Por Edição MMA Brasil | 12/06/2020 12:28

Dando sequência na maratona de eventos no UFC APEX, o UFC Vegas 2, deste sábado 13 de junho, é o terceiro card realizado no lugar. O card preliminar começa às 19h15, com o principal previsto para às 22h. Sempre no horário de Brasília

Jessica Eye e Cynthia Calvillo farão o duelo principal em uma noite que contará com 9 combates em categorias leves, tendo somente uma luta no meio-médio e outra no médio. Um ótimo evento para os aficcionados nas categorias menores.

Peso Mosca: #1 Jessica Eye (EUA) vs. #10 SW Cynthia Calvillo (EUA)

Por Gustavo Lima

Jessica Eye (15-7/1 NC na carreira, 5-6/1 NC no UFC) parece ter reencontrado estabilidade em sua carreira aos 33 anos. Hoje no peso-mosca, com 4 vitórias em suas últimas cinco lutas, a veterana se encontra em uma situação muito mais confortável do que há alguns anos, quando chegou a amargar quatro derrotas seguidas dentro da companhia.

No retrospecto recente, “Evil Eye” conseguiu consolidar com clareza seu direito a uma disputa contra cinturão na rasa divisão até 57kg das mulheres, mas acabou sendo nocauteada pela genial Valentina Shevchenko. Agora, tem a missão de não só se manter vitoriosa, mas encher os olhos em suas próximas atuações para poder reivindicar nova chance contra a dominante campeã. Em sua atuação mais recente, Jessica bateu a brasileira Viviane Araújo, seguindo como #1 na última atualização do ranking.

Do outro lado, Cynthia Calvillo (8-1-1 MMA, 5-1-1 UFC) faz sua estreia na divisão, tendo mais chances de brilhar que no acirradíssimo peso palha em que competia outrora (além de precisar se desgastar menos cortando peso, algo que já lhe havia gerado problemas). A estadunidense chegou ao UFC em 2017 com algum potencial, mas até então, não conseguiu decolar. Com 32 anos, é extremamente válido o desafio no peso mais alto, que pode inclusive favorecer seu bom jiu-jitsu.

Cynthia deixou a desejar nos combates mais importantes que teve até agora no UFC, perdendo contra Carla Esparza e empatando na raça com Marina Rodriguez. Após a derrota contra a ex-campeã, Calvillo também teve o infortúnio de testar positivo para maconha, recebendo sanção da USADA que a afastou dos cages por quase um ano.

Eye possui uma certa margem na cabeça dessa divisão, mas a grande verdade é que esta categoria ainda passa por construção e há escassez de atletas habilidosas. Jessica possui ao seu lado a vantagem de fazer um pouco de tudo razoavelmente bem, o que a permitiu colher bons resultados nessa faixa de peso. Sua melhor versão apareceu após quase uma década como profissional, mostrando atuações mais seguras, maduras e estratégicas.

Se em termos de amplitude técnica Eye possui certa vantagem, no chão essa luta apetece muito a Calvillo. O pão com manteiga da atleta da AKA é o jiu-jitsu oportunista que rendeu três de suas vitórias no UFC, todas via mata-leão. O grande problema de Cynthia é justamente que, até chegar lá, podem faltar recursos quando as adversárias apresentam conjunto de habilidades um pouco mais robusto.

Para amplificar suas chances de sair com a vitória, Calvillo deve levar a oponente para o chão. Jessica, maior e mais forte, sabe disso e deve evitar se colocar em situações de risco, o que inclusive pode tornar essa luta extremamente chata. Cynthia costuma arrumar algumas quedas, mas Eye possui defesa bem decente e um certo poderio físico para barrar as investidas de uma oponente não tão polida assim nas entradas e aproximações.

Olhando lutas passadas da Jessica contra Araujo e Chookagian, por exemplo, temos uma ideia clara de que ela é a melhor striker no main-event de sábado. Existem – com alguma cautela – precedentes para acreditar que a ex-desafiante pode anotar até mesmo uma vitória tranquila, adotando movimentação cautelosa e abrindo vantagem a cada toque. Até mesmo se acabar sendo derrubada e passar algum aperto, é provável que consiga levar a melhor nas papeletas dos juízes.

O último peso na balança que pende minha aposta na direção de Jessica Eye é o fato de que nunca vimos Calvillo fazer cinco rounds. Com o peso extra e uma adversária cujo gameplan adequado pode exigir um grande desgaste, acredito ser provável uma queda de rendimento na reta final (se a luta chegar nessa altura, as chances de a coisa estar bem feia e sonolenta é grande).

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Minhas fichas vão na ex-desafiante, mas é aquele palpite meio magrinho, letra minúscula, fonte 10, em alguém que não costuma passar confiança nem sendo indiscutivelmente um dos melhores nomes da divisão. Alguém que, caso cometa um erro em circunstâncias específicas, tem do outro lado uma adversária pronta pra tirar proveito disso com o uso de sua maior competência.

Peso Médio: Karl Roberson (EUA) vs. Marvin Vettori (ITA)

Por Idonaldo Filho

Ex-kickboxer profissional, o americano Karl Roberson (9-2 no MMA, 4-2 no UFC) chegou a ter passagem pelo Glory antes de assinar com o UFC, via Contender Series. No evento que busca revelar promessas para o UFC, “Baby K” derrotou Ryan Spann em apenas 15 segundos na categoria de cima. Uma vez no líder do mercado, foi para o peso médio e tem um retrospecto empolgante de quatro vitórias e apenas uma derrota na divisão. O outro revés foi quando pegou Glover Teixeira em cima da hora, quase surpreendendo o veterano no combate em alguns momentos.

