Por Edição MMA Brasil | 08/03/2019 01:50

O octógono mais famoso do mundo desembarca na capital da aeronáutica americana no próximo sábado. A INTRUST Bank Arena, em Wichita, Kansas, será palco do UFC Fight Night 146, a quarta aparição da organização na ESPN+ nos Estados Unidos. Serão sete ranqueados em ação no UFC Wichita, com diversas promessas de duelos para levantar os fãs.

O combate principal tem cheiro de nocaute. O violento americano Derrick Lewis, número três dos pesados, tenta se recuperar da derrota na disputa do cinturão enfrentando Junior Cigano, oitavo da lista que busca a terceira vitória consecutiva.

Nitroglicerina pura é o encontro dos meios-médios Elizeu Capoeira, 13º do ranking com seis vitórias seguidas, e Curtis Millender, que vai atrás do décimo triunfo consecutivo, o quarto sob a bandeira do UFC. Pela mesma categoria, mais agressividade extrema no embate entre Tim Means e Niko Price.

O ponteiro da balança volta a subir no duelo de pesados entre o búlgaro Blagoy Ivanov e o americano Ben Rothwell. Pelo peso leve, o iraniano Beneil Dariush mede forças com o americano Drew Dober. Novamente voltando aos meios-médios, puxamos Anthony Martin contra Sergio Moraes das preliminares.

O UFC Wichita será transmitido ao vivo e na íntegra pelo canal Combate. O SporTV 2 também vai mostrar o card preliminar, que tem início marcado para às 19:00h, enquanto a porção principal deve ir ao ar a partir das 22:00h, sempre pelo horário oficial de Brasília.

Peso Pesado: #3 Derrick Lewis (EUA) vs. #8 Júnior Cigano (BRA)

Por Alexandre Matos

A que ponto chegamos. Quem diria que esta luta teria Derrick Lewis (21-6 no MMA, 12-4 no UFC) vindo na frente por causa de colocação no ranking. O pior é que foi merecido. “A Fera Negra” tinha um retrospecto recente de nove vitórias nas últimas dez lutas quando foi escalado para ser o primeiro desafiante de Daniel Cormier. Para surpresa de ninguém, Lewis passou vergonha e levou vareio, mas só de estar ali disputando o cinturão já era uma vitória para quem não tinha maiores aspirações e chegou a quase se aposentar por problemas crônicos nas costas.

As duas últimas vitórias de Lewis dão bem uma ideia do que ele se tornou. O problema nas costas fez de um lutador que nunca primou pela movimentação alguém quase estático. Como Francis Ngannou teve uma atuação horrorosa, eles protagonizaram uma das piores lutas da história, somando 31 golpes em 15 minutos. Já diante de Alexander Volkov, Derrick levava um vareio quando aproveitou um posicionamento totalmente descabido do russo para largar a bigorna na cara do sujeito e arrumar uma das grandes viradas dos últimos tempos. Quando tinha condições físicas, Lewis até conseguia quedas para trabalhar um ground and pound assassino. Porém, esses tempos de glória fazem parte do passado e hoje ele luta por um hail mary.

Houve um tempo em que Júnior Cigano (20-5 no MMA, 14-4 no UFC) era uma força da natureza, que enfileirou nove corpos, nocauteando sete, até se sagrar campeão com uma defesa. Então, ele passou dez rounds com Cain Velasquez no octógono. Era muito tempo para resistir. As duas surras tornaram seu cartel e sua movimentação irregulares. Somente em 2018 ele voltou a vencer em sequência, o que não acontecia desde maio de 2012. Neste intervalo, Júnior conseguiu disputar novamente o cinturão, mesmo sem tanto merecimento. Foi nocauteado duramente por Stipe Miocic. Agora, aos 35 anos, está em um momento decisivo da carreira.

Desde sempre Cigano foi fundamentalmente um boxeador no MMA. Mas não um qualquer. Era o melhor da divisão, incluindo Miocic. Defesa de quedas vinda da movimentação constante, combinações letais conduzidas por um belo jogo de pernas. Ele chegou a ameaçar um wrestling aqui, um kickboxing ali, mas nunca largou suas origens. Porém, a estrutura física ruiu com as derrotas para Cain, além da confiança. A técnica ainda é capaz de superar integrantes menos capazes – que é o que mais tem na divisão -, mas o corpo não demonstra capacidade de passar pelos maiores desafios.

