WSOF virou Professional Fighters League. Vai dar certo?

O WSOF se tornou insustentável financeiramente. Agora, seus criadores tentam uma nova fórmula, baseada em grandes ligas profissionais como a NBA e a NFL, para dar uma tacada que nem é tão inovadora assim no MMA.

Um anúncio interessante para o mundo do MMA passou despercebido nas últimas semanas. O World Series Of Fighting, também conhecido como WSOF, anunciou uma reestruturação completa para o ano de 2018. A organização, que era considerada a terceira força do MMA mundial, já foi renomeada para Professional Fighters League, com o intuito de ser uma liga nos moldes semelhantes da NBA e da NFL.

A ideia da PFL não é a primeira na história do MMA. Em meados de 2006, os empresários Kurt Otto e Gareb Shamus criaram a International Fighters League, uma liga de artes marciais mistas que não pagava bolsas aos lutadores após os combates, mas optavam por pagar salários mensais aos atletas, além de dividi-los por equipes. A IFL chegou a durar duas temporadas, mas foi encerrada em julho de 2008 por conta de problemas financeiros. Já o projeto da PFL inclui temporada regular, pós-temporada e um prêmio de um milhão de dólares para os vencedores dos torneios ao final de 2018.

Eu acredito muito que o projeto não vai dar certo e tenho algumas razões que me parecem bem claras. O MMA não pode ter uma organização que tente se comparar à NBA ou à NFL. MMA é um esporte completamente diferente, é um esporte de combate, no qual o índice de lesões é alto depois de cada luta e requer um tempo para se recuperar, praticamente impedindo o atleta de lutar novamente em um ou dois meses. Alguém já viu algum tipo de temporada regular de boxe? Acredito que não.

Um time da NBA joga 82 partidas numa temporada regular; um da NFL joga 16. Como seria uma temporada regular de MMA, em que o atleta precisa se preparar por cerca de oito semanas para cada combate e ainda fica temporariamente suspenso depois da luta por questões médicas?

Além da questão bizarra da “temporada”, outro motivo para o provável fracasso da PFL é o financeiro. A organização já prometeu pagar salários mensais para todos os atletas contratados. Será que o caixa da organização é bastante para sustentar um elenco grande, já que teremos sete categorias de peso, e distribuir quantidades altas de dinheiro ao longo da temporada? E quem garante algum tipo de sucesso imediato entre os fãs? Vale lembrar que a notícia repercutiu pouco na maioria dos grandes veículos de MMA e ainda não vi fãs comentando de forma positiva sobre a novidade.

Antes de assinar com o UFC, Marlon Moraes era um dos mais bem pagos do WSOF

Vale lembrar que quem comandará a PFL será Ray Sefo, antigo presidente do WSOF, e Carlos Silva, o antigo CEO da extinta organização. Ambos foram os responsáveis pela hiper valorização de atletas como Marlon Moraes e Justin Gaethje, pagando salários acima da realidade do WSOF, sem retornos midiático e financeiro interessantes. Campeões recebiam uma bolsa mínima de 100 mil dólares por combate e o WSOF não chegava a registrar 500 mil telespectadores no canal a cabo NBCSC. O resultado da medida foi uma desvalorização gigante, queda brusca na frequência de eventos, resultando na venda da organização antes de uma inevitável falência.

A probabilidade de a PFL dar certo é pouca. É uma aposta ousada; porém, é um plano fora da realidade financeira deles e bem longe da realidade que vivem as ligas menores de MMA.