Por Edição MMA Brasil | 05/02/2021 00:21

De volta à sua casa em Las Vegas após três eventos em Abu Dhabi, o UFC retorna ao Apex. O UFC Vegas 18 será o já conhecido evento que antecede o Super Bowl, jogo que define o campeão da NFL.

O evento principal é marcado pelo duelo entre os pesos pesados Alistair Overeem e Alexander Volkov com possibilidade de deixar o vencedor próximo à uma disputa pelo título. No combate anterior, cortando o peso pela metade, Cory Sandhagen e Frankie Edgar fazem um combate geracional na elite do peso galo.

Michael Johnson enfrenta Clay Guida nos leves e o brasileiro Alexandre Pantoja busca mais uma vitória contra Manel Kape, pelos pesos mosca. Antes deles, Cody Stamann e Askar Askar se enfrentam entre os penas. Por fim, abrindo o card principal, Carlos Diego Ferreira busca uma revanche contra Beneil Dariush nos leves.

O UFC Vegas 18 será transmitido com exclusividade pelo Canal Combate no Brasil. A transmissão está programada para começar às 18:40h, pelo horário oficial de Brasília.

Peso Pesado: #5 Alistair Overeem (HOL) vs. #6 Alexander Volkov (RUS)

Por Idonaldo Filho

Mesmo sendo um dos mais experientes da atualidade, dá pra dizer que Alistair Overeem (47-18 no MMA, 12-7 no UFC) remodelou seu estilo de jogo nos últimos anos, conseguindo se manter entre os principais lutadores da divisão até hoje. O “Homem Demolição” teve passagens por muitas promoções e chegou ao UFC há 10 anos, mas acabou se tornando desafiante somente em 2016, conseguindo até a aplicar um knockdown no campeão Stipe Miocic na oportunidade. Em fase decadente, Overeem vem vencendo adversários menos experientes ou veteranos, mas sem conseguir vencer os principais atletas da categoria e permanecendo em uma posição de porteiro para o top 5. Nessa condição ajudou a consolidar nomes como Francis Ngannou, Curtis Blaydes e Jairzinho Rozenstruik por lá, mas barrou outros que não estavam preparados, como Walt Harris e Augusto Sakai.

Na trocação temos um atleta versátil com habilidades em praticamente todos os golpes que se possa pensar em pé, principalmente com chutes. O clinch de Overeem é devastador, com total destaque para as fortes joelhadas que aplica no corpo e na cabeça de seus adversários. O chão é de bom nível para o peso pesado, utilizando essa alternativa contra adversários leigos e quando entra em situação de perigo, também possui um ground and pound potente para definir as pelejas. Os principais problemas são os já conhecidos queixinho de porcelana e condicionamento não lá muito confiável.

Alexander Volkov (31-8 no MMA, 4-2 no UFC) fez fama como campeão do Bellator e atualmente faz boa carreira, se fixando no top 10 dos pesados dentro do UFC, em busca de uma vaguinha entre os cinco melhores da tabela. Como é novo se comparado aos demais colegas do peso pesado, Volkov ainda vislumbra muitas lutas no evento e, com as aposentadorias e dispensas de medalhões no futuro, deve se estabilizar na elite do peso em breve. Na última vez que entrou no octógono do UFC, o russo acabou com Walt Harris, com um chute no plexo solar que definiu a fatura. Antes disso foi amarrado pelo americano Curtis Blaydes.

O “Drago” –  em clara alusão ao personagem de Rocky –  é um striker por preferência.  Alto, Alexander aproveita de sua estatura para conseguir golpes na longa distância, principalmente jabs e chutes, como o que levou ao nocaute de Harris. Não costuma nocautear com um só golpe, mas aplica bom volume sem mostrar queda de rendimento expressiva. Pesa contra o russo as deficiências na área defensiva, não conseguindo evitar quedas contra adversários mais qualificados. Também não ajuda o fato de ser meio tartaruga no chão e ser bastante atingível em pé.

Alexander Volkov vs Alistair Overeem odds - BestFightOdds

É o que eu sempre escrevo nas prévias que faço de Alistair Overeem: o homem é brabo e é dono de um dos maiores arsenais ofensivos do MMA, só que… o sujeito geralmente não consegue aguentar um golpe mal encaixado que seja. Levando em conta que Volkov não é lá o cara com mais pegada na divisão e que também é esburacado em todas as áreas defensivas, vale a aposta no holandês de forma parecida com suas últimas lutas. Overeem por nocaute técnico é o palpite.

