Por Idonaldo Filho | 18/12/2020 12:14

Em mais um evento realizado em Las Vegas, o UFC encerra o ano de 2020 com o UFC Vegas 17. O card será realizado diretamente da estrutura do UFC Apex nesse sábado (19).

Na luta principal da noite, o ex-desafiante dos meios-médios Stephen Thompson testará o ascendente prospecto Geoff Neal. No duelo coprincipal, José Aldo fará mais uma luta como peso galo ao encarar o empolgante Marlon Vera. Por fim, nesta mesma categoria, Marlon Moraes tenta voltar a vencer ao duelar com Rob Font.

O UFC Vegas 17 terá transmissão exclusiva do Canal Combate no Brasil. A porção preliminar começa por volta de 18:00h, com o card principal marcado para 21:00h no horário oficial de Brasília.

Confira o vídeo promocional do UFC Vegas 17:

Peso meio-médio: #5 Stephen Thompson (EUA) vs. #11 Geoff Neal (EUA)

Por Idonaldo Filho

O “Wonderboy” Stephen Thompson (15-4-1 no MMA, 10-4-1 no UFC) nitidamente está perto do fim de carreira, perto de completar 38 anos e com 15 lutas só no líder do mercado. Entretanto, o estadunidense ainda mostra jovialidade no octógono, com seu estilo sempre muito interessante de se assistir em pé. Thompson vem em fase irregular nos últimos anos, o ex-desafiante do peso meio-médio aplicou uma surra em Vicente Luque, mas antes foi surpreendido por Anthony Pettis, nocauteado com um belo superman punch e, contra Darren Till, saiu derrotado em duelo bastante equilibrado.

Kickboxer credenciado, Thompson é um dos melhores strikers do UFC, com um estilo que muita gente ama, mas muitos odeiam. Com background no karate, o Wonderboy se movimenta muito bem, utiliza da esquiva com frequência como principal artifício defensivo. Ofensivamente, seu volume não é grande, porém Thompson quando se encontra utiliza de técnica invejável tanto com socos e chutes, contragolpeando bem e quando conveniente aplicando sequências de golpes rente a grade. A principal dúvida é de quando veremos uma decadência mais nítida em Thompson, o que é possível que aconteça muito em breve, uma vez que o avanço da idade não ajuda seu estilo de jogo, que costuma ser veloz, abusando de reflexos e sem um sistema defensivo baseado em guarda.

Texano, cria do Contender Series e atleta da Fortis MMA, Geoff Neal (13-2 no MMA, 5-0) mais do que merecidamente recebe um salto no nível de competição. Neal se manteve invicto nas lutas que fez no evento, chegando no ranking da categoria com quatro interrupções – a única contenda na decisão foi contra o resistente Belal Muhammad. Em sua última aparição, Geoff obliterou o duro Mike Perry, encerrando o combate com uma blitz sensacional que resultou no TKO.

Muito agressivo, Neal sempre está avançando e buscando encerrar o combate. Em pé Neal tem bom volume de golpes, sequências de socos muito bem feitas e um chute alto extremamente perigoso, que a grande maioria de seus adversários sentiu o gosto de receber no UFC. Por ser tão agressivo, vez ou outra Neal acaba também sendo atingido, contra Niko Price por exemplo quase foi nocauteado. O wrestling não é muito utilizado ofensivamente, porém é uma opção existente para Geoff, uma vez que possuí um ground and pound que define combates. Um dos principais prospectos surgidos na divisão até 77kg, esse duelo define tanto se Neal tem potencial para disputa de título, como a situação atual de carreira de Thompson.

Geoff Neal vs Stephen Thompson odds - BestFightOdds

Se Geoff Neal está dentro do cage, pode saber que a peleja será espetacular. Thompson em algumas oportunidades entregou lutas demasiadamente estudadas, porém contra um oponente que costuma ser o agressor, eu duvido que isso acontecerá. Neal tem todo o potencial para nocautear o Wonderboy em uma sequência, por ser veloz e por ter punhos pesados, mas tecnicamente é difícil estar no mesmo nível de Stephen. Se não mostrar uma queda brusca de rendimento, principalmente defensivo, acredito que veremos o braço de Thompson erguido, com um nocaute tardio.

Peso galo: #7 José Aldo (BRA) vs. #15 Marlon Vera (EQU)

Por Gustavo Lima

José Aldo (28-7 MMA, 10-6 UFC) é um dos maiores da história a pisar dentro de um octógono e costumeiramente há um consenso sobre isso. Todavia, no momento atual, Aldo precisa se reafirmar e mostrar que continua com cacife para bater de frente com os melhores, especialmente após ter tomado a ousada decisão de descer para os galos, contrariando anos de cortes difíceis em 66kg e um biotipo que nunca pareceu favorecer uma descida nem mesmo em seu auge.

Desde que baixou para 135 libras, o manauara acumula duas derrotas (Marlon Moraes e Petr Yan). Apesar de serem oponentes de altíssimo nível, nunca é bom acumular duas derrotas consecutivas, ainda mais para um atleta cuja barra é tão alta como Aldo. Apesar de ter somente 34 anos, o brasileiro possui uma carreira muito longeva e já se encontra num estágio bem avançado de sua trajetória como prizefighter. Estágio naquele em que as decisões tomadas e os resultados de suas lutas começam a ter um impacto muito mais forte no futuro do atleta.

