-desafiante então voltou à luta agarrada e, depois de errar a primeira tentativa, conseguiu derrubar, cair sobre a guarda de Pettis e arriscar uma chave na pé, mas o posicionamento foi mal executado. Para piorar, Sergio conseguiu reverter e pegar as costas. Quando o duelo voltou à troca de golpes, mais do mesmo.

Na leitura das papeletas, dois juízes marcaram 29-28 para Pettis e um apontou o mesmo 30-27 que o MMA Brasil viu. Pettis chegou à terceira vitória consecutiva e Moraga amarga o terceiro revés seguido. Um avança no ranking e o outro tem o emprego em risco.

  • Sexto Empírico

    Rodriguez vs Penn

    Que massacre! Não vou dizer q já sabia pq não é verdade. Se eu tivesse esse dom, certamente seria bilionário sem o menor esforço. Mas era um tanto previsível, sim, devido ao alto risco disso acontecer. A surpresa seria Penn arranjar alguma coisa. Fosse um lutador desconhecido, estariam todos dizendo que o UFC está empregando veteranos semi-profissionais para encher cartéis de jovens promessas. Foi um mismatch? Óbvio q foi. Mas, proposital! E não é a primeira vez. A impressão que fica é que o UFC quer fazer o BJ desistir de vez na base da brutalidade. Espírito guerreiro ele tem como raros. Porém, a velocidade e a força física que põem na prática a técnica e toda sua gana pela competição ficaram lá atrás junto com seu legado num passado mais glorioso. Qual será a próxima luta boa pro Penn? Doo Ho Choi, Jeremy Stephens? Tomara que ele desista ou tome um caminho mais fácil. Afinal, já fez muito pelo esporte, seu legado já está consolidado e os burros estão na sombra. Entretanto, se UFC oferecer, ele encara até o Aldo, infelizmente.

    • Alexandre Matos

      É foda. O UFC poderia pensar numa divisão de veteranos, porque assim tá foda.

      • IMPERADOR

        Concordo!
        Essa seria a saída para os veteranos (+40) que ainda tem lenha pra queimar.

        • Sexto Empírico

          Quando eu penso nessa hipótese, me vem logo a luta Royce vs Shamrock. Eu acho q um esporte como o MMA não é pra quem está mais ou menos. E se o cara quiser continuar competindo, há outras saídas. O negócio é que eles já estão capengas e ainda querem competir em alto nível.

          • IMPERADOR

            No caso da luta citada, os dois estavam afastados do mundo da luta havia anos ja. Foi o confronto de dois extraterrestres que resolveram voltar a terra para lutar.
            Mas, existem nomes que ainda estão na ativa e poderiam ter uma sobrevida no esporte, enfrentando outros lutadores em mesma situação: Victor Belfort, Anderson Silva, Tim Boetsh, Cung Lee, etc…
            Talvez eles não fizessem lutas das mais empolgantes. Mas, nos poupariam de experiências como a de ver um nome como o Bj Penn passar pelo que passou no Domingo.

      • Bruno Fares

        Já teve texto sobre isso por aqui!

  • FABIO NEVES

    BJ já entrou no segundo round derrotado.
    Sei lá, viu…..

    Duas coisas me incomodaram no BJ de ontem:

    – Compleição física atrofiada, pequeno e sem tônus muscular.
    – Gameplan zero, sem boxe e movimentação do MMA de 7 anos atrás.

    Pô, quer voltar a competir? Faz o negócio direito….
    Tenho certeza que não é por causa de dinheiro…

    • Sexto Empírico

      Penn já estava derrotado quando assinou o contrato pra essa luta. Ele nunca voltará ao auge por uma questão biológica. Fora q hoje tem a USADA no pé e é proibido o uso do soro, q era fundamental em sua preparação.

      • FABIO NEVES

        rsrs Mas ainda tinha uma pontinha de esperança, né?
        Quem sabe clinchando e jogando um bom Jiu Jitsu não fosse funcionar?

        • Sexto Empírico

          Cara, torci muito para que isso acontecesse. Mas não dá mais pro Penn. Não nesse nível. Quem viu ele no auge e agora… Deu dó.

          • FABIO NEVES

            Acabei de rever a luta aqui e de fato não dá mais não…
            O primeiro Round foi uma surra típica de Profissional Vs Amador.
            Deu dó do BJ…
            A cara de apavorado a cada “bica” que levava resumiu todo o sentimento que tive durante essa luta.

            • il Quasímodo

              Dá, dá, mas não contra um meninão de 24 anos. Veteranos, se querem seguir lutando, deveriam lutar contra veteranos, pombas! Já que o cinturão não é mais o objetivo, sou a favor de casamentos “convenientes”, me entendem?

              E no fundo entendo o BJ. Ele deu anos de vida ao esporte numa época em que tudo era underground e não rolava tanta grana. Agora que a coisa ficou boa, penso que caras como ele querem aproveitar um pouco desse novo estado-de-coisas.
              A situação desses veteranos que teimam em seguir ativos é como a daquele camarada que numa festa de criança ajudou a limpar o salão, a encher os balões e a decorar a porra toda, mas é obrigado a ir embora da festa antes que comecem a cortar o bolo.

              • FABIO NEVES

                BJ não precisa de dinheiro e jamais precisou, pois sua família sempre foi uma das mais ricas do Hawaii.

              • Alexandre Matos

                BJ só poderia lutar hoje em dia com um Matt Hughes da vida, um Sean Sherk, Caol Uno.

