Por Edição MMA Brasil | 27/11/2020 15:01

Acontece neste sábado, dia 28, UFC Vegas 15: Blaydes vs. Lewis. A luta principal foi cancelada e Anthony Smith vs. Devin Clark foram promovidos para encabeçar o evento em uma luta de 5 assaltos.

O card não tem muito apelo para os fãs, seja o casual ou o hardcore. Digno de um evento regional de um lugar pouco populoso, parece que o UFC não quis (com razão) competir com Tyson vs. Roy Jones Jr. e fez um evento “só para dizer que não veio”. O evento terá transmissão pelo Combate 2 (sim, 2) a partir das 21h. A porção principal começará 0h

 Peso pesado: #2 Curtis Blaydes (EUA) vs. #4 Derrick Lewis (EUA)

Por Gustavo Lima

Curtis Blaydes (14-2-1 MMA, 9-2-1 UFC) é um dos atletas com maior polimento técnico na divisão dos pesados dentro do UFC. “Razor” tem um wrestling muito interessante, forma física bem honesta para o padrão da divisão e é capaz de demonstrar desempenho decente em todas as áreas do seu jogo de MMA quando exigido.

Com 29 anos de idade, Curtis se encontra no que pode ser considerada sua melhor forma na carreira. Vindo de quatro vitórias consecutivas, o segundo colocado da divisão tenta novamente reclamar uma chance pelo cinturão. Na última vez em que esteve perto de concretizar sua posição como desafiante, Blaydes foi derrotado por Francis Ngannou, autor das duas marcas em sua coluna das derrotas.

Do outro lado do cage estará o divertido Derrick Lewis (24-7, 1 NC no MMA, 15-5 no UFC), que apesar de não ser um primor técnico, possui qualidades que o permitem figurar sempre na parte de cima da tabela desta categoria, ainda mais quando colocamos as supracitadas em contraste com o nível de competição muitas vezes encontrado.

Ao contrário de Curtis, o “Black Beast” possui limitações muito mais aparentes em seu jogo. Todavia, consegue evitar depender delas contra grande parcela dos oponentes que cruzam seu caminho. O poder de fogo de Lewis se resume a força que possui nas mãos e o poderosíssimo ground and pound, sustentados por um boxe nota 5,5 (na escala MMA, obviamente). A força bruta pode fazer diferença quando aliada a estes dois fatores no início dos duelos, mas rapidinho ela vai embora: o tanque de combustível do quase-veterano de 35 anos é péssimo.

O grande problema da maioria das análises sobre o estilo de Lewis é justamente desconsiderar o perigo que ele pode levar aos adversários, apesar do estilo chucro e caricato. Técnica por técnica, Blaydes é muito melhor que Derrick (que está bem abaixo de ter um soco com a força e técnica de Ngannou, para fins de comparação), mas precisa ser assertivo e preciso para não se expor de maneira desnecessária.


Curtis Blaydes vs Derrick Lewis odds - BestFightOdds

Há um caminho muito interessante e relativamente seguro para Blaydes aqui: usar o wrestling para praticamente neutralizar todo o potencial ofensivo do oponente. As chances de sucesso são bem consideráveis, visto que o chão de Derrick Lewis é uma completa aberração. Daniel Cormier, por exemplo, conseguiu derrubar e empacotar o figura com um mata-leão no segundo round. Até chegar lá, porém, foi cauteloso, mostrando que não queria se expor à patada do oponente e correr o risco de ser surpreendido.

Este duelo pode ser, inclusive, um bom teste para uma abordagem mais defensiva e conservadora de Blaydes, tendo em vista uma terceira luta contra Ngannou que inevitavelmente irá acontecer. Ainda que oponentes bem diferentes, é uma chance de demonstrar amadurecimento e versatilidade. Com a boa habilidade e capacidade física que tem, são justamente estes tune-ups pontuais que faltam a Curtis, lutador que já possui alguns nomes de respeito em seu cartel e tem chances reais de se tornar rei desta divisão nos próximos anos.

Na luta em pé, Curtis possui condições totais de bater Lewis, desde que não se empolgue ou cometa erros toscos. Ainda que falte refinamento, o atleta do Texas costuma ser menos passivo e moroso que Volkov e Cigano, por ex., dois boxeadores bem melhores que próprio Blaydes venceu. No fim das contas, este acaba sendo um teste bem interessante para o “Razor”, que na opinião do escriba é bem favorito, mas tem em mãos a tarefa de não cometer erros que um lutador de ponta não pode se dar ao luxo.