Roberson é um lutador muito virtuoso ofensivamente, com ampla variedade na trocação e competência também no grappling. Em pé mostra poderosos chutes, constantemente aplicados nas pernas alheias mas também no corpo. O boxe não tem muito volume, mas são sequências bem feitas e que muitas vezes servem de aproximação para levar a luta ao clinch. No chão Roberson tem noção do que está fazendo ofensivamente e tem bons estrangulamentos na manga, ainda que estes apareceram contra oposição de nível duvidoso no chão. Os problemas são, em sua grande maioria, relacionados a guarda vazada e também pela pouca resistência no solo.

Atleta da Kings MMA, Marvin Vettori (14-3-1 no MMA, 4-2-1 no UFC) tem na bagagem o título do Venator FC na Itália, quando ainda lutava na categoria dos meios-médios. Agora um peso médio bem encorpado, Vettori é um bom valor na categoria e entregou uma das lutas mais duras para o campeão Israel Adesanya em sua ascensão ao título. Atualmente, o italiano está com duas vitórias consecutivas na decisão, contra Cezar Mutante e Andrew Sanchez.

Conhecido pelo grappling, cada vez mais Vettori mostra evolução na trocação, que antigamente era tosca mas agora se mostra bastante útil. Marvin tem preferência por atuar no pocket, tem bons diretos, usa joelhadas e avança constantemente, mesmo deixando em alguns momentos o rosto desprotegido. Muitas vezes coloca um ritmo muito grande no combate, sendo agressivo até demais e acarretando em quedas de rendimento posteriores. O faixa marrom de jiu-jitsu mostra bom sprawl e é habilidoso com a guilhotina.

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É a terceira vez que a luta é marcada. A primeira caiu devido a pandemia, já a segunda não aconteceu por Roberson estar doente. Existe certa rivalidade, principalmente por uma briga no hotel de um frustrado Vettori.

O estilo de pressão que Vettori costuma utilizar pode dar errado contra Roberson, principalmente pelo fato do americano ser um hábil contragolpeador e com poder de nocaute, apesar do italiano ser muito resiliente. O duelo é equilibrado, mas acredito que Roberson é quem sairá vitorioso em uma luta divertida, podendo muito bem aparecer no ranking da categoria.

Peso Pena: Andre Fili (EUA) vs. Charles Jourdain (CAN)

Por Idonaldo Filho

É difícil para Andre Fili (20-7 no MMA, 8-6 no UFC) manter a regularidade no UFC. O atleta da Team Alpha é conhecido por alternar vitórias e derrotas, mas mostrou evolução nos últimos anos ao colocar alguns bons nomes no seu cartel, vencendo Dennis Bermudez, Myles Jury e Sheymon Moraes. A última aparição do pupilo de Urijah Faber no octógono foi contra o nigeriano Sodiq Yusuff, perdendo na decisão após uma luta dura.

“Touchy” Fili é um lutador completo, capaz de atuar bem em todas as áreas do MMA, mas sem excelência em nenhuma delas. Auxiliada pela grande estatura para a divisão, a trocação é volumosa, com socos rápidos e quase sempre encerrando a combinação com um chute alto, com o que inclusive já aplicou knockdowns. Bom derrubando, Fili é um bom wrestler tecnicamente e aplica quedas certeiras, mas peca no controle posicional. Nunca foi bom defendendo golpes, mas mostra evolução. Outra coisa que ele poderia adicionar ao seu jogo seria finalizações. Com teto claro, não é lutador para top de categoria, mas agora mais experiente, Fili se consolida como bom lutador e que pode garantir vitórias contra lutadores que ainda não estão prontos para avançar na divisão.


Campeão de duas categorias do TKO MMA, o mais tradicional evento do Canadá, Charles Jourdain (10-2 no MMA, 1-1 no UFC) é um dos bons prospectos que chegaram há pouco tempo no UFC. Uma estreia muito complicada na categoria de cima contra Desmond Green deu uma esfriada, mas logo depois foi o escolhido para receber Doo Hoo Choi voltando de um hiato, surpreendendo o coreano com um belo nocaute. Aos 24 anos o canadense conta com doze lutas como profissional, além de dez duelos quando ainda era amador.

Intenso no cage, o cara que carrega o apelido de “Air” para combinar com o sobrenome é um lutador de ação e definidor de combates. Rápido, Jourdain ataca de forma plástica e com variedade de golpes muito grande, aplicando de joelhadas voadoras a chutes rodados, mas também mostrando habilidade no jogo de mãos básico, com contragolpes precisos e potentes. O canadense não é bom wrestler, tem alguns problemas relacionados a defesa de quedas que podem muito bem ser aproveitados por Fili. Sem dúvidas Jourdain é um lutador de futuro, que com alguns ajustes deve crescer bastante.

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Fili em alguns momentos já tomou decisões duvidosas em luta mas, atualmente ele aparentou melhora inclusive neste aspecto. A variedade e volume de Jourdain podem complicar a luta em pé para Andre, só que a clara deficiência no wrestling preocupa, principalmente por Fili ser maior. O americano leva a luta na decisão dos juízes.

 

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