Peso Galo: #2 Cory Sandhagen (EUA) vs. #4 Frankie Edgar (EUA)

Por Thiago Kuhl

Cada vez mais consolidado como um lutador de elite, Cory Sandhagen (13-2 no MMA, 6-1 no UFC) está há três anos na organização. Aos poucos, subiu de nível ao vencer adversários cada vez mais fortes. Após cinco vitórias, chegou em uma eliminatória contra Aljamain Sterling em junho de 2020, mas sofreu uma finalização logo no primeiro round. No entanto, sem demora, se recuperou com um nocaute incrível contra Marlon Moraes, em outubro.

O estilo de Cory é bastante empolgante, com boas combinações e variações, incluindo uma sorte de de golpes plásticos, como joelhadas voadoras e chutes rodados. Além disso, sabe se valer do tamanho desproporcional para o peso. Para se ter uma ideia, contra Edgar um ex-peso leve e pena, terá uma vantagem de 12 cm de altura e cinco de envergadura. O jogo de finalizações é oportunista, mas ainda não dá conta de gente mais experiente no grappling, como ficou muito claro contra Sterling. Já no aspecto defensivo está seu calcanhar de Aquiles. Às vezes se deixa levar para pancadarias e deixa brechas, tanto em pé quanto na defesa de quedas.

O interminável Frankie Edgar (24-8-1 no MMA, 18-8-1 no UFC) estreou com vitória no peso galo. Com este resultado nos fez pensar como seria a elite do peso se tivesse feito esse movimento alguns anos antes. A estrada percorrida até a vitória contra Pedro Munhoz passou por nove lutas pelo cinturão nas categorias de cima, uma série de guerras históricas e, nos últimos três anos, alguns nocautes brutais. Mesmo assim, já em um estágio avançado da carreira, ainda integra o top 5 de uma categoria muito difícil e como um desafio indigesto para o talento ascendente.

O estilo consolidado não é novidade para ninguém. O combo wrestling e boxe, aliado à elusiva movimentação e o coração do tamanho do mundo, parecia ter enferrujado bastante. Contudo, Edgar soube se movimentar bem e vencer Pedrinho valendo-se quase que exclusivamente dos punhos rápidos e da agilidade. O queixo do passado, que também parecia ter abandonado Frankie, esteve presente mesmo com o corte de peso mais acentuado e contra um lutador de mãos pesadas. Por outro lado, Edgar deixou entrar uma grande quantidade de chutes baixos, o que pode ser o caminho das pedras para seu adversário neste sábado.

Cory Sandhagen vs Frankie Edgar odds - BestFightOdds

Essa luta foi agendada anteriormente, mas Edgar saiu do duelo para enfrentar o Zumbi Coreano. Agora, Frankie e Sandhgen se enfrentarão em um clássico duelo de gerações.

Do lado de Sandhagen, paciência e uma abordagem de chutes baixos serão fundamentais para minar a movimentação de Edgar. Caso consiga, terá a missão de encontrar um nocaute facilitada. Não é o ideal que Cory vá alucinadamente para cima de um lutador experiente. Todavia, a vantagem de potência e envergadura estará a seu favor.

Para Frankie, o ideal é buscar as brechas defensivas e se valer do, outrora, excepcional jogo de quedas. Caso consiga levar a luta para o solo, pode ter o mesmo sucesso de Sterling e encontrar uma finalização com pouca resistência.

As casas de apostas apontam um favoritismo considerável de Cory. Este movimento talvez esteja superestimando Sandhagen, considerando os buracos ainda existentes de seu jogo e a experiência do adversário. De toda forma tal vantagem deve acabar se confirmando, com Sandhagen vencendo pela via rápida dolorosa.

Peso Mosca: #5 Alexandre Pantoja (BRA) vs. Manel Kape (ANG)

Por Gustavo Lima


Regularidade e consistência são as grandes marcas de Alexandre Pantoja (22-5 MMA, 6-3 UFC). Apesar de vir com um cartel 2-2 nas últimas quatro lutas, o ex-campeão do RFA sempre entrega grandes atuações e está sempre se testando entre os melhores nomes do peso-mosca. Lutador completo em todos os aspectos relevantes do MMA, o carioca nunca foi nocauteado ou finalizado em toda a carreira, tendo vendido caro suas vitórias para Askar Askarov e para o campeão Deiveson Figueiredo.

