Por Edição MMA Brasil | 19/06/2020 15:32

Neste sábado, 20 de junho, o UFC realizará seu terceiro evento no UFC Apex. Encabeçado pelo duelo pesado entre Curtis Blaydes e Alexander Volkov, o card preliminar do evento começa às 18h com os pesos-leves Austin Hubbard e Martin Rohskopf. Já o principal inicia às 21h com Jim Miller e Roosevelt Roberts no peso combinado até 72,5kg.

Peso Pesado: #3 Curtis Blaydes (EUA) vs. #7 Alexander Volkov (RUS)

Por Rodrigo Rojas

A ascensão de Curtis Blaydes (13-2 no MMA, 8-2 no UFC) é um necessário sopro de renovação entre os pesados. O wrestler estreou com derrota para um então desconhecido Francis Ngannou – até hoje, a única pedra no sapato do americano – e venceu boa parte dos bons nomes da rasa categoria entre seus reveses para o camaronês. Curtis já superou Mark Hunt, Oleksiy Oleinik, Alistair Overeem e Justin Willis, mas teve a perfomance mais impressionante de sua carreira ao dominar o ex-campeão Junior Cigano em pé, em sua última luta.

Campeão nacional e All-American no wrestling folkstyle, Blaydes tem na luta agarrada suas principais armas. Double legs e cinturadas explosivas são seguidos por ground and pound potente (vide o nocaute sobre Overeem) e um jogo por cima sufocante. No mais, tem desenvolvido um jogo básico porém eficiente na luta em pé, baseado no boxe, com alguns chutes oportunos e joelhadas no clinch. Além do wrestling, Curtis também se diferencia na parte física, já que, além da enorme força, é atlético e bem condicionado para os pesados.

Ex-campeão peso pesado do Bellator e do M1 Global, Alexander Volkov (31-7 no MMA, 5-1 no UFC) chegou no UFC com muita pompa, e logo acumulou uma boa sequência de quatro vitórias na organização, coroada com um nocaute sobre Fabrício Werdum. Sua ascensão foi atrasada pelo infame nocaute sofrido nas mãos da Besta Negra, Derrick Lewis, em uma luta que o russo vencia sem maiores dificuldades. A recuperação veio com uma vitória fácil sobre o fraco Greg Hardy, na última aparição.

Com base no caratê, Volkov é um striker bastante técnico em relação à média da categoria. Ele utiliza a boa envergadura para acertar blitzes de golpes retos e chutes, mas tem a péssima tendência de se expor na curta distância e entrar em clinches desnecessários, ignorando seus pontos fortes. A defesa de quedas é relativamente fraca, mas é compensada por uma boa defesa no chão, como mostrou contra Werdum. O grappling em geral é bastante decente, e já rendeu uma finalização sobre o campeão mundial de sambo Blagoy Ivanov.

Alexander Volkov vs Curtis Blaydes odds - BestFightOdds
 

A luta principal de sábado é um dos melhores confrontos que podemos ver entre os pesados. São dois dos melhores lutadores fora do top 3 da divisão e potenciais desafiantes ao cinturão. Além disso, é um clássico confronto de estilos, que é justamente o que deve render a vitória à Blaydes. Boa parte das derrotas do russo vieram por conta da deficiência no wrestling e ele não usa quase nada de evasão lateral para evitar aproximações. O americano ainda é mais forte, resistente e tem capacidade de seguir um plano de jogo por cinco rounds. Assim, apostamos em uma vitória por decisão ou nocaute tardio a favor de Blaydes, grudando em Volkov repetidamente, botando para baixo e trabalhando a pressão no clinch.

