Por Edição MMA Brasil | 30/08/2019 10:00

A Ásia é sem dúvidas um mercado extremamente relevante para o UFC e vem sendo cada vez mais explorado pela promoção americana, pela terceira vez em três anos o líder de mercado monta seu octógono na China continental, desta vez em Shenzhen e envolvendo uma local numa disputa de cinturão, de forma que pela primeira vez teremos um cidadão chinês disputando o maior título do MMA Mundial.

Após chocar o mundo ao nocautear brutalmente a ex-campeã Rose Namajunas, em solo brasileiro, a campeã Jéssica Bate-Estaca Andrade devolve a gentileza, indo até a casa de sua adversária, Weili Zhang, para colocar em disputa o cinturão do peso palha feminino.

Antes da primeira defesa da brasileira, outro combate sino-brasileiro promete bastante. O sempre interessante Elizeu Zaleski dos Santos, o Capoeira, promete dificultar muito a vida de Li Jingliang, que até este sábado era o chinês mais bem sucedido da organização. O combate sucederá uma contenda entre os cada vez mais escaços pesos moscas, Kai Kara-France e Mark De La Rosa. Ainda no card principal teremos Derrick Krantz contra Kenan Song nos pesos leves e, abrindo a porção principal do evento, Wu Yanan e Mizuki Inoue fazem um clássico China vs. Japão.

No card preliminar ainda vale ficar de olho nos brasileiros Thiago Moisés, Karol Rosa e Lara Procópio. Thiago enfrenta Damir Ismagulov no peso leve e as meninas fazem um duelo tupiniquim pelo peso galo.

O UFC Shenzhen terá transmissão ao vivo e na íntegra pelo canal Combate na manha de sábado. A primeira preliminar está marcada para iniciar às 4:00h, enquanto o card principal deve ir ao ar a partir das 7:00h, sempre pelo horário oficial de Brasília.

Cinturão Peso Palha: C Jéssica Andrade (BRA) vs. #6 Weili Zhang (CHN)

Por João Gabriel Gelli

Jessica Andrade

Depois de começar sua carreira no UFC de forma irregular ao lutar no peso galo, Jéssica Andrade (20-6 no MMA, 11-4 no UFC) já não era mais considerada uma ameaça ao cinturão. No entanto, a criação da categoria dos palhas lhe rendeu vida nova na organização. O corte foi bem realizado e ela logo se mostrou uma lutadora de elite na nova divisão. Foram três vitórias até ser superada pela então campeã Joanna Jedrzejczyk. A brasileira não se abalou e tratou de emendar uma nova sequência ao passar com sobras por Claudia Gadelha, Tecia Torres e Karolina Kowalkiewicz. Esta série de triunfos proporcionaram uma nova chance pelo título e a Bate-Estaca não deixou a chance escapar. Mesmo tendo sofrido muito no primeiro round, conseguiu um assombroso nocaute sobre Rose Namajunas e saiu do Rio de Janeiro com a peça de ouro e couro.

Descer para o peso palha transformou Jéssica em um tanque. Extremamente forte, ela usa a potência de maneira intensa, com golpes cruzados e amplo volume para intimidar as adversárias. Sua pressão é ininterrupta e, mesmo quando não está tendo sucesso, a brasileira não para de avançar. Ela soma a isso punhos muito pesados e que podem interromper um combate com um único golpe. Por outro lado, sua defesa tem um ponto claro a ser atacado, com a dificuldade de evitar ataques em linha reta contra adversárias técnicas e que possuem movimentação intensa. Este foi o caminho explorado por Jedrzejczyk, Namajunas e Torres, quando tiveram sucesso contra a atual campeã.

Ao usar o atleticismo privilegiado para a divisão, Jéssica domina fisicamente boa parte de sua competição, inclusive oponentes fortes, como Gadelha. Além disso, Andrade tem a incrível capacidade de conseguir levar todas as lutas para o solo. Suas quedas normalmente surgem quando as adversárias buscam encurtar para conter sua pressão. Neste processo, muitas vezes acabam sendo erguidas sem misericórdia e são arremessadas contra o tablado de maneira brutal. O ground and pound e o grappling da brasileira também são de qualidade e completam sua caixa de ferramentas.

