Por Edição MMA Brasil | 21/08/2020 03:54

O UFC segue sua maratona de eventos na cidade de Las Vegas. Depois do bom UFC 252, chega a vez do UFC Vegas 7, que será realizado diretamente do UFC Apex.

Depois de três adiamentos, enfim, o brasileiro Pedro Munhoz terá a oportunidade de dar as boas vindas ao ex-campeão dos leves Frankie Edgar na categoria dos galos, já que o americano tenta dar início a uma nova fase na carreira aos 38 anos de idade.

Já na categoria dos meios-pesados, o experiente Ovince St. Preux encara Alonzo Menifield em um duelo interessante na porteira do ranking da divisão. Já entre os meios-médios, Daniel Rodriguez enfrenta Takashi Sato em um confronto intrigante de estilos.

Por fim, a experiente brasileira Amanda Lemos retorna ao octógono para encarar a promissora Mizuki Inoue pela categoria dos palhas, enquanto Timur Valiev encara Trevin Jones em confronto de peso casado.

O UFC Vegas 7 será transmitido neste sábado pelo Canal Combate a partir das 19:00h (horário de Brasília), enquanto o card principal tem o início previsto às 22:00h. As duas primeiras lutas do evento serão transmitidas pelo SporTV 2 e pela página do UFC Brasil no Facebook.

Peso Galo: #5 Pedro Munhoz (BRA) vs. FW #8 Frankie Edgar (EUA)

Por Thiago Kühl

Pedro Munhoz (18-4-1NC no MMA, 8-4-1 no UFC) vinha em grande ascendente rumo ao topo da categoria peso galo. Ele teve uma vitória gigante contra Cody Garbrandt, o então número #2 da categoria que não deu conta da trocação aberta com o brasileiro, que suplantou o ex-campeão ainda no primeiro round. Assim, Pedrinho se colocou em uma disputa pela oportunidade de desafiar o campeão contra Aljamain Sterling. A missão de vencer o “Funky Master” se tornou muito ingrata, uma vez que o americano conseguiu tomar controle da distância e evitou bem trocar golpes no pocket. O atleta da American Top Team pouco fez, além de suportar bem o dano causado e seguir avançando por 15 minutos. Depois da derrota no UFC 238, ficou afastado por quase um ano até ter a luta marcada contra Edgar, mas ainda sim viu a luta ser remarcada três vezes, uma delas por ter sido diagnosticado com Covid-19.

O brasileiro teve uma interessante evolução desde sua estreia no UFC contra Raphael Assunção, superando o início complicado e mostrando ser um oportunista de mão cheia. Com ótimo faro para finalizações – principalmente guilhotinas – e uma decente defesa de quedas, consegue manter seus adversários mais afeitos ao wrestling distantes. Sterling mesmo quase não tentou quedas. De pé a defesa é mais negligenciada, com ótima capacidade de absorção e uma coragem digna do adversário da noite, Pedro vale-se dos chutes baixos para minar a movimentação e de punhos muito pesados para dar cabo das lutas. A capacidade cardiorrespiratória nunca chegou a ser testada em uma luta de 5 rounds, mas contra Sterling mostrou que tem condições de manter seu estilo de luta ao menos por 15 minutos, mesmo em condições adversas.

Frankie Edgar (23-8-1 no MMA, 17-8-1 no UFC) dispensa quaisquer apresentações. O baixinho de New Jersey finalmente faz o movimento com o qual flertava a algum tempo e desce mais uma vez de categoria, agora para aquela que sempre pareceu ser a mais adequada ao seu biotipo. Com uma longa estrada percorrida, um bom punhado de batalhas e mais de uma década fazendo parte da elite de duas duríssimas categorias, Edgar parece estar realmente vivenciando o crepúsculo de sua carreira. O retrospecto recente é de três derrotas nas últimas quatro lutas, sendo duas pela via rápida dolorosa, inéditas em sua carreira. Entre os dois nocautes, uma vitória para o também cansado Cub Swanson e uma digna derrota sofrida em disputa de cinturão que caiu em seu colo contra Max Holloway. Com a descida de peso finalmente concretizada, Frankie tentará dar sobrevida à carreira.

