Por Edição MMA Brasil | 19/07/2019 11:00

Logo após uma noite esquecível em Sacramento, o UFC viajou para o centro-oeste dos Estados Unidos para continuar sua maratona de eventos em julho. Retornando pela segunda vez na história para o AT&T Center – casa do San Antonio Spurs na NBA – a organização realizará neste sábado o UFC San Antonio, mais um card bastante subestimado pelos fãs em questão de nomes de peso.

Na luta principal da noite, Rafael dos Anjos buscará emendar sua segunda vitória consecutiva após recuperar-se de um 2018 negativo. Para isso, terá pela frente o britânico Leon Edwards, atleta que vem em uma das maiores sequências de triunfos na divisão, com sete seguidos.

Além do combate principal bastante competitivo, a noite será marcada também por um festival de (socorro) duelos de pesos pesados. Na segunda luta mais importante do evento, Alexey Oleinik tentará adicionar mais uma finalização para seu cartel ao enfrentar o atual (socorro ao quadrado) top 15 Walt Harris. Antes disso, o UFC continuará seu experimento com o controverso Greg Hardy, lhe dando um bom avanço de nível de competição ao casá-lo contra Juan Adams. Para finalizar, abrindo esta porção do card, teremos a revanche que absolutamente ninguém queria entre Andrei Arlovski e Ben Rothwell.

Contrastando com o possível show de horrores nos pesados, teremos também dois duelos bastante interessantes na divisão dos leves. Querendo manter seu lugar no top 15 da categoria mais disputada do MMA, James Vick confrontará o perigoso neozelandês Dan Hooker, enquanto o também ranqueado Alexander Hernandez terá como objetivo se recuperar da primeira derrota em sua passagem pelo octógono, enfrentando o veterano brasileiro Francisco Massaranduba.

O UFC San Antonio terá transmissão ao vivo e na íntegra pelo canal Combate. A primeira preliminar está marcada para começar às 19:00h, enquanto o card principal deve ir ao ar a partir das 22:00h, sempre pelo horário oficial de Brasília.

Peso Meio-Médio: #4 Rafael dos Anjos (BRA) vs. #12 Leon Edwards (ING)

Por Alexandre Matos

As grandes atuações de Rafael dos Anjos (29-11 no MMA, 18-9 no UFC) quando subiu ao peso meio-médio tiveram fim quando ele bateu de frente com wrestlers grandes e fortes. O niteroiense foi derrotado na disputa do cinturão interino por Colby Covington e depois parou no atual campeão Kamaru Usman. Um terceiro wrestler lhe foi dado em sequência, mas Kevin Lee não tinha a vantagem física que os anteriores tiveram. Resultado: foi finalizado no quarto assalto pelo brasileiro.

Mesmo depois de romper com o treinador Rafael Cordeiro, que fez de Dos Anjos um dos melhores peso por peso do mundo, o ex-campeão dos leves conseguiu manter o nível elevado das atuações. Hoje ele já tem solidificado o muay thai de alta pressão e mentalidade ofensiva. Essa abordagem, além de valer vantagem nas disputas dentro do raio de ação, ainda permite que Rafael encurrale os adversários na grade, de onde aplica quedas para trabalhar não só o ground and pound, mas também para abrir espaço para botes visando uma finalização. Contra wrestlers de alto gabarito, este jogo é problemático, pois o brasileiro ajuda o oponente ao se aproximar dele. Porém, este não vai ser o caso do combate de sábado.

Depois de um começo claudicante, com duas vitórias e duas derrotas, Leon Edwards (17-3 no MMA, 9-2 no UFC) encontra-se em sequência de sete triunfos. Neste tempo, foi o último a vencer Vicente Luque e passou por Gunnar Nelson e Donald Cerrone, atletas com presença constante no ranking da categoria. Depois da ascensão e queda de Darren Till, os ingleses depositam suas esperanças entre os meios-médios neste jamaicano radicado em Birmingham.

Ex-campeão do BAMMA, Edwards aos poucos foi adicionando novas ferramentas em seu arsenal. Antes um boxeador de alto poder de nocaute, Leon precisou ser parado por dois grapplers de naturezas distintas para mudar seu jogo. O tempo passou e ele foi melhorando no wrestling a ponto de se tornar apto a decidir onde os combates se transcorrem, além de adquirir habilidade defensiva para se proteger dos botes de um jiu-jiteiro técnico como Nelson. Por ser maior, mais forte e ter mais gás que o último oponente de Rafael, Edwards traz à mesa um desafio interessante.

