Por Edição MMA Brasil | 11/10/2019 00:32

Depois de um evento numerado sem tantas propostas para o público médio, a maior organização do MMA mundial apostou em mais combates explosivos para seu retorno ao litoral da Flórida no UFC Tampa. A Amalie Arena, casa do Tampa Bay Lightning (NHL), receberá um punhado de prospectos querendo tomar o protagonismo de veteranos.

Na luta principal, a ex-campeã do peso palha Joanna Jędrzejczyk volta à categoria tentando melhorar o retrospecto recente contra Michelle Waterson, que tenta a quarta vitória seguida rumo à chance de disputar o título.

Antes, Kron Gracie, primeiro membro da família real do jiu-jítsu a vencer no UFC desde o tio Royce, em 1994, tenta a maior vitória de sua carreira contra o ex-top 5 dos penas Cub Swanson. Eles sucederão a estreia de James Vick como meio-médio, em combate diante de Niko Price.

A elite do jiu-jítsu também estará representada entre as mulheres. Poucos meses depois de dar a filha Moa à luz, Mackenzie Dern volta contra a brasileira Amanda Ribas. Abrindo o card principal, Eryk Anders encara Gerald Meerschaert, pelo peso médio, enquanto Luis Peña bate de frente com Matt Frevola, pelo peso leve.

Peso Palha: #5 Joanna Jedrzejczyk (POL) vs. #7 Michelle Waterson (EUA)

Por Diego Tintin

Joanna Jedrzejczyk (15-3 no MMA, 9-3 no UFC) tem um muay thai de primeira prateleira no MMA mundial. Técnica, veloz e insistente, a polonesa dominou por muito tempo o peso palha, impondo um ritmo alucinante na segunda metade de suas lutas, graças a outra ferramenta importante de sua maleta: o preparo físico exemplar. Tal condição lhe permitiu acelerar para virar alguns combates em sua trajetória, situação razoavelmente recorrente em sua carreira. Se precisou de reviravoltas é porque um problema que Jedrzejczyk necessita corrigir é o seu início de luta em baixa voltagem, já aproveitado por algumas oponentes de qualidade.

A aterrorizante polonesa tem duas algozes recorrentes: Rose Namajunas, que lhe tomou o cinturão e carimbou a freguesia na revanche. E Valentina Shevchenko, que a derrotou três vezes no muay thai e ainda na disputa de cinturão peso mosca do UFC, na última aparição de Joanna no octógono. Durante seu reinado, a polonesa derrotou muita gente boa, como Claudia Gadelha (duas vezes), Jéssica Andrade e Karolina Kowalkiewicz. Depois de deposta do trono, ainda superou a dura Tecia Torres, antes de ingressar no peso-mosca já disputando o ouro contra Valentina.

Michelle Waterson (17-6 no MMA, 5-2 no UFC) tem no currículo o título no peso átomo do Invicta FC e importantes vitórias sobre Jessica Penne, Paige VanZant, Felice Herrig e Karolina Kowalkiewicz. As derrotas em sequência para Rose Namajunas e Tecia Torres, em 2017, deixaram a americana longe de uma disputa de cinturão. De forma persistente e sólida, ela vem refazendo o caminho. A americana tem três vitórias seguidas e busca o passaporte para uma disputa de título neste embate contra a ex-campeã.

A “Gatinha do Caratê” tem dado o velho golpe do apelido. Apesar de faixa preta na milenar arte japonesa e competente na trocação, é na luta agarrada que ela tem se destacado e conquistado boas vitórias. Esperta nas quedas, com ótimo controle posicional e desenvoltura nas transições, Michelle trabalha bem por cima e por baixo, embora deixe alguns espaços para raspagens e tentativas de finalização. Na luta em pé, tem movimentação interessante, mãos velozes e golpes criativos. Não é uma grande nocauteadora, porque lhe falta um pouco de potência e até o seu tamanho não é muito adequado a esta divisão, à qual aderiu pela chance de lutar no UFC. O condicionamento físico é bom, tem força mental e capacidade de adaptação acima da média e ainda apresenta boa consciência tática.

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Em condições normais, Joanna teria um destacado favoritismo, pela experiência, força física e capacidade atlética. Porém, com dificuldades no processo de perda de peso que ainda ameaçam a realização da luta, a polonesa pode ter problemas físicos que aumentem as chances de Waterson. Com a ameaça de Michelle se impor fisicamente em caso de uma Joanna em condições ruins, a temerosa aposta ainda é na europeia vencendo por decisão.