Peso meio-pesado: #6 Anthony Smith (EUA) vs. Devin Clark (EUA)

Por Gabriel Carvalho

Depois de viver um sonho de princesa ao disputar o cinturão e ganhar de Alexander Gustafsson, Anthony Smith (33-16 no MMA, 8-6 no UFC) começou a sofrer com a realidade nas derrotas para Glover Teixeira e Aleksandar Rakic, ficando um pouco mais afastado de uma nova chance pelo título.

Smith é um lutador de notável evolução na carreira. Com interessantes elementos ofensivos em pé e no chão, costuma se adaptar ao combate variando ao adversário que enfrenta. Também é conhecido pela capacidade de aguentar pancada, mas os problemas físicos e a defesa mediana para fraca evitam que o lutador alcance maiores voos.

Devin Clark (12-4 no MMA, 6-4 no UFC) tem uma trajetória de altos e baixos desde que chegou ao UFC em 2016, especialmente pelo QI de luta bem baixo. Em 2020, liquidou adversários de nível menor, e agora tem a grande oportunidade de se consolidar no top-10 da divisão dos meios-pesados.

Clark é um bom wrestler com capacidade de infernizar a vida do oponente, mas ainda apresenta alguns defeitos graves, como se frustrar bastante se não conseguir aplicar o jogo de quedas para amassar os adversários. A agressividade de Devin é um ponto a ser destacado.


Anthony Smith vs Devin Clark odds - BestFightOdds

O equilíbrio na casa de apostas é justo. Clark tem jogo suficiente para atacar Smith e cravá-lo no solo por três rounds, mas não parece ser um lutador capaz de sair de situações desconfortáveis, um fator no qual Anthony é especialista, é o famoso lutador que “sabe sofrer”, o que não necessariamente é bom, mas acaba suficiente para fazer o “Coração de Leão” arrancar algumas vitórias impressionantes, o que deve ser o caso do sábado.

Peso meio-médio: Miguel Baeza (EUA) vs. Takashi Sato (JAP)

Por João Gabriel Gelli

Miguel Baeza (9-0 no MMA, 2-0 no UFC) é um lutador que fez boa parte da carreira no cenário regional da Florida. Teve passagens pelo Titan FC e, principalmente, pelo Fight Time. Ele chegou no UFC por meio do Contender Series, no qual fez uma empolgante luta contra Victor Reyna. Já na organização, nocauteou Hector Aldana e Matt Brown.

Baeza demonstra preferência pela luta em pé, acumula bons nocautes e gosta de abusar dos chutes. A potência e o atleticismo são os principais aspectos de seu jogo. No entanto, também tem alguma habilidade no wrestling e pode causar danos no ground and pound Deixa um pouco a desejar no controle da distância e permite que o adversário o encurrale com mais facilidade que o ideal. Além disso, sua defesa em pé é muito esburacada.

Lutador relevante no cenário japonês, Takashi Sato (16-3 no MMA, 2-1 no UFC) fez a maior parte da carreira no Pancrase, tradicional evento do país. Ele chegou a disputar o cinturão da organização contra os ex-UFC Glaico França, mas saiu derrotado. Pouco depois, venceu um confronto e foi chamado pelo UFC. Na estreia, nocauteou o podre Ben Saunders. No entanto, não conseguiu emendar uma sequência, uma vez que foi finalizado por Belal Muhammad no compromisso seguinte. Sua última aparição veio em um rápido triunfo por nocaute contra Jason Witt.

Sato também atua como canhoto, com postura de base aberta e intenção de contragolpear. Ele é pouco ativo ofensivamente, mas compensa com boa precisão e potência. Fintas com a mão da frente são frequentes para coletar informações sobre as reações dos adversários. Dessa forma, consegue calcular o momento ideal para disparar uma combinação de jab e direto. Além disso, pouco oferece em termos de variação, sem grandes momentos na luta agarrada.


Miguel Baeza vs Takashi Sato odds - BestFightOdds

Esse é um confronto com alguns contornos interessantes. Baeza tem a vantagem atlética e tem qualidades impondo seu estilo. Sato é um lutador sob medida para conseguir ditar o ritmo. O japonês provavelmente vai encontrar alguns golpes potentes em contragolpes, mas o queixo de Miguel parece resistente o suficiente para resistir. Dessa forma, a aposta é que o americano tomará alguns sustos, mas sairá vitorioso em decisão.