Derrick Lewis vs Junior Dos Santos odds - BestFightOdds
 

Na teoria – ou em outros tempos -, as odds para este combate deveriam ser muito mais largas a favor do brasileiro. Ele permanece favorito muito por conta da enorme dificuldade de Lewis se movimentar, mas o confronto deixou de ser a barbada que seria anos atrás.

Mesmo mais desgastado, Cigano ainda é capaz de manter uma movimentação mínima a ponto de não parar na frente de Lewis e ter o combalido queixo testado. Como a hipótese de ground and pound do americano provavelmente não terá utilidade. Se conseguir circular e controlar a distância, Dos Santos tem tudo para levar uma decisão tranquila, ou mesmo nocautear na segunda metade do combate. Como ele é mais inteligente que Volkov, é provável que os riscos de um petardo sejam bastante minimizados. Porém, escrevo essas linhas com um tanto de cautela. Vai que…

Peso Meio-Médio: #14 Elizeu Capoeira (BRA) vs. Curtis Millender (EUA)

Por Diego Tintin

Elizeu Zaleski dos Santos (20-5 no MMA, 6-1 no UFC) é um dos mais eletrizantes lutadores do atual plantel da organização. Depois de sair derrotado em luta apertada para Nicolas Dalby, na estreia no octógono, “Capoeira” ligou o modo turbo e emendou seis vitórias consecutivas. Em metade delas, faturou o bônus de luta da noite, comprovando o potencial explosivo e divertido de seus combates. Nas duas últimas aparições, nocautes plásticos sobre Sean Strickland e Luigi Vendramini aumentaram a empolgação com o brasileiro, já experiente e bastante rodado no cenário nacional do MMA.

Como o apelido sugere, Elizeu começou a lutar ao som do berimbau e, mais tarde, adicionou o muay thai às suas especialidades. Visceral, o paranaense de Francisco Beltrão adora transformar seus combates em pancadaria desenfreada. E é neste cenário que temos a melhor versão deste atleta valente e muito resistente. Na CM System de Cristiano Marcello, ele busca aperfeiçoar a luta de solo, uma vez que, até o momento, pouco mostrou neste aspecto além de conseguir se defender de forma decente, contra oponentes pouco qualificados na área.

Quem também experimenta um crescimento na organização é Curtis Millender (17-3 no MMA, 3-0 no UFC). Revelação de um pequeno evento californiano, “Curtious” teve uma passagem apagada pelo Bellator, em 2015, voltou para o circuito regional e se destacou novamente, dessa vez na LFA, até ser contratado pelo UFC. Chegou nocauteando o veterano Thiago Pitbull, emendou vitórias sobre os respeitados Max Griffin e Siyar Bahadurzada e já se apresenta como um aspirante a um lugar no ranking dos meios-médios.

Alto, de braços e pernas muito compridos, Millender gosta de minar seus oponentes com chutes nas pernas, pisões e ataques de longo alcance. Seus bons reflexos e noção de distância ajudam a compor um conjunto difícil de lidar na luta em pé. Este potencial físico é incrementado com boa base técnica e combinações precisas. O ponto fraco é a luta agarrada. Curtis até consegue evitar algumas quedas, mas somente pelo bom controle de distância já citado. Quando cede o clinch, quase sempre é derrubado e, no chão, o americano é uma negação ofensiva e defensivamente.

Curtis Millender vs Elizeu Zaleski Dos Santos odds - BestFightOdds
 

Nenhum fã de esportes de combate espera menos que mais um quebra-pau no portfólio de Capoeira. Contudo, talvez, especificamente neste combate, seja melhor para o brasileiro uma abordagem mais cautelosa, visando levar a luta para o solo assim que possível. De lá, aí sim, largar a mão no ground and pound e quem sabe aproveitar uma das muitas lacunas que Millender deixa para finalizar a peleja. Já Curtis precisa evitar este cenário e diminuir o ritmo da luta, sem cair no furacão de Zaleski, para maximizar suas possibilidades.

Este foi o aspirante a analista falando. Agora vem o amante de MMA: espero que estes dois camaradas troquem sopapos, catiripapos, pontapés e pescoções como se fosse esta a missão deles neste plano material. Palpite: Capoeira, nocaute técnico.

