Por Edição MMA Brasil | 19/04/2019 15:00

Após cerca de um mês fazendo eventos nos Estados Unidos, o UFC retorna para a Europa. Pela segunda vez em sua história, o octógono será montado na Ríssia, mas desta vez em São Petesburgo, no Yubileyny Sports Palace. Mesmo sem grandes nomes, o UFC São Petersburgo trará bons combates e estreias interessantes para serem acompanhadas na tarde de sábado.

Na luta principal, o maior nome presente neste evento, Alistair Overeem, volta ao octógono para tentar evitar uma gangorra de resultados contra o local Alexey Oleinik, pela combalida categoria do peso pesado. Outro combate válido pela divisão presente na porção principal será entre Sergei Pavlovich e o brasileiro Marcelo Golm.

Entre as lutas dos pesados, teremos provavelmente a melhor luta da noite acontecendo no peso leve, com o ascendente Islam Makhachev recebendo o prospecto armeno Arman Tsarukyan, mais um reforço de peso para a melhor categoria do MMA.

Outra estréia acontecerá na luta que precede o combate entre Golm e Pavlovich: Ivan Shtyrkov, o “Hulk de Ecaterimburgo” – personagem folclórico do MMA russo – estreará no evento enfrentando o americano Davin Clark.

Acontecerão ainda mais dois bons combates no card principal de São Petesburgo. Irmã da campeã do peso mosca, Antonina Shevchenko tentará manter seu cartel invicto contra Roxanne Modafferi. Antes das meninas, abrindo a porção principal de lutas, Krysztof Jotko receberá mais um estreante no evento, o macedônio Alen Amedovski, em luta válida pelo peso médio.

O UFC São Petesburgo terá transmissão ao vivo e na íntegra pelo canal Combate, estando marcado para se iniciar ás 11:00h. O card principal irá ao ar a partir das 14:00h, sempre pelo horário oficial de Brasília.

Peso Pesado: #7 Alistair Overeem (HOL) vs. #9 Alexey Oleinik (RUS)

Um dia já se imaginou que Alistair Overeem (44-17 no MMA, 9-6 no UFC) poderia vir a ser um dos gênios do esporte. Dono de um arsenal ofensivo dos mais vastos, o holandês conquistou títulos em todas as organizações e campeonatos pelos quais passou, até sua aclamada chegada no maior evento do mundo. Sucesso à parte, o holandês também se tornou notório pela impressionante evolução física que obteve em sua carreira no Japão, obviamente calcada na utilização de substâncias proibidas, o que acabou culminando em uma suspensão quando chegava para lutar pelo cinturão dos pesos pesados contra Junior Cigano, isso no já longínquo ano de 2012.

A partir daí, o queixo já combalido pelo grande número de combates foi responsável por uma série de três derrotas em quatro lutas, obrigando-o a reinventar seu jogo. Apostando em uma abordagem mais conservadora nos combates, Overeem conseguiu dar sobrevida à carreira, chegando até mesmo à disputar o cinturão da categoria contra Stipe Miocic. Nos últimos três anos manteve um digno retrospecto de três vitórias em cinco lutas, perdendo apenas para Francis Ngannou e Curtis Blaydes – poucos dos lutadores realmente bons da categoria – se estabelecendo como “porteiro” do topo da divisão.

Quando se fala da parte técnica de Alistair é impossível deixar de lado o já citado arsenal ofensivo. Dono de um kickboxing de elite – que inclusive lhe proporcionou o título K-1 – ele tem um clinch extremamente agressivo, com potência incrível nas joelhadas e cotoveladas. O restante do jogo de trocação teve significante evolução após passar algum tempo com Greg Jackson, tendo incorporado a seu jogo uma movimentação mais fluida e um bom uso da distância para se proteger com maior eficiência. No grappling, teve bastante sucesso ao aplicar um bom rol de finalizações, mas no UFC parece ter deixado esta valência de lado do seu jogo.