Peso Pena: Cub Swanson (EUA) vs. Kron Gracie (BRA)

Por Alexandre Matos

Muita gente estranhou quando Swanson (25-11 no MMA, 10-7 no UFC) foi escalado contra um oponente tão “verde”. Provavelmente o matchmaker Sean Shelby considerou os iminentes 36 anos e as quatro derrotas seguidas do californiano. Por duas vezes, Kevin Luke chegou perto da disputa do cinturão, mas o péssimo retrospecto contra a elite dos penas sempre o freou. Sem vencer um lutador digno desde dezembro de 2016, Swanson tenta mostrar que ainda tem lenha para queimar.

Em seus bons tempos, Swanson era um boxeador muito versátil, com movimentação leve, bom jogo de pernas e combinações variadas. De quebra, adicionava chutes interessantes, tinha um wrestling ofensivo satisfatório e um jiu-jítsu ofensivo que nunca o fez passar fome. O que passou a lhe causar problemas é o sistema defensivo como um todo. Conforme foi envelhecendo, Cub perdeu velocidade e passou a atuar com os pés mais plantados. Deste modo, também ficou mais exposto às quedas – até Artem Lobov botou Swanson para baixo – e às submissões. Este é um tremendo sinal vermelho para o duelo de sábado.

Com apenas quatro lutas profissionais disputadas, Kron (5-0 no MMA, 1-0 no UFC) já foi convocado para a maior organização do MMA mundial. No octógono, não sentiu o peso da estreia e fez o mesmo de todos os demais compromissos: venceu por finalização. A vítima, Alex “Bruce Leroy” Caceres, tinha nome e buracos defensivos para o filho do rei brilhar e mostrar que os triunfos sobre os dignos, porém velhos, Hideo Tokoro e Tatsuya Kawajiri não foram obra do acaso.

Não só pelo sobrenome famoso que se supõe a base de Kron. O rapaz é filho do maior representante da arte suave em todos os tempos. Apesar de ser bem menor que o pai Rickson, Kron tem uma mentalidade ofensiva como a do coroa. Diferentemente dos combates realizados no RIZIN, Gracie mostrou mais capacidade no UFC. Sem perder muito tempo e se arriscar muito, ele conseguiu levar Caceres para a grade e, de lá, chegar a uma posição de finalização. Para alguém com seu nível de jiu-jítsu, aquela era uma posição que ninguém gostaria de ficar.

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A imensa diferença de experiência tanto no MMA quanto no UFC em específico pode dar a impressão de luta fácil para Swanson. No entanto, seu maior problema defensivo encontra eco no principal aspecto ofensivo do rival. E estamos falando de um rival de nível bem acima da média na luta agarrada.

Kron aplica quedas com mais propriedade que a maioria dos jiu-jiteiros brasileiros. Este é o caminho óbvio para sua vitória. A questão é que Swanson sabe disso e provavelmente se preparou para pegar o inexperiente oponente na aproximação – ainda que tenha sido barrado quando tentou treinar em academias de jiu-jítsu por ter que enfrentar alguém da Primeira Família da modalidade. As chances de Kron conseguir uma finalização são consideráveis, mas a aposta é numa vitória por nocaute de Swanson, com um combo gancho-uppercut aproveitando uma brecha de aproximação do carioca.

Peso Meio-Médio: Niko Price (EUA) vs. James Vick (EUA)

Por Thiago Kühl

Ninguém nunca duvidou que Niko Price (13-3,1NC no MMA, 5-3,1NC no UFC) tem tino para sair na porrada com outro ser humano, porém após seu último combate contra Geoff Neal a coisa tomou novas proporções, num embate completamente absurdo, que teve até knockdown duplo, Price saiu derrotado e ficou um pouco mais longe do topo da categoria. Sua caminhada no UFC, inclusive, tem sido marcada por pancadarias alucinadas, o problema é que quando o adversário é melhor versado na arte de socar outro homem, Niko sofre, como foi no caso de Neal, Razak Alhassan e Vicente Luque.

Sem deixar muita margem para dúvidas, a predileção de Price é utilizar seus punhos pesados para encontrar um contragolpe no meio de uma pancadaria. Para isso tem tido sucesso em chamar os adversários para o olho do furacão na maior parte de suas lutas. O problema é que quando o oponente tem velocidade ou técnica para evitar a trocação franca e consegue aplicar seu ritmo na luta, Niko fica sem soluções. No chão o “hibrido” é bem oportunista e tem tino para achar finalizações, o problema é que o wrestling ofensivo não acompanha o restante de seu jogo, o que acaba dificultando a implementação do jiu-jitsu. De costas para o chão consegue se virar, tendo até conseguido um nocaute em Randy Brown por baixo, mas, em sua última luta, a ideia de puxar o adversário para o solo acabou lhe custando a vitória.