Apesar de nomes como Joanna, Rose e Tatiana Suarez como opções de primeira desafiante de Jéssica, o posto coube a Weili Zhang (19-1 no MMA, 3-0 no UFC). Entretanto, não se engane, a chinesa é uma oponente legítima ao trono da brasileira. Ela começou a carreira com uma derrota logo na luta de estreia e desde então venceu 19 compromissos seguidos. No processo, dominou o cenário regional chinês, superou alguma concorrência de qualidade e foi uma máquina de destruição, com nocautes e finalizações. Ao chegar no UFC, Zhang venceu Danielle Taylor e atropelou Jessica Aguilar para se consolidar. Em seu último duelo, ganhou de maneira confortável de Tecia Torres e se mostrou uma verdadeira ameaça para o restante da divisão.

A carreira regional e as duas primeiras lutas de Zhang no UFC evidenciaram uma lutadora muito agressiva e com bom poder de definição. Também deixaram clara uma atleta forte, capaz de atuar em ritmo acelerado por períodos prolongados e que tem habilidades em todos os âmbitos do jogo. Em pé, ama os golpes rodados, usa a envergadura para manter as adversárias afastadas enquanto dispara sólido volume com punhos, cotovelos, chutes e joelhadas. Todavia, assim como a adversária de sábado, deixa uma boa dose de brechas defensivas.

Outra semelhança que divide com Jéssica é a capacidade de derrubar as oponentes quando tentam encurtar para limitar o volume de golpes lançados. Contudo, ao contrário da brasileira, Weili tem predileção pelas quedas de quadril, com as quais botou Torres de costas no chão múltiplas vezes. Ela exerce forte controle posicional, é capaz de executar transições muito rápidas e tem algumas finalizações no arsenal. Como se isso não bastasse, ainda tem um ground and pound vigoroso e que pode causar interrupções.

Jessica Andrade vs Weili Zhang odds - BestFightOdds
 

Zhang não é das mais conhecidas e provavelmente só recebeu esta chance neste momento por ser uma lutadora de destaque do país que receberá o evento. Mesmo assim, este é um duelo intrigante e que deve render bons momentos. Ela tem o porte físico para fazer com que Jéssica tenha um pouco mais de dificuldade para impor seu jogo no começo. Isto pode ser conseguido ao manter a campeã afastada em pé ou conseguindo quebrar as pegadas no clinch.

Por outro lado, a experiência da brasileira em lutas mais longas e contra concorrência qualificada certamente a deixaram preparada para lidar com alguma adversidade. Assim, por mais que possa sofrer em determinados momentos, ela ainda deve ser a lutadora mais forte dentro do octógono. Por isso, deve conseguir cumprir seu plano e em algum momento pontuar com quedas de grande amplitude e golpes pesados. Como ambas são descuidadas defensivamente, batem pesado e aguentam ataques fortes, a luta pode se transformar em uma intensa batalha de atrito. No fim das contas, a aposta é que a brasileira será bem-sucedida ao defender o cinturão pela primeira vez com um triunfo por decisão ou um nocaute tardio. Só não fique chocado se Zhang sair vitoriosa.

Peso Meio-Médio: Li Jingliang (CHN) vs. #14 Elizeu Capoeira (BRA)

Por Pedro Carneiro

Já que gostamos de gente que gosta de trocar bofetões, Li Jingliang (16-5 no MMA, 8-3 no UFC) é o representante do lado oriental dessa brincadeira. A aposta do UFC para o mercado chinês, se recuperou da derrota para o promissor Jake Matthews no UFC 221, com duas vitórias seguidas contra Daichi Abe e David Zawada – a última através da famosa bicuda no corpo do adversário. Antes disso já havia nocauteado Dhiego Lima, Anton Zafir, Bobby Nash e Zak Ottow, o que revela que além de resistência o chinês possui potência nos golpes.

Iniciado no wrestling, Jingliang logo migrou para o Sanda e o Kickboxing, até que conheceu o também lutador do UFC, Zhang Tiequan, que conduziu a sua migração ao MMA. O resultado dessa equação é um lutador de golpes potentes, apesar de necessidade de refinamento técnico. A brutalidade também é usada na defesa de quedas e jogo de solo, estas duas que vem sendo refinadas nos Estados Unidos, especificamente na Xtreme Couture. A mediana segurança que o seu jogo de wrestling traz permite que Li solte o seu jogo em pé com tranquilidade e sem medo de ser surpreendido com quedas da concorrência de menor escalão.