Alexey Oleinik (57-11-1 no MMA, 6-2 no UFC) chegará à sua luta profissional de número 70 neste sábado. É improvável que tenhamos registros de todas elas, mas tudo o que foi possível ser visto mostrou um lutador totalmente não-ortodoxo. Sem muita técnica envolvida, Oleinik é bruto o suficiente para aplicar nocautes e finalizações baseadas exclusivamente na força e na grosseria. O russo é conhecido por ser especialista na aplicação dos estrangulamentos Ezequiel e “mão com mão”, isto é, aqueles que necessitam de força pura. Atualmente, vem de duas vitórias, contra Junior Albini, no Rio, e Mark Hunt, em Moscou, ambas em 2018.

Na luta em pé, a pesar dos mais de dois metros de envergadura, Oleinik se vale exclusivamente de overhands para tentar levar os oponentes ao solo, ou mesmo conseguir um nocaute vadio, mas para isso necessita que o adversário tenha um nível de trocação tão sofrível quanto o seu. A defesa, em pé, também não é das melhores, deixando muitas brechas para gente qualificada na área. O forte do seu jogo é o grappling, tendo capacidade de aplicar vários estrangulamentos, por baixo ou por cima, sendo muito perigoso e oportunista. Caso o adversário dê brechas, dificilmente o russo perde uma posição. Por fim, seu condicionamento físico e jogo de quedas são bem precários. No final das contas, Oleinik se mostra um lutador muito mais oportunista do técnico, mas numa categoria como o peso pesado do UFC, isso já é o suficiente para dar cabo da grande maioria dos lutadores.

Aleksei Oleinik vs Alistair Overeem odds - BestFightOdds

A leitura da luta acaba sendo bem simples, na verdade. De um lado, o striker mais técnico dessa categoria, contra um dos grapplers mais perigosos e letais da divisão. A estratégia para Oleinik é não pensar em trocar golpes por um segundo sequer, buscando a queda desde o primeiro instante, sem afobação. Para Overeem, manter a distância e golpear com combinações já deve ser mais do que o suficiente para acabar com o gás do russo e levar a luta.

A aposta fica para um nocaute técnico de Overeem, que deve ocorrer até o segundo round do combate. É importante citar que “Reem” tem que utilizar de sua experiência e técnica na luta agarrada para evitar que Oleinik consiga chegar em posição de domínio no solo, único momento em que poderia complicar a vida do holandês.

Peso Leve: Islam Makhachev (RUS) vs. Arman Tsarukyan (ARM)

Por Alexandre Matos

Parece que Islam Makhachev (16-1 no MMA, 5-1 no UFC) deixou para trás a zebraça contra Adriano Martins. Desde aquela noite de outubro de 2015, o russo já coleciona quatro vitórias seguidas, despachando competição de respeitável calibre como Gleison Tibau e Nik Lentz no percurso. Na última vez em que subiu ao octógono, Islam pegou o canadense Kajan Johnson com uma chave de braço, na casa do adversário, há cerca de dez meses.

Parça de longa data do campeão Khabib Nurmagomedov, Makhachev desenvolveu estilo semelhante ao do amigo, misturando o sambô, modalidade na qual foi tetracampeão russo, com o wrestling para produzir um sólido jogo agarrado, com fortes quedas, clinch difícil de transpor e controle posicional sufocante. O daguestanês até tem algumas ferramentas para trocar golpes, mas precisa melhorar a movimentação e deixar os pés mais leves se precisar estender os períodos em pé. No entanto, a soma da proficiência no grappling com a abordagem quase sempre precisa faz de Makhachev o lutador com a menor taxa de golpes absorvidos por minuto na história do UFC.