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No ponto de vista de confronto de estilos, Edwards andou na direção correta de quem vai enfrentar Dos Anjos. O antigo boxeador teria uma certa dificuldade de lidar com a pressão do brasileiro. No entanto, o grappler atual pode contornar a situação.

Uma coisa pode-se apostar: será Rafael quem vai ditar o ritmo e aplicar pressão. Eu acredito que o wrestling do jamaicano-inglês não é do nível dos últimos oponentes do brasileiro, mas ele é forte o suficiente para resistir mais tempo que Kevin Lee e, assim, tentar anular o ex-campeão. A aposta é numa vitória de Rafael dos Anjos por decisão, mas estou curioso para ver o que Leon Edwards é capaz em sua nova persona.

Peso Pesado: #9 Alexey Oleinik (RUS) vs. #14 Walt Harris (EUA)

Por Idonaldo Filho

Com 42 anos completados há pouco menos de um mês e com um total de 70 lutas em sua carreira, Alexey Oleinik (57-12-1 no MMA, 6-3 no UFC) é um dos maiores veteranos no esporte. Entretanto, essa vasta experiência não foi construída contra oposição de baixo escalão, uma vez que ele já venceu lendas como Mirko Cro Cop e Mark Hunt, além de se manter até hoje entre os melhores da categoria. Após uma sequência de duas vitórias em 2018, seu nível de oposição subiu, mas Oleinik mostrou ter um gap técnico gigante para seu adversário Alistar Overeem, que o venceu facilmente. O russo não deverá ir muito mais longe na carreira, mas continuará chamando a atenção dos fãs enquanto estiver na ativa, por seu estilo pouco ortodoxo e às vezes divertido.

Oleinik é um feiticeiro. O lutador da ATT é um dos atletas mais traiçoeiros que a categoria dos pesados já viu, com uma grosseria sublime que auxilia estrangulamentos que costumam chocar os fãs, como o prato principal da casa: o ezequiel – com o qual já finalizou dois combates no UFC. Seu jogo em pé, apesar de tosco, por vezes lhe dá frutos, com seu mata-cobra poderoso uma vez ou outra podendo atordoar adversários desavisados. Além da trocação, ele também possui problemas com o condicionamento físico, que sempre o deixa na mão nos combates em que não consegue definir rapidamente. Entretanto, Alexey é dono de um grande coração e, por mais unidimensional que seja, é um lutador que não pode ser subestimado nesta divisão.

Ex-jogador de basquete e curiosamente campeão do Golden Gloves, Walt Harris (12-7 no MMA, 5-6 no UFC) parece ter se firmado de vez nesta segunda passagem pelo líder do mercado. Depois de sair derrotado nas duas lutas que fez após ser contratado pela primeira vez, ele retornou em 2014 após vencer uma luta no Titan FC e, desde então, vem se destacando no meio das barangas que ocupam a parte de baixo da categoria dos pesados. Se sobressaiu ao ponto de conseguir beliscar uma vaga no top 15 da categoria após três vitórias seguidas, sobre Daniel Spitz, Andrei Arlovski – que virou no contest por Harris ter usado suplemento contaminado – e Sergey Spivak.

Walt Harris, assim como Oleinik, é um atleta unidimensional, só que em outra área. O americano é um lutador agressivo de punhos pesados e com bom atleticismo, que tem no boxe a principal arma para derrotar seus oponentes, possuindo todas suas doze vitórias pela via rápida. O problema é que, mesmo sendo bastante forte, ele não possui técnica nenhuma para defender quedas e seu jogo de chão é péssimo. Uma vez no solo, provavelmente Harris será derrotado. Outro aspecto a se notar é a frequente queda de rendimento, apesar do americano sempre imprimir um ritmo bem forte no começo das lutas. Para piorar, Harris – apesar de já possuir 36 anos e experiência como lutador – não é um atleta nada inteligente, tendo a tendência de cometer erros estratégicos.