James Vick (13-4 no MMA, 9-4 no UFC) chegou a flertar com a elite da divisão do peso leve após cinco anos dentro do evento, chegando a um retrospecto de 9 vitórias em dez lutas, o texano recebeu a oportunidade de mostrar que era material de top 5 ao enfrentar Justin Gaethje. Naquela oportunidade, acabou nocauteado em pouco mais de um minuto. Voltando alguns passos, enfrentou o reinventado Paul Felder e, em sua última luta, o ascendente Dan Hooker, acumulando três derrotas seguidas. É improvável que Vick esteja na berlinda, já que é um ativo muito interessante para o evento e foi derrotado apenas por lutadores integrantes do ranking do peso leve, mudando de categoria agora, pode deve ter alguma continuidade mesmo que sofra novo revés, mas emendar quatro derrotas em sequência pode deixar o texano em maus lençóis.

Quando peso leve, era imenso, agora numa categoria mais condizente com seu porte físico, pode melhorar a resistência e aumentar mais sua velocidade. O “Texectioner” tem ótima envergadura e preferencia pela luta em pé, principalmente nos golpes de mão. James abusa do tamanho, conseguindo implementar um ótimo domínio de distância para controlar suas lutas. A qualidade do jogo de pernas não acompanha tanto as mãos. Contra Paul Felder, Vick se viu encurralado algumas vezes e, com o volume de chutes sofridos, ficou diversas vezes preso no olho do furação, sofrendo bastante dano. O jogo de chão é interessante: faixa azul de jiu-jitsu, não utiliza tanto o grappling, mas tem oportunismo para se valer dos longos braços e pernas para buscar finalizações.

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Em algum nível, James e Niko são lutadores bem parecidos. Ambos tem predileção pela trocação, principalmente pelos golpes de mão. Vick é mais técnico e Price gosta mais de sangue. Ambos usam pouco os chutes e tem jogo de chão apenas como segunda alternativa. Não vejo essa luta transcorrendo de outra forma se não em pé.

Acredito que Vick tenha armas para evitar o olho do furacão e buscar uma luta mais técnica em pé para dificultar a vida de Price. Por outro lado, caso se deixe encurralar, imagino que os pesados punhos de Price prevaleçam. No desespero, ambos podem tentar um hail mary no chão, mas esperamos que não aconteça. Apostando que eventualmente o Híbrido encontrará o queixo do texano, apostamos em vitória por nocaute de Niko Price.

Peso Palha: Mackenzie Dern (EUA) vs. Amanda Ribas (BRA)

Por Rafael Oreiro

Retornando somente quatro meses após dar à luz, Mackenzie Dern (7-0 no MMA, 2-0 no UFC) busca calar de uma vez por todas as pessoas que opinam que não leva o MMA com o foco que deveria. Grande potência no jiu-jítsu, com títulos no ADCC e em Mundiais, a americana filha de Wellington Megaton fez a transição para as artes marciais mistas em 2016 e, desde então, manteve um cartel impecável de sete vitórias, sendo quatro por finalização – a especialidade da casa. Chegando ao UFC, conquistou vitórias em cima de Ashley Yoder e Amanda Cooper, lutadoras que, apesar de não serem nenhum destaque na categoria, apresentaram desafios o suficiente para cimentar o lugar de Dern na organização.

Ainda assim, algumas lacunas no jogo de Dern ainda são questionáveis, imaginar seu nível atual depois de um intervalo de mais de um ano e meio sem lutar – ainda mais com a gravidez – é bastante difícil. Para sua luta com Cooper, chegou a demonstrar boa evolução na troca de golpes, mas sem apresentar grande primor técnico, demonstrando uma decente noção de distância e boa potência nas mãos, além de uma virtude que muitos praticantes do jiu-jítsu não demonstram na transição para o MMA – a falta do medo de tomar porrada na cara. A lentidão de seus golpes é um dos problemas a serem resolvido em seus treinos na Black House, sendo justamente um aspecto que a pode complicar bastante defensivamente em uma das categorias mais velozes do UFC.