No outro corner estará o querido e competente Marlon Vera (18-6-1 MMA, 10-5 UFC). “Chito” é mais um dos vários bons nomes da categoria dos galos, mas pertencente ao grupo dos que ainda carecem de polimento técnico para competir entre os tubarões da categoria. Apesar de ter demonstrado uma bela evolução ao longo dos últimos anos, o equatoriano de 28 anos ainda precisa de uma grande atuação para consolidar seu lugar no ranking da divisão.

Apesar de vir da maior vitória de sua carreira (Sean O’Malley), esta se deu em circunstâncias obtusas, com o estadunidense sofrendo uma lesão que fez a luta acabar bem cedo. Com bom cartel no UFC, o problema de Vera é justamente quando a barra sobe. Neste sábado, cai em seu colo uma interessante chance de reverter esse cenário, anotando uma vitória sobre o maior de sempre e entrando de vez no clube dos grandes até 61kg.

Jose Aldo vs Marlon Vera odds - BestFightOdds

Quanto a concretizar esta possibilidade, a história já é outra. Apesar de alguma desconfiança em Aldo que possa existir, a diferença de nível técnico ainda é bem grande. Vera pode contar com vantagens de envergadura e durabilidade física, mas esses dois elementos são facilmente contornados pela larga margem técnica de Aldo, ao menos assim que o gongo começar a soar.

Aldo é capaz de se aproximar muito bem, tal como cortar ângulos para utilizar sua boa trocação no pocket. Quando acionado, o brasileiro ainda conseguiu ser eficiente em oponentes muito mais técnicos e refinados que Chito. Não acho que seja provável uma projeção onde o equatoriano consiga evitar as aproximações ou não ceder ao bom boxe do oponente.

Os grandes problemas apresentados por José Aldo nos últimos duelos (dentro de um espectro do que poderia ser explorado por Marlon Vera) são o seu tanque de combustível limitado e a absorção de golpes comprometida pelo conjunto carreira + corte de peso. Mesmo que neste cenário, Chito deveria mostrar muito mais do que mostrou até aqui pra ser capaz de capitalizar. Pela parte física, especialmente, isso começaria a rolar de forma um pouco tardia na luta. Trabalhando com a hipótese de 15 minutos, acho improvável que haja tanto espaço assim pra algo assim acontecer. Minhas fichas estão em José Aldo, por decisão ou TKO.

Peso galo: #3 Marlon Moraes (BRA) vs. #11 Rob Font (EUA)

Por Idonaldo Filho

Por muito tempo, Marlon Moraes (23-7-1 no MMA, 5-3 no UFC) foi um dos principais pesos galos do mundo fora do UFC, sendo campeão dominante no falido WSOF. Assinando com o líder do mercado, Marlon comprovou que é um lutador diferenciado, chegando até mesmo a atuar pelo cinturão, nocauteado por Henry Cejudo no terceiro assalto. Não demorou muito e aceitou lutar contra José Aldo, na estreia da lenda no peso galo. Marlon venceu um duelo apertado, mas viu o seu adversário derrotado ganhar a chance de disputar o título. Em certo “limbo”,  foi escalado contra o ascendente Cory Sandhagen, surpreendido por um lindo chute rodado.

Marlon é um galo muito forte, rápido e que bate pesado. O brasileiro é um trocador de alto nível, com a tradicional base de lutador brasileiro, treinando muay thai e jiu-jítsu. Atualmente fazendo camp na American Top Team, com Pedro Munhoz, Adriano Mikinho e outro atletas de sua faixa de peso, Marlon é sempre muito elétrico nas lutas, arriscando chutes altos, soltando contragolpes velozes e constantemente aplicando knockdowns nos oponentes. Especificamente sobre o oponente de sábado, a diferença de tamanho pode complicar, porém o brasileiro tem recursos para conseguir se sair melhor nas trocas de golpes.

Rob Font (17-4 no MMA, 7-3 no UFC) já teve algumas oportunidades de enfrentar os principais pesos galo no mundo, mas foi derrotado em todas, por nomes como John Lineker, Pedro Munhoz e Raphael Assunção. Ainda assim, Font é um importante membro do plantel no UFC, fazendo combates animados e que consegue muito bem fazer o papel de porteiro, derrotando quem ainda não tem nível suficiente para fazer parte do top 15. Falta esse salto com uma vitória mais relevante, mas ainda no auge com 33 anos, pode ser essa a oportunidade.

Um peso galo grande, com envergadura de 1,82m, Font é eficiente no uso do jab e possuí o boxe como principal arma ao estar dentro do cage octogonal. O americano desfere muitos golpes, aplicando bom volume, mas vez ou outra tem dificuldade de atingir o alvo. A defesa de quedas de Font não é muito boa, porém se vira bem ao escapar de posições ruins no solo. Defensivamente também Font não é inatingível, porém sua resistência é acima da média e nunca foi nocauteado na carreira. Regular, Rob costuma aproveitar bem a vantagem de tamanho, mas falta um maior destaque em alguma habilidade específica para se sobressair entre os demais.

Marlon Moraes vs Rob Font odds - BestFightOdds

Serão treze centímetros de vantagem para Rob Font na envergadura, o que é algo muito relevante. O americano certamente apostará em golpes aplicados na longa distância, só que, uma vez que costuma sempre jogar muitos socos, acaba se expondo muitas vezes por deixar o rosto desguarnecido e sendo suscetível a contragolpes. Expectativa de luta da noite, podendo até acabar antes do tempo de quinze minutos, mas a aposta é em Marlon na decisão.

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