Por Alexandre Matos | 17/08/2010 20:05

O evento das lutas sensacionais volta nesta quarta, no The Pearl at The Palms Casino Resort na cidade de Las Vegas, trazendo quatro lutas muito bem casadas, em card transmitido ao vivo pelo canal Combate a partir das 22:00h. O combate principal, além de uma revanche, vale o cinturão dos galos, quando o campeão Dominick Cruz fará sua primeira defesa tentando repetir a vitória contra Joseph Benavidez. Em luta de leves, que provavelmente apontará o próximo desafiante de Ben Henderson, Shane Roller enfrenta Anthony Pettis. Os penas Cub Swanson e Chad Mendes fazem duelo equilibrado, enquanto Scott Jorgensen e Brad Pickett abrem a noite disputando o posto de desafiante do cinturão dos galos, para enfrentar o vencedor da luta principal.

Dominick Cruz (EUA) vs Joseph Benavidez (EUA)

Lutas envolvendo revanche normalmente são apimentadas. Lutas valendo cinturão levam uma dose extra de tensão. Uma revanche valendo cinturão tem tudo para ser uma guerra.

Wrestler de origem, 25 anos, Cruz chegou ao WEC com um cartel de 9-0. De cara enfrentou o então campeão dos penas Urijah Faber pelo cinturão. Foi submetido por uma guilhotina em menos de dois minutos. Esta foi a única mancha na carreira do Dominator, que baixou de categoria, venceu mais quatro lutas, até enfrentar e pulverizar o então campeão Brian Bowles, tomando-lhe o cinturão dos galos.

Wrestler de origem, 26 anos, pupilo de Faber na Team Alpha Male, Benavidez chegou ao WEC com um cartel de 8-0. Fez duas lutas, venceu ambas por decisão unânime, dominando-as plenamente, e credenciou-se para disputar o posto de desafiante. Foi derrotado, também por decisão unânime, em uma verdadeira batalha. Esta é a única mancha na carreira do baixinho. O responsável pela derrota? Dominick Cruz. É isso mesmo. Benavidez só perdeu para Cruz, que por sua vez só perdeu para o mentor de Benavidez.

Isso já daria ingrediente suficiente para presenciarmos uma batalha no octógono de Las Vegas. Mas, mais do que isso, veremos em ação os dois pesos galos mais frenéticos do mundo, verdadeiros dínamos. Enquanto Dominick aperfeiçoou o boxe ao seu jogo de quedas e clinch, Joseph desenvolveu o kickboxing.

No combate anterior, Benavidez menosprezou o oponente, acreditando que sua velocidade, capacidade atlética, ritmo intenso e principalmente o wrestling de ponta seriam suficientes para superar o adversário. Deu de cara com um oponente tão rápido quanto, também muito bem preparado fisicamente e que aguenta tranquilamente o ritmo irrefreável de luta. E o pior: foi derrotado basicamente pelo wrestling de Dominick. Dez centímetros mais alto (1,73m contra 1,63m), muito bom na definição de distância e dono de poderosa pegada, Cruz pode ser considerado favorito por leve margem. O estilo frenético de Benavidez vai encarar um lutador do mesmo naipe. A grande desvantagem de alcance de Joe, somada à movimentação ininterrupta de Dominick, vai dificultar a utilização de sua pegada, exibida contra Rani Yahia e Miguel Torres. A defesa de quedas do campeão também deve tornar dura a vida do desafiante no intuito de levar a luta para o chão.

Joseph disse que aprendeu a lição da derrota. Falou que não está disposto a levar a luta para a pancadaria franca e vai apresentar surpresas para o campeão. Acredito que o cinturão permanecerá com o dono atual, mas espero ver 25 minutos non-stop, no melhor estilo WEC.

Shane Roller (EUA) vs Anthony Pettis (EUA)

Luta que deve apontar o próximo desafiante do campeão dos leves Ben Henderson.

Três vezes all-american, quatro vezes campeão estadual e campeão do Big 12 Conference pela prestigiada Oklahoma State University, Roller é um wrestler típico. Com 5-1 no WEC (e 8-2 na carreira profissional), não conseguiu nocautear nenhum adversário. Sua única derrota na organização foi exatamente para o atual campeão. Faz parte da Team Takedown, liderado pelo também laureado wrestler Jake Rosholt, peso médio ex-UFC.

