Por Alexandre Matos | 21/07/2009 20:00

O antagonismo mais visível entre o UFC e o extinto PRIDE sem dúvida alguma é o local de disputa das lutas. Por mais que alguém diga que não faz diferença, lutar em um ringue cercado por cordas, como no PRIDE, é bastante diferente de fazê-lo em um octógono cercado por grades, como no UFC.

UFC Octagon, o octógono do UFC

Com pouco mais de 9 metros de diâmetro e quase 60m² de área de luta, o octógono (clique na foto acima para ampliá-la) tem espaço útil de combate maior do que um ringue, um quadrado com no máximo 7 metros de lado e 49m² de área útil (foto abaixo). O ringue do PRIDE era ainda menor, com 20 pés de lado (cerca de 6 metros), ou seja, pouco mais de 37m² de área.

O primeiro impacto na diferença de tamanho é a dificuldade de encontrar o oponente. Quanto maior a área, mais difícil se torna caçar o adversário no combate, mais difícil fica encontrar a distância. Este obstáculo acaba trazendo maior cansaço ao lutador que não estiver acostumado. Maurício Shogun reconheceu que esta característica do octógono o atrapalhou em sua adaptação ao UFC.

Um detalhe sobre a geometria das arenas: num ringue quadrado, com quinas bem definidas, é muito mais fácil encurralar o adversário no córner, ampliando os horizontes de um striker que busca o trabalho ofensivo. Enquanto isso, o octógono, com vértices obtusos, pede uma movimentação muito mais intensa de um lutador para conseguir o que Lyoto Machida fez com Rashad Evans no UFC 98. Como nem todo mundo é Lyoto Machida…

Se por um lado dificulta o trabalho de um striker, o octógono força o lutador a ter uma base de wrestling mais apurada, obrigando-o a trabalhar as defesas de quedas e o jogo de clinch mais do que nos ringues. O wrestler usa a grade a favor do clinch, encurralando o adversário, como visto na foto ao lado, onde Georges St-Pierre pressiona BJ Penn. Em compensação, o lutador encurralado pode usar a grade a seu favor: no UFC 100, vimos Alan Belcher pegar impulso na grade para aplicar um superman punch em Yoshihiro Akiyama.

Já no quadrilátero, o jogo de luta olímpica é um pouco mais difícil de ser implementado, já que é possível passar o quadril ou os pés para fora do ringue e assim se desvencilhar com mais facilidade de uma disputa travada no corpo a corpo. O clinch de wrestling é dificultado num ringue pela falta de um anteparo rígido como as grades do octógono.

A princípio estas diferenças explicariam algumas dificuldades, como a que passaram Wanderlei Silva e Shogun, strikers eficientíssimos no PRIDE mas sem o mesmo brilho no UFC, do mesmo modo que explicaria a maior dificuldade de Quinton Jackson nos ringues japoneses em relação ao Rampage que conquistou o cinturão no octógono americano. Porém as coisas ainda não são tão simples. Veremos nos próximos artigos outros pontos de distinção, culminando com uma análise de alguns lutadores que estiveram em ação nos dois eventos.

Amanhã não perca a continuação desta série especial UFC vs PRIDE, com o polêmico tema Diferença nas Regras.