Vem aí o TUF 24: novo formato pode salvar fórmula desgastada?

A 24° temporada do reality show do UFC promete novidades e faz uma aposta ousada com campeões de torneios regionais na categoria dos moscas.

Nesta quarta-feira (14), às 20:00h, entrará no ar um velho conhecido da galera mais antenada no MMA (ou nem tão antenados assim), o reality show The Ultimate Fighter 24.

A 24ª edição americana de um programa já desgastado, com mais de 30 versões (pelos mesmos motivos que o UFC 200 não foi o 200º da franquia – nomenclatura), chega com a difícil missão de reinventar a roda. Para isso, o UFC faz uma aposta ousada e inovadora, que tem tudo para dar muito certo – ou muito errado. E é exatamente isso o que vamos discutir ao longo deste texto, que servirá apenas de introdução para o debate na caixinha de comentários.

O show comandado pelos pesos-moscas Henry Cejudo e Joseph Benavidez (e que aqui no MMA Brasil será comandado pelo estreante de cartel invicto Rafael Oreiro) não terá eliminatórias. O UFC fez a limpa nos torneios regionais e reuniu 16 campeões até 57 quilos de outras organizações. O prêmio, além do contrato com o UFC, é algo bem grandioso: uma chance de desafiar o cinturão do “Might Mouse” Demetrious Johnson, atualmente o campeão mais dominante do UFC.

Recentemente, vimos o cinturão inaugural do peso palha feminino acontecer como final do TUF 20, mas o que vai rolar no TUF 24 na verdade é uma repaginada do que ocorreu no TUF 4, quando o UFC resgatou lutadores que já haviam atuado no evento e foram cortados, enclausurando-os para disputar o cinturão em duas categorias: médios e meios-médios.

Nos médios, Travis Lutter foi o vencedor e desafiou o cinturão de Anderson Silva, ficando preso dentro de um triangulo com chuva inversa de cotoveladas no longínquo UFC 67, em 2007. Já nos meios-médios, os fãs mais antigos certamente se lembrarão de um Matt Serra que conquistou o programa, desafiou e venceu Georges St. Pierre em uma das maiores zebras da história, no igualmente antigo UFC 69.

Logo, que tal reciclarmos essa idéia e reaproveitá-la com uma bela repaginada no TUF 24? Porém, o que fazer se o campeão desta categoria é um sujeito que parece invencível? Ok, colocaremos somente campeões. Pura ousadia e alegria e tudo pra dar certo, concordam? Talvez.

Os 16 campeões serão divididos em duas chaves e lutarão em formato de torneio. Na final, o vencedor garante o title shot, os prêmios e o contrato com o UFC. Porém, a pergunta que fica é: quem lutar contra o Might Mouse terá alguma chance de vitória? Pelo ponto de vista financeiro, também não valerá a pena, pois o campeão mais dominante que o UFC possui hoje é também um dos mais apagados e um dos piores vendedores de pay per view da organização.

No fim das contas, vejo uma ideia interessante ser executada em uma categoria que provavelmente não abrirá brechas para repetir essa estratégia em outros pesos. Ou será que o UFC está apostando em um “novo Matt Serra” para outra zebra de entrar para a história, quase como uma tábua de salvação para a categoria?

Cabe ressaltar que ambos os treinadores já foram dizimados pela movimentação, velocidade e técnica apurada de Johnson. Benavidez, inclusive, por duas vezes (e até hoje só perdeu duas vezes para o campeão e duas para o campeão da categoria de cima, Dominick Cruz). Na disputa do cinturão inaugural dos moscas no UFC, perdeu em uma decisão dividida e depois foi a prova viva da evolução demoníaca do campeão, sendo nocauteado ainda no primeiro round.

Cejudo, campeão olímpico com seu wrestling de alto gabarito e habilidades prévias muito elogiadas no boxe também não foi páreo para Demetrious, igualmente nocauteado no primeiro round. O que será que eles podem ensinar aos outros campeões para que, enfim, a coroa seja tirada da cabeça do “Mighty Mouse”? Será que foi uma aposta do UFC, baseada apenas na esperança, em tentar coroar um novo campeão que saiba vender melhor suas lutas?

