Por Edição MMA Brasil | 31/07/2020 15:08

Depois de uma temporada de eventos na Ilha da Luta, o UFC retorna ao berço de Las Vegas para dar início a temporada de eventos no UFC Apex, um centro de treinamento da organização na famigerada “Cidade dos Pecados”, com o UFC Vegas 5.

Em sua luta principal, a organização casou o interessante duelo na categoria dos médios entre o experiente Derek Brunson e o promissor Edmen Shahbazyan por cinco rounds. Já na luta coprincipal da noite, as talentosas Joanne Calderwood e Jennifer Maia prometem um duelo bastante agressivo na categoria dos moscas.

Por falar em duelo agressivo, as categorias dos meios-médios e leves também não ficam muito atrás nesse quesito. O brasileiro Vicente Luque retorna ao octógono para enfrentar o jovem Randy Brown, enquanto o experiente Bobby Green encara o sempre divertido Lando Vannata.

Peso Médio: #8 Derek Brunson (EUA) vs. #9 Edmen Shahbazyan (EUA)

Por Matheus Costa

Derek Brunson (20-7 no MMA, 11-5 no UFC) é o legítimo porteiro da categoria dos médios no UFC. Se você passa por ele, mostra que tem nível para se aventurar no topo da categoria. Caso contrário, é um bom choque de realidade para possíveis prospectos ou barangas que não tem condição de pensar alto.

Brunson é o típico lutador que tem qualidade, mas sempre acaba batendo e voltando contra adversários qualificados. O explosivo atleta de 36 anos evoluiu de um wrestler genérico e pouco empolgante para um boxer genérico com muita potência em suas mãos, deixando o jogo de quedas quase que no limbo de suas estratégias – um enorme erro de seu jogo. Em pé, Brunson é básico, não tem muito volume e peca pela criatividade na hora de proferir golpes, e raramente usa a luta agarrada, falhando em equilibrar suas qualidades, algo que lhe tornaria em uma ameaça maior na divisão.

Como citamos acima, Brunson é um ótimo porteiro para testar a qualidade de novas ameaças no top 15 da divisão. Portanto, é o teste perfeito para Edmen Shahbazyan (11-0 no MMA, 4-0 no UFC). O produto da Glendale Fight Club não mostrou muito em sua primeira luta na organização, mas começou a passar o carro e enfileirou Charles Byrd, Jack Marshman e Brad Tavares, vencendo os três com menos de 5 minutos de luta somados.

Com apenas 22 anos e um teto aparentemente alto de evolução, Edmen é alto mas bastante versátil para a categoria. Assim como seu adversário, o jovem também tem um poder de nocaute com valor, mas torna-se um lutador mais inteligente e com um arsenal técnico mais vasto. Em pé, o lutador é agressivo, possui bom volume de golpes e sabe usar suas valências de uma maneira equilibrada. Entretanto, sua parte defensiva preocupa um pouco e a falta do controle sobre seu preparo físico pode lhe custar contra um oponente mais completo, que não é o caso deste confronto.

Trata-se de um confronto que pode significar um choque de realidade ou uma legítima passada de bastão numa boa categoria que já passa por um processo de renovação. Shahbazyan faz parte de uma nova e talentosa geração, enquanto Brunson, que nunca conseguiu chegar ao pôr do sol em sua carreira, é um lutador de bom nível para o top 10 da categoria.’

Derek Brunson vs Edmen Shahbazyan odds - BestFightOdds

A aposta do escriba fica para o triunfo do jovem e promissor atleta de 22 anos, que deve controlar, frustrar e nocautear Derek Brunson no fim do primeiro assalto.

Peso Mosca: #3 Joanne Calderwood (STL) vs. #6 Jennifer Maia (BRA)

Por Matheus Costa

Joanne Calderwood (14-4 MMA, 6-4 UFC) chegou a organização cotada para ser uma das primeiras campeãs da categoria dos palhas, mas a expectativa nunca se tornou realidade. Quando a escocesa caminhava para se tornar uma decepção, decidiu levar a sério sua transição para o MMA e se reinventou como atleta, tornando-se uma realidade. Quando subiu para os moscas, o corte de peso deixou de ser um problema e a atleta começou a lutar melhor.

