Por Edição MMA Brasil | 30/09/2021 16:41

Depois do grandioso UFC 266 que trouxe duas grandes defesas de cinturões e atuações memoráveis, o UFC retorna ao seu habitat natural durante a pandemia para realizar mais um card em formato de fight night. Chega a vez do UFC Vegas 38, que traz alguns duelos interessantes ao UFC Apex, localizado na cidade de Las Vegas, no estado de Nevada (EUA).

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Na luta principal da noite, o ex-desafiante da categoria Thiago Marreta tenta encerrar a péssima fase de três derrotas consecutivas para voltar, quem sabe, a sonhar com o topo da divisão. No entanto, ele terá pela frente o compatriota Johnny Walker, que surgiu com um enorme hype ao empilhar nocautes contra o baixo escalação da categoria dos meios-pesados, mas quando enfrentou adversários de qualidade, sucumbiu.

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Ainda pelo card pelo principal, o folclórico Alex Cowboy retorna ao octógono para um duelo intrigante entre dois strikers bem agressivos, enfrentando o americano Niko Price pela categoria dos meios-médios. Já nos galos, Aspen Ladd retorna ao octógono após quase dois anos para enfrentar Macy Chiasson, vencedora do TUF 28.

O UFC Vegas 38 será realizado no próximo sábado (2) e conta com a transmissão exclusiva do Canal Combate no Brasil. O início do evento está previsto para às 17h30 com o card preliminar, enquanto o card principal deve começar às 20h30 pelo horário oficial de Brasília.

Peso meio-pesado: 5# Thiago Marreta (BRA) vs. 10# Johnny Walker (BRA)

Por Idonaldo Filho

Thiago Marreta (21-9 no MMA, 13-8 no UFC) subiu de patamar ao trocar o peso médio pelos meios-pesados, contando com vitória sobre o atual campeão Jan Blachowicz e, chegando a se tornar desafiante do cinturão, algo improvável em seus tempos na categoria até 84kg. Hoje, o atual momento porém, não é mais tão bom assim, pois Marreta acumula três derrotas seguidas, as duas últimas contra Glover Teixeira, em grande reviravolta, além de perder na decisão para Aleksandar Rakic. Justamente por isso, desce um pouco os degraus e recebe um oponente de menor relevância na categoria, para ver se mesmo aos 37 anos, consegue mais uma vez chegar a disputa de título com uma reação começando pelo UFC Vegas 38.

A qualidade indubitável do jogo de Marreta é seu ótimo desempenho ofensivo na trocação, com um muay thai de alto nível. Em pé, Thiago tem como sua especialidade os poderosos chutes, que são desferidos tanto na perna dos oponentes, quando também costumeiramente no tronco, além de esporádicos golpes rodados direcionados a cabeça. O boxe não é lá dos mais refinados, mas consegue se virar bem e tem poder de nocaute. Defensivamente, Marreta dá algumas brechas e já houveram momentos em que sua absorção de golpes fora colocada em cheque. Quanto ao grappling, não é algo que dê tanta atenção e carece de qualidade nesta área, que não deve ser testada nesse confronto em específico contra Johnny Walker.

O sujeito com nome de uísque vem fazer sua primeira luta no ano de 2021. Johnny Walker (18-5 no MMA, 4-2 no UFC) sempre foi um camarada empolgante por onde lutou e, chegou ao UFC por meio do Contender Series. No líder do mercado, Walker teve grande impacto inicial, com três nocautaços em sequência, em lutas que se somadas não deram nem mesmo o tempo de um round. No entanto, o nível subiu e quando colocado contra oposição credível, como Corey Anderson e Nikita Krylov, Johnny viu seus defeitos serem explorados e o hype deu uma certa caída, perdendo as duas pelejas. Há um ano, teve pela frente Ryan Spann, derrotando o ex-campeão do LFA em sua última aparição no cage do UFC, por nocaute.

Walker luta de forma nada ortodoxa, sem muita responsabilidade, parecendo um personagem de videogame e, isso é bom e ruim. Bom já que em certos momentos conseguiu rápidos nocautes, principalmente uma vez que os adversários não sabem o que esperar dele. Ruim pois as brechas são gritantes e quando exploradas Johnny pouco fez para superar a adversidade.

Temos um atleta que preza pela luta em pé, desfere joelhadas voadoras e golpes rodados como se não houvesse amanhã, possuindo ótimo poder de nocaute e que tem a seu favor a boa estatura e envergadura. Já defensivamente, o brasileiro é praticamente nulo, já que não defende o rosto, seu queixo é muito frágil e o chão bastante deficitário, além do condicionamento que não ajuda também. Se o oponente conseguir aguentar a blitz inicial ou contragolpear corretamente, a vitória não é lá tão difícil.

Johnny Walker vs Thiago Santos odds - BestFightOdds

Dois lutadores que adoram a luta em pé e são nocauteadores natos, que quase sempre definem seus combates. É certeza que teremos luta boa enquanto durar. O melhor lutador é sem dúvidas Thiago Marreta, mas Walker tem vantagem no tamanho e pode surpreender no início do combate, até por que o ex-desafiante não é lá dos melhores lutadores defensivamente. Embora seja um confronto muito difícil de apostar, justamente por essa imprevisibilidade, a expectativa é que Thiago vença o duelo por nocaute rapidamente na luta principal do UFC Vegas 38.