Vamos conhecer quem serão os candidatos desta edição, com dois brasileiros.

Na chave A, Alexandre Pantoja (16-2 – Team Cejudo), o primeiro deles, tem 26 anos e é campeão da RFA. Ele enfrentará o mexicano de 22 anos Brandon “The Assassin” Moreno (11-3 – Team Benavidez), campeão da World Fighting Federation.

O americano Terrence “Terr-Bear” Mitchell (11-2 – Team Benavidez), 26 anos, campeão do Alaska FC, medirá forças contra o campeão do Bragging Rights, o australiano de 23 anos Kaiwhare “Dont Blink” Kara-France (12-5 – Team Cejudo).

Campeão do Shotoo japonês, Hiromasa Ogikubo (15-3 – Team Benavidez), de 29 anos, enfrenta o sul-africano campeão do EFC, Nkazimulo Zulu, o “Zulu Boy” (7-2 – Team Cejudo), de 27 anos.

Completando este lado da chave, os americanos Adam Antolin (11-3 – Team Cejudo), de 34 anos, campeão do Tachi Palace Fights, e o ex-UFC Damacio “The Angel of Death” Page (19-10 – Team Benavidez), de 33 anos e campeão do Legacy FC, se enfrentam. Page tem três lutas com igual número de derrotas no UFC e já chegou a perder para o atual campeão dos moscas no WEC.

Na chave B, o canadense de 25 anos Eric “Showtime” Shelton (10-2 – Team Benavidez), campeão do Caged Aggression, abre contra o americano campeão do XFFC Yoni Sherbatov (5-0-1 – Team Cejudo), de 27 anos.

O invicto “Pac-Man”, faixa-preta da Nova União, Rolando Candido (6-0 – Team Benavidez) tem 27 anos e é o campeão do Shooto Brasil. O segundo brasileiro enfrenta o americano Jamie Alvarez (6-1 – Team Cejudo), 28, campeão do Absolute Fighting Championship.

Matt “Danger” Schnell, americano de 26 anos, campeão interino do Legacy FC (9-2 – Team Cejudo) encara o conterrâneo Matt Rizzo (9-2 – Team Benavidez), 30 anos e campeão do Ring of Combat, celeiro de campeões pro UFC.

Fechando este lado da disputa, o ex-UFC Tim Elliott, campeão do Titan FC, 29 anos (16-6 – Team Benavidez), enfrenta o campeão do Hex Fight Series, Charlie “El Guerrero” Alaniz (8-1 – Team Cejudo), de 30 anos.

Analisando as chaves, minhas apostas seriam Alexandre Pantoja vs Damacio Page, da chave A, enfrentando o vencedor de Tim Elliott e Rolando Candido (com seis finalizaçoes em seis lutas). Os três primeiros, inclusive, disputam em minha opinião o favoritismo para vencer o programa. Porém, não vejo nenhum deles com chances de desbancar o campeão.

É bom ficar de olho em Matt Rizzo (sete finalizações em nove) e também no australiano Kai Kara France (sete nocautes e duas finalizações em 12 vitórias), que podem render bons momentos. No geral, acredito que será uma boa temporada. Como o TUF americano não é BBB (ou não era, pelo menos), provavelmente teremos um bom show.

E vocês, o que acham? Quem vai acompanhar o programa? Quais são seus favoritos? O que acharam do modelo? Vale a pena repeti-lo em outras categorias no futuro?

Será que o campeão pode ser desbancado? Alguns acham que não, os menos inteligentes acreditam que sim. Veremos.

Para aqueles que sempre quiseram ver campeões de outras organizações se enfrentando e enfrentando os campeões do UFC, é um sonho virando realidade.

Não se esqueçam que o TUF 24 promove a estréia das resenhas de Rafael Oreiro aqui no MMA Brasil. Então esperamos vocês lá.