Por Edição MMA Brasil | 12/03/2021 22:18

Após o grandioso UFC 259, o líder do mercado retorna a sua rotina tradicional com o UFC Vegas 21, diretamente do UFC Apex, em Las Vegas, Nevada, nos Estados Unidos.

O duelo principal será nos meios-médios, entre o inglês Leon Edwards – que retorna depois de quase dois anos sem atuar – e Belal Muhammad, que vem crescendo bastante na divisão.

Outras dois combates chamam a atenção no card principal. Letão, mas radicado no Canadá, Misha Cirkunov busca continuar sua subida no ranking dos meios-pesados, tendo pela frente o estadunidense Ryan Spann, cria do Contender Series. Nos penas, Dan Ige receberá Gavin Tucker, prospecto canadense que tem sua primeira chance contra um atleta ranqueado.

O UFC Vegas 21 no Brasil é transmitido pelo Combate, com card preliminar iniciando às 19h, enquanto o principal tem início marcado para as 22h.

Peso meio-médio: 3# LEON EDWARDS (ING) VS. 13# BELAL MUHAMMAD (PAL)

Por Idonaldo Filho

Apesar de sumido, o terceiro colocado no ranking dos meios-médios ainda é Leon Edwards (18-3 no MMA, 10-2 no UFC). Representando a Jamaica e a Inglaterra, Edwards viveu uma maré de azar devida a diversos cancelamentos de lutas recentemente. A primeira foi ainda em março de 2020, em um possível title eliminator contra Tyron Woodley, mas o card foi corretamente cancelado por causa da pandemia. Marcado para dezembro contra a sensação Khamzat Chimaev, acabou sendo contaminado pelo  vírus e teve que cancelar a luta. Em janeiro, mais um cancelamento, agora por ter sido o seu adversário doente. Agora, contra Belal Muhammad, Edwards obviamente dá alguns passos atrás, mas tem a chance de finalmente voltar ao octógono.

Muito completo, o inglês é até mesmo pragmático em alguns momentos. Um boxeador de boa técnica mas de nem tanto volume, Edwards tem mãos precisas, se movimenta muito bem e sabe, quando precisa, variar o jogo. Os chutes também são efetivos, trocando de base com naturalidade e desferindo esses golpes na perna, tronco, e, principalmente, na cabeça. O condicionamento e controle de distância também são pontos fortes. A variação de jogo permite derrubar os oponentes quando é mais conveniente para sua estratégia no momento ou para surpreender. Falta desenvolver mais senso de urgência no combate, pois algumas vezes poderia ter definido o combate mas não o fez.

Da Palestina, vem Belal Muhammad (18-3 no MMA, 9-3 no UFC). De trajetória similar ao seu oponente, Belal foi campeão do Titan FC, carimbando o passaporte para o UFC em 2016. Atualmente, o “Remember the Name” está em sequência de quatro vitórias consecutivas sobre atletas do meio da tabela, o último sendo Dhiego Lima. Contra Edwards, Muhammad fará a luta mais importante de sua carreira, liderando pela primeira vez um evento no líder do mercado.

É inegável que o principal ponto a se destacar em Muhammad é o boxe. O palestino é muito veloz, atacando de diversos ângulos e conseguindo sempre ótimos contragolpes. Não há muito poder de nocaute, mas Belal preza bastante pelo volume e, não se importa de levar um soco para poder desferir dois. Também versátil, Muhammad em todas suas vitórias no UFC levou o oponente ao solo, onde incomoda com bom ground and pound. No clinch, desfere bons golpes no rosto e tem controle aceitável. Negativamente vale destacar a defesa, que é um pouco deficitária, mesmo melhorando nos últimos anos.

É um duelo de altíssimo nível. Devemos nos preocupar com a inatividade de Leon, que está há quase dois anos sem atuar, voltando logo contra um dínamo. Se estiver no seu melhor nível, Edwards é jogo ruim para Muhammad, já que controla bem a distância e tende a conseguir o controle do duelo com golpes precisos na longa e bastante movimentação. Tudo depende de como o inglês irá voltar. A aposta é que Edwards volte bem, mas não passeie, levando o duelo na decisão, após cinco assaltos disputados.