O jiu-jítsu de alto nível é um fator que pode desequilibrar muitos combates, mas necessita ainda ser combinado com um wrestling ofensivo mais eficiente para fazer Mackenzie virar uma real força como lutadora. É preciso mencionar também como fator a se observar a dificuldade com que Dern realizou alguns de seus cortes de peso, o que, se continuar, pode comprometer suas performances no futuro próximo.

Se sua adversária passou um tempo afastada do cage por um motivo feliz, o mesmo não pode ser dito de Amanda Ribas (7-1 no MMA, 1-0 no UFC). Logo um mês após realizar o sonho de assinar com o UFC e ter luta marcada na organização, quase tudo caiu por terra com uma falha em teste antidoping da USADA, que lhe rendeu dois anos de suspensão. Quando já havia cumprido sua sentença praticamente inteira, a agência julgou que a brasileira havia sido vítima de um suplemento contaminado, lhe liberando dos cinco meses restantes de pena. No total, foram três anos de intervalo entre sua vitória sobre Jennifer Gonzalez no Max Fight e sua estreia no UFC no último mês de junho, ocasião na qual impressionou ao tirar para nada Emily Whitmire, conseguindo uma finalização no início do segundo assalto.

Durante esse tempo todo inativa, Ribas desenvolveu melhor suas habilidades ao viajar e começar a treinar na ATT, demonstrando uma boa evolução principalmente na troca de golpes. Antes muito crua, ela tinha tendência de se manter muito tempo no pocket, falha que foi exposta em sua derrota por nocaute para Polyana Viana em disputa de cinturão no Jungle Fight. Porém, em sua estreia no UFC, demonstrou conseguir dosar melhor a agressividade com inteligência, demonstrando boa movimentação e variedade de combinações, que alternam entre o corpo e o rosto.

Lutadora de muita força física, a mineira tem como especialidade a luta agarrada, sendo faixa preta tanto no judô quanto no jiu-jítsu, mas possui o costume de se afobar ao apressar demais as transições e acabar por baixo no chão, de onde passa tempo demais tentando trabalhar da guarda – erro que não pode acontecer neste combate. Com somente 26 anos e um conjunto de habilidades bem completo para a idade, Amanda pode se tornar uma lutadora a se ficar de olho se for bem lapidada.

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Este é um combate de certa forma difícil de se prever, principalmente pela dificuldade de imaginar em quais condições Mackenzie Dern se apresentará no octógono. É difícil de se imaginar que quatro meses seja tempo o suficiente para entrar em forma e ficar totalmente preparada para voltar a lutar depois de se ter uma filha, ainda mais para potencialmente seu maior desafio na carreira, mas Mackenzie é uma atleta de elite há anos e pode sim ter capacidade para tal feito.

Amanda Ribas deve buscar manter a luta em pé e evitar se manter muito na curta distância, não dando chance para os mata cobras de Mackenzie. Com a dificuldade de sua adversária em levar o combate ao chão e sua boa graduação no judô, na minha opinião o favoritismo tende para a simpática mineira, que levaria a vitória na decisão dos juízes. Porém, por ser um combate entre atletas ainda em desenvolvimento, não estranhe se Ribas falhe e dê brecha para o jiu-jítsu de Mackenzie fazer mais uma vítima.

Peso Leve: Matt Frevola (EUA) vs. Luis Peña (EUA)

Por Bruno Costa

Matt Frevola (7-1-1 no MMA, 1-1-1 no UFC) é mais um divertido lutador de ação para o plantel do peso leve do UFC. Se nos seus primeiros combates na organização parecia excessivamente afoito ao buscar pressionar os oponentes e acabou deixando de lado a parte defensiva, teve consciência de sobra aliada ao ótimo tanque de gás para garantir a primeira vitória no octógono – muito embora seu estilo de luta seja agradável aos fãs, é importante que as atuações empolgantes eventualmente se tornem, ao menos uma porção, em vitórias.

Frevola é um bom grappler que consegue quedas essencialmente à base da pressão para encurtar a distância ameaçando os adversários sendo destemido na troca de golpes à curta distância. Também demonstra alguma potência nos punhos e se mostra confortável trabalhando com bom volume de golpes, muito embora a defesa tenha demonstrado buracos a partir do momento em que passou a encontrar adversários mais dotados de técnica. Um inconveniente reside na dificuldade em exercer o plano de jogo contra oponentes de alto nível, como será pelo menos em maior parte de sua passagem pelo octógono.

