Por Edição MMA Brasil | 30/10/2020 10:39

A hora chega para todos, inclusive para os maiores de todos os tempos. O UFC Vegas 12, sediado no UFC Apex em Las Vegas, Nevada, Estados Unidos, será palco do fim de uma das maiores histórias do UFC e do MMA em si.

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Na luta principal do evento, o ex-campeão dos médios Anderson Silva entra pela última vez no octógono da maior organização de artes marciais mistas e encerra sua carreira no evento aos 45 anos. O brasileiro terá a missão de enfrentar Uriah Hall em duelo válido pela divisão de até 84kg.

Já pela categoria dos penas, o talentoso Bryce Mitchell retorna a divisão dos penas e busca estender sua sequência vitoriosa dentro do octógono mais famoso do mundo. Para isso, ele irá precisar superar o experiente Andre Fili, atleta da Team Alpha Male.

Por fim, o experiente Bobby Green quer continuar surpreendendo em sua sequência inesperada de vitórias na ótima categoria dos leves. No sábado, ele enfrenta o brasileiro Thiago Moisés, ex-campeão do RFA e fruto do Contender Series Brasil, que tenta encontrar estabilidade dentro do UFC.

O UFC Vegas 12 será realizado no próximo sábado e terá transmissão exclusiva pelo Canal Combate, com as duas primeiras lutas exibidas gratuitamente pelo SporTV 2. O card preliminar tem início previsto para 17:00h, enquanto o card principal deve começar às 20:00h, sempre pelo horário oficial de Brasília.

 

Peso médio: #10 Uriah Hall (EUA) vs. Anderson Silva (BRA)

Tudo bem que ele nunca explodiu como prometia no TUF 17, mas a carreira de Uriah Hall (15-9 no MMA, 8-7 no UFC) não é de todo ruim. O jamaicano não é um atleta regular, alterna entre grandes desempenhos e derrotas vergonhosas, mas parece que os treinos na Fortis MMA no Texas vem sendo positivos para Hall. São duas vitórias consecutivas na atual fase, a principal delas contra o brasileiro Antonio “Cara de Sapato”. Para citar outras grandes vitórias na carreira de Uriah, é bom citar o nocaute contra Gegard Mousasi e uma decisão contra Thiago Marreta, que se tornou uma vitória melhor ainda com a ascensão do mesmo na categoria de cima.

É bem conhecido o que Hall propõe no octógono. O “Primetime” veio do caratê e do taekwondo, com uma trocação muito perigosa e variada. Os chutes são sempre rápidos e praticamente garantem fim de luta se conectados. Hall também tem muita potência nos punhos, contragolpeando bem. Como é bastante explosivo, a todo o instante o adversário deve ficar focado na movimentação de Uriah, já que seus golpes são basicamente singulares e ele costuma lutar para definir combates, não para vencer rounds. Os principais problemas consistem em um grappling ineficiente – que vem sendo corrigido é bom notar -, além da tomada de decisões erradas durante a luta. Uriah também não é considerado um lutador dos mais resistentes, já que costuma se abalar muitas vezes quando acertado.

Depois de quase 15 anos no maior evento do mundo, finalmente a decisão de encerrar a carreira chegou para Anderson Silva (34-10, 1NC no MMA,  17-6, 1NC no UFC). Uma jornada cheia de altos e baixos, que parece estar tendo um fim bem tardio, sendo o lutador mais velho do evento com 45 anos. Todos lembram de sua aura de invencibilidade durante o reinado como campeão,  dos grandes desempenhos como contra Forrest Griffin e Vitor Belfort, a idolatria de fãs pelo mundo todo. Porém, principalmente com o problema com o uso de anabolizantes e a terrível fase atual contam contra. Tem quem goste, quem odeie, mas dá para falar que independente do resultado do próximo sábado, o “Spider” marcou seu nome na história do esporte.

