Por Alexandre Matos | 08/11/2015 04:14

Na decisão da trilogia entre as lendas, Vitor Belfort venceu de virada. E usando o mesmo artifício do triunfo anterior. Na luta principal do UFC Fight Night 77, disputado na noite deste sábado no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, o brasileiro voltou a nocautear Dan Henderson com um chute alto. O evento atraiu 10.628 torcedores, que esgotaram os ingressos na última hora.

Belfort foi mais comedido do que no duelo anterior, há dois anos, em Goiânia. A luta inclusive durou quase o dobro do tempo – e ainda assim terminou rapidamente. Hendo tentou cercar o carioca com chutes baixos enquanto Vitor procurava o momento certo de explodir. No primeiro golpe que lançou, Belfort tirou um chute alto da cartola e atingiu em cheio a cabeça do americano. Hendo caiu nocauteado, mas acordou com o primeiro soco que levou no ground and pound. Acertadamente o árbitro Mario Yamasaki decretou o fim de luta na marca de 2:07 da primeira etapa.

Assim como em 2013, Belfort foi premiado com um dos bônus de desempenho da noite. O ex-campeão levou US$50 mil adicionais para casa.

Glover Teixeira massacra um resistente Patrick Cummins

Faltou pouco para Glover Teixeira nocautear Patrick Cummins no primeiro round. Porém, o americano não suportou a investida do assalto seguinte.

Foto: Jason Silva/USA TODAY Sports

Foto: Jason Silva/USA TODAY Sports

O confronto se deu entre as quedas de Cummins e as pesadas combinações de Teixeira. O wrestler americano botou o mineiro várias vezes no chão no primeiro round, mas não conseguiu mantê-lo em posição defensiva. Em pé, a conhecida defesa esburacada de Patrick foi um convite para socos e chutes muito potentes de Glover entrarem limpos.

Nos segundos finais do assalto inicial, Glover quase conseguiu o nocaute, mas Cummins foi salvo pela buzina. O americano ouviu de seu córner que o adversário era lento (era mesmo) e que devia insistir com as quedas (devia mesmo). No entanto, ele voltou com as pernas bambas e foi presa fácil. Glover atravessou o octógono descendo o sarrafo, encurralou o oponente contra a grade e soltou uma saraivada de ganchos e uppercuts. Cummins foi bravo, engoliu o massacre de pé, mas o árbitro Herb Dean o salvou de sua própria valentia e encerrou o combate quando o cronômetro mostrava 1:12 do segundo round.

Thomas Almeida acaba com a raça de Anthony Birchak no primeiro round

O ex-prospecto Thomas Almeida cada vez mais mostra que já é uma realidade. O jovem paulista espancou violentamente o americano Anthony Birchak, que chegou a tentar encarar o furacão de frente.

Foto: Jason Silva/USA TODAY Sports

Foto: Jason Silva/USA TODAY Sports

O duelo transcorreu exatamente contra o previsto. Sem nada a perder, Birchak saiu para a pancadaria e fez Thominhas recuar em determinado momento. A contrapartida do brasileiro veio com o alto volume de golpes. Soltando chutes, cotoveladas e socos em profusão, Almeida passou a furar o bloqueio do americano consistentemente. O golpe de misericórdia foi em grande estilo: depois de encurralar Birchak contra a grade, Thominhas lançou um direto de direita de cinema. O golpe explodiu seco no queixo do americano, que desabou sobre os joelhos de modo muito parecido com o que Rashad Evans caiu diante de Lyoto Machida, em 2009.

Esta foi a quarta vitória de Thomas em igual número de combates pelo UFC. Nas quatro, o paulista voltou para casa bonificado, desta vez com um dos prêmios de desempenho da noite.

Alex Cowboy fecha ano especial com nocaute monstruoso sobre Piotr Hallmann

O peso leve Alex Cowboy agora teve tempo para se preparar adequadamente para um compromisso no UFC. Com mais uma boa atuação, ele encheu os olhos do público com um nocaute violento sobre o polonês Piotr Hallmann.

Foto: Jason Silva/USA TODAY Sports

Foto: Jason Silva/USA TODAY Sports

O brasileiro deu as cartas no primeiro round. Ele misturou boas combinações no muay thai com trabalho sufocante no clinch para tentar drenar o gás do enérgico polonês. Para sair da pressão, Hallmann usou as quedas, artifício que rendeu bons frutos no segundo round. O europeu passou quase toda a parcial por cima, pesando e atacando no ground and pound. Parecia que a luta estava virando, mas Alex tinha uma carta na manga.

No terceiro assalto, os lutadores se encontraram no centro do octógono e Hallmann encurtou. Como resposta, levou uma direita que bloqueou seu avanço. O segundo petardo de Cowboy mandou o adversário plantado com as costas no chão e braços abertos. Nocaute clássico que rendeu US$50 mil adicionais ao pupilo de Phillip Lima.

Rashid Magomedov vence mais uma no Brasil e tira a invencibilidade de Gilbert Durinho

Poucos lutadores podem se gabar de vir três vezes ao Brasil e voltar vencedor em todas. Rashid Magomedov é um deles. Com mais uma atuação plástica, o daguestani tirou Gilbert Durinho da zona de conforto e da invencibilidade na carreira.

Muito mais técnico na troca de golpes, o russo precisou passar por momentos de inferioridade no primeiro assalto, quando as quedas de Durinho vazaram a sólida defesa de Magomedov. Porém, o daguestani conseguiu evitar que o multicampeão de jiu-jítsu desfilasse sua arte no solo. A partir daí, foi só achar o tempo para o daguestani negar as investidas e trazer o duelo para seu habitat.

Magomedov bateu de tudo quanto foi jeito. Obrigado a entrar numa disputa de troca de golpes, Durinho não encontrou meios de sobrepujar a maior habilidade do oponente. Calmo e constante, Rashid foi paulatinamente minando a confiança do niteroiense. Depois de uma série de pancadas de direita, Magomedov mandou Gilbert a knockdown no segundo assalto. No terceiro, o ritmo do russo continuou intenso, mas o queixo de Durinho se mostrou duro (perdão).

O nocaute não veio, mas a vitória de Magomedov foi bastante clara. Na visão dos juízes Chris Lee, Guilherme Bravo e Otto Torriero, o russo venceu os três rounds, mesmo placar anotado pelo MMA Brasil.

Wrestling de Corey Anderson anula Fabio Maldonado

Também deu o resultado esperado no combate que abriu o card principal. O americano Corey Anderson abusou de uma velha deficiência de Fabio Maldonado para conseguir uma tranquila vitória por decisão.

Ora com quedas, ora no clinch, Anderson usou todas as suas habilidades no wrestling para conter Maldonado. A vantagem do americano nesta área foi tão grande que permitiu que ele também fosse melhor no ponto forte do brasileiro, a troca de socos na curta distância. Preocupado se seria cravado na grade ou no chão, Maldonado demorou a trabalhar seu boxe e acabou mais golpeado. Mesmo quando tentava alguma ação ofensiva, o brasileiro logo tinha que se defender de um double-leg, normalmente sem sucesso.

No chão, o “Caipira de Aço” não mostrou nenhuma frente. Em pé, conforme o tempo passava, o ritmo de Maldonado caía. Como não poderia ser diferente, a vitória de Anderson foi limpa, com um triplo 30-27 nas papeletas dos três juízes oficiais.