Sete vitórias seguidas em uma das categorias mais difíceis do mundo (se não for a mais difícil). Esse é o retrospecto de Elizeu dos Santos (21-5 no MMA, 7-1 no UFC), mais conhecido como Elizeu Capoeira, que desde que 2016 não conhece a derrota. A última ocorreu justamente na sua estreia no UFC, em uma decisão dividida depois de uma luta divertida contra Nicolas Dalby. Daí pra frente, um nocaute técnico e luta da noite contra Omari Akhmedov, três decisões seguidas contra Keita Nakamura, Lyman Good e Max Griffin, dois belíssimos nocautes em 2018 – primeiro um chute rodado em Sean Strickland e depois uma joelhada voadora contra Luigi Vendramini. No último compromisso, Capoeira conseguiu o que os fãs de street fighter chamam de “perfect” ou “flawless victory”, para os amantes de Mortal Kombat, ao finalizar Curtis Millender no primeiro round sem receber um golpezinho sequer.

Elizeu possui um estilo adorado pelos fãs, que é um apreço inenarrável pela pancadaria. O muay thai é agressivo e contundente, e atua bem tanto quando precisa tomar a iniciativa, quanto quando usa os contragolpes para acertar os oponentes. Algumas falhas defensivas são compensadas por uma boa absorção e ímpeto de seguir trocando agressões mesmo no olho do furacão. Inclusive, a troca de golpes desenfreada parece ser a zona de conforto do brasileiro, e a partir dali é que usa golpes plásticos e lancinantes para das cabo dos adversários. O jiu-jitsu foi lapidado por Cristiano Marcello, na CM System e, no combate contra Millender, podemos ver que, apesar do desconhecimento total do adversário na área, Capoeira sabe o que faz no chão, já que transitou por várias posições e finalizou tranquilamente. Em outras oportunidades também foi possível ver um jiu-jitsu defensivo decente.

Elizeu Zaleski Dos Santos vs Li Jingliang odds - BestFightOdds
 

Dois lutadores que tem resistência a golpes potentes e potência para nocautear o adversário. Misture bem essa química e pronto: eis uma pancadaria do bem! É tudo que o espectador que ver enquanto toma o seu café da manhã nesse horário em que não estamos acostumados a assistir o UFC. E esse combate é uma boa aposta para esse cenário. Apesar do histórico no wrestling do chinês e do jiu-jítsu do brasileiro, ambos têm predileção para a troca de golpes e, embora exista a possibilidade da peleja caminhar para a luta agarrada, a maior chance é de que os dois se testem em pé.

Nos momentos em que se encontrarem em uma troca de golpes franca, Jingliang deve buscar fazer combinações simples, golpes no corpo e preparar o final da sequência com um golpe contundente, visando o nocaute. Elizeu provavelmente se aproveitara do estilo do chinês para achar brechas para os seus contragolpes poderosos e movimentos que são tão inesperados quanto plásticos. A aposta aqui é que Capoeira use da sua técnica superior e maior experiência para levar vantagem e sair do outro lado do mundo com a oitava vitória consecutiva.

Peso Mosca: #10 Kai Kara-France (NZL) vs. #14 Mark De la Rosa (EUA)

Por Gustavo Lima

O neozelandês Kai Kara-France (19-7) vive indiscutivelmente a sua melhor fase na carreira. Após ser eliminado do The Ultimate Fighter: Tournament of Champions e perder para Tatsumitsu Wada no RIZIN ao final do ano de 2016, France conseguiu engatar sequencia de cinco vitórias que o trouxeram oficialmente ao UFC. Desde que firmou contrato com a organização, mesmo em tempos de incerteza quando ao peso-mosca, o atleta continua em ascensão e ocupa a décima posição do ranking após duas vitórias.

Apesar do cartel relativamente longo e da rodagem pelos quatro cantos do planeta, o “Don’t Blink” tem somente 26 anos e se encontra em estágio de amadurecimento. Inclusive, um dos aspectos mais interessantes da carreira do já rodado kiwi é a percepção evidente de que seu jogo de kickboxing tem se tornado cada vez mais justo e eficiente. De um começo de carreira irregular ao revés angariado após a maior exposição que teve no TUF, é possível identificar melhora crescente especialmente nos aspectos defensivos do jogo de Kai.

Embora seja discutível que falte a France uma vitória sobre um adversário tarimbado em seu cartel para enfim enquadrar o atleta no primeiro escalão do peso-mosca no MMA mundial, a boa fase poderia o credenciar a um confronto de maior visibilidade. Neste duelo clássico de estilos contra o #14 da divisão, a impressão imediata é de que o risco enfrentado pelo neozelandês é ligeiramente maior que a recompensa.