Não é muito difícil de explicar o estilo de luta proposto por Anderson Silva em seu auge. O brasileiro sempre foi um striker de elite. Anderson era mestre no uso de contragolpes, extremamente preciso, tinha uma grande variedade em pé, incluindo golpes plásticos como joelhadas. No clinch também levava perigo, sendo um dos principais representantes do muay thai dentro do UFC. A defesa baseada em esquivas e movimentação funcionava bem, chegando a desmoralizar oponentes. Conhecido pelas provocações dentro do octógono, Anderson também conseguia entrar nas mentes de seus adversários, conseguindo tal feito inclusive em sua vitória mais recente contra Derek Brunson. Nunca foi um exímio defensor de quedas, mas conseguia se virar no chão regularmente.

Só que é necessário repetir: Atualmente, Anderson tem 45 anos. Não existe mais a explosão, os reflexos que eram fundamentais em seu jogo defensivo vem decaindo e também está mais frágil, como comprovou a sua última aparição onde acabou se lesionando em um chute baixo de Jared Cannonier. Em toda sua carreira nunca foi um lutador que sofresse grandes danos, mas toda uma jornada de treinos pesados também minam a absorção de golpes e também desgastam o próprio corpo. Anderson também está bem mais lento, mostrando no último ano contra Israel Adesanya que o corpo não responde com a mesma agilidade de alguns anos atrás. Mesmo nessa situação como atleta, em suas últimas lutas o que podemos afirmar é: o nome Anderson Silva ainda impõe muito respeito nos adversários.

Anderson Silva vs Uriah Hall odds - BestFightOdds

Esse duelo já chegou a ser marcado para o UFC 198 e sempre pareceu um desejo dos dois lutadores e também do evento. Uriah Hall é o típico lutador que facilmente cairia no conto do Anderson Silva e sofreria na mão do ex-campeão no auge, devido a sua falta de regularidade e também por não ter a melhor das mentalidades no cage. Eu até imagino que nesse fim de semana poderemos ver um Hall bem respeitoso, mas a decadência física de Anderson é demais.

Ainda que eu esteja constantemente tocando no ponto de que Anderson não seja mais o mesmo, o que é óbvio faz uns cinco anos, ele ainda está melhor do que muita gente que chega em pontos similares na carreira. É possível que Hall entregue a luta de bandeja? Sempre é. Mas eu acho um pouco mais seguro apostar em um nocaute de Uriah, botando um fim melancólico na carreira do “Spider”.

Peso pena: #15 Bryce Mitchell (EUA) vs. Andre Fili (EUA)

Um dos atletas que vem embalado e busca brigar entre os grandes nomes até 66kg é justamente Bryce Mitchell (13-0 no MMA, 4-0 sob o UFC). O empolgante grappler do Arkansas (que inclusive teve seu pedido acatado pela Reebok e irá lutar de bermuda camuflada) vem de um verdadeiro monólogo sobre Charles Rosa no início deste ano, que o colocou em evidência entre os nomes promissores da divisão.

Com apenas 26 anos de idade, Mitchell mostra grande domínio na luta agarrada e aplica seu jiu-jítsu de maneira muito agressiva e objetiva. Um dos dois atletas a anotar uma finalização via twister na história do UFC, o “Thug Nasty” não nega scrambles e lança mão de investidas arriscadas no chão para buscar a vitória. Na última luta foram cinco tentativas de fazer Rosa se submeter (e como ele não o fez foi impressionante).

André “Touchy” Fili (21-7 no MMA, 9-6 no UFC) já é um nome estabelecido na perigosíssima divisão dos penas que o UFC tem. Com trinta anos de idade e já beirando trinta lutas na carreira, Fili tem o que é necessário para se manter vivo no “miolo” da divisão, mantendo um saldo positivo de vitórias. Ainda que com o passar dos anos não tenha se tornado um grande nome como algumas das promessas que cruzaram seu caminho (por ex. Max Holloway e Yair Rodriguez), o atleta da Team Alpha Male desenvolveu seu jogo de MMA para oferecer boa competição a qualquer atleta que deseja flertar com a parte de cima da tabela na categoria.