Depois de ganhar rodagem nos circuitos menores, chegou a hora de Arman Tsarukyan (13-1 no MMA, 0-0 no UFC) mostrar que merece o chamado do UFC. Aos 22 anos, o armênio passou pela League S-70 e pelo MFP, da Rússia, além de ter atuado no sul-coreano ROAD FC. Ele conquistou suas maiores vitórias nos eventos russos, nas duas últimas apresentações, quando dominou Júnior Assunção – caçula de Raphael – e aplicou um nocaute espetacular em Felipe Olivieri, atleta da Nova União de rápida passagem no UFC.

Com muita força de core e agilidade, Tsarukyan é um wrestler de técnica aprimorada, capaz de aplicar quedas de qualquer posição. Ele tem grande capacidade de cair por cima, seja diretamente pela queda ou por algum malabarismo aplicado nas transições, raspagens ou tomoe-nages. Além da clara habilidade na luta agarrada, Arman vem desenvolvendo o striking com as irmãs Antonina e Valentina Shevchenko, na Tiger Muay Thai. E o garoto aprende bem, como mostrou o nocaute sobre Olivieri. De modo magistral, Tsarukyan curvou-se para atrair a atenção do brasileiro para um jab e gancho de esquerda. No entanto, o armênio complementou a combinação com um chute alto que ninguém esperava.

Arman Tsarukyan vs Islam Makhachev odds - BestFightOdds

Este é um combate curioso. Se Tsarukyan fosse mais experiente, era capaz de dar bastante trabalho para Makhachev. Na verdade, é bom acompanhar o progresso desse rapaz, pois há potencial aqui para se embolar lá entre os 20 melhores da categoria mais profunda do MMA. Talvez este combate esteja tão bem posicionado no card não só para mostrar que Makhachev é material de top 15, mas para apresentar um potencial concorrente na divisão.

No mano a mano, já é possível dizer que o armênio tem mais destreza no striking que o daguestanês. O melhor caminho para Arman é esquecer o wrestling e partir para uma movimentação lateral constante, forçando Islam a se mexer mais do que gostaria. Porém, a vantagem de Makhachev na luta agarrada é nítida e provavelmente Tsarukyan ainda não tenha a manha de deter as investidas do rival rumo ao confronto corporal e, uma vez travado, não tem defesa de quedas apta a parar Islam por ora. Por absoluta diferença de experiência e de nível de competição, espera-se que Makhachev vença o duelo da luta agarrada e conquiste a quinta vitória consecutiva.

Peso Pesado: Sergei Pavlovich (RUS) vs. Marcelo Golm (BRA)

Por Rodrigo Rojas

Um dos maiores prospectos da combalida categoria dos pesos pesado, Sergei Pavlovich (12-1 no MMA, 0-1 no UFC) fez toda sua carreira fora do UFC no Fight Nights Global, deixando um rastro de destruição e tornando-se uma das maiores estrelas do evento russo. A moral de Pavlovich era tão grande que o gigante russo estreou no UFC enfrentando o veteraníssimo Alistair Overeem. Porém, o desafio se mostrou um passo maior do que a perna, e ele acabou sendo nocauteado no primeiro round.

A estreia contra Overeem não representa o real talento do russo. Com base na luta greco romana, Pavlovich confia principalmente no enorme poder de suas mãos, contando com uma trocação sem tanto refino técnico, porém muito perigosa. Seus melhores momentos são quando consegue encurralar o adversário na grade, onde lança socos abertos com toda a força, mesclando-os com joelhadas quando o adversário abaixa a cabeça. As mãos do russo são surpreendentemente velozes para seu tamanho, brilhando em trocas de golpes mais extensas e em seu poderoso ground and pound. A defesa de quedas – apesar de ter falhado contra Alistair Overeem – é bastante sólida, mas ele provou não ter o melhor sistema defensivo de costas para o chão. Sua defesa de golpes também não é a mais técnica, podendo ser vazada contra strikers mais polidos.