Luis Peña (7-1 no MMA, 3-1 no UFC) é um gigantesco peso leve – que chegou a falhar miseravelmente ao tentar bater o peso pena – de ótima envergadura e capaz de tirar vantagem de sua estrutura esquelética aplicando golpes retos em alto volume para controlar a luta na longa distância. Além dos jabs e diretos, o “Bob Ross violento” já demonstrou em diferentes ocasiões bons chutes frontais.

O alto volume das ações de Peña ajuda na constante busca por situações em que consiga colocar em prática o grappling ofensivo, dinâmico e sempre em busca de novas posições e tentativas de finalizações. Demonstra, ainda, boa noção e oportunismo quando as chances se apresentam para encerrar o combate no solo, com botes certeiros principalmente nos pescoços dos rivais. O wrestling defensivo, notoriamente a fase em que ainda há mais espaço para melhora, parece ser motivo de maior preocupação inclusive para o próximo combate.

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O duelo do sábado tem tudo para ser uma das melhores lutas da noite. Ambos os lutadores são naturalmente agressivos e tomam iniciativa buscando combate incansavelmente. Frevola provavelmente seja mais potente na troca de golpes e já teve sucesso encurtando a distância e buscando quedas contra Jailin Turner, um peso leve gigantesco como Peña, mas de ritmo bem menos acelerado. Para ter mais chances de sair vitorioso nesse estilo de combate, Frevola precisaria contrariar seus instintos e seguir à risca um plano de jogo bem elaborado.

Contudo, a aposta é que ambos façam o que de melhor sabem e tenhamos um combate cheio de ações, em que o volume de golpes altíssimo de Peña, aliado à boa envergadura e capacidade de se defender no solo buscando, inclusive buscando muitos botes, façam com que Frevola acabe mais desgastado, sendo a diferença para uma vitória do “Bob Ross Violento” em uma apertada decisão.

Peso Médio: Eryk Anders (EUA) vs. Gerald Meerschaert (EUA)

Por Rodrigo Rojas

Ex-campeão peso médio do LFA, Eryk Anders (12-4 no MMA, 4-4 no UFC) teve uma rápida ascensão dentro do UFC. Após dominar os brasileiros Rafael Sapo e Markus Maluko, foi escalado para o main event do UFC em Belém, quando teve a primeira derrota da carreira para Lyoto Machida. Após recuperar-se com um belo nocaute, resolveu subir para os meio pesados, onde foi nocauteado por Thiago Marreta. Ainda emendou duas derrotas, intercalando as divisões de peso, até que voltou a coluna de vitórias com um nocaute sobre Vinicius Mamute, na última aparição.

Ex jogador de futebol americano, chegando a atuar na NFL, Anders vale-se muito mais de seu atleticismo acima da média do que da técnica para vencer seus combates. Em pé, o americano tem uma boa movimentação para encurralar os oponentes, pressionando constantemente. Quando acha a distância, solta combinações de golpes retos com muita potência, sempre buscando a interrupção. Além disso, utiliza com alguma habilidade os contragolpes e  os golpes no clinch, especialmente as joelhadas. A capacidade física também favorece suas quedas, muito baseadas na explosão, além do wrestling defensivo, que é bastante eficiente. Por cima, conta com um ground and pound potente e agressivo. A enorme força física cobra seu preço no gás de Anders, que costuma cansar em lutas mais longas.

Buscando afirmar-se no peso médio, o americano Gerald Meerschaert (30-11 no MMA, 5-3 no UFC) figura na lista daqueles lutadores que não vão muito longe na carreira, mas sempre entregam lutas animadas para os fãs. Ex-campeão do RFA, Meerschaert é o clássico exemplo de competidor com um bom arsenal ofensivo e enormes buracos no âmbito defensivo.

Na última aparição, Gerald recuperou-se de uma sequência de duas derrotas para finalizar o favorito Trevin Giles. Nessa atuação, surpreendeu ao mostrar um jogo mais comedido, em contraste com sua típica agressividade incessante. Seja em pé ou no chão, o americano busca a interrupção a todo momento, sem maiores cuidados defensivos. No solo, o faixa preta ataca finalizações o tempo todo, muitas vezes perdendo posições por causa disso. No jogo em pé, costuma lançar um grande volume de golpes sem muita precisão, especialmente chutes e combinações de cruzados. A defesa de golpes, no entanto, é quase inexistente, e a agressividade faz com que o gás vá embora rapidamente.