Peso meio-médio: Alex Cowboy (BRA) vs. Niko Price (EUA)

Por Matheus Costa

Um dos lutadores mais folclóricos produzidos pelo Brasil nos últimos anos, o carioca Alex “Cowboy” Oliveira (21-10-1 no MMA, 11-8 no UFC) recebeu a alcunha de “Cowboy” pela semelhança ao dono original do apelido, Donald Cerrone. Semelhanças que não são físicas, pelo estilo agressivo e por ser tão ativo em sua carreira – está perto de completar sua 21° luta em seis anos de organização -. No entanto, a fase do brasileiro não é nada boa e a luz amarela está ligada sobre sua permanência na organização, já que soma apenas duas vitórias em suas últimas seis lutas. Logo, precisa reagir com um triunfo no UFC Vegas 38.

Adepto de uma boa porradaria, Cowboy é um kickboxer bem agressivo se destaca pela precisão e boa potência em seus golpes, embora a parte defensiva seja quase inexistente. Na luta agarrada, Alex é um grappler que não é técnico, mas acaba sendo esperto pela eficiência em capitalizar as oportunidades contra lutadores com pouca capacidade na luta agarrada. Dono de uma raça enorme, falamos de um lutador com muito coração, muito gás e nem tanta técnica, mas que sempre entrega entretenimento aos fãs.

Se de um lado teremos um porradeiro nato, do outro lado do octógono o estilo não é diferente. Niko Price (14-5-0, 2NC no MMA, 6-5, 2NC no UFC) é um lutador divertidíssimo com um estilo bem parecido com o do seu adversário: violência e pouca preocupação com a saúde do cérebro. Com apenas um triunfo em suas últimas cinco aparições no octógono, sua permanência na organização basicamente depende de um bom resultado frente ao brasileiro.

Bem agressivo, Niko Price é um lutador que era conhecido pela afobação e pelo striking básico. Isso mudou, já que o americano buscou evoluir em seus fundamentos e se tornou um atleta que tem uma trocação decente, sempre optando por volume, pressão e golpes na curta distância. Mesmo que tecnicamente esteja longe de ser um primor, o “híbrido” não é um grappler que leve perigo e não deve causar grandes preocupações ao brasileiro.

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Temos um combate que ganha pontos adicionais pelo momento ruim vivido por ambos na atual fase de suas carreiras, aumentando a urgência por uma vitória pela manutenção de seus empregos e, obviamente, fazendo com que a luta se torne mesmo conservadora. Mas isso não era um risco muito grande, já que estamos falando sobre dois lutadores bem agressivos que devem se espancar como se não houvesse amanhã.

Pela quantidade bem acentuada de dano que sofreu nos últimos tempos, o queixo de Alex Cowboy já não é o mesmo e isso vem se tornando cada vez mais óbvio em suas últimas lutas. Embora Niko Price seja um lutador perigoso, no entanto, acredito que o brasileiro seja superior tecnicamente e tenha condições de levar na decisão dos juízes no card principal do UFC Vegas 38.

Peso galo: 3# Aspen Ladd (EUA) vs. 11# Macy Chiasson (EUA)

Por Matheus Costa

Um dos talentos mais interessantes da nova geração na categoria feminina do peso galo e parte da classe de 2017 do Top 10 do Futuro, Aspen Ladd (9-1 no MMA, 4-1 no UFC) está cada vez mais perto de desafiar a campeã da categoria. No entanto, seu único revés até então, um nocaute em apenas 16 segundos para a ex-campeã Germaine De Randemie, provou que é preciso ter paciência e que não existe necessidade de apressar a maturação de sua evolução. A jovem de 26 anos superou o susto e, com uma boa atuação, superou a limitada Yana Kunitskaya no terceiro round do duelo em dezembro de 2019. Depois de três tentativas que acabaram canceladas, a atleta volta ao octógono após quase dois anos.

Grappler talentosíssima, a faixa roxa de jiu-jítsu Aspen Ladd tem como especialidade em seu jogo o chão. Muito agressiva e ofensiva a todo momento, a jovem lutadora tem uma bela capacidade de transições criativas e um vasto arsenal de finalizações em diversas posições. Em pé, temos uma atleta previsível e não muita técnica, que mostrou certa evolução em sua última luta mas que está longe de empolgar. Muitas vezes afobada, acaba se deixando levar pelo calor do momento, expondo mais ainda sua defesa de golpes que já é ruim. Ela até possui uma boa potência em seus golpes, mas não consegue variar muito e sempre opta por lançar socos retos.

Vencedora do TUF 28, a talentosa Macy Chiasson (7-1 no MMA, 5-1 no UFC) é uma atleta que está tendo o tempo de evoluir com calma e paciência para maturar suas habilidades. Muito técnica na luta em pé – sua especialidade -, Macy possui um vasto arsenal de golpes potentes, sempre proferindo ótimos chutes, e mostrando uma grande capacidade de criar ângulos na hora de lançar golpes. No chão, Chiasson é bem fraquinha e nunca mostrou grande habilidade no solo, principalmente de costas para o chão.

Aspen Ladd vs Macy Chiasson odds - BestFightOdds

Num clássico duelo entre striker contra grappler, alguns pontos podem indicar o caminho que a luta deve seguir. Ladd não luta desde o fim de 2019 e sofreu uma grave lesão no joelho durante esse tempo, que aumentou sua inatividade. Por outro lado, temos Macy Chiasson, que é uma grappler bem ruim e não tem condições de competir com a adversária no solo.

Geralmente a aposta fica para um grappler contra o striker, mas não seguirei a linha. Levando em conta a grande afobação na luta em pé e considerando a grave lesão no joelho, colocando em dúvida sua capacidade de movimentação, prefiro apostar numa vitória de Macy Chiasson por decisão dos juízes em uma luta bem equilibrada no card principal do UFC Vegas 38.

Foto: UFC/Divulgação/Twitter