O filho de Toms River levou ao extremo o tal do “estilo americano” de se lutar MMA: Wrestling e Boxe. A luta agarrada era muito fluida, conseguia transitar muito bem entre o jogo em pé e as entradas de queda, uma vez no chão, tinha um competente jiu-jítsu treinado pelas mãos de Renzo Gracie e Ricardo Cachorrão, além de um eficiente ground and pound. Porém, foi em pé que Frankie brilhou e teve seus melhores momentos, de punhos extremamente rápidos e com uma movimentação no estado da arte, Edgar fazia o famoso entra-e-sai sem ser atingido com velocidade incrível e com grande tenacidade. Na defesa, se valia muito da velocidade para esquivar, mas por vezes deixava vazar alguns golpes de seus adversários, no passado, o cheiro de sangue fazia com que Edgar entrasse em modo de “fúria”, mostrando o gigante coração e levando os adversários à águas das mais profundas. O problema é que um estilo como este cobra o preço com o passar do tempo. Hoje a velocidade muito menor, permite que mais golpes entrem e o queixo já não dá conta de absorver tanto dano. Nesse quesito talvez a decisão de cortar mais peso não tenha sido acertada.

Frankie Edgar vs Pedro Munhoz odds - BestFightOdds
Sterling deixou claro o caminho para vencer Munhoz: Evitar o pocket, golpear da distância e se movimentar bastante são as chaves para parar o brasileiro. Um caminho mais factível para Frankie, em sentido parecido, seria impor um jogo de velocidade para não ser encontrado pelos punhos de Pedro, desgastar o brasileiro e levar a luta na distância ou achar uma interrupção nos “rounds de campeonato”. Edgar um dia teve condições de fazer esse jogo, hoje parece bem improvável que consiga, ainda mais no octógono pequeno. Usar do bom wrestling até pode ser uma saída, mas Frankie terá que ter o triplo de cuidado para não ser finalizado, além do que, paira alguma dúvida em relação à sua real capacidade física nos galos.

Para Pedrinho o caminho é o de sempre, avançar, encontrar as brechas na movimentação do americano, colocar seus punhos pesados para jogo e entregar o terceiro nocaute da carreira do ex-campeão. Um outro desfecho possível seria achar o pescoço de Edgar durante uma entrada de quedas mais desesperada.

No final das contas parece pouco provável que o resultado da luta principal deste sábado seja diferente de uma vitória do brasileiro.

Peso Meio-Pesado: Ovince St. Preux (EUA) vs. Alonzo Menifield (EUA)

Por Gustavo Lima

Aos 37 anos, Ovince St. Preux (24-14 MMA, 12-9 UFC) é possivelmente um dos maiores workhorses que o UFC possui nas categorias maus pesadas. Com uma frequência de lutas muito alta desde que estreou em 2013 após a incorporação do Strikeforce pelo atual empregador, OSP pode oscilar bastante, mas tem um bom arsenal e capacidade física suficiente para bater adversários mais modestos e manter seu emprego na organização.

Na última vez em que vimos o descendente de haitianos na jaula de oito lados, ele se aventurou no peso pesado contra Ben Rothwell numa luta horrorosa em que saiu derrotado por decisão dividida. O peso extra pareceu comprometer em parte o desempenho do veterano, que também já entra em uma fase mais avançada da carreira. De volta a seu lugar de origem, St. Preux tem um desafio interessante pela frente contra um oponente com bem menos tempo de casa.

Alonzo Menifield (9-1 no MMA, 2-1 no UFC) chegou ao principal palco da arte marcial mista global após um nocaute em 11 segundos no Contender Series em 2018. Dois nocautes (sobre Paul Craig e Vinicius Mamute) colocaram o californiano no radar da divisão, até que uma derrota por decisão unânime para Devin Clark com um desempenho muito abaixo do esperado deu uma esfriada na situação de Alonzo.

Com 32 anos de idade, Menifield possui a seu favor o atleticismo e vigor físico. Tecnicamente, o atleta faz o feijão com arroz que basta para ao menos se manter com um cartel positivo em uma categoria no UFC. Apesar de ter realizado poucas lutas, dá pra dizer que Alonzo é superior a um punhado de nomes que tem contrato com o UFC (ou que tiveram e aguentaram firmes e fortes por alguns anos escapando do facão).

Apesar de ser dono de um striking decente e ser capaz de fazer o suficiente para não se complicar no grappling, o duelo contra Devin Clark mostrou que Alonzo ainda está bem verde e falta polimento a algumas de suas ferramentas para encarar adversários de melhor calibre técnico. Apesar da fama de “lutador bizarro”, OSP é dono de qualidades que o permitem levar perigo a boa parte do plantel dos meios-pesados.

OSP tem mãos fortes, grande força física para jogo de isometria, bom boxe e movimentação pouco ortodoxa que pode dificultar a vida de alguns oponentes. Apesar do tanque de combustível limitado, Ovince costuma se manter vivo até estágios avançados da luta, vendendo várias de suas derrotas por decisão.