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O confronto entre dois lutadores agressivos e com poucas preocupações com questões defensivas promete bastante diversão, apesar do baixo nível técnico. A maior discrepância do casamento está no atleticismo, onde Anders apresenta enorme vantagem. Por isso, Eryk deve defender as tentativas de queda de Meerschaert com facilidade e, em pé, é mais potente e um pouco mais polido. Ainda que Gerald tenha surpreendido na última luta, a aposta segura é em Eryk Anders, vencendo a decisão em uma luta movimentada.

Peso Mosca: #3 Deiveson Figueiredo (BRA) vs. #6 Tim Elliott (EUA)

Por Gustavo Lima

Deiveson Figueiredo (16-1 MMA, 5-1 UFC) já é uma realidade e vive o melhor momento de sua carreira. O “Deus da Guerra” voltou a trilha das vitórias após bater o duro Alexandre Pantoja no UFC 240 em junho numa atuação consistente e segura, mostrando evolução gradual em aspectos do seu já afiado jogo. O paraense tem se tornado um striker cada vez mais polido e inteligente, diminuindo a quantidade de brechas que costumávamos ver durante suas investidas ao encurtar a distância nas primeiras lutas dentro do UFC. Figueiredo é um boxeador forte e agressivo, mas dotado de qualidade técnica (em franca maturação, aliás) para não depender apenas de trocar sopapos desenfreadamente com seus oponentes.

Atualmente terceiro colocado do ranking dos moscas e muito admirado pelas recentes atuações, o brazuca aceitou um desafio bem arriscado para sábado, que, no papel, o traz mais riscos que benefícios. O Calcanhar de Aquiles de Deiveson tem sido, até aqui, a luta agarrada. Jussier Formiga foi o único nome a batê-lo na carreira e sua vitória mais difícil no UFC foi possivelmente a decisão dividida contra Jarred Brooks, que o fez comer o pão que o diabo amassou em alguns momentos usando o wrestling. De lá pra cá, porém, já se passaram dois anos – e a impressão é que o brasileiro melhorou e muito.

O “Deus da Guerra” tem ajustado sua movimentação e possui recursos para não ser o porradeiro estacionário e vulnerável que Elliott espera que ele seja. Na trocação, Deiveson leva vantagem considerável em velocidade e potência, dependendo de ajustes táticos para fazer suas qualidades sobressaírem.

No outro corner, estará o ex-desafiante Tim Elliott (15-8-1 na carreira, 6-4 no UFC), atual sexto colocado da categoria, atleta de muitas valências e sempre muito encardido, mesmo não desfrutando do melhor momento de sua carreira.

Tim retorna aos cages após quase dois anos de molho por conta de um ligamento rompido. Em sua última aparição na jaula mais famosa do MMA, o estadunidense finalizou com louvor Mark de la Rosa, levando pra casa um dos bônus de desempenho da noite.

Após retornar ao UFC através do TUF: Tournament of Champions, vencer o torneio e ganhar a chance de desafiar Demetrious Johnson, Elliott entregou algumas atuações contidas e irregulares. Anotando 1-2 nos moscas em um processo de corte de peso que parecia ser excruciante ao ex-campeão do Titan FC, Tim tomou a decisão de subir para os galos, onde realizou a luta contra de la Rosa.

O americano é um atleta com nível moderado-alto em vários aspectos de seu jogo, mas com falhas que usualmente o impedem de render tudo o que pode. Por mais que esteja longe de ser um grappler world-class, é indubitavelmente no wrestling que Elliott confia seu jogo de MMA para passar pela maior parte da divisão – especialmente uma que possui diversos trocadores perigosos como o próprio Figueiredo.

Somados a estes aspectos técnicos, algumas dúvidas pairam sobre Elliott em relação ao duelo de sábado. Dois anos parado e com procedimentos cirúrgicos no meio do caminho podem trazer o chamado ring rust a esta equação? E a decisão de voltar aos moscas, mesmo revelando problemas para bater o peso há alguns anos?

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Elliott é um lutador cascudo, experiente e que possui um arsenal de finalizações vasto e costuma executar planos de luta muito bem. Por isso, não pode ser subestimado. Todavia, Deiveson possui recursos para contornar os perigos que o americano oferece. Em um cenário onde o excesso de confiança não tome conta do brasileiro, deixando-o vulnerável a riscos desnecessários, é difícil ver Tim fazendo jogo de isometria e quedando o brasileiro pela maior parte do tempo e sem ser tocado muitas vezes. Todos esses fatores apontam para um favoritismo de Deiveson – com chances relativamente altas de nocaute. Reitero, porém, que Tim não pode ser subestimado.