Werdum confirma negociação para fazer TUF 27 e desafiar Miocic: “Já estava certo, era pra ser eu”

Por Gabriel Carvalho | 21/02/2018 14:29

O ex-campeão peso pesado Fabrício Werdum, em sua entrevista exclusiva para o MMA Brasil no podcast It’s Time!, conversou sobre diversos assuntos interessantes, tanto sobre seu futuro e sua luta contra Alexander Volkov no próximo dia 17 de março, no UFC Fight Night 127, quanto sobre sua derrota para o atual campeão Stipe Miocic no fatídico UFC 198. Sobre a perda do cinturão, Werdum confessou que o ambiente de euforia em Curitiba atrapalhou sua performance e seu foco na luta.

“Isso é óbvio. Não queria puxar esse assunto porque perdi a luta (risos). Foi um evento excelente, o recorde do Brasil com 45.000 pessoas em Curitiba. A minha mãe foi pela primeira vez no evento, eu comprei 250 ingressos pros meus amigos, queria levar a geral do Grêmio. Estava todo empolgado, fiz a homenagem pro Ayrton Senna. Foram muitas coisas, era às 4 ou 5 da manhã com telefone, 20 pessoas no meu quarto todos os dias na semana da luta. Então realmente, eu tô consciente porque perdi o foco completamente. Não querendo subestimar o Stipe Miocic porque ele bateu o recorde de defesas dos pesados do UFC. Mas eu fui muito eufórico, estava muito eufórico e fui displicente e avoado. A palavra certa é avoado, estava naquela coisa de todo mundo junto e é coisa que você não está acostumado. Lutei no Japão pra 45.000 pessoas também e é diferente do Brasil, vi que a torcida quando está contra me ajuda muito, me dá mais forças. ‘Quer vaiar? Vou mostrar como é que é’. Me dá muito mais força, se me colocar ali com a torcida contra, pode ver que fui melhor. Perdi o foco naquela luta, tenho certeza que se derem a oportunidade contra ele ou contra quem for, eu serei o campeão de novo. Eu tenho convicção que serei campeão do UFC de novo, já fui duas vezes, já sei o caminho e sei como chegar.”

Vindo de duas vitórias seguidas, sobre Walt Harris e Marcin Tybura, é difícil achar alguém na atual categoria dos pesados que mereça mais uma chance pelo cinturão do que Werdum. Passado para trás por Daniel Cormier, que será técnico do TUF 27 junto com Miocic e desafiará o campeão no UFC 226, no dia 7 de julho, o gaúcho revelou que ele que ocuparia este posto, mas acabou concordando com a decisão de Dana White de fazer o embate entre campeões.

“Já estava certo, era pra ser eu (o segundo técnico do TUF 27). Não aconteceu, mas tem que entender o outro lado porque sou um company guy agora. Realmente conversei com o Dana e falei que ele tem razão, essa luta chamou atenção, é uma categoria diferente, o Daniel Cormier veio debaixo, são dois campeões, é o público que vai dizer. O UFC fez uma pesquisa, como já fazem várias, e viram que a galera queria ver muito mais a luta do Cormier. Falei que até eu quero ver essa luta, mas fiquei triste do outro lado por ser segunda opção, já que estava tudo certo. É o business, temos que entender que é o business, não tem sentimento. Se vai vender mais, tem que entender que vou esperar um pouco mais e minha hora vai chegar. Não posso ficar esperando, não lutar porque vou arriscar esperar o cinturão, vou ficar quanto tempo sem lutar? Um ano? Eu vou estar com 42. Não dá pra ficar esperando, então é lutar agora, e dependente do que acontecer no dia 17 de março, se tiver uma no meio do caminho até julho, eu luto de novo. E luto no mesmo evento deles, no dia 7 de julho. Obvio que não quero que ninguém se machuque, mas acontece muito ultimamente. Eu acredito mais que o Daniel Cormier se machuque do que o Stipe Miocic, e eu lutaria no mesmo evento.”

Para esta possível luta no dia 7 de julho, o nome mais pensado pelos fãs é o do ex-campeão Cain Velasquez. Com o californiano fora de ação a quase dois anos e já tendo cancelado outros combates anteriormente, Werdum pediu uma condição especial para a luta acontecer.

“Como já cancelaram a luta duas vezes, eu falaria pro UFC uma cláusula em especial. Se o Cain Velasquez não lutar, eu vou receber igual, aí poderia ser.”

Sobre seu adversário no próximo dia 17, Alexander Volkov, o gaúcho revelou já ter treinado com o russo no passado e já conhecer bem suas características, também confessando que espera levar a luta em algum momento para sua especialidade, o jiu-jítsu.

“A gente treinou uma época junto, ele chegou a treinar umas duas semanas lá na Kings MMA, em Huntington Beach. Eu tava em camp pra lutar com o Travis Browne e a gente começou a treinar, e eu vi que no treinamento conforme o tempo ia passando, eu ia melhorando e ia conseguindo finalizar mais ou bater mais nele. O que é difícil, ele é um cara que mantém a distância muito bem, ele tem um jab muito bom, tem as pernas longas e um pisão bem forte. Então, eu tive dificuldade no começo, mas depois vi que me dei bem. Mas a gente não pode se basear, não posso achar que o cara é ruim de chão, subestimar o cara. Mas tá nítido que eu quero levar ele pro chão, não no começo mas na hora que eu achar certa.

Editor do MMA Brasil. Fã de esportes em geral, apaixonado pela arte de punhos em rostos alheios. Amante de filmes e música.