Tenho certa dificuldade de enxergar Menifield indo cabeça-a-cabeça com OSP por muito tempo, dadas as limitações da durabilidade física do atleta mais jovem. Contra Devin Clark, os últimos dez minutos de luta de Alonzo foram muito aquém do que esperávamos, com uma queda vertiginosa em sua força, movimentação e intensidade.

Ainda que pragmático e pouco propositivo, OSP é um lutador que consegue ir ampliando sua vantagem e “cozinhando o galo” contra atletas que o levam menor risco. Creio que nas piores atuações recentes de St. Preux, ele ainda levaria vantagem contra o Alonzo Menifield exausto da última luta contra Clark.

Esse é um combate que tem tudo pra ficar extremamente chato caso passe do primeiro assalto. Se Menifield possui capacidade de levar perigo no início da luta, creio que isso deva diminuir ao longo do tempo. Mais parrudo, esguio e com mais gás, a tendência é que OSP passe a ter o jogo a seu favor em todos os aspectos conforme o adversário caia de produtividade. A resistência e a capacidade de absorção de St. Preux também são fatores a se levar em consideração nesta dinâmica.

Alonzo Menifield vs Ovince St. Preux odds - BestFightOdds
 

Complicado cravar um veredito pois OSP tem uma capacidade sinistra de surpreender negativamente e entregar desempenhos decepcionantes. Apesar disso, todos os fatores supracitados me levam a acreditar que o veterano deva sair com o braço levantado neste final de semana. Por último e talvez não tão importante assim: Menifield é exatamente o tipo de lutador que costuma cair no VonFlue Choke de St. Preux.

Peso Meio-Médio: Daniel Rodriguez (EUA) vs. Takashi Sato (JPN)

Por João Gabriel Gelli

Depois de uma carreira invicta em sete combates como amador, Daniel Rodriguez (12-1 no MMA, 2-0 no UFC) se profissionalizou em 2015. Em cerca de cinco anos, fez uma boa carreira no circuito regional, sobretudo no Combate Americas. Ele participou da temporada de 2019 do Contender Series, venceu, mas não levou o contrato. Após mais uma vitória, recebeu o chamado do UFC no começo desse ano. Desde então, finalizou Tim Means e superou Gabe Green.

Com postura de canhoto, Rodriguez tem más intenções em todos os movimentos. Ele tem socos potentes e tem preferência por atuar na longa distância para fazer leituras e explodir com vários golpes. O volume é adequado, com um jab ativo e razoável. De qualquer forma, a técnica ainda pode evoluir, sobretudo nos socos mais curtos que lança. Esta pode ser uma maneira de ampliar seu poder de nocaute. Além disso, não é de buscar a luta agarrada e tem alguma dificuldade quando os adversários tentam impor este caminho nos duelos.

Lutador relevante no cenário japonês, Takashi Sato (16-3 no MMA, 2-1 no UFC) fez a maior parte da carreira no Pancrase, tradicional evento do país. Ele chegou a disputar o cinturão da organização contra os ex-UFC Glaico França, mas saiu derrotado. Pouco depois, venceu um confronto e foi chamado pelo UFC. Na estreia, nocauteou o podre Ben Saunders. No entanto, não conseguiu emendar uma sequência, uma vez que foi finalizado por Belal Muhammad no compromisso seguinte. Sua última aparição veio em um rápido triunfo por nocaute contra Jason Witt.

Sato também atua como canhoto, com postura de base aberta e intenção de contragolpear. Ele é pouco ativo ofensivamente, mas compensa com boa precisão e potência. Fintas com a mão da frente são frequentes para coletar informações sobre as reações dos adversários. Dessa forma, consegue calcular o momento ideal para disparar uma combinação de jab e direto. Além disso, pouco oferece em termos de variação, sem grandes momentos na luta agarrada.

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Este é um confronto entre lutadores que não costumam impor o ritmo de seus combates. Ambos são nocauteadores e têm alguns problemas defensivos. Em um duelo como este, é provável que Rodriguez tente conduzir as ações, uma vez que já está acostumado a colocar mais volume. Neste caso, pode ficar em uma situação desconfortável em termos de estilo e acabar vítima da potência de Sato. No entanto, o palpite aqui é que o americano irá levar a vantagem com o jab, escapar de algum momento mais difícil e sair vitorioso graças ao fluxo mais intenso de golpes violentos.

Peso Palha: Amanda Lemos (BRA) vs. Mizuki Inoue (JPN)

Por Matheus Costa

Na busca de se tornar uma lutadora mais ativa dentro da categoria dos palhas, a brasileira Amanda Lemos realizou apenas duas lutas em três anos na maior organização de MMA do mundo. Ex-campeã do Jungle Fight, a atleta retorna com um bom teste para nivelar sua capacidade na boa divisão.