Mark De La Rosa (11-2, 2-2 UFC) chegou ao UFC em 2017 com cartel perfeito de 9-0. Em meio aos três duelos feitos no peso galo, categoria em que foi derrotado duas vezes, o estadunidense se aventurou nos moscas e finalizou Elias Garcia (também uma das vítimas de Kai Kara). Com a estabilização da categoria, De La Rosa retorna a categoria de baixo onde as chances de sucesso são virtualmente maiores, dada a sua estatura e estilo de luta.

Jovem e com grande margem para a evolução, a chave para o sucesso de Mark neste combate é saber amplificar a sua vasta experiência no jiu-jitsu para capitalizar em cima das fraquezas de France. Embora não seja nenhum leigo no chão, o pão com manteiga do “Don’t Blink” é a trocação, com essa luta tendo até um certo aspecto de teste para mensurar a evolução geral de Kai. Há pouco menos de três anos, por exemplo, Wada triturou as pernas do neozelandês com chutes baixos, que sequer parecia esforçar para defendê-los em meio a uma atuação estranha e que cheirava a pânico.

O “Bumblebee” deve trabalhar exaustivamente a movimentação se quiser aumentar suas chances de sair com o braço levantado no sábado. France é altamente atlético, explosivo e tem um forte overhand de direita que já despachou alguns oponentes ao longo de sua jornada no MMA. Aproveitar eventuais chutes que o oponente costuma usar como setup é também uma boa oportunidade para De La Rosa.

Kai Kara-France vs Mark De La Rosa odds - BestFightOdds
 

Apesar dos resultados e desempenhos recentes, é difícil apostar em favoritismo largo para France pois nunca o vimos enfrentar um grappler com a rodagem de De La Rosa até agora. Existem entrelinhas que justificam os resultados irregulares de Mark em sua passagem no UFC até aqui (com as duas derrotas sendo inclusive para bons pesos galo) e a impressão é a de que o jovem texano ainda tem muito potencial e tempo para se consolidar.
Luta extremamente equilibrada e na qual eu não apostaria dinheiro em ninguém. No palpitão, irei de Mark de La Rosa (via finalização).

Peso Meio-Pesado: Da Un Jung (COR) vs. Khadis Ibragimov (RUS)

Por Pedro Carneiro

Dois lutadores que gostam de trocar golpes como se o amanhã fosse uma mentira. Dois lutadores que não se importam em estar no olho do furacão. Estreando no evento após o combate contra Saparbeg Safarov ser cancelado, o sul-coreano Da Un Jung (10-2 no MMA), acostumado a lutar entre os pesados fora do maior evento de MMA do mundo, lutará na categoria até 93 quilos. Com 10 vitórias seguidas, Jung recebeu o convite do UFC após a vitória contra Sasa Milinkovic no Heat 44, em março do presente ano. O conterrâneo do Zumbi Coreano possui 8 nocautes na carreira, um sinal do seu poder de nocaute.

Apesar do tamanho, Da Un Jung tem relativa mobilidade, e usa da movimentação e do uso frequente do jab de esquerda para manter a distância contra os oponentes, ficando seguro para usar combinações simples, geralmente jab + direto ou jab + overhand, mas com a predileção pelos golpes retos. Os problemas defensivos em pé existem, pois o lutador deixa buracos defensivos e frequentemente é flagrado com a guarda em meia-altura. A luta agarrada precisa melhorar defensivamente, principalmente a defesa de quedas, mas ofensivamente é boa, com quedas em nível razoável e um ground and pound agressivo, com grande destaque para o uso de cotoveladas.

Também debutando no UFC, Khadis Ibragimov (8-0 no MMA) é mais uma encrenca que vem do Daguestão. Com experiência no Sambo, o russo se tornou campeão meio-pesado do M-1 em agosto do ano passado com um mata-leão violento, após um vacilo do ex-campeão Dimitriy Mikutsa. Depois da conquista venceu Rafal Kijanczuk por nocaute, manteve o retrospecto invicto e recebeu o convite do UFC.