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Não é possível se confiar em Oleinik, tampouco em Harris. Este é um confronto entre dois atletas unidimensionais, sendo que Oleinik é sensacional em sua área, enquanto Harris é mediano troca de golpes. Já que a luta começa em pé, quem terá que tomar a iniciativa para levar a luta para posição de vantagem é o russo, que poderá ter alguma dificuldade para derrubar enquanto Harris estiver inteiro. Sem convicção nenhuma, a aposta é que Harris consegue explodir e conquistar um nocaute rápido, mas não se surpreenda caso Oleinik puxe esse brutamontes para a guarda e ache mais um ezequiel.

Peso Leve: #15 James Vick (EUA) vs. Dan Hooker (NZL)

Por Thiago Kühl

James Vick (13-3 no MMA, 9-3 no UFC) chegou a flertar com a elite da divisão do peso leve após cinco anos dentro do evento. Com um retrospecto de nove vitórias em dez lutas, o texano recebeu a oportunidade de mostrar que era material de top 5 ao enfrentar Justin Gaethje. Nessa oportunidade acabou nocauteado em pouco mais de um minuto, fazendo com que voltasse alguns passos para trás. Em sua última luta, nova derrota. Desta vez para Paul Felder, que soube tirar Vick da sua zona de conforto e dominar a luta quase que inteiramente na trocação.

Imenso para o peso, com ótima envergadura e velocidade, tem preferencia pela luta em pé, principalmente nos golpes de mão. James abusa do tamanho, conseguindo implementar um ótimo controle de distancia para controlar suas lutas. A qualidade do jogo de pernas não acompanha tanto as mãos, contra Paul Felder, Vick se viu encurralado algumas vezes e com o volume de chutes sofridos ficou diversas vezes preso no olho do furação, sofrendo bastante dano. O jogo de chão é interessante: faixa azul de jiu-jitsu, não utiliza tanto o grappling, mas tem oportunismo para se valer dos longos braços e pernas para buscar finalizações.

Dan Hooker (17-8 no MMA, 7-4 no UFC) estreou no UFC no peso pena e intercalou vitórias e derrotas, começando com um questionável 3-3 no evento, vencendo somente lutadores de baixa relevância. Após decidir subir de categoria, emendou quatro boas vitórias contra nomes interessantes em Ross Pearson, Marc Diakiese, Jim Miller e Gilbert Durinho, esta última o credenciando para um combate contra Edson Barboza. O brasileiro se mostrou um desafio grande demais para o neozelandês, mas fez transparecer sua gigante resiliência, tendo sido nocauteado somente no terceiro assalto depois de dois rounds de grande sofrimento.

Hooker faz um jogo de trocação muito eficiente e oportunista. Se no passado ainda trazia um repertório tímido, com a subida de peso conseguiu agregar mais movimentação e variação de golpes, inclusive aumentando o volume com que solta combinações. Passou também a fazer pressão de forma bastante eficiente contra os rivais, o que facilitou encontrar brechas para colocar seus potentes golpes, que lhe renderam nocautes em três de suas últimas quatro vitórias.

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No caso aqui podemos imaginar que a luta transcorra em pé, com ambos podendo utilizar-se de algum vacilo do adversário para achar uma interrupção, caso a luta se apresente dessa forma. Dentro deste cenário imagino que Vick não terá o sucesso que Edson teve em utilizar chutes para desestabilizar o neozelandês e encaminhar a vitória. Para dificultar um pouco mais a vida do americano, vimos que coração e vontade existem de sobra em Hooker. Acreditando que Dan continuou evoluindo e que o teto de James já esteja mais claro, imagino que veremos um nocaute do neozelandês ainda na primeira metade da luta.

Peso Leve: #13 Alexander Hernandez (EUA) vs. Francisco Massaranduba (BRA)

Por Rodrigo Rojas

Aos 25 anos, Alexander Hernandez (10-2 no MMA, 2-1 no UFC) estreou no UFC da melhor maneira possível, causando grande impacto. Entrando em cima da hora para substituir o lesionado Bobby Green, Hernandez enfrentou o top 15 Beneil Dariush e, contrariando as odds que tinham o assírio como um favorito de 4 para 1, o nocauteou em menos de um minuto, recebendo um dos bônus de desempenho da noite e invadindo o ranking.