Faixa-preta de jiu-jítsu, Amanda é uma lutadora que possui mais pontos positivos tecnicamente do que fisicamente. Forjada no muay thai, a brasileira se destaca pela capacidade de concretizar seus confrontos. Com uma boa capacidade para combinar golpes, a lutadora de 33 anos sempre aplica bons chutes e gosta de jogar na curta distância. Seu destaque é a luta de chão, sendo muito ofensiva e sempre criativa na hora de aplicar raspagens e buscar finalizamentos, com foco nos estrangulamentos. Sua defesa de golpes não é lá das melhores, não é muito rápida e lhe falta explosão física para obter melhores golpes.

Por mais que só tenha 26 anos de idade, a japonesa Mizuke Inoue já possui um cartel bastante quilometrado pois compete no esporte desde os 16 (!!!). Ex-lutadora do Invicta FC, a lutadora já enfrentou nomes experientes como Karolina Kowalkiewicz e Virna Jandiroba, sua última adversária que a derrotou.

Trata-se de uma carateca de origem que nunca nocauteou no esporte, mas que por sua experiência sob a tutela da Team Serra-Longo, obteve 9 finalizações em suas 14 vitórias. Muito rápida e técnica, Inoue oferece risco em todas as áreas, mas a preferência é que mantenha a luta em pé, na longa distância, para tentar minar a brasileira com volume e combinações.

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Inoue é uma lutadora mais talentosa e a parte física entre a favor da japonesa. A estratégia para um triunfo da brasileira é encurtar a distância para buscar a queda e trabalhar seu bom jiu-jítsu, onde a ex-campeã do Jungle Fight torna-se favorita para o confronto. A tendência é que teremos um confronto equilibrado de três rounds, mas a aposta fica para a vitória da atleta asiática por decisão unânime dos juízes.

 

Peso Casado: Timur Valiev (RUS) vs. Trevin Jones (EUA)

Por Idonaldo Filho

O russo Timur Valiev (16-2 no MMA) por muito tempo foi um dos melhores pesos galos fora do UFC, chegando somente agora ao líder do mercado. Com 10 anos de carreira, Valiev é mais conhecido por sua passagem no WSOF/PFL, onde teve desempenho exemplar, com somente uma derrota muito contestável contra Chris Gutierrez. Parceiro de treinos de Frankie Edgar, as últimas lutas de Valiev foram no GFC, derrotando os brasileiros Giovanni Soldado e Taigro Costa.

Medalhista de bronze no mundial de Pancrácio, Valiev é um lutador com uma trocação bastante versátil e experiência em várias artes marciais. A variedade de ataques em pé é impressionante, sabendo muito bem quando é o melhor momento para manter o conservadorismo e quando pode usar movimentos plásticos. O jogo de quedas mostra eficiência ao ser executado, principalmente derrubando contra a grade. Timur peca na hora de impor um bom ritmo, tendo várias vezes momentos de inatividade na peleja. Outro aspecto que pode ser melhorado é o senso de urgência, já que costuma buscar mais o controle do combate do que a definição de fato.

Outro estreante é Trevin Jones (12-6 no MMA). O americano que treina e representa a ilha de Guam pegou a oportunidade nessa semana, substituindo o filipino Mark Striegl. Jones foi campeão do PXC e fez duas lutas no ACA, perdendo para Rodrigo Praia e vencendo posteriormente o russo Mehdi Baidulaev. Faixa marrom de jiu-jítsu, Trevin curiosamente pegou o avião de Guam para Las Vegas nos últimos dias justamente para esperar uma oportunidade, que surgiu no momento oportuno em sua categoria de origem.

Forte para o peso galo, Trevin Jones é um grappler objetivo, sempre buscando grudar o adversário na grade para derrubar. Por cima tem um bom ground and pound e estrangulamentos perigosos, mas tem dificuldades para manter o controle posicional. A trocação é baseada em chutes baixos e em sequências atabalhoadas de socos, que tem potência mas não demonstram técnica apurada. A defesa de quedas também não empolga muito, mas mostrou ser bom de guarda no cenário regional. Jones não é de tudo um lutador ruim, principalmente para entrar de última hora no evento, mas contra Valiev ele enfrentará alguém melhor em todos os aspectos.

Timur Valiev vs Trevin Jones odds - BestFightOdds
 

É uma luta tranquila se Valiev mostrar no UFC tudo o que sabe. Dificilmente Jones conseguirá derrubar, salvo alguma brecha dada por Timur após alguma tentativa de golpe giratório ou joelhada voadora. Em pé, Valiev possuí muito mais recursos e é veloz, tendo vantagem ampla nesse aspecto. A tendência é de uma vitória segura do russo na decisão dos juízes.