Uma vez considerado como potencial renovação brasileira entre os pesados, Marcelo Golm (6-2 no MMA, 1-2 no UFC) estreou no UFC com uma vitória fácil sobre o péssimo Christian Colombo, bambeando o adversário em pé e mostrando oportunismo para finalizar o oponente quando a luta chegou ao chão. Nas duas lutas seguintes, perdeu em decisões monótonas para Tim Johnson e Arjan Singh Bhullar. Em ambas, foi travado no clinch, sofrendo com o tamanho e força física dos adversários.

Golm conta com uma trocação razoável – advinda do muay thai – principalmente no aspecto ofensivo, já que sua defesa é bastante defasada. Seus melhores golpes são os chutes baixos, que marcaram as pernas dos dois últimos oponentes. O brasileiro peca principalmente pela falta de volume, deixando seus adversários ditarem o ritmo de seus combates, aspecto que o levou às duas derrotas na carreira.

Marcelo Golm vs Sergei Pavlovich odds - BestFightOdds

Se Golm sofreu com a força de Arjan Bhullar, Sergei Pavlovich deve fazer desta luta um pesadelo para o brasileiro. O russo deve usar seu tamanho para controlar a luta sem maiores dificuldades, seja no clinch ou na trocação. Pavlovich ainda deve ter as quedas a seu favor e, em algum momento, conseguirá uma sequência de golpes, vencendo por nocaute técnico após controlar a luta inteira.

Peso Meio-Pesado: Ivan Shtyrkov (RUS) vs. Devin Clark (EUA)

Por Idonaldo Filho

Parece inacreditável, mas finalmente o Hulk de Ecaterimburgo irá estrear no UFC. Um grande personagem folclórico do MMA russo, além de principal estrela do ascendente RCC, Ivan Shtyrkov (16-0-1 no MMA, 0-0 no UFC) vem com certo hype, tendo entrado como substituto de última hora no UFC Rússia. A carreira de Ivan tem sido divertida de acompanhar, com ele tendo enfrentado em sua grande maioria veteranos do esporte, como Ricco Rodriguez, Antonio Pezão, Satoshi Ishii, Thiago Silva, Fábio Maldonado e Gerônimo Mondragon – este em sua única mancha no cartel, um empate. Sua carreira foi iniciada entre os pesados mas, pouco tempo atrás, decidiu descer para a categoria até 93kg, onde enfrenta adversários mais próximos de seu tamanho.

Chegando a fazer alguns treinos na Tailândia, Shtyrkov é um sujeito extremamente grosseiro, embora versátil, que baseia todo o seu jogo na força física e na cavalice. Sua trocação rudimentar consiste em aplicar golpes singulares com bastante força, principalmente socos, mas não o vemos trabalhar sequências dignas. Existe uma utilização de golpes rodados e chutes, mas ele não é lá muito eficiente nesse aspecto. A força que Shtyrkov possui auxilia muito no aspecto das quedas que, embora não aconteçam com muita velocidade, são de nível razoável. No solo o russo mostra tranquilidade e aplica pressão por cima, buscando geralmente o braço do oponente. Seus principais defeitos estão na parte do condicionamento cardiorrespiratório – que deve bastante – e na sua defesa, tendo tendência a engolir muitos golpes – mostrando boa absorção – e deixando muitas brechas, principalmente para uppercuts, quando avança atabalhoado.

Devin Clark (9-3 no MMA, 3-3 no UFC) decidiu se firmar na categoria até 93kg após estrear como peso médio dentro do UFC, chegando ao grande evento como campeão invicto dos meios-pesados na extinta RFA. Uma vez dentro do UFC, se mostrou um lutador bastante irregular e pouco empolgante, obtendo vitórias somente na decisão dos juízes, sendo nocauteado duas vezes e finalizado uma – de forma constrangedora inclusive. No seu último duelo, ele até surpreendeu o prospecto Aleksander Rakic inicialmente. Atuando de forma agressiva, eele chegou a atordoar o austríaco, mas logo foi pro saco após um soco rodado espírita – vendo o oponente entrar no top 15, vaga que poderia ter sido sua.

