Por Edição MMA Brasil | 11/07/2019 12:38

O UFC está de volta ao Golden1 Center, na bela cidade de Sacramento, na Califórnia, para realizar mais um evento na terra de Urijah Faber. Com a responsabilidade de manter o nível após o grandioso UFC 239 na International Fight Week, foram escaladas lutas interessantes para o UFC Sacramento, tanto no card preliminar quanto no principal.

Na principal luta do card preliminar, o brasileiro Sheymon Moraes enfrenta o americano Andre Fili em um embate bastante equilibrado e que promete bastante ação, válido pela categoria dos penas. Fili busca sua quarta vitória em cinco lutas, de olho em adversários de maior gabarito, enquanto Sheymon busca se recuperar de sua última derrota para respirar com tranquilidade na divisão.

Além disso, destacam-se os confrontos entre a ex-campeã dos moscas Nicco MontañoJulianna Peña, que volta ao UFC depois de 30 meses cuidando de seu primeiro filho; Darren Elkins enfrentando o finalizador Ryan Hall, além da brasileira Livinha Souza recebendo a estreante e ex-campeã do Invicta FC, Brianna Van Buren.

No card ainda teremos o duelo de meios-pesados entre Mike Rodriguez e o estreante brasileiro John Allan, alem de dois combates pelo peso galo envolvendo Pingyuan Liu contra Jonathan Martinez e Benito Lopez enfrentando Vince Morales. O card preliminar do UFC Sacramento vai ao ar neste sábado, com transmissão pelo Canal Combate a partir das 17:45h, pelo horário oficial de Brasília.

Peso Pena: Andre Fili (EUA) vs. Sheymon Moraes (BRA)

Por Bruno Costa

Andre Fili (19-6 no MMA, 7-5 no UFC) tem se consolidado como um lutador de ação muito divertido e valoroso na boa categoria dos pesos penas. Fora a derrota para Godofredo Pepey, quando ainda era um tanto quanto inexperiente combatendo um perigoso finalizador, o produto da Alpha Male saiu derrotado apenas quando enfrentou oponentes de muito talento e integrantes do ranking da divisão. O UFC teve menos cuidado para desenvolver “Touchy” e o cartel irregular na organização, mesmo sendo um bom valor, demonstra que o nível dos oponentes enfrentados.

Fili tem excelente alcance e utiliza com competência os golpes retos, muitas vezes finalizando com chutes as sequências de jab, direto. Ele desenvolveu muito bem também as defesas de quedas, resistindo às tentativas de adversários que insistiam em pressioná-lo contra a grade sem antes apresentar bom repertório na luta em pé ou ao menos movimentação eficiente para encurtar a distância. Contudo, a mentalidade ofensiva cobra um preço, e Fili tem muitas falhas defensivas na troca de golpes. Se a pressão que exige apenas wrestling defensivo não é suficiente para desmontá-lo, se efetuada na troca de golpes acaba por acuar o americano, que perde a capacidade de contra-atacar e faz sumir a inteligência de luta.

Sheymon Moraes (11-3 no MMA, 2-2 no UFC) é mais um não integrante do ranking da categoria de bom valor. Tem qualidade na troca de golpes, muito em conta do muay thai de qualidade para o MMA. Gosta de levar os combates em um ritmo menos acelerado, com potentes chutes baixos para marcar a distância e diretos em contra-ataque. Tem como bom trunfo a capacidade de explorar o clinch com bons joelhos e cotoveladas. A defesa de quedas ainda carece de melhoras, e precisa ter sido aprimorada para o próximo combate.

Em comum com seu adversário, o fato de ter recebido em um curto caminho dois adversários muito indigestos e ainda no início de suas caminhadas no UFC, contra Zabit Magomedsharipov e Sodiq Yusuff. Claramente ultrapassado por prospectos de maior qualidade, o brasileiro terá a chance de se estabilizar como peça capaz de alcançar a parte final do top 15 e entregar bons combates para se manter no UFC por período razoável.