Aos 23 anos, Pettis faz jus ao apelido de “Showtime”. Tem na luta em pé sua maior virtude, numa mistura de muay thai e taekwondo. Apesar de 8 anos mais jovem, ele já tem mais lutas profissionais que o oponente. Seu cartel de 11-1 é preenchido por três vitórias e uma derrota no WEC. Protagonizou um dos nocautes mais espetaculares do ano, forte candidato a nocaute do ano de 2010, quando mandou o wrestler Danny Castillo para a vala com uma combinação perfeita de jab-direto seguido de canelada que pegou em cheio no rosto de Castillo.

A tática de Roller provavelmente será quedar e trabalhar por cima até conseguir sair para uma submissão. Mas Pettis já sabe disso. Além de ser ótimo trocador, o garoto é versado na arte suave e certamente tem treinado posições para reverter o jogo, já que ser posto para baixo será questão de tempo. Ainda que o wrestling de Shane já neutralizou Anthony Njokuani, outro striker perigoso, Pettis é mais talentoso e representa um perigo maior que o nigeriano.

Se Roller conseguir quedar, a luta fica equilibrada, mas a possibilidade de Pettis pegá-lo no chão é boa. Mantendo a luta em pé, Anthony dará um imenso passo em direção a Ben Henderson. Apesar de mais jovem, Pettis é mais completo e merece o title shot. Arrojadamente aposto em nocaute do Showtime.

Cub Swanson (EUA) vs Chad Mendes (EUA)

Antes do WEC 41 eu só tinha visto Swanson lutar em vídeos na internet. A primeira vez que o vi ao vivo foi na luta contra José Aldo. A experiência não me acrescentou muito, já que Aldo acabou com a brincadeira em oito segundos e uma joelhada voadora dupla. Mas a luta seguinte dele foi sensacional. Quebrou a mão no começo contra John Franchi, mas sustentou até o final do terceiro round, quando guilhotinou o oponente faltando 10 segundos para a buzina disparar. Coração o kickboxer já mostrou que tem de sobra, característica que já garantiu a ele dois bônus de Luta da Noite. Mas quem no WEC não tem raça?

Duas vezes all-american (em duas categorias diferentes) e wrestler do ano em 2008, Mendes é companheiro de equipe de Faber e Benavidez na Team Alpha Male e segue a mesma linha dos parceiros, com muita potência para arremessar os oponentes ao chão e martelá-los. Chad está invicto na carreira profissional com sete vitórias em igual número de lutas.

A trocação de Cub é claramente mais sofisticada. Mas o MMA tem mostrado muitos wrestlers levando vantagem contra strikers. E acredito que esta luta seja mais um exemplo. Mendes não deverá ter maiores problemas em levar o oponente para o chão. Aposto em uma submissão aqui.

Scott Jorgensen (EUA) vs Brad Pickett (ING)

Combate que definirá o desafiante dos galos, para enfrentar o vencedor de Cruz x Benavidez.

Scott é um dos lutadores que eu mais gosto de ver em ação. Típico peso galo do WEC, parece lutar ligado na tomada. O garoto que ficou entre os doze melhores do país no wrestling universitário atualmente tem treinado com Urijah Faber e Joe Warren, o que reafirma que a luta olímpica adaptada ao MMA é o seu forte. Não só isso, mas o garoto ainda é muito bom na trocação, faz justiça ao apelido de Young Guns. Apanha de olho aberto, não tem medo de ir para a pancadaria franca, como vimos contra Takeya Mizugaki. Ainda sabe se defender muito bem.

O britânico, ex-campeão do Cage Rage, tem mostrado habilidade na trocação e timing na defesa de chutes e nos contragolpes. Suas quedas são melhores que a média dos seus compatriotas. Isso o torna um lutador bom o suficiente? Acredito que não. Pickett ainda apresenta problemas com defesa de quedas e, mais ainda, quando é posto de costas para o chão. E esta deficiência pode custar caro contra Jorgensen.

Se a luta descambar para a trocação aberta, além de fazer a alegria do povo, tudo ficará equilibrado, com leve vantagem para o estilo mais técnico e destemido de Jorgensen. Mas se o americano conseguir levar a luta para o chão, provavelmente o vencedor da luta principal sabe que terá um osso duro na próxima defesa. Aposto em uma decisão unânime a favor de Jorgensen, depois de pancadaria desenfreada.