Por Edição MMA Brasil | 26/04/2019 13:00

Depois de sete anos, o UFC volta a visitar a cidade de Sunrise, nos arredores de Fort Lauderdale, localizada no sul da Flórida, onde montará o famoso octógono no BB&T Center. O UFC Sunrise será a oitava edição exibida pela ESPN+, plataforma de streaming da emissora de esportes americana.

O evento será encabeçado pelo duelo entre o veterano Ronaldo Jacaré e o ascendente sueco Jack Hermansson, que pode deixar o vencedor próximo de uma disputa pelo cinturão dos médios.

Outros três brasileiros muito queridos pelos fãs se apresentam neste sábado: o meio-médio Alex “Cowboy” Oliveira mede forças contra Mike Perry, John Lineker faz interessante luta no peso galo contra Cody Sandhagen, isso um pouco antes do meio-pesado Glover Teixeira encarar Ion Cutelaba.

Na penúltima luta da noite, o sempre polêmico ex-astro da NFL Greg Hardy volta a subir no octógono, desta vez contra o veterano russo Dmitri Smoliakov.

O canal Combate transmite o evento em sua totalidade, com início do card preliminar marcado para às 18:30h, enquanto a porção principal começará às 22:00h, no Horário Oficial de Brasília.

Peso Médio: #4 Ronaldo Jacaré (BRA) vs. #10 Jack Hermansson (SUE)

Por Pedro Carneiro

Com uma carreira brilhante no jiu-jítsu e considerado um dos maiores expoentes da arte suave no MMA, Ronaldo Jacaré (26-6 no MMA, 9-3 no UFC) tenta mais uma escalada rumo ao cinturão da categoria. Vindo de uma vitória onde mostrou um coração enorme contra Chris Weidman, Jacaré estava escalado para uma revanche contra Yoel Romero – luta que o deixaria próximo da disputa de cinturão em caso de vitória – mas o acaso da vida o fez olhar um pouco mais para baixo no ranking dos médios. É importante ressaltar que nos últimos dois anos o brasileiro vem de resultados irregulares, intercalando as vitórias sobre Tim Boetsch, Derek Brunson e Weidman com derrotas para Robert Whittaker e Kelvin Gastelum.

Momento a parte, estamos falando de um atleta que é uma máquina implacável de finalizações, que leva os adversários as águas mais profundas seja nas posições de superioridade ou quando convida os incautos a um passeio sem volta rumo a sua guarda. Toda essa experiência no chão privilegia Ronaldo a lutar em pé sem medo de ser derrubado, colocando em jogo um boxe mediano, mas potente, com alguns chutes – destaque aos aplicados na linha de cintura – além de uma movimentação que apresenta decréscimos em virtude da idade, cenário que também é apresentado no que se refere ao condicionamento físico. O wrestling é satisfatório contra a concorrência não especializada, mas não o suficiente contra os peritos. Contudo, seu maior problema é que, no tocante a velocidade, a semelhança de Ronaldo com um jacaré é mais intensa, já que assim como o réptil é extremamente veloz dentro da água e lento na terra, o capixaba é ágil no chão mas lento na luta em pé. Situação essa que foi apresentada ao longo de toda a carreira e se acentua aos 39 anos de idade.

Após uma sequência de três vitórias seguidas contra Thales Leites, Gerald Meerschaet e David Branch, o sueco radicado na Noruega, Jack Hermansson (19-4 no MMA, 6-2 no UFC) aceitou o desafio de enfrentar Jacaré de última hora, visando o top 5 da categoria dos médios. Praticante de wrestling desde os 9 anos de idade, Hermansson teve um início promissor na carreira com quatro nocautes e uma finalização. Após uma breve passagem frustrada no Bellator, o sueco emendou uma boa série de vitórias que finalmente o levaram ao maior evento do mundo. Embora as derrotas para Cezar Mutante e Thiago Marreta tenham o atrasado, Jack parece estar se firmando em uma categoria que está sofrendo com o envelhecimento da elite.

O principal destaque de seu estilo é a pressão constante que é aplicada na parte em pé através de um jogo de mãos razoável, com a predileção por golpes potentes na curta distância, variando o jogo de abafa também com um wrestling agressivo. Essa combinação de estilos faz com que o adversário se canse e esteja sempre alerta, o que pode resultar em hesitações ou decisões erradas, justamente a situação que Hermansson almeja para buscar um nocaute.