Depois de muitos anos e muitas vitórias em competições de kickboxing e muay thai, Joanne se tornou uma striker de nível de elite, com uma variação técnica digna de admiração. Entretanto, sua luta agarrada foi tão exposta e aproveitada, que a “Bad MoFo” precisou se aventurar nos tatames para evoluir na área. Faixa azul de jiu-jítsu, a escocesa é agressiva no chão e já até finalizou a brasileira Kalindra Faria. Não tem nível para competir com grapplers de elite, mas evoluiu o suficiente para não passar vergonha como fazia.

Buscando se estabilizar no UFC de vez, a brasileira Jennifer Maia (17-6-1 MMA, 2-2 UFC) pode ser lançada ao topo da categoria caso vença a boa adversária do próximo sábado. O estilo, pelo menos, casa muito bem para proporcionar um bom duelo na luta em pé. Depois de somar duas boas vitórias na organização, o ímpeto da experiente striker acabou freado por Kaitlyn Chookagian.

Especialista na luta em pé, Jennifer Maia é forjada no muay thai e possui um ótimo arsenal de golpes. Agressiva, gosta de pressionar suas adversárias e é inteligente na hora de combinar golpes, com bons cruzados e chutes na longa distância. Sua luta agarrada é bem básica, embora sua defesa de quedas tenha evoluído ao longo dos últimos camps de treinamento.

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É um duelo bem interessante e que deve agradar o público, já que estamos falando de duas strikers bem técnicas e agressivas. Falando português, tem tudo pra chinela cantar na luta coprincipal do sábado. Embora eu acredite que seja um confronto equilibrado, acho que Joanne usará sua maior envergadura para frustrar as tentativas das blitz da brasileira. Portanto, a aposta fica para a vitória da escocesa em uma decisão dos juízes, mas a expectativa para o confronto é alta.

 

Peso Meio-Médio: #11 Vicente Luque (BRA) vs. Randy Brown (JAM)

Por Idonaldo Filho

É fácil afirmar que Vicente Luque (18-7-1 no MMA, 11-3 no UFC) é um dos lutadores mais empolgantes dos meios-médios. O brasileiro nascido nos Estados Unidos teve uma ótima sequência recente, chegando a seis vitórias consecutivas entre o fim de 2017 e 2019. Merecidamente, o lutador recebeu um adversário de relevância em Stephen Thompson, mas foi frustrado pelo alto nível de trocação do oponente. Em sua última luta, Luque concedeu revanche a Niko Price, conquistando um nocaute. O casamento deste fim de semana é curioso, uma vez que certamente o atleta merecia um oponente com um ranqueamento superior na divisão.

Com um estilo muitas vezes agressivo, Luque alia precisão com a potência de seus socos, tendo um dos maiores punchs da categoria. Constantemente é o brasileiro quem busca as ações no combate, mas ele mostra muita eficácia nos contragolpes, obtendo alguns nocautes no UFC ao revidar ataques adversários. Na curta distância, desfere joelhadas poderosas e tem certa competência no clinch. O jiu-jitsu sempre foi bom, ainda que não seja muito usado por ele. As preocupações se encontram no aspecto defensivo, que nunca mostrou grande evolução, entretanto o fato de ser um sujeito muito duro atenua um pouco isso.

O jamaicano Randy Brown (12-3 no MMA, 6-3 no UFC) foi um achado de Dana White através da série “Lookin’ for a Fight”, sendo pinçado pelo presidente do UFC após conquistar o título do Ring of Combat. No líder do mercado havia se mostrado um lutador ainda verde, acumulando resultados irregulares até pouco tempo. Em 2019, Brown assegurou desempenhos empolgantes nas duas pelejas que fez, derrotando Bryan Barbarena e Warlley Alves nas maiores vitórias de sua carreira, mostrando evolução. Contra Luque, Brown terá a primeira oportunidade de enfrentar um atleta ranqueado.