Clark foi contratado por Dana White em sua série “Looking for a Fight”, tendo tido contato com as artes marciais desde pequeno, iniciando no boxe e atuando no wrestling universitário, mesmo que sem muito destaque na modalidade. Suas lutas predominantemente acontecem no clinch, área favorita do americano, que é um wrestler decente – mesmo que não seja gigante para a divisão – não possuindo um grande controle posicional, mas sendo um carrapato que incomoda. Só que muitas falhas já foram mostradas por Clark: seu queixo não é lá dos mais confiáveis, a inteligência pior ainda – um sujeito que toma uma gravata de porteiro de Jan Blachowicz não merece perdão – e a sua trocação é tosca, tentando impor uma agressividade de forma errada e se colocando em situações de derrota por nocaute constantemente.

Devin Clark vs Ivan Shtyrkov odds - BestFightOdds

Não tenha esperanças que Shtyrkov será top 5 nem top 10, caso ele fique entre os quinze melhores está de bom tamanho. A questão é que Clark é unidimensional e tem muito pouco a oferecer contra um lutador que é muito forte e já atuou inclusive na divisão de cima, ainda que o russo já tenha sido derrubado por várias vezes em cenário regional. Pode muito bem acontecer um nocaute, mas como na divisão dos meios-pesados Shtyrkov aparece mais lento e dependendo mais do grappling, ele deve garantir uma vitória na decisão dos juízes, em luta de baixo nível técnico.

Peso Mosca: Roxanne Modafferi (EUA) vs. Antonina Shevchenko (KGZ)

Por Thiago Kühl

Após voltar para o UFC por meio do TUF 26, Roxanne Modafferi (22-15 no MMA, 1-3 no UFC) disputou o cinturão inaugural do peso mosca, tendo sido vencida por Nicco Montaño na decisão unanime. Após o revés na luta pelo título, conseguiu sua primeira vitória no evento ao conseguir uma interrupção com ground and pound violento sobre a veterana Barb Honchak. Em sua última luta, enfrentou Sijara Eubanks, sendo dominada novamente. Veterana no MMA e já com seus 36 anos, Roxanne terá mais uma chance de lutar pelo emprego.

O ponto mais forte do jogo de Modafferi sempre foi seu jiu-jítsu. Mesmo por baixo, a “Guerreira Feliz” consegue atacar as adversárias, como fez em determinados momentos contra Montaño. Em pé, ela até melhorou com o passar do tempo, tendo conseguido marcar a distância e impor bom volume em sua vitória sobre Honchak. Suas entradas de queda não são perfeitas, mas são suficientes para levar as lutas para o solo, onde consegue fazer transições, buscar finalizações e aplicar um ground and pound de boa potência.

Irmã mais velha da campeã da categoria, Antonina Shevchenko (7-0 no MMA, 1-0 no UFC), se dedicou por muito mais tempo que a irmã ao kickboxing, demorando para fazer a transição ao MMA. Hoje com 34 anos, ela chegou ao evento por meio da temporada de 2018 Contender Series, conseguindo o contrato após nocautear brutalmente Jaumee Nievara. Em sua estreia oficial, mais uma vitória, dessa vez por decisão unânime em uma luta onde se portou de forma bastante conservadora, contra Ji Yeon Kim.

Parece bastante óbvio observar que Antonina tem na trocação seu principal ativo. Com longa carreira em eventos de striking, a quirguiz tem muita habilidade para acertar combinações limpas e precisas, se movimentando de forma elusiva e constante, além de conseguir manter o ritmo por todo o combate. Impõe também um clinch infernal para as adversárias, com cotoveladas e joelhadas de muita potência para a categoria até 57 kgs. Seu grappling ainda não foi testado por gente de alto nível, mas a boa movimentação e o controle de entrada e saída do clinch tem sido suficientes para manter as lutas em pé. Entretanto, Antonina pode sofrer nesta área do jogo quando encontrar gente mais qualificada.

