Um panorama atual do jiu-jítsu profissional, com o campeão mundial Adriano Grifo

Por Bruno Fares | 22/03/2019 00:38

Jiu-jítsu. A arte marcial que colocou o Brasil no mapa do mundo das lutas, especialmente com sua variante desenvolvida em nosso país. Dos primórdios da família Gracie aos eventos atuais de MMA, a arte suave se espalhou por todo o globo, gerando diversas competições e modalidades, praticadas por centenas de milhares de atletas profissionais e amadores.

Esta evolução traz diversas perguntas: qual o atual cenário do jiu-jítsu? Como é a vida do lutador de jiu-jítsu profissional? A prática exclusiva do esporte consegue gerar subsistência financeira ao atleta? Quais são as competições mais importantes?

Visando responder essas e outras dúvidas aos amantes das lutas, o MMA Brasil convidou o faixa-preta Adriano “Grifo” Silva para falar do assunto.

Campeão paulista, brasileiro, sul-americano, europeu e mundial pela IBJJF, Grifo, atleta da tradicional academia Barbosa Jiu-Jitsu, de São Paulo, chega aos 40 anos ainda na ativa, com participação confirmada no Campeonato Pan-Americano de Jiu-Jitsu 2019, a maior competição do esporte realizada na América em nível continental , que começa nessa quinta-feira, 21 de março, na Califórnia, prolongando-se até o próximo domingo, dia 24.

Como foi seu início no jiu-jitsu no interior de São Paulo? Quando decidiu viver do esporte? Foi difícil tomar essa decisão?

Eu iniciei o jiu-jítsu por acaso, aos 17 anos, na cidade de Garça, São Paulo. Alguns amigos meus conheceram um professor da modalidade, oriundo do Rio de Janeiro, e o convidaram para nos dar aulas. Eu me apaixonei de imediato. Uns três anos após iniciar na arte suave, eu me mudei para São Paulo para fazer faculdade focada nos esportes. Não foi difícil tomar a decisão, eu já estava bem envolvido com a arte marcial e queria seguir nessa área.

Qual a sua formação no jiu-jítsu? Com quem treinou até chegar na Equipe Barbosa? Como chegou na B9 e como foi a adaptação?

Sou faixa preta quarto grau. Tenho 24 anos de jiu-jítsu, dos quais 16 são só na faixa preta. Treinei primeiro com a Equipe Behring, depois, já em São Paulo, treinei com Otávio de Almeida e há 13 anos defendo a Equipe Barbosa JJ. Eu já frequentava a B9 desde a faixa roxa e o (Marcos) Barbosa sempre foi um cara muito receptivo e sempre me tratou muito bem, além de me incentivar bastante. Portanto, a adaptação foi bem natural.

Quais suas principais conquistas na carreira como profissional? Quais os momentos que mais se orgulha?

Foi o caminho para o Mundial, em Abu Dhabi, no qual eu lutei oito seletivas até conseguir. Me orgulho dos momentos de superação, quando lutei contra lutadores melhores que eu e, mesmo assim, consegui me sagrar campeão mundial.

Quais as principais competições para um lutador de jiu-jítsu profissional hoje? Quais são o seu foco no calendário anual?

As principais são as do calendário da IBJJF, a Federação Internacional de Jiu-Jitsu, como o Europeu, o Pan-Americano, o Brasileiro e o Mundial. Eu tento focar nessas principais. Porém, sempre aparece uma ou outra competição que vale a pena uma atenção especial, como o BJJ Stars, por exemplo. Eu me preparo com rotina, baseando o treinamento no controle do volume e da intensidade.

Como é a rotina de um lutador de jiu-jítsu profissional? Como é dividir tempo entre treinos, viagens, seminários, competições?

Eu não sou apenas lutador. Eu sou profissional da área da Educação Física. Passo a maior parte do dia dando aulas particulares, mas treino uma vez por dia, todos os dias. Não é fácil dividir tudo, mas sempre dou um jeito. Eu programo os seminários para não coincidir com as competições e organizo as viagens com antecedência.

Quais as principais dificuldades para um atleta viver de jiu-jítsu hoje? A parte financeira compensa? São muitos custos? É possível viver de jiu-jítsu ficando só no Brasil?

O esporte está se tornando cada vez mais popular, mas ainda acho difícil viver apenas como atleta de jiu-jítsu, pois o esporte ainda é, em geral, amador e não é olímpico. Mesmo fora do país, não é fácil ser atleta. É necessário dividir o tempo com aulas ou outro trabalho.

Você já pensou em migrar para outras modalidades de luta (como MMA) em razão do retorno financeiro?

Não. Eu tinha a curiosidade de fazer uma luta de MMA para testar a eficiência do jiu-jítsu contra outra arte marcial. Fiz em 2012 e venci. Porém, não me identifiquei com o MMA e não dei sequência.

Como você enxerga o intercâmbio de modalidades, como o judo x jiu-jítsu? O mestre (Marcos) Barbosa, líder da sua academia, é um exemplo de sucesso nessa mistura. É fundamental ou apenas uma arma extra?

Eu vejo com bons olhos. Porém, não acho fundamental, uma vez que no jiu-jítsu você tem a opção de levar a luta para o chão sem necessariamente derrubar o adversário.

Como você vê o jiu-jítsu como modalidade profissional atualmente? O esporte está evoluindo em termos de organização e tamanho de competição? O que falta para ganhar mais popularidade e chamar mais atenção do grande público?

O jiu-jítsu está crescendo muito nesse quesito. Hoje temos competição com mais de 5 mil atletas inscritos, como é o caso do Campeonato Brasileiro.

No entanto, acho que, quando o esporte se tornar olímpico, isso será um divisor de águas, pois atrairá o interesse das grandes marcas esportivas e uma nova geração de atletas.

Quais seus principais objetivos para o futuro na sua carreira? Pretende lutar até quando? E depois de se aposentar como lutador?

Eu pretendo lutar até quando o corpo permitir. Para isso, faço um trabalho de prevenção de lesões e longevidade do esporte. Quando não for mais atleta, com certeza continuarei formando outros.

Algum recado especial para os leitores fãs de jiu-jítsu? Em quais redes sociais eles podem te seguir?

Digo que, acima de tudo, o atleta deve se divertir com a prática do esporte. Além disso, eu sempre oriento os garotos a estudar e não ficar apenas treinando, pois isso pode fazer falta em um certo momento. Para me seguir no Instagram é só procurar @adrianosilvabjj.

Não é só! Aproveitando a entrevista, Adriano Grifo deixou sua camisa exclusiva para sorteio aos ouvintes do programa IT’S TIME, na próxima segunda-feira, 21h45, ao vivo em facebook.com/mmabrasil.

Curtiu o papo? Deixe seus comentários e acompanhe os resultados do Pan-Americano da IBJJF neste final de semana.