Já com 30 anos de idade e alguma rodagem dentro dos cages, Pantoja é um lutador muito versátil e esperto, sabendo evitar aspectos do jogo que não o favorecem e minimizando os riscos que seus adversários costumam oferecer. Por todos esses motivos, aliados ao seu bom queixo e resistência, o quinto colocado da divisão é sempre uma luta complicada para qualquer um até 58kg.

Batendo de frente com o brasileiro estará Manel Kapé (15-4 no MMA, 0-0 no UFC), primeiro atleta a levar a bandeira de Angola ao cage mais famoso do mundo. Ex-campeão nos galos pelo RIZIN, nocauteador nato e muito marrento, o “Starboy” vem de duas vitórias consecutivas que enfeitam o cartel de qualquer atleta de MMA: Kai Asakura e Takeya Mizugaki.

Kapé vinha fazendo barulho há algum tempo, apesar de nunca ter emendado uma sequência arrebatadora de vitórias. O angolano chegou muito jovem ao Japão e sempre encarou o que havia de melhor na dura categoria até 63kg do RIZIN. Numa passagem em que acumulou retrospecto de 6-3, Manel só teve seu jogo bem exposto contra o incrível Kyoji Horiguchi. Porém, estamos falando aqui de um longínquo 2017, numa situação onde o “Prodígio” era bem mais jovem e inexperiente, enfrentando um dos melhores atletas da história recente nas categorias de 58 e 63kg.

Desde então, Kapé evoluiu bastante como striker, mantendo seu estilo agressivo e ousado, mas refinando sua técnica e se tornando menos afobado que outrora. Treinando há um bom tempo em Portugal, o atleta é bem ágil e imprevisível, demonstrando capacidade de ser perigoso em diferentes distâncias e bases. Todavia, nem tudo são flores: Manel costuma ter uma queda de rendimento notável em pé após pouco tempo transcorrido de luta. Nesse ponto, Pantoja se sobressai bastante. Durável e resiliente, o brasileiro costuma entregar combates intensos até o último segundo: se não é um corredor de tiro curto, Alexandre se mostra um bom maratonista e nunca foi deixado na mão por seu tanque de combustível, o que pode fazer grande diferença aqui.

Outro fator importantíssimo aqui é a possibilidade de Pantoja executar seu eficiente e polido jogo de luta agarrada. Na última derrota de Kapé, sofrida para o ex-UFC Ulka Sasaki no final de 2018, a grande pedra no sapato do angolano foi o grappling do oponente, que após derrubá-lo, controlou bem no chão por longos períodos. Alexandre é muito mais grappler que “Yuta”, então a projeção não é das mais favoráveis para Kapé.

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Acredito que Pantoja irá conseguir se virar bem nos primeiros minutos contra um adversário que é costumeiramente agressivo e pode ser afetado pela vontade de mostrar serviço. Neste duelo, o brasileiro é o atleta mais completo, mais polido, mais forte e tem tudo para tomar o domínio da luta conforme o relógio corre e os gongos tocam. Veredito: Alexandre Pantoja por decisão

Peso Galo: #13 Cody Stamann (EUA) vs. Askar Askar (PLE)

Por Bruno Costa

Cody Stamann (19-3-1 no MMA, 5-2-1 no UFC) chegou à organização conquistando boas vitórias e teve rápida evolução no nível de adversários enfrentados. Posicionado no top 15 do peso galo (mesmo que vá atuar pela terceira luta consecutiva no peso pena) desde sua terceira luta no UFC, o americano parece ter encontrado um telhado para seu nível como um porteiro do ranking. Um wrestler muito forte e atlético, Stamann se utiliza do conjunto de habilidades para levar a luta no ritmo e ambiente em que se sente mais confortável, sendo que exercer pressão sobre o adversário contra a grade e utilizar de contragolpes parece a especialidade da casa.

Quando decide pelo jogo de quedas, tem bom controle posicional e ground and pound potente. Evolução no grappling ofensivo e defensivo seria de boa valia para Stamman variar com mais segurança as ações ao longo da luta.