Peso Meio-Médio: Tim Means (EUA) vs. Niko Price (EUA)

Por Thiago Kühl

Tim Means (28-10-1 no MMA e 10-7-1 no UFC) chegou a ter um retrospecto de 5-2 no UFC até ser pego no doping, em 2016, quando tinha luta marcada contra Donald Cerrone. Após ser absolvido por contaminação em suplementos, viveu uma gangorra de resultados, com três vitórias e três derrotas, sempre sofrendo quando a concorrência tinha maior nível. O “Pássaro Sujo” parece já estar sentido os 35 anos e as quase 40 lutas na carreira, porém em seu último encontro, uma vitória sobre Ricky Rainey evitou que o emprego ficasse em risco quando emendou três derrotas.

Means é a face de um lutador que entretém quando entra no octógono. Sempre faz lutas interessantes, principalmente pela trocação de volume, um jogo de clinch agressivo e um sistema defensivo bem deficitário. Tim também por vezes exagera na agressividade, o que acaba se tornando sua derrocada quando enfrenta gente mais qualificada na nobre arte, como foi o caso de Belal Muhammad. No grappling, a defesa de quedas e o jiu-jítsu são bem precários. Tais deficiências, aliadas ao queixo que tem se deteriorado com o passar dos anos, podem se tornar um grande problema na luta deste final de semana.

Niko Price (12-2 no MMA, 4-2 no UFC) viu sua evolução no peso meio-médio ser parada brutalmente por Abdul Razak Alhassan, em setembro do ano passado, quando foi nocauteado com menos de um minuto. Em suas seis lutas no UFC, Niko não ouviu a leitura das papeletas em nenhuma delas. Além da derrota para Alhassan, foi finalizado pelo brasileiro Vicente Luque. As vitórias também vieram pelas vias rápidas: finalizou Bradon Thatch e George Sullivan, nocauteou Alan Jouban e Randy Brown.

Price é outro que dificilmente entregará uma luta monótona em sua carreira. Dono de um excelente muay thai, com bom controle de distância e boa potência, o americano tem capacidade de controlar as lutas e causar dano aos seus adversários. No chão, chega rapidamente em finalizações, com as quais tem se mostrado bastante criativo. No lado defensivo, mostra alguns buracos, seja no grappling ou no striking, o que pode ser um problema se cair na besteira de entrar na pancadaria com seu adversário.

Niko Price vs Tim Means odds - BestFightOdds
 

É razoável dizer que Niko é uma versão mais nova do próprio Means. Ambos possuem ótima envergadura para a categoria (com vantagem de 2cm para Price), têm boa técnica na troca de golpes e buracos defensivos. Entretanto, Price possui mais armas e, além de ser mais jovem, tem menos lutas na bagagem. Outra comparação válida é que Tim parece estar na descendente da carreira, enquanto o adversário ainda mostra ter espaço para evoluir.

Dentro dos possíveis cenários, não vejo nenhum que envolva uma luta ruim. Muito pelo contrário. É possível que Tim atraia Niko para o olho do furacão e consiga uma vitória na trocação após fantásticos 15 minutos. Porém, este cenário não me parece o mais provável. Acredito que “O Hibrido” conseguirá controlar seu ímpeto para conquistar mais uma vitória por interrupção, provavelmente por finalização, na parte final da luta.

Peso Pesado: #15 Blagoy Ivanov (BUL) vs. Ben Rothwell (EUA)

Blagoy Ivanov e Ben Rothwell protagonizam um duelo que não empolga grande parte dos fãs de MMA que aguardam por este bom card do UFC Kansas. Em meio a tantos duelos com nível técnico interessante, é até justo que o encontro entre os pesos pesados veteranos não tenha tanto destaque.

O homem que quase morreu numa briga de rua e ficou 84 dias em coma por conta de uma facada está de volta ao octógono do UFC. Em sua estreia, Blagoy Ivanov (16-2 no MMA, 0-1 no UFC), ex-finalista do GP do Belllator e ex-campeão dos pesados no extinto WSOF, ostentava apenas uma derrota em seu cartel. A discrepância técnica na luta em pé entre ele e Cigano impediu a vitória sobre o ex-campeão dos pesados. Antes dessa derrota, Ivanov vinha numa sequência de cinco vitórias, incluindo triunfos sobre os ex-UFC Josh Copeland e Shawn Jordan.

