Vitor Miranda retorna ao muay thai no WGP 52: “A importância da luta pra mim é maior do que a das lutas no UFC”

Por Idonaldo Filho | 04/12/2018 14:48

O evento de trocação WGP fará a sua edição de número 52 no dia 16 de dezembro, na cidade de Joinville, em Santa Catarina. O card do WGP 52 será liderado pelo ex-lutador do UFC, Vitor Miranda, que irá enfrentar o paraguaio Elias Rodriguez em sua cidade natal, na categoria dos pesados, que é até 94kg. Em entrevista exclusiva ao MMA Brasil, Vitor comentou sobre vários assuntos acerca de sua luta e sobre seu retorno ao muay thai.

Primeiramente, foi levantado uma questão sobre a pressão de lutar perto da família e de amigos ao retornar a trocação logo em sua cidade natal, e comparado com as lutas que fez em território hostil no UFC, como contra Chris Camozzi, onde lutou no país natal de seu oponente.

“Lutar no Brasil a pressão é maior do que lutar fora, pois o evento será transmitido pelos canais Combate e Fox Sports e será uma grande audiência, e eu estou na frente de minha família, amigos. É mais pressão que lutar nos EUA e a importância da luta pra mim é maior do que as lutas no UFC, e, como vou lutar muay thai, é uma pressão positiva, para que eu tenha condições de lutar entre os melhores do mundo.”

Vitor já deixou claro em entrevista ao nosso podcast que seu objetivo é o Glory, famoso evento de kickboxing, que abriga os melhores lutadores da modalidade atualmente no mundo. Embora ainda não tenha nada confirmado, com um bom desempenho aliado a parceria do WGP com o Glory, existe a possibilidade dele conseguir ser contratado.

“A conversa com o Glory já existe, o Paulinho (Zorello, diretor-executivo do WGP) que é o promoter tem uma ligação forte com o Glory, a conversa já existe, mas não é nada certo, preciso vencer bem essa luta, pois eles precisam ver uma atuação recente, por mais que eu tenha saído do UFC, mas é outra modalidade, querem ver como está meu ritmo, meu potencial, para ficar entre os tops da categoria. Aí eles vão decidir se eu estou entre os tops da categoria, e lutar no WGP é o que eu quero agora.”

O oponente de Vitor será o paraguaio Elias Rodriguez, que entrou substituindo o seu companheiro de treinos Marcelo Nuñez. Sobre a enorme diferença de experiência, entre Rodriguez, que tem apenas 21 anos, e Vitor, que tem 39 anos, o brasileiro comentou que acha que não fará tanta diferença e ressaltou suas qualidades como lutador.

“Pela idade, o meu auge foi com 26, 27 anos no muay thai e isso realmente faz diferença. E 21 anos não quer dizer nada, pois no kickboxing eles fazem muitas lutas para virar profissional e a juventude vai contar para ele. Vou tentar contar com a experiência. Acredito que a minha potência e o meu volume são maiores e vou buscar a vitória.”

A preparação foi de cerca de um mês e, com a troca de oponentes, foi perguntado se o tempo e os imprevistos acabaram atrapalhando a preparação para a luta, e se o tempo foi suficiente. Ele adicionou que era uma oportunidade única de lutar em sua cidade e por isso aceitou o combate.

“Todo lutador diz que não, mas eu gosto de ser sincero e no meu canal eu gosto de mostrar toda minha sinceridade. Eu quebrei a mão, fiz cirurgia e não tinha perspectiva de lutar. Mudei de cidade, mas, por coincidência ou não do destino, surgiu o WGP em Joinville e eu não poderia deixar de passar a oportunidade. Agarrei a oportunidade mesmo com pouco tempo de treino, para chegar no meu bom físico e vencer. Acredito que conseguirei a vitória e não vou parar de treinar, readaptando o meu jogo para a luta em pé, depois de 8 anos no MMA, e adaptar novamente para o kickboxing, mesmo não estando na minha melhor forma física.”

Sobre a diferença da trocação pura e o striking no MMA, no qual há jogo de quedas, o clinch é mais longo e a diferença de tamanho das luvas é considerável, Vitor acredita que vai saber melhor apenas depois da luta, porém comenta sobre a diferença técnica da trocação em ambos os esportes e sobre detalhes como o tamanho do ringue e a defesa.

“De modo geral, vai ser difícil te dizer, vou saber se vai atrapalhar (a adaptação do striking do MMA) no final da luta, no MMA eu fazia um estilo mais parado, agressivo, tendo confiança na defesa, no bloqueio, e tinha a queda e o clinch, mas no muay thai eu fazia muito bem, nos treinos eu colocava coisas do MMA, tentar me movimentar mais, mas em contrapartida tomava mais chute na perna, corro o risco de tomar golpe por cima, pois o ringue é menor,a regra valoriza quem tem mais volume de golpes, mas acredito que chegarei na luta com 70% das minhas habilidades.”

O WGP 52 acontecerá no dia 16 de dezembro, em Joinville, Santa Catarina, no Complexo Centreventos Cau Hansen, e terá transmissão do Combate, da Fox Sports e Band Sports. Confira o card anunciado pelo evento de trocação:

Peso pesado (até 94kg): Vitor Miranda vs. Elias Rodriguez
Peso leve (até 60kg): Julie Werner vs. Barbara Salazar
Peso leve (até 60kg): Leandro Silva vs. Bruno Cerutti
Peso leve (até 60kg): Fabricio Zacarias vs. Renzo Martinez
Peso pena (até 56kg): Kinberly Novaes vs. Amanda Torres
Peso pena (até 56kg): Thiago Conceição vs Rodolfo Cavalo
Peso meio-médio (até 71,8kg): Rafael Baader vs. Marcos Carvalho
Peso leve (até 60kg): Leandro Jobu vs. Nichollas Pestilli
Peso meio-médio (até 71,8kg): Jeferson Silva vs. Matheus Moreira
Peso leve (até 60kg): Edson Pastor vs. Luiz Henrique

Colaborador do MMA Brasil, goiano, fã de pesos pesados e admirador de freakshow com responsabilidade.