O palestino radicado em Illinois Askar Askar (11-1 no MMA, 0-0 no UFC) teve premiada a boa carreira no cenário regional recebendo às pressas uma chamada do UFC para estrear no octógono no próximo sábado contra um duro oponente.

Askar é um lutador de bom ritmo e que baseia seu jogo em torno dessa característica. Não é ótimo na troca de golpes e nem na luta agarrada, mas varia muito as ações ofensivas e tenta pressionar os oponentes a todo o momento. Como a maioria dos lutadores inexperientes, peca muito na defesa, ficando excessivamente exposto aos contragolpes dos adversários e vulnerável ao wrestling ofensivo de oponentes que possam explorar essa característica.

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Para o duelo de sábado, Stamman é o detentor da vantagem no wrestling e parece capaz de, utilizando potência nos contragolpes, diminuir o ritmo que Askar gosta de impor aos combates para sentir mais confortável, além de provavelmente não correr risco de ser quedado pelo adversário. A aposta para o combate é que Stamman leve muita vantagem na potência na troca de golpes e consiga quedas em momentos pontuais para sair vitorioso numa decisão ou até mesmo consiga seu primeiro nocaute na caminhada no UFC.

Peso Leve: #10 Carlos Diego Ferreira (BRA) vs. #13 Beneil Dariush (IRI)

Por Israel Silveira

Dois dos lutadores mais quentes da divisão dos leves se enfrentam neste sábado abrindo o card principal no combate entre Carlos Diego Ferreira e Beneil Dariush. Os lutadores chegam ao combate com sequências de 6 e 5 vitórias respectivamente. A luta representa uma revanche do combate que aconteceu no UFC 179 (2014), no qual Dariush saiu vencedor via decisão unânime.

Carlos Diego Ferreira (17-2 no MMA, 7-2 no UFC) se estabeleceu como uma das forças da divisão dos leves. Contratado pelo UFC em 2014, o “CDF” originalmente era mais um brasileiro especialista em jiu-jitsu com pouca desenvoltura em pé, com o passar do tempo conseguiu evoluir para um striker agressivo e com ótimo ground and pound, sob a tutela de Sayif Saud. Prova disso são suas performances contra Jared Gordon e Kyle Nelson, nocauteando os dois de maneira semelhante. Em seu último combate, o amazonense teve uma performance de elite contra a sombra de Anthony Pettis, controlando o americano por todo o combate e finalizando-o no segundo round.

Beneil Dariush (19-4-1 no MMA, 13-4-1 no UFC) também é um dos lutadores mais bem estabelecidos na divisão dos leves, porém nunca chegou a vencer uma luta que o levasse para o topo da divisão. A exemplo de Carlos Diego, Dariush também foi contratado em 2014 com extensivo background em jiu-jitsu com várias boas performances em mundiais (evidentemente não no mesmo nível de CDF). No entanto ele demonstrou clara evolução para um striker eficiente e muito potente, tendo brutais nocautes contra James Vick, Drakkar Klose e Scott Holtzman. Além disso, Dariush é um bom wrestler que  não encontra dificuldades em arrastar a luta para o chão e utilizar seu bom jiu-jitsu e ground and pound contra concorrência pouco versada no grappling. Por vezes foi traído por seu queixo no UFC, talvez por uma combinação de agressividade excessiva e queixo abaixo da média, mas sua sequência de vitórias prova que essa é apenas uma pequena brecha de um jogo bastante sólido.

Beneil Dariush vs Diego Ferreira odds - BestFightOdds

No primeiro combate entre os dois Dariush conseguiu amarrar Carlos Diego por três rounds a partir de uma queda em cada um dos rounds e resistiu às investidas do brasileiro por baixo. Ambos os lutadores evoluíram muito de lá pra cá e o vencedor do combate deverá ser definido por qual deles melhor se desenvolveu. O brasileiro melhorou bastante como striker e Dariush vem se arriscando cada vez mais em suas lutas com longas combinações. Carlos Diego não tem uma defesa de quedas de elite e provavelmente será colocado para baixo em algumas oportunidades pelo iraniano, mas acredito que nos momentos em que a luta se desenrolar em pé CDF deverá ter a vantagem em um combate muito disputado. A aposta é que o brasileiro vença por decisão.