Peso Pena: #8 Josh Emmett (EUA) vs. #10 Shane Burgos (EUA)

Por Idonaldo Filho

Um achado do UFC, Josh Emmett (15-2 no MMA, 6-2 no UFC) chegou ao evento apenas como substituto, para enfrentar Jon Tuck, e obteve bom desempenho na categoria até 70kg. De apenas mais um na selva que é a categoria dos leves, Josh se tornou um dos principais lutadores ao descer para o peso pena. O atleta da Team Alpha Male chegou a enfrentar problemas na balança contra Ricardo Lamas – que foi brutalmente nocauteado por Emmett -, mas aparenta estar agora estabilizado na divisão. Josh vem de duas boas vitórias contra Michael Johnson e Mirsad Bektic, ambas por nocaute.

Assim como boa parte dos lutadores americanos, o histórico de Emmett é no wrestling universitário. O americano é forte, muito atlético e agressivo, contando com quedas plásticas em seu repertório e sendo faixa roxa de jiu-jítsu. Mesmo assim o grappling não é geralmente o foco que busca nos combates. Emmett é, provavelmente, o lutador que bate mais pesado na categoria, com punhos de aço e conhecido pelos nocautes assustadores que obteve nos últimos tempos. Não que o boxe seja refinado, mas a potência é fora do normal e muda o rumo de combates.

Na melhor sequência da carreira, Shane Burgos (13-1 no MMA, 6-1 no UFC) é um dos principais prospectos da categoria. Ele foi apontado pelo MMA Brasil no Top 10 do Futuro em 2017, posição que agora ocupa na divisão dos penas. Novaiorquino, Burgos só perdeu uma luta na carreira, contra o excelente Calvin Kattar. As três vitórias seguidas, contra Kurt Holobaugh, Cub Swanson e Makwan Amirkhani, empolgam bastante e demonstram a necessidade de ser jogado aos leões do peso pena.

Burgos treina na Tiger Schulmann MMA e tem preferência total pela trocação em suas lutas. Lutador técnico e que aplica ritmo alto nos combates, com volume intenso, Burgos tem um kickboxing bastante eficiente e preciso. A trocação do americano é baseada principalmente em sequências de socos rápidos tanto na cabeça quanto no corpo, uso de contragolpes e chutes baixos ocasionais. No chão já mostrou que tem certo repertório, finalizando Kurt Holobaugh e conseguindo se desvencilhar do grappling de Makwan Amirkhani. O condicionamento de Shane também é bom, não demonstrando queda de rendimento ao longo dos combates. Porém, a tendência de deixar o rosto desprotegido já o complicou em alguns momentos, devendo prestar mais atenção no aspecto defensivo do MMA.

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Essa é uma luta de alto nível e que poderia muito facilmente liderar o card no lugar do duelo dos pesados. Técnica por técnica na trocação, Burgos leva imensa vantagem ofensivamente, contando também com variedade superior. Caso Emmett decida levar a luta para o solo, pode ser uma alternativa possível para a vitória, mas que dificilmente deve acontecer e que se for tentada sofrerá forte resistência de Burgos, que tem bom wrestling defensivo.

No entanto, um fator de atenção é a defesa de Burgos. Enquanto é impecável atacando, não passa a mesma confiança defensivamente. Contra um nocauteador de primeira como Emmett, isso deve ser levado em conta. Não ficaria surpreso com um desempenho irreparável de Burgos e domínio sobre o combate, mas acredito que o desfecho do combate seja favorável a uma interrupção de Emmett.

Peso Galo: #6 Raquel Pennington (EUA) vs. #10 Marion Reneau (EUA)

Por Gustavo Lima

Raquel Pennington (10-8 no MMA, 7-5 no UFC) é figurinha carimbada no ranking e ainda figura entre as melhores atletas do peso-galo feminino do UFC. Apesar do cartel irregular e de três derrotas em suas últimas quatro lutas, todos os reveses de “Rocky” foram para atletas do mais alto escalão da categoria. Mesmo com o limite do que pode produzir ficando bem claro, é difícil olhar para baixo no ranking e ver nomes muito capazes de ameaçar a sexta posição que a americana ocupa na categoria.