Para a categoria dos meios-médios, o físico esguio de Brown se mostra interessante, contando com uma boa envergadura que por muito tempo era mal utilizada, só melhorando recentemente. Randy chuta bastante, focando o corpo do oponentes e aplicando também pisões no joelho. O clinch do jamaicano não é muito produtivo, além do wrestling não ser de nível suficiente para conseguir algo contra boa oposição. Em sua última luta mostrou que pode sim levar perigo com o seu jiu-jítsu, demonstrando qualidade defensiva e ofensiva ao derrotar Warlley Alves. O lutador vem surpreendendo em suas últimas aparições, mas ainda não é um atleta que seja unanimidade em um dos aspectos da luta.

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O jamaicano não é conhecido por ter mãos pesadas, porém, pode atrapalhar o brasileiro com golpes no corpo e tentar minar o gás de Vicente – mas acho difícil uma vitória. A vantagem é de Luque em tudo, seja na trocação ou na luta de solo. Provavelmente o brasileiro deve conquistar um nocaute na primeira metade da luta, que deve ser bastante divertida e possível candidata a bônus.

Peso Leve: Lando Vannata (EUA) vs. Bobby Green (EUA)

Por Idonaldo Filho

Lando Vannata (11-4-2 no MMA, 3-4-2 no UFC) é dono de uma das melhores estreias no UFC. O adversário? Só um tal de Tony Ferguson. O então estreante levou o ex-campeão interino ao inferno, com knockdowns e quase definindo o combate em algumas oportunidades, mas após bom início acabou finalizado. Com o hype nas estrelas, Vannata seguiu sua carreira no UFC com um chute rodado maravilhoso, mas logo esteve em meio a irregularidade, chegando a empatar duas vezes e não mostrando desempenhos satisfatórios. Em sua última luta saiu vitorioso, contra o experiente Yancy Medeiros.

O estilo de Vannata é pouco ortodoxo, de movimentação constante, trocas de base, uso frequente de chutes e nenhuma menção a defender sua face. O boxe de Lando não é tão volumoso, atacando com jabs ocasionalmente e vez ou outra contragolpeando o adversário. Recentemente, Vannata vem mostrando um pouco de seu background no wrestling, que é algo bem secundário em seu jogo. Com todo esse tempo no UFC, o problema segue sendo o mesmo: a inexistência de um sistema defensivo que faz com que seja atingido a todo instante pelo adversário.

Bobby Green (25-10-1 no MMA, 6-5-1 no UFC) teve seus grandes momentos no líder do mercado, mas a realidade atual é de um lutador estagnado no meio de tabela e que costuma ter desempenhos frustrantes em comparação com sua antiga forma, ainda que costume participar de lutas divertidas. Em junho, enfrentou o veterano Clay Guida e o derrotou, encerrando uma sequência negativa de dois reveses, que foram contra Drakkar Klose e Francisco Massaranduba.

Green é muito parecido com Vannata, apostando em esquivas em vez de uma defesa tradicional e priorizando a movimentação em seu jogo. O volume de golpes desferido por Green costuma ser bom, inclusive utilizando contragolpes, mas são socos sem muita potência no geral. O americano também atua bem no clinch com joelhadas no corpo. O condicionamento é bom e a grande maioria de suas lutas no UFC foi até a decisão. Para Green falta um pouco mais de consistência e atenção defensiva, mas é um lutador interessante dentro da categoria.

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A primeira luta seria vitória de Vannata se não fosse uma joelhada ilegal no primeiro assalto. Acho que não mudou tanta coisa de lá pra cá. Devemos ver uma luta muito disputada entre dois lutadores que dão a cara pra bater – literalmente. Em meio a tentativas de golpes plásticos, movimentação estranha que pouco ajuda na luta e rostos desfigurados, acho que dessa vez Vannata sai de fato com a vitória.