Jack Hermansson vs Ronaldo Souza odds - BestFightOdds

Apesar da distância dos dois no ranking, temos aqui uma luta de prognóstico intrincado. O brasileiro é um atleta mais experiente e tem resistência para suportar os fortes socos de Jack Hermansson, porém a movimentação estática de Jacaré é um prato cheio para atletas que gostam de impor pressão e agressividade sobre os adversários. O jogo de finalizações de Ronaldo é absurdo mas, embora não seja impossível, as quedas serão difíceis de ser aplicadas em um wrestler de origem. O que torna provável que Jacaré finalize a luta apenas se o sueco o derrube e deixe alguma brecha dentro da guarda de Ronaldo, ou usando a sua faixa preta de judô para derrubar nas situações de clinch perto da grade.

A tendência é que a luta se desenvolva em pé e, em um cenário onde os dois possuem robustez nas mãos, ambos têm chances de conseguir um nocaute. De todo modo, a aposta aqui será arriscada e no azarão, acreditando que por conta da diferença de velocidade e de condicionamento físico, o brasileiro irá sucumbir a pressão e ao cansaço.

Peso Pesado: Greg Hardy (EUA) vs. Dmitri Smoliakov (RUS)

Por Rodrigo Rojas

Ex defensive end dos Dallas Cowboys e dos Carolina Panthers, Greg Hardy (3-1 no MMA, 0-1 no UFC) abandonou a NFL após repetidas polêmicas mancharem sua carreira no futebol americano. Primeiro, Hardy foi preso por agredir uma namorada. Sendo absolvido depois que a vítima não compareceu ao tribunal para testemunhar, ele foi preso novamente em 2016, dessa vez por posse de cocaína.

No mesmo ano, Greg Hardy anunciou que iria iniciar sua carreira no MMA. Após três nocautes rápidos em lutas amadoras, foi chamado por Dana White para o Contender Series, onde conquistou mais duas vitórias impressionantes – ambas em menos de um minuto. Hardy ainda teve que adquirir experiência com uma em um evento menor antes de estrear no UFC.

Ele estreou mostrando toda sua grosseria contra Allen Crowder, chegando perto de nocautear no começo da luta, até que foi derrubado e morreu completamente no gás. Então, sua falta de experiência veio à tona: acertou uma joelhada ilegal com o oponente em quatro apoios e acabou desclassificado.

O jogo de Hardy é totalmente dependente de seus atributos físicos. Com mais de 2 metros de envergadura e em torno de 120kg, ele lança seus golpes com potência descomunal, caminhando pra frente e aproveitando-se de sua enorme envergadura. Porém, seu sistema defensivo é praticamente inexistente, tendo engolido muitos golpes de Crowder e sendo quedado sem maiores dificuldades. No chão, utiliza seu tamanho para acertar golpes e evitar os avanços dos adversários.

Se Hardy não tem muita técnica, o que falar de Dmitry Smoliakov (9-2 no MMA, 0-2 no UFC)? Mestre em wrestling estilo livre, o russo de 36 anos foi quedado com facilidade por Cyril Asker e Luis Henrique KLB em suas duas lutas no UFC. De costas para o chão, ele não demonstra nenhum tipo de jiu-jítsu defensivo, apostando em socos curtos com pouquíssima efetividade quando o adversário está por cima.

Em pé, ele circula em volta dos oponentes lançando golpes eventuais quase a esmo, enquanto espera a oportunidade para iniciar uma blitz que pode ser evitada com facilidade por adversários com algum nível técnico. Seu condicionamento físico também é fraco, com seu gás costumando ir embora depois de alguns minutos.

O russo de 36 anos claramente não tem nível para estar no UFC, prova disso é o fato de ele ter perdido com facilidade as duas lutas que fez no octógono para um nível baixo de concorrência, o que havia causado sua demissão. Ele conquistou uma vitória em um evento menor, sendo chamado de volta só para enfrentar Hardy.

Dmitrii Smoliakov vs Greg Hardy odds - BestFightOdds

Smoliakov foi trazido quase como boi de piranha, para testar a evolução de Hardy e fornecer a primeira vitória do americano no UFC, já que a empresa aposta muito nele. O russo não tem nível técnico ou preparo físico para evitar as bombas de Hardy em pé, e deve ser nocauteado ainda no primeiro round.

Peso Meio-Médio: Alex Cowboy (BRA) vs. Mike Perry (EUA)

Por Diego Tintin

Alex Oliveira (19-6-1 no MMA, 9-4 no UFC) é um dos preferidos dos amantes de MMA, muito por causa de sua mentalidade de “pau-pra-toda-obra”. Aceita lutas em cima da hora, contra qualquer um e em qualquer lugar, mesmo que atrapalhe seu gerenciamento de carreira de vez em quando. Mas quem se importa? Trocar pancada com outro homem é o passatempo preferido deste sujeito. Após dificuldades com a balança no peso leve, decidiu virar um meio-médio, mas continuou entregando pancadaria da boa.