A trajetória de Pennington no UFC é marcada pela constante evolução, que chegou a lhe garantir o direito legítimo de desafiar – sem sucesso – pelo cinturão de Amanda Nunes. Raquel possui bom boxe e é muito forte fisicamente, dois fatores que conseguem manter uma bela vantagem contra qualquer adversária que não tenha nenhum eixo de grande destaque técnico.

Já Marion Reneau (9-5-1 MMA, 5-4-1 UFC) é uma atleta de currículo diferente, vivendo um momento muito distinto na carreira. Completando 43 anos no dia do evento, a “Belizean Bruiser” vem de duas derrotas consecutivas, embora ainda se encontre na décima posição no ranking da categoria. É possível que a veterana já esteja chegando ao limite do que é possível produzir em sua carreira no nível mais alto do MMA.

Reneau também é uma generalista. Tem bom boxe, sabe variar usando chutes e se vira muito bem no jiu-jítsu. Todavia, alguns problemas específicos a limitam competitivamente, como por exemplo a falta de volume, longevidade física e pouco polimento em seu wrestling (aspecto que subaproveita o bom ground and pound e o efetivo jiu-jítsu).

Os estilos podem sugerir algum equilíbrio para o duelo deste sábado, mas acredito existir uma certa diferença na regularidade e no nível em que Pennington pode imprimir seu jogo, gradualmente aumentando a vantagem contra Reneau. Raquel tem um dos boxes mais subestimados desta divisão (há não muito tempo bateu Irene Aldana, uma das melhores trocadoras dessa categoria fora da trinca Nunes/Holm/De Randamie) e dificilmente abrirá espaço para Marion colocar a força de suas mãos em jogo.

Pennington também possui um jiu-jítsu bem decente, aliado a boa defesa de quedas e força física de sobra para se engajar em duelos de isometria sem correr muitos riscos. Apesar de possível, é pouco provável confiar que Reneau vá conseguir levar vantagem em pé ou conseguir empurrar a luta para o solo, onde – teoricamente – se favorece.

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Acredito que esses dados apontem para uma vitória por decisão de Raquel Pennington, que deve manter a superioridade geral ao longo dos rounds, embora não hegemônica. Os jabs fortes e rápidos de “Rocky” tendem a afastar as aproximações de Marion, que pode ter dificuldades no pocket sendo levada para o clinch e também na saída. Embora desejemos saúde e felicidades, acho pouco provável que a aniversariante saia com a vitória em Las Vegas.

Peso Leve: Jim Miller (EUA) vs. Roosevelt Roberts (EUA)

Por Idonaldo Filho

No evento deste sábado, o veterano Jim Miller (31-14, 1NC no MMA, 20-13, 1 NC no UFC) se iguala a Donald Cerrone na lista de atletas com mais lutas realizadas no octógono do UFC, com trinta e cinco pelejas. Empregado há quase 12 anos no líder do mercado, Miller mostra resultados irregulares nos últimos tempos. Em fevereiro, foi derrotado por Scott Holtzman na decisão, encerrando a sequência de duas vitórias contra Jason Gonzalez e Clay Guida.

Longe de seus melhores anos e lutando contra a doença de Lyme, Miller é um guerreiro somente por seguir na ativa e ainda conseguir brecar lutadores que não tem mais nível de UFC. Completo, Miller apresenta boxe competente e o wrestling era bom – mas o tempo de luta e aspectos físicos atuais minam a qualidade. Faixa preta de jiu-jítsu, é no grappling que Miller leva mais riscos aos oponentes, mostrando ainda boa técnica na arte suave. O tempo passou e, agora em 2020, Miller é um peso leve muito pequeno se comparado com a nova geração, além de não ter mais a absorção de golpes de outrora.

Roosevelt Roberts (10-1 no MMA, 4-1 no UFC) é um dos prospectos favoritos do presidente Dana White, que o contratou através do Contender Series. Até agora, o desempenho do americano de 26 anos no UFC é bom, ainda que nunca tenha enfrentado um oponente de melhor nível. A derrota contra Vinc Pichel no ano passado diminuiu bruscamente o hype em cima de Roberts, mas logo ele derrotou Alexander Yakovlev e Brok Weaver para recuperar um pouco do brilho. Ainda que Miller esteja decadente, será o melhor lutador de longe que Roosevelt enfrentou na carreira.