                Como o Fabio disse, ele não precisa de dinheiro.

          • IMPERADOR

            Deu mesmo.
            Uma pena ver o BJ passar por isso. Mas, e por escolha dele…
            Paciência!

        • Alexandre Matos

          Como eu disse ali embaixo, vai desafiar o Hughes, o Sherk.

          • FABIO NEVES

            Ou quem sabe uma mudança de ares não lhe faria bem?
            Cro Cop mostrou que ainda há esperanças!

    • Alexandre Matos

      Ele nunca mais será o BJ de 2008 ou 2009, não tem como.

  • il Quasímodo

    Excelente análise, Alexandre, como sempre! Ainda não vi todas as lutas, pois, embora eu ame MMA, virar o domingo tendo que acordar às 5am da segunda não dá.
    Mas me diz uma coisa, Alexandre: o que cê achou daquele bruto Ezequiel que o Oleynik encaixou? Rapaz, que beleza!!!!

    • Alexandre Matos

      Ainda não vi o card preliminar direito. Vou ver e comentar no podcast, mas volto aqui pra te responder.

  • Marcelo Silveira

    Impressionante que o ex campeão da categoria 77 e, talvez o maior peso leve da história, hj é um peso pena de tamanho mediano.

    • Alexandre Matos

      Não se esqueça que o BJ já lutou até no peso pesado (com 85kg contra uns 110 do Lyoto).

      • Marcelo Silveira

        No Japão Vale Tudo, hehe. O Lyoto tá gordo, muito diferente.

  • James sousa

    e o Big John demorou uma eternidade para encerrar a luta , triste ver um Hall da Fama nessa situação Bj não tem a menor condição de lutar .
    legal a atitude do Lauzon

  • Beto Magnun

    Bizarro. Parece que o Penn esqueceu todos os fundamentos. Apresentação simplesmente patética. Seria uma boa casar uma revanche dele com o Takanori Gomi pelo posto de o Mais Decadente. É bizarro. Posso estar viajando na comparação, mas apesar de não vencer desde 2012 o Anderson Silva com 40 anos ainda é melhor que muitos da categoria dos médios. Um exemplo melhor é o Kawajiri, que mesmo vindo de três derrotas também já foi um dos melhores leves do mundo, luta MMA desde 2000 e apesar das 3 derrotas seguidas ainda consegue lutar em alto nível. Pra como o tempo afeta cada um de modo diferente.
    Em outra materia comentei que o Elkins barraria o Yair, mas se PEpey deu calor no americano na troca de golpes o Yair teria chante de fazer a festa. Ainda assim o vencedor de Elkins vs Bektic seria um tremendo teste pra ele ou Jeremy Stephens.
    Pobre Held. :( A luta foi parelha, mas assim como a maioria vi vitória dele. Isso o deixa numa situação complicada na organização. Talvez o Lauzon no seu momento sinseridade tenha dado uns créditos pra ele.

    • Alexandre Matos

      Eu acho que o Bektic ganha do Elkins e do Pantera.

      Kawajiri acabou de perder pra um iniciante.

      • Beto Magnun

        Então o tempo demorou mais pra alcançar o Japa.

  • Gabriel Carvalho II

    Big John queria assassinar o BJ. Maluco tomou uns 15 golpes ali que eram desnecessários, luta já estava acabada. E acho que o UFC já pode dar um teste de verdade pro Yair Rodriguez, Jeremy Stephens seria uma boa opção.

    • Alexandre Matos

      Concordo.

  • The Notorious

    O UFC usou inteligentimente o BJ Penn como escada para o Yair Rodriguez subir ao estrelato.
    No Fight Game vc entra batendo e sai apanhando (com raras exceções), n tem outra.

    • Alexandre Matos

      Sim. E é muito vacilo com o Penn. Mas ele que quis isso, ninguém o forçou a nada.

  • Idonaldo Gomes Assis Filho

    BJ Penn tem que ser inteligente e parar logo de uma vez por todas, é rico, hall da fama do UFC, essa vontade de lutar pode ser feita em submissions (não é a mesma coisa claro), e não vejo alguém que ele possa vencer no UFC e que tenha algum nome, de cabeça só me vem o também decadente Gomi que ainda sim eu acho que o BJ não conseguiria vencer.

    Não o acompanhei no auge, mas pelo que vejo no YT o cara era sinistro demais, sanguinário… sobre o resto do card, vergonhoso os juizões no co main event, tinham que rever esses árbitros laterais urgentemente, Pettis convenceu, na luta do Saunders eu dormi, Tanquinho lutou bem e venceu um ex top 15, embora eu tenha marcado 29-28 Saenz, mas uma luta bem equilibrada, e o Olienik que eu leigo de BJJ achei que ele tava tentando amarrar pro juiz levantar a luta, aí do nada o sujeito bate kkk, incrível.

    • Alexandre Matos

      Ouve o podcast que você vai ver que não foi tããããão vergonhoso assim o resultado da luta do Lauzon.

  • Rafael Oreiro

    Que homem foi o Lauzon discordando da própria vitória! Reação dele ouvindo que os juízes marcaram a luta pra ele foi excelente. Tomara que não tratem como se o Held tivesse perdido essa luta.

    • Rafael Oreiro

      Será que a entrevista do Lauzon já entra no papo de entrevista do ano?

      • Alexandre Matos

        Eu não achei tosca, mas não prestei atenção direito por causa da resenha.

    • Alexandre Matos

      Não vão tratar.