Antonina Shevchenko vs Roxanne Modafferi odds - BestFightOdds

É extremamente improvável que Roxanne consiga fazer frente à quirguiz na luta em pé. Da mesma forma, Antonina não terá vida fácil se a luta transcorrer no solo, devido a maior experiência no grappling da americana.

Em uma luta onde os cenários se demonstram tão claros para cada uma das lutadoras, nos resta avaliar quem teria a melhor chance de impor seu jogo. Neste caso, imagino que a ótima movimentação de Shevchenko seja suficiente para evitar o jogo de quedas de Modafferi, que deverá sofrer bastante por 15 minutos, acabando derrotada na decisão ou por um nocaute tardio.

Peso Médio: Krzysztof Jotko (POL) vs. Alen Amedovski (MKD)

Por Diego Tintin

Krzysztof Jotko (19-4 no MMA, 6-4 no UFC) chegou a se postar como uma ameaça entre os médios em 2016, inclusive entrando no top 10 da categoria, mas a sequência de cinco vitórias foi barrada por três derrotas consecutivas, para David Branch, Uriah Hall e Brad Tavares. Depois de parecer estabilizado como um bom nome para eventos na Europa, o polonês agora encontra-se pressionado a voltar a vencer para evitar uma possível demissão.

Jotko é um especialista no kickboxing, porém não há nada de visceral ou empolgante no seu jogo. O seu comportamento é muito mais metódico, cauteloso e focado em neutralizar as ações de seus oponentes. Versátil, o polonês utiliza bem sua movimentação para construir uma defesa de quedas decente, além de apresentar evolução no wrestling ofensivo e na luta agarrada como um todo – tendo a agradecer seus camps na American Top Team por isso. O condicionamento não é dos piores, mas pode deixar a desejar quando o ritmo do combate é mais intenso.

Se Jotko é burocrático, a organização foi buscar no Bellator o completo oposto disso para o duelo que abre o card principal russo. Alen Amedovski (8-0 no MMA, 0-0 no UFC) estreia com a fama de nocauteador apressado, após liquidar Ibrahim Mane em doze segundos no seu último combate no cage circular. Forjado em pequenos eventos italianos, o macedônio passou pelo MMA inglês até ser contratado pelo Bellator para colar em seus eventos realizados na terra de Roberto Baggio. Alen apresenta um sempre imponente histórico de vitórias por nocaute em todas as lutas profissionais, nunca tendo passado do segundo assalto.

Como você já pode imaginar, a principal qualidade de Amedovski está no poder de nocaute que carrega nos punhos. Não há muito requinte técnico na trocação, mas o modo com o qual avança distribuindo socos de todas as direções é difícil de lidar para atletas menos habilidosos e experientes. Se a explosão é um atributo físico forte, o condicionamento é um mistério, uma vez que mal passou de um round e meio na sua curta carreira. Também foi pouco testado defensivamente ou no campo da luta agarrada, por conta do nível de concorrência pouco ameaçador que teve pela frente.

Alen Amedovski vs Krzysztof Jotko odds - BestFightOdds

Lutadores como Amedovski costumam empolgar contra a xepa, mas ser neutralizado por gente mais eficiente e preparada. A questão que resolverá este duelo é em qual destes dois cenários Jotko se encaixa. Depois de um começo promissor, três derrotas consecutivas abalam a confiança de qualquer um e, se colocar em situação vulnerável contra um sujeito bruto como Alen, pode ser fatal. Feita essa observação, vamos apostar aqui na vitória do polonês, controlando o estreante principalmente com muito clinch e luta agarrada. Aquilo que chamam por aí de “amarrar”.