O daguestani é uma boa promessa para uma categoria que precisa de bons nomes. Com um estilo clássico do Sambo, Ibragimov não faz feio em nenhuma das valências do MMA. A troca de golpes é boa, potencializada pelo ímpeto e força bruta. Em uma luta de Ibragimov, podem esperar muitos overhands pesados e uma pressão que tenta fazer o oponente recuar. Enquanto anda para frente, Khadis gosta de soltar golpes com muita força, buscando o nocaute com diretos e overhands usando todo o peso do corpo. A postura é uma faca de dois gumes, pois o russo muitas vezes abaixa a cabeça, dando a oportunidade para o adversário frea-lo. O wrestling é técnico e chama a atenção pela força bruta. As quedas usam a força do quadril e são apenas o anúncio de um ground and pound sufocante. Como um bom daguestani, Ibragimov também tem finalizações na sua caixa de ferramentas.

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Da Un Jung inicia seus combates em um ritmo mais lento, estudando o adversário e marcando a distância com os jabs. Essa abordagem é arriscada contra lutadores que gostam da pressão e força bruta como Ibragimov, que tem um poder de nocaute considerável. O coreano pode usar seu poder de nocaute para vencer com seu direto, mas o favorito é o daguestani. Além de Khadis levar vantagem em pé, é difícil imaginar Jung derrubando e usando seus cotovelos para vencer, e a sua defesa de quedas é insuficiente para conter Ibragimov. Já em um cenário inverso, as quedas e o ground and pound do russo são um bom caminho para a vitória. A aposta aqui é de que Khadis Ibragimov mantenha o histórico sem derrotas.

Peso Leve: Damir Ismagulov (RUS) vs. Thiago Moisés (BRA)

Por Idonaldo Filho

Ex-campeão do M-1 Global e um dos que adentraram no UFC graças a parceria entre as organizações, Damir Ismagulov (18-1 no MMA, 2-0 no UFC) já foi destacado no MMA Brasil antes mesmo de entrar no evento, mostrando que realmente é um grande lutador. Nascido no Cazaquistão, mas representando a Rússia – país onde treina – no evento, Ismagulov impressiona com um cartel de 18-1 enfrentando lutadores de bom nível em seu tempo na Europa até chegar a companhia de Dana White, onde já acumulou duas vitórias. Ele estreou derrotando Alex Gorgees e depois dominou Joel Alvarez, dois lutadores que não são desafios muito grandes na categoria dos leves.

Damir é um lutador bastante técnico e versátil. Tem habilidade nos mais diversos golpes e mostra um vasto repertório em suas lutas preferindo atuar na longa distância, como chutes no corpo e na perna, além de diretos certeiros, que são suas principais armas em pé. O jogo de quedas como é de se esperar de um campeão de grande evento russo é bom e as transições são bem feitas, e ele sempre se mostrou um lutador duro, de forte pressão e com condicionamento impecável. O principal problema é que Ismagulov não mostrou até então muito poder de nocaute, e em alguns momentos tamanho domínio técnico pode dar a impressão que a luta é chata.

O brasileiro Thiago Moisés (12-3 no MMA, 1-1 no UFC) teve pouca sorte em sua estreia no UFC, enfrentando logo um dos mais talentosos lutadores da divisão em Beneil Dariush. O assírio dominou completamente o brasileiro, mostrando que o nível é diferente no líder do mercado. O brasileiro se recuperou bem contra Kut Holobaugh em sua segunda luta, mas tem um duro desafio nesse próximo duelo. Thiago foi contratado após impressionante vitória no Contender Series, quando já era conhecido de alguns pelos bons desempenhos no RFA, onde foi campeão, e no LFA.

Ao contrário da maioria dos especialistas em jiu-jítsu, Thiago é um bom striker e um lutador plástico. Faixa preta na arte suave, ele é bastante oportunista e sua inesquecível finalização com uma chave de braço helicóptero ainda no cenário regional é a definição disso. Muito habilidoso com chutes, ele não é tão agressivo e pode melhorar o volume, mas é ousado e costuma tentar golpes mais difíceis. Falta mostrar mais evolução no wrestling e também buscar melhorar a defesa, principalmente quando o oponente coloca pressão e ele não consegue soltar seu jogo.

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Ismagulov é um pesadelo para o brasileiro. Thiago é extremamente talentoso, mas o jogo do russo que sabe pressionar muito bem e é incansável pode atrapalhar bastante o desempenho dele. A aposta é que Ismagulov siga invicto no evento e consiga uma vitória na decisão dos juízes, mesclando pressão em pé, golpes no corpo e quedas, dando quase nenhum tempo para Moisés ser efetivo.