 Peso meio pesado:  11# MISHA CIRKUNOV (LET) VS. #13 RYAN SPANN (EUA)

Por Matheus Costa

Um dos nomes mais rodados na categoria dos meios-pesados, Misha Cirkunov (15-5 no MMA, 5-3) é também um dos mais irregulares. Quando parece que, enfim, o lutador vai decolar e conseguir alçar voos maiores dentro da divisão, não acontece. Quando parece que ele vai emplacar uma sequência de derrotas, ele surpreende e vence de forma até inesperada, como foi contra Jimmy Crute em seu último combate.

Faixa preta no judô, Misha Cirkunov é um grappler habilidoso e sempre encontra suas vitórias na luta agarrada. Muito técnico, despachou o promissor Jimmy Crute com uma rara gravata peruana em seu último combate, ainda em 2019. No entanto, o caldo engrossa quando chegamos na trocação. Lento, previsível e simples, o lutador de 34 anos acaba virando presa fácil para seus adversários quando fica em pé. Tanto é que suas derrotas na organização vieram através de nocautes brutais.

Buscando reencontrar o caminho dos triunfos, Ryan Spann (18-6 no MMA, 4-1 no UFC) é um lutador que engatou uma boa sequência de vitórias pela fraca concorrência de uma divisão defasada. Quando chegou a hora de encontrar alguém com um nível digno, pereceu ao poder de nocaute de Johnny Walker no primeiro round.

Spann não é um lutador plástico ou que encha os olhos de quem assiste, o meio-pesado é daqueles wrestlers com trocação bem básica – apenas jabs e diretos – que acabam usando e abusando do clinch para alcançar algo na luta. Possui um jogo técnico na luta agarrada bastante eficaz e sua força física acaba sendo um ótimo aliado na hora de derrubar seus adversário. O grande ponto negativo fica para a péssima defesa de golpes do atleta, que quaaaaase beijou a lona graças a Sam Alvey. Isso já diz muito.

Em uma luta que não tem muito potencial em pé, o duelo do próximo sábado tem tudo para ser tedioso. Cirkunov vai tentar levar a luta para o chão, mas talvez não tenha a força física necessária para derrubar Spann. Por outro lado, o americano, que não tem a técnica necessária para lutar com Misha no chão, deve se aproveitar do clinch para tentar arrumar alguma coisa.

A aposta do escriba fica para uma vitória de Cirkunov, que deve aproveitar um momento de (provável) afobação de Spann e obter uma finalização por volta do segundo assalto do combate.

Peso pena: 9# DAN IGE (EUA) VS. GAVIN TUCKER (CAN)

Por Matheus Costa

Um dos lutadores mais divertidos que surgiram nos últimos dois anos no UFC, Dan Ige (14-3 no MMA, 6-2 no UFC) retorna ao octógono após mais de seis meses e faz sua estreia no ano de 2021. Depois de anotar seis vitórias consecutivas, sendo a última delas em uma decisão apertada contra Edson Barboza, o americano de 29 anos foi derrotado por Calvin Kattar e esfriou seu momento.

Wrestler de origem, Dan Ige é um lutador que buscou evoluir em todas as áreas, especialmente no kickboxing, para se tornar um atleta completo. Com um estilo bem agressivo e de bastante volume, o canhoto se mostra criativo na hora de criar ângulos para golpear seus adversários. Seus chutes, violentos, também se destacam. Com muita força física, a luta agarrada é uma arma letal, principalmente pelo seu controle posicional.

Gavin Tucker Depois de bater e voltar quando o caldo engrossou na excelente categoria dos penas, o canadense Gavin Tucker (13-1 no MMA, 4-1 no UFC) tem uma nova oportunidade, agora mais rodado, de mostrar quem tem valor para agregar à divisão. Para isso, terá um duelo complicado, mas quem tem como vencer.

Gavin Tucker é um boxer de qualidade com muita movimentação e footwork, que acaba sempre encontrando boas oportunidades para golpear seus adversários e criar boas situações na luta em pé. Outro fator de destaque é a habilidade de controlar a distância contra os seus adversários, dando oportunidade para chutar com bastante força.

Tucker chegou ao UFC como um bom prospecto, mas não conseguiu emplacar de vez e possui poucas lutas para alguém que está no UFC desde 2017 (apenas cinco). Ige, pelo contrário, lutou bastante em menos tempo, conseguindo evoluir e amadurecer como lutador.

A luta promete ser muito animada e com uma trocação bastante franca. No entanto, Ige é um lutador melhor e mais completo, e caso tenha dificuldades na luta em pé, levará a luta ao chão para garantir o triunfo. A aposta é a vitória de Ige por decisão dos juízes.