Na luta seguinte, consolidou o posto no top 15 da categoria ao vencer o grappler  Olivier Aubin-Mercier em seu próprio jogo, exibindo habilidades muito diferentes das que demonstrou contra Dariush. Carismático e com boa aparência, logo recebeu um empurrão da máquina promocional do UFC, sendo pareado contra o veteraníssimo Donald Cerrone. O avanço revelou-se um passo maior do que a perna, e Hernandez acabou nocauteado por um chute alto do “Cowboy”, que reestreava nos pesos leve após um período na categoria de cima.

Apesar de ter começado no wrestling, Alexander assemelha-se mais à geração mais jovem do MMA, sem mostrar predileção por nenhuma área específica do jogo. Com atleticismo e capacidade de explosão muito acima da média, possui habilidades tanto em pé quanto no chão. Na trocação, apresenta uma movimentação interessante, geralmente tentando encurtar a distância enquanto acerta alguns bons chutes e combinações de golpes retos, sempre com muita potência. Os contragolpes também são efetivos, com ele sabendo encontrar brechas na defesa dos oponentes.

Suas quedas são de ótimo nível. Quando está por cima, o faixa marrom de jiu-jitsu conta com um bom ground and pound e transições fluidas, com facilidade para chegar nas costas do oponente e talento nos scrambles. Apesar de contar com uma defesa de golpes decente, Hernandez ainda comete erros por conta da displicência com sua guarda. A grande quantidade de massa muscular também cobra o preço, e ele pode ter problemas com o condicionamento cardiovascular em lutas mais longas.

Francisco Trinaldo, o “Massaranduba” (23-6 no MMA, 13-5 no UFC), tem uma das histórias de vida mais emocionantes do mundo do MMA. Natural do Piauí, o brasileiro vem de família extremamente humilde – inclusive, já declarou que, por vezes, não pôde treinar por não ter dinheiro para a passagem de ônibus que o levaria até a academia.

Massara teve uma carreira valorosa enquanto esteve no cenário nacional, chegando a conquistar o cinturão peso leve do Jungle Fight. Em 2012, foi chamado para o TUF Brasil, mas acabou sendo eliminado por Thiago Bodão, tendo uma passagem pouco marcante pelo programa. Não gerou muita expectativa ao receber a chance de lutar no UFC, onde alternou vitórias e derrotas nas primeiras lutas.

Após ser dominado por Michael Chiesa, Trinaldo começou sua inesperada ascensão: emendou uma sequência de sete vitórias na categoria mais dura do MMA, superando alguns bons nomes, como Paul Felder e Yancy Medeiros. Ainda assim, não impressionou o suficiente para alcançar o top 10 da divisão, e acabou sendo finalizado por Kevin Lee. Desde então, intercalou vitórias sobre Jim Miller e Evan Dunham com uma derrota para James Vick.

Massaranduba começou no kickboxing e refinou sua trocação na Evolução Thai de André Dida. Assim, tem um jogo em pé decente e mãos bastante pesadas, ainda que não seja suficiente para enfrentar a elite nesta área. O destaque do jogo do piauiense é o fato de ser um dos raros brasileiros que apostam no wrestling, com boas quedas e um clinch sufocante. Muito forte fisicamente, Trinaldo conta com um ground and pound potente e algumas tentativas de finalização – em especial o katagatame. Por conta dos 40 anos nas costas e o jogo dependente de força isométrica, o gás costuma abandonar o brasileiro depois de alguns minutos.

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Esse casamento foi claramente pensado para dar uma chance para o jovem texano se recuperar, lutando em casa. Enquanto Hernandez é um lutador promissor e vem evoluindo, o brasileiro se aproxima da fase final da carreira, na qual já superou em muito qualquer expectativa. Alexander é superior em virtualmente todos os aspectos do jogo, além de estar no auge de seu vigor físico. Embalado pelos fãs em sua cidade natal, Hernandez deve dominar a luta e, após cansar Massaranduba, pode se tornar o primeiro a superá-lo pela via rápida dolorosa.