Contratado ainda muito cru, Roosevelt vem se desenvolvendo no UFC e mostra uma mínima evolução, mas está longe de se tornar um lutador de nível mais alto. Grande para a categoria com 1,88m, Roberts se movimenta bem e tem preferência por golpes retos, mas sofre para manter a distância e muitas vezes vai parar no clinch, onde desfere boas cotoveladas. O wrestling é pobre, assim como a defesa de golpes. O que Roberts costuma mais buscar no combate é a guilhotina, uma arma que dificilmente terá efeito no casamento em questão.

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Roberts é um lutador maior, mais jovem e que vem em melhor fase. Só que é muito pior que Miller em tudo. Mesmo em fim de carreira, Miller venceu lutadores como Alex White e Jason Gonzalez que são de nível parecido com Roosevelt. É de se esperar que a desvantagem em inúmeros aspectos além da técnica não afetem o desempenho de Miller, que deve garantir a vitória. No entanto, o veterano pode ter alguns problemas, principalmente se o combate se desenrolar por muito tempo.

Peso Leve: Clay Guida (EUA) vs. Bobby Green (EUA)

Por Rodrigo Rojas

O lendário Clay Guida (35-19 no MMA, 15-13 no UFC) parece interminável. O americano mescla vitórias sobre alguns dos maiores da história como Rafael dos Anjos, Anthony Pettis, Nate Diaz, Josh Thompson, Takanori Gomi e BJ Penn, com momentos de burrice em que ele parece ser um lutador fraco e acaba finalizado com facilidade.

Guida tem como principal característica a intensidade. Andando pra frente, ele parece imparável, com gás infinito e grande volume, seja com golpes em pé ou tentativas de queda. Nesses momentos, ele acaba se expondo demasiadamente, tanto para contragolpes quanto para finalizações. Em pé, ele avança jogando cruzados e uppercuts sem muita acurácia, com uma enorme tendência a entrar em brigas enlouquecidas. Seu real objetivo, no entanto, costuma ser botar para baixo. No chão, ele trabalha um ground and pound intenso, avançando posições e, eventualmente, atacando finalizações.

Bobby Green (24-10-1 no MMA, 5-5-1 no UFC) chegou na excelente categoria dos leves causando impacto, conquistando quatro vitórias em sequência, inclusive sobre Josh Thomson. Desde então, problemas pessoais atravancaram sua carreira, causando um hiato de três anos sem vitórias. Mais recentemente, ele perdeu duas seguidas – para Drakker Klose e Francisco Massaranduba.

Green tem seu jogo marcado por uma trocação pouco ortodoxa. Ele utiliza muito um boxe inspirado em Floyd Mayweather (risos), com a base de Philly Shell e shoulder rolls, além de vários golpes pouco tradicionais. Além disso, ele utiliza bons chutes em todos os níveis e ótimos contragolpes – um ponto forte de seu jogo. No entanto, ele costuma ceder quando pressionado, além de apresentar diversas brechas na defesa em pé. O grappling é de qualidade, dado o histórico no wrestling.

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Esse é claramente um confronto entre dois veteranos já desgastados e fora do auge. Nas CNTP, essa luta seria muito animada e divertida, já que os dois são afeitos a pancadarias. Fosse essa luta lá em 2011, Guida provavelmente conseguiria botar pressão, diminuir a distância e botar pra baixo rumo a uma vitória por decisão. Hoje, acredito que Green esteja um pouco menos desgastado, e deve fazer o suficiente para conquistar a vitória na decisão através de movimentação e volume de golpes em pé. Uma interrupção a favor de Bobby também não pode ser descartada, já que a maior parte das derrotar de Clay vieram antes do soar do último gongo.