Kickboxer de habilidade e boa potência, Cowboy aprendeu a se virar bem também na luta agarrada. Já conseguiu nocautes contundentes – como contra Will Brooks e Ryan LaFlare -, e finalizações de oportunismo – como contra KJ Noons e Carlos Condit. O problema é que essa mentalidade ofensiva deixa brechas, que são aproveitadas pela turma mais capacitada. Como foi no seu último combate contra Gunnar Nelson ou na derrota para o “xará” Cowboy Cerrone. O preparo físico pode não ser excepcional, mas quando falta um pouco de gás, o entrerriense compensa com muita garra e coragem.

A moral conquistada em 2017 vem rendendo frutos a Mike Perry (12-4 no MMA, 5-4 no UFC) até hoje, com o norte-americano enfileirando lutas em cards principais de eventos importantes. Na ocasião, dois nocautes brutais usando o cotovelo (Jake Ellenberger) e o joelho (Alex Reyes) deram a Perry uma fama que ele não concretizou nos combates seguintes. Com três derrotas nas quatro últimas lutas, o ex-boxeador profissional está com dificuldades desde que passou a lidar com uma concorrência mais qualificada, como Cerrone e Santiago Ponzinibbio.

O motivo de ainda ter prestígio na organização é seu estilo de luta baseado na agressividade e até uma certa inconsequência. A abordagem é um tanto rústica: Mike avança sem maiores cálculos ou estudos e, assim que possível, manda seus potentes golpes, deixando a defesa em segundo plano. A luta agarrada é um ponto que ele vem treinando, porém ainda sem resultados visíveis. Para completar, seu condicionamento físico também não é algo que cause pesadelos na divisão.Alex Oliveira vs Mike Perry odds - BestFightOdds

Sem querer dar uma de estraga-prazeres, temo que as derrotas recentes possam esfriar o ímpeto destes dois caras afeitos a uma boa pancadaria. Pelo menos no início do combate, a tônica pode ser de um pouco mais de cautela que o costumeiro. Quando o negócio esquentar, é possível que Alex perceba sua maior versatilidade e, após um pouco de diversão, consiga uma submissão.

Peso Meio-Pesado: #11 Glover Teixeira (BRA) vs. Ion Cutelaba (MDA)

Por Idonaldo Filho

O mineiro Glover Teixeira (28-7 no MMA, 11-5 no UFC) fará 40 anos em 2019 e certamente está em suas últimas lutas na carreira. Ex-desafiante da categoria, Glover não repete um resultado há três anos, e sua atual fase irregular conta com três derrotas, sendo duas por nocaute – contra Anthony Johnson e Alexander Gustafsson – além de quando foi dominado por Corey Anderson. Sua três vitórias foram quando passou a executar um trabalho de porteiro e barrando nomes ascendentes em Misha Cirkunov, Jared Cannonier e Karl Roberson, esse último que deu até certo trabalho atordoando o brasileiro, em combate realizado no mês de janeiro. Em baixa, Glover nem é mais considerado top 10, estando na décima primeira posição no ranking do UFC.

Seu estilo plantadão sempre existiu e Glover, mesmo utilizando com mais frequência seus punhos de aço e a boa técnica no boxe por muito tempo, ainda assim foi um dos lutadores mais versáteis no plantel dos meios-pesados. Dono de um wrestling acima da média para o padrão do MMA brasileiro, além de ser muito forte, Glover é capaz de levar adversários ao solo e fazer um bom trabalho no chão. Ele passou a buscar mais essa estratégia em seus últimos combates, aproveitando o bom desempenho em transições e seu ground and pound poderoso. O que complica é que ele que nunca foi veloz, vem se mostrando cada vez mais lento e, quando eu digo lento, é em ambos os sentidos de movimentação e na velocidade dos golpes. Além disso, a absorção de golpes, que já foi excelente, vem causando alguns sustos ultimamente. Com muitos problemas de agilidade e mobilidade, atuar no striking vem sendo arriscado para Glover.

Sujeito cavalar do leste europeu criado desde moleque nos diversos tipos de luta agarrada, como a luta greco-romana, o judô e o sambo, Ion Cutelaba (14-3 no MMA, 3-2 no UFC) – atualmente com 25 anos – vem se consolidando como prospecto para o futuro. Seus resultados no cenário regional eram do tipo mais violento possível, acabando com a grande maioria dos combates antes mesmo do primeiro minuto de luta. No UFC, não mostrou regularidade ainda, mas depois de terminar 2016 com retrospecto de uma vitória e duas derrotas ele se recuperou com uma sequência de duas lutas invicto, massacrando Henrique Frankestein em 20 segundos e Gadzhimurad Antigulov em quatro minutos.