Peso Pesado: Andrei Arlovski (BLR) vs. Ben Rothwell (EUA)

Por Gustavo Lima

O bielorrusso Andrei Arlovski (27-18 no MMA, 16-12 no UFC) continua sua jornada no MMA e, mesmo com os resultados recentes, surpreendentemente ainda consegue estar no card principal de um evento da ESPN. Em um exercício de reflexão antes de materializar esta prévia, lembrei de alguns comentários que li mais de uma vez ao longo dos últimos anos: o lendário peso pesado ainda teria – em teoria – mãos pesadas e alguma técnica de boxe para conseguir despachar alguns adversários com sua poderosa patada. Nada melhor que um nocaute maravilhoso na abertura de um evento com esse tamanho de exposição, certo? Err…

Fazem mais ou menos cinco anos que ecos distantes deste discurso são a única maneira de tentar defender as escolhas de Arlovski continuar lutando e do UFC em continuar mantendo o “Pitbull” em seu plantel. Quase meia década sem nocautear ninguém, sete derrotas e um no-contest em suas últimas dez lutas – com somente duas vitórias feias de doer contra oponentes limitadíssimos -, argumentam por si só no lobby pró-aposentadoria do lutador já “quarentão”, provavelmente defendido pela maioria esmagadora dos fãs de MMA, especialmente os que puderam acompanhar seus tempos de glória.

Os dados supracitados questionam não só o fato do lendário pesado europeu continuar subindo no cage do UFC, mas também a razão desta luta estar num card veiculado na ESPN. Obviamente o nome de Arlovski é um atrativo para os fãs, mas vale a pena correr o risco de ter um potencial candidato ao nosso Barangão do Ano em um evento com tamanha audiência? Ou pior, vale a pena colocar um futuro candidato a Hall da Fama que ganha uma bolsa relativamente alta como uma isca de nocaute num evento destes?

Digo isso pois, com todo o ruim de Ben Rothwell (36-11 MMA, 6-5 UFC), ainda não vimos o estadunidense se apresentar em um nível tão ruim quanto Arlovski em seus combates recentes. Fato que “Big Ben” passou três anos afastado do octógono em meio a lesões e uma suspensão da USADA por doping, além de suceder duas derrotas em atuações bem medíocres para Júnior Cigano  e Blagoy Ivanov. Porém, não possuímos nenhum sinal ainda de que Rothwell estaria descambando de vez como seu adversário de sábado.

Revanche de 2008, quando Arlovski nocauteou Ben no ambicioso Affliction: Banned, o cenário agora se encontra bem diferente e mostra o como o tempo (aliado as pancadas recebidas dentro do cage) é implacável. Quando a carreira de Andrei começou a degringolar, Rothwell viveu questionavelmente seu melhor momento da carreira – o homem nocauteou Alistair Overeem e finalizou Josh Barnett, chegando ao top 5 do ranking do UFC.

Dono de mãos fortes e jiu-jítsu oportuno, além da vantagem de tamanho e envergadura, Rothwell é o tipo de cidadão que não respeitaria o queixo frágil de Arlovski, tampouco temeria seu sambô desaparecido há quase vinte anos. Por mais que a atuação contra Ivanov tenha sido bem tímida, a decisão dos juízes em questão foi bem controversa e poderia ter ido para o lado de Ben, com o tempo que passou não tendo levado tanto de suas qualidades embora.

Andrei não esqueceu completamente suas ferramentas de striking, mas a sombra que vaga hoje pelos octógonos do UFC e pouco faz contra adversários de nível questionável (e que o Arlovski de 15 anos atrás provavelmente atropelaria com facilidade) passa a impressão de que sobe no cage apenas somente para atrasar o inevitável, confiando qualquer remota possibilidade de vitória naquela mão que “pode entrar” e “se a mão entrar já era”. A mão que já não é mais tão rápida, tão forte e que não entra há anos. E a impressão que dá ao olhar o cartel recente é que, até mesmo os caras que lhe venceram com uma vitória por decisão modesta, poderiam ter batido Andrei por nocaute se tivessem sido um pouco mais confiantes. Se a mão não entra contra Walt Harris e Shamil Abdurakhimov, vai entrar contra quem?

Andrei Arlovski vs Ben Rothwell odds - BestFightOdds
 

Um Ben Rothwell em boas condições (aquele lá de 2014, 2015) tem plenas condições de dar cabo em Arlovski rapidamente. E se não o fizer, também tem condições de nos brindar com uma luta bizarra, arrastada e chata, mas com poucas chances de que o vencedor seja outro. Mesmo andando pra frente e com toda a imprudência defensiva de seu estilo “touro brabo”, é muito difícil ver Big Ben virando presa do Pitbull. Favoritismo grande para Ben Rothwell, que ainda deve fazer algum barulho no tenebroso top 15 que o peso pesado tem hoje.