Fili é um bom striker que se vira bem em todas as áreas do jogo, mas sua habilidade tem um teto que pode ser batido por atletas que demonstrem grande proficiência em uma valência. Esta condição de “porteirão” pode tirar um pouco do crédito do “Touchy”, mas é importante salientar que todos os atletas que o bateram realmente estavam níveis acima de boa parte da categoria.

A estratégia para Mitchell aqui será encurtar e colocar Fili pra baixo, onde pode executar seu jogo de pressão. Andre tem (em teoria) condições de se defender das quedas e evitar essas situações de risco, mas também tem em seu caminho o fato de que seu adversário não é unicamente grappler e possui capacidade de se virar bem na luta em pé.

Andre Fili vs Bryce Mitchell odds - BestFightOdds

Nessas circunstâncias, o prognóstico é de uma luta muita intensa, especialmente pela tendência de Mitchell a “buscar a luta”. Não será uma tarefa fácil para Fili mante-lo longe e minimizar as brechas que podem culminar em cenários desfavoráveis. Meu veredito é vitória de Bryce Mitchell, por decisão ou finalização.

Peso leve: Bobby Green (EUA) vs. Thiago Moisés (BRA)

Bobby Green (27-10-1 no MMA, 8-5-1 no UFC) incrivelmente vem em uma sequência de três vitórias consecutivas e atuando muito bem. O “King” derrotou Clay Guida, Lando Vannata e Alan Patrick, sem falar que suas derrotas para Drakkar Klose e Francisco Massaranduba foram bem controversas. Pode até não chegar na boa sequência de seu início no UFC, mas surpreende e anima uma possível recuperação de Green na categoria mais selvagem que o MMA tem.

Green não possui um estilo muito tradicional. O americano se movimenta muito no cage, prefere se esquivar em vez de uma defesa normal, e por isso recebe muitos golpes. Tem como bom ponto o volume impressionante de socos desferidos, com contragolpes incluídos, que costumam machucar bem o rosto dos oponentes. O americano também é eficiente no clinch com joelhadas no corpo. O condicionamento é bom e a grande maioria de suas lutas no UFC foi até a decisão. Em uma grande fase e em boa sequência na carreira, melhorias no aspecto defensivo não cairiam mal para Green, embora seja difícil de acreditar nessa possibilidade pois é um lutador experiente, já consolidado.

Ex-campeão da RFA, Thiago Moisés (13-4 no MMA, 2-2 no UFC) veio ao líder do mercado através do Contender Series Brasil, se destacando com um nocaute sobre Gleidson Cutis. No UFC só pegou pedreira, estreando em uma fria contra Beneil Dariush e perdendo. Posteriormente venceu uma luta de recuperação, mas encarando o ótimo Damir Ismagulov não saiu com a mão erguida. Recebeu um casamento curioso contra o ex-ranqueado Michael Johnson logo depois, surpreendendo o americano com uma bela finalização e colocando seu nome em destaque dentro do meio de tabela dos leves.

Moisés tem o jiu-jítsu como principal arma, mas não é leigo em pé, muito pelo contrário. Lutador plástico, o brasileiro chuta bem e tem um boxe razoável e potente, que ainda pode melhorar. Na arte suave Thiago é um faixa preta oportunista e ótimo de guarda, muito perigoso com chaves de pé e de braço. O problema é que não tem um wrestling de elite para aplicar seu conhecimento no chão, além de muitas vezes acabar lutando onde o oponente decide, muito pela pouca resistência a pressão adversária. Ainda há muito tempo para evolução, dado os 25 anos do brasileiro.

Bobby Green vs Thiago Moises odds - BestFightOdds

Green tem tudo para garantir mais uma vitória se continuar lutando como em seus últimos duelos. O americano é mais técnico em pé e consegue manter bem o ritmo da luta, o que Moisés geralmente tem bastante problema. A chance do brasileiro é caso a luta chegue na grade, podendo tentar uma queda ou se embolar em busca de alguma chance de finalização. Bobby “King” Green na decisão é a aposta.