Forjado na luta agarrada, Ivanov se especializou no judô e no sambô, no qual inclusive fez história ao vencer Fedor Emelianenko nas semifinais do Mundial de 2008, quando acabou se sagrando campeão. Seu jogo é baseado em um violento clinch, quedas agressivas e um avassalador ground and pound. Em pé, acaba sendo muito estabanado tecnicamente, mas com mãos bem pesadas, assim como todo bom lutador da categoria. Os pontos falhos de seu jogo são a defesa de golpes praticamente inexistente, além da baixa capacidade cardiorrespiratória, o que acaba impedindo que ele possa competir em igualdade de condições com a elite da divisão.

Após dois anos cumprindo suspensão por doping, Ben Rothwell (36-10 no MMA, 6-4 no UFC) está de volta ao UFC. Depois do fim da melhor sequência de sua carreira, dominado tecnicamente por Junior Cigano, são exatos três anos que Big Ben não luta, freando bruscamente a sua surpreendente evolução. Das vitórias que antecederam o revés para o brasileiro ex-campeão, se destacam o nocaute sobre Alistair Overeem e a finalização sobre Josh Barnett.

Tecnicamente, Rothwell é uma baranga, mas menos do que um dia já foi. Em pé, seu jogo se baseia no boxe, o qual não se deve destacar suas combinações, mas a capacidade de criar espaços para golpear com suas mãos bastante pesadas. A luta agarrada de Rothwell evoluiu de um lutador que foi dominado por Mark Hunt no chão para alguém que finalizou o credenciado Barnett. Entretanto, três anos é tempo demais para dar uma análise mais precisa, pois não se sabe como o jogo de Rothwell se apresentará após o longo hiato.

Ben Rothwell vs Blagoy Ivanov odds - BestFightOdds
 

O tempo afastado influencia demais na hora da conclusão da análise. Três anos atrás, o palpite seria em Ben Rothwell até com certa segurança. Entretanto, hoje, Ivanov certamente está com mais ritmo e possui maior técnica para resolver a luta. O grappling do búlgaro deverá fazer a diferença numa vitória que deve sair por decisão unânime.

Peso Leve: Beneil Dariush (IRI) vs. Drew Dober (EUA)

Por Idonaldo Filho

Muitas vezes subestimado até mesmo pelo UFC, Dariush (15-4-1 no MMA, 9-4-1 no UFC) é um lutador de muito talento, que faz parte da selvagem e profunda categoria dos leves, conquistando vitórias consistentes contra nomes conhecidos como Jim Miller e Michael Johnson, além de vencer outros lutadores também de qualidade como James Vick e Rashid Magomedov. O problema foram os vacilos: teve o pescoço pego por Michael Chiesa, foi nocauteado quando estava vencendo o combate contra Edson Barboza e acabou vítima de uma surpreendente promessa que estreava, quando duelou contra Alexander Hernandez. Em seu último combate, neutralizou Thiago Moisés sem muitos problemas.

A base do assírio é o jiu-jítsu, graduado na faixa preta por Rômulo Barral. O jogo de finalizações sempre foi completo e de bom nível. Pouco a pouco, Dariush foi se consagrando como lutador completo, principalmente com a evolução auxiliada por Rafael Cordeiro na Kings MMA – mais um caso de grappler que se transformou num striker qualificado. Dariush sabe trabalhar calmamente e colocar pressão ao mesmo tempo, conseguindo se tornar um típico lutador chato de se enfrentar e versátil o suficiente para deixar dúvida no adversário sobre qual alternativa ele irá tomar no combate. Alguns questionamentos sobre sua absorção de golpes e defesa em si existem e suas derrotas consistentes em vacilos mostram também que Dariush muitas vezes ainda deixa brechas para ser surpreendido.

Outro lutador que mostrou evolução no UFC é Drew Dober (20-8 no MMA, 6-4, 1NC no UFC). O americano sempre foi um cara pertencente ao meio de tabela e fazia algumas lutas com certa ação, mas nunca chamou a atenção completa dos fãs. Sua sequência atual de três vitórias é até relativamente pouco lembrada. Nessa trinca de resultados positivos estão um nocaute pesado contra o eterno Josh Burkman, além de duas decisões, uma contra Frank Camacho – disputa no peso meio-médio por recomendação da comissão – e a mais recente sobre Jon Tuck.