Quando Cutelaba está lutando, temos garantia de entretenimento ao menos nos primeiros minutos. O moldavo tem muita propensão a cair na trocação franca e ama fazer isso, mostrando pouca técnica, mas bom queixo e mãos pesadas e rápidas. Essa agressividade toda costuma cobrar caso ele não interrompa o combate, já que o condicionamento o deixou na mão principalmente contra Jared Cannonier. Cutelaba ainda assim mostra todo seu background com quedas bonitas e, no solo, ainda que não mostre muita habilidade defensiva, ele possui duas omoplatas no seu cartel, o que é indicativo de certa noção do que faz. A diferença de experiência em relação ao adversário é um aspecto significativo no combate, já que Ion nunca enfrentou um lutador tão rodado como Glover.

Glover Teixeira vs Ion Cutelaba odds - BestFightOdds

Não dá para confiar na defesa de ambos. No caso de Glover, ele aparenta estar desgastado e a diferença de velocidade afeta ele de forma considerável, já no caso de Cutelaba, a desconfiança é devida a pouca idade e excesso de preocupação com o ataque, deixando a defesa um pouco de lado. Não vou me surpreender caso o brasileiro finalize o combate, mas me preocupo pois Roberson – que é um peso médio – chegou a atordoar o brasileiro com algumas cotoveladas, e Cutelaba geralmente é mortal e explosivo no início de combate. Dessa vez a Moldávia garante a vitória, com uma interrupção na primeira metade do round inicial.

Peso Galo: #8 John Lineker (BRA) vs. Cory Sandhagen (EUA)

Por Diego Tintin

John Lineker (31-8 no MMA, 12-3 no UFC) era um dos mais importantes atletas da divisão dos moscas, mas a dificuldade em alcançar o peso mudou seus planos. No peso galo, vimos a consolidação deste jovem veterano, após um caminhão de lutas no MMA nacional. Depois de quatro vitórias, duas delas bonificadas, Lineker foi alçado a um indigesta eliminatória contra o ex-campeão TJ Dillashaw. Derrotado, refaz o caminho com a costumeira competência, despachando os limitados, porém valorosos, Marlon Vera e Brian Kelleher. Com uma natural evolução de seu talento e arsenal, é possível imaginar que o paranaense tem chances de se consolidar como um futuro desafiante.

O jogo de Lineker sempre foi baseado no boxe, especialmente na curta distância. É um especialista em variar ataques à cabeça e linha de cintura com a mesma facilidade, combinando velocidade com potência. Foi importante a evolução que traçou na defesa de quedas, hoje mais sólida, o que lhe permite mais conforto no momento de soltar o jogo em pé. Os oponentes, com exceção dos mais capacitados como Dillashaw, costumam cair na armadilha que o “Mãos de Pedra” constrói, levando os combates para uma trocação alucinante e alucinada. Na profundidade dessas águas turbulentas, é difícil lidar com os punhos do baixinho da American Top Team.

Cory Sandhagen (10-1 no MMA, 3-0 no UFC) é profissional das artes marciais há apenas quatro anos, mas já está no evento mais importante do mundo e acumula três vitórias pela organização. Forjado no LFA – evento com tradição de revelar talento para o UFC – Cory foi derrotado em sua estreia pela organização de Ed Soares e não olhou mais para trás. Venceu duas lutas ainda pelo LFA e estreou no UFC nocauteando Austin Arnett. Em seguida, mostrou coração para sair de uma situação difícil e nocautear o experiente Iuri Marajó. Na última aparição, finalizou Mario Bautista em pouco mais de meio round, após um bonito knockdown via joelhada voadora.

Muito alto e longilíneo para o peso galo, Sandhagen tem boa técnica de trocação, o que o auxilia na manutenção de distância e também na defesa de quedas. Mas lhe falta um pouco de velocidade e atleticismo, que pode complicá-lo neste duelo ou em outros contra oposição de maior qualidade. Cory mostrou muito coração na virada sobre Marajó e tem uma força mental que chama atenção. Além disso, podemos destacar o oportunismo tanto em pé quanto na luta de solo. Aprimorou na Elevation Fighting Team os golpes clássicos do muay thai, utilizando joelhos e cotovelos, com seus colegas de treino Alistair Overeem, Matt Brown, Neil Magny, entre outros.


Cory Sandhagen vs John Lineker odds - BestFightOdds

Sandhagen faz boa campanha no octógono, é um lutador de talento e valor, mas Lineker parece atualmente um tanto demais para o americano. A capacidade do brasileiro implantar seu plano de jogo de pressão é impressionante. Dificilmente o menos tarimbado estadunidense terá uma saída para essa areia movediça onde John leva seus oponentes. O brasileiro deve conseguir uma interrupção na metade final do duelo.