Com atuações no muay thai, Dober é o típico lutador de ação americano que compõe card de eventos locais do UFC. Se for casado contra um oponente similar – assim como foi na lutaça contra Camacho – entrega combates sem muita técnica, mas com muito coração. Drew usa com frequência os chutes baixos, tem certa habilidade na troca de golpes, embora ainda possa melhorar a técnica, mas deixa brechas defensivas suficientes. No chão, o sistema defensivo é muito duvidoso e o ofensivo é insuficiente. Ele evoluiu e consegue aplicar quedas com certa explosão e fator surpresa, sem falar que costuma, em alguns momentos, quebrar o ritmo e levar a luta para o clinch. O que complica para Dober, além do que já foi falado sobre seu jogo de solo, é que ele não é aquele cara especial em praticamente nada. Trata-se de um funcionário da organização e eterno membro da turma que nunca vai ser top 15, mas também não deve ser demitida tão cedo na divisão mais povoada do UFC.

Beneil Dariush vs Drew Dober odds - BestFightOdds
 

Dariush é muito mais talentoso que Dober. Se formos falar de grappling no geral, chega a ser covardia. O casamento não é de todo estranho, já que Dober merecia realmente alguém como o assírio por estar com três vitórias seguidas, mas provavelmente ele não verá a cor da bola. Mesmo com a possibilidade de Dariush entregar a paçoca, como já fez em alguns momentos, a probabilidade maior é de que ele consiga manter tranquilidade no striking e posteriormente levar Dober para o chão, finalizando na metade inicial do duelo.

Peso Meio-Médio: Anthony Martin (EUA) vs. Serginho Moraes (BRA)

Por Bruno Costa

Anthony Rocco Martin (15-4 no MMA, 7-4 no UFC) deixou de ser um peso leve gigantesco, mas irregular e lento, para se libertar em busca de evolução na categoria dos meio-médios. Antes um grappler com dificuldades no wrestling ofensivo e pouco ágil em leituras e movimentos de troca de golpes, além de pouca movimentação e gás insuficiente para manter o ritmo por três rounds, o produto da American Top Team parece estar mudando o rumo da carreira na faixa de peso que melhor lhe cabe. Três vitórias consecutivas contra oposição de visível crescente evolução de nível colocam Rocco em posição próxima ao ranking.

Martin têm demonstrado evolução na trocação, sendo capaz de manter a distância no boxe aliando habilidade técnica a uma boa envergadura, mas se utilizando também de bons chutes baixos para minar a movimentação dos oponentes. O queixo continua muito em dia, como se observou diante do forte e explosivo Jake Matthews, e a defesa de quedas é sólida o suficiente para lidar contra a maior parte da competição. Em que pese seja um grappler de bom nível, não é interessante chegar perto de tentar demonstrar essa faceta contra o próximo oponente.

Sergio Moraes (14-3-1 no MMA, 8-2-1 no UFC) chegou à organização através da primeira edição do TUF Brasil como um lutador muito cru. O tricampeão mundial de jiu-jítsu na faixa preta sempre se demonstrou muito perigoso e oportunista no solo, mas com arsenal longe de apresentar variações perigosas noutras fases da luta e sofrendo pelo fraco wrestling ofensivo.

O “Pantera” evoluiu como lutador e se tornou um brawler que golpeia de ângulos pouco usuais – o que, especificamente no seu caso, não deve ser considerado exatamente como elogio – e com muita potência. Ostentou boa sequência sem derrotas no peso meio-médio e saiu derrotado do octógono apenas pelo atual campeão da categoria, Kamaru Usman. Por óbvio nunca perdeu sua principal característica de ser excepcional na luta de solo, capaz de dominar oponentes com facilidade em busca de finalizações. O problema para conseguir as quedas continua existindo, e o brasileiro parece até mesmo frustrado com as tentativas falhas, eventualmente desistindo de buscar o combate na área de especialidade ao longo dos combates.

Anthony Rocco Martin vs Sergio Moraes odds - BestFightOdds
 

A receita para Serginho vencer o combate de sábado passa por controlar o ritmo da luta, tentando repelir as ações de Martin com potentes contra-ataques e apostar entradas de queda com bom timing para trabalhar onde tem maior vantagem. Para Martin, o melhor é executar as ações da média pra longa distância e entrar no raio de ação do brasileiro com tranquilidade para se manter longe do perigo que representa a luta no solo. Rocco tem mais ferramentas em sua caixa e parece ter vantagem para executar o plano de ação, sendo favorito para vencer o combate em uma decisão, ou até conseguindo uma interrupção no último round da luta, aproveitando de um já desgastado e machucado adversário.