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O combate entre Moraes e FIli foi muito bem casado e tem potencial para se tornar a luta mais movimentada da noite. Os dois são lutadores com muitas qualidades ofensivas e buracos defensivos muito exploráveis. Sheymon pode sofrer com o controle de distância do oponente, enquanto Fili deixa muitas brechas para um adversário violento como o brasileiro. Esperando por um combate em que Fili tome o controle das ações e Sheymon tente pontuar com potência nos contragolpes, o pouco utilizado wrestling ofensivo do americano deve ser uma arma utilizada para garantir uma apertada vitória na decisão dos juízes.

Peso Galo: Julianna Peña (EUA) vs. Nicco Montaño (EUA)

Por Gustavo Lima

Após pouco mais de 30 meses afastada do ofício por conta da maternidade, Julianna Peña (8-3 MMA, 4-1 UFC) retorna ao cage do UFC em circunstância com cara de recomeço. Vencedora do TUF 18 e dona de triunfos sobre alguns bons valores do peso galo, a atleta de descendência venezuelana pareceu não ter florescido por completo em vista do que se esperava na altura de sua chegada a organização. Agora mais madura e retomando a carreira contra um nível de competição mais modesto, Julianna tem a missão de atingir todo o potencial que demonstrava há alguns anos.

Com quatro triunfos oficiais no UFC, aliados a três grandes atuações no The Ultimate Fighter, boa parte do atraso no progresso técnico de Julianna se deve as lesões que a mantiveram afastada de competição em algumas ocasiões. Entre o final de 2013 e o primeiro semestre de 2015, foram cerca de 15 meses sem pisar no cage mais famoso do MMA graças a uma grave lesão no joelho.

Após ser um pouco prejudicada pelo timing em momento que era potencial desafiante ao cinturão de Amanda Nunes, o último combate de Peña antes deste hiato foi uma derrota por finalização para Valentina Shevchenko. Se por motivos óbvios a quirguistanesa era favorita, foi um pouco inesperado ver Julianna ser engolida em sua própria especialidade após cometer erro técnico evitável.

Grappler dona de força física notável e destacada por sua agressividade e pressão, Peña agora tem como objetivo primário recuperar o ritmo e espantar quaisquer hipóteses de que o famoso ring-rust possa afetar seu retorno após mais de dois anos sem competir. Voltando contra uma adversária que em circunstâncias “normais” pareceria presa fácil para Julianna, a condição em que veremos a lutadora se apresentar neste final de semana pode até mesmo indicar que o tempo afastado foi a melhor coisa que poderia tê-la acontecido.

O “bem-vinda de volta” será dado por Nicco Montaño (4-2 MMA, 1-0 UFC), que busca se estabelecer na companhia em meio a uma maré de azar que tem afetado sua carreira. Campeã inaugural do peso mosca feminino, a estadunidense foi destituída do título após ter complicações com o corte de peso. Mais recentemente, foi suspensa pela USADA por 6 meses após exame apontar traços de ostarina, em situação um tanto quanto mal-explicada. Finalmente hábil para retomar a carreira, Nicco faria sua estreia no peso galo contra Sara McMann, que se lesionou e fez com que esse combate virasse um duelo entre vencedoras do TUF.

Mesmo se sagrando campeã após vencer a edição 23 do TUF, o breve período de Montãno com o cinturão a fazia parecer um elefante em cima de uma árvore. Mesmo que demonstre competência em diversos aspectos do seu jogo, Nicco ainda precisa passar por alguns testes de fogo para provar que pertence ao pelotão de frente de alguma divisão estabelecida – o que até hoje não aconteceu em sua carreira.

Lutando na categoria até 62kg, Montaño ainda tem contra si o fato de que sua altura e envergadura estão um pouco abaixo da média de vários nomes notáveis da divisão. Contra Peña, por exemplo, são 6 centímetros de desvantagem na altura e 10 na envergadura. Esses dados aliados a força e as características do jogo de Julianna fazem as chances da ex-campeã parecerem muito escassas no confronto deste evento.

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Nicco, cujas raízes nas artes marciais residem no jiu-jítsu, tem talvez sua maior chance em se aproveitar de possíveis defasagens que a falta de ritmo de Peña possa acarretar e fazer o mesmo que Shevchenko fez. Todavia, mesmo carente de alguns ajustes técnicos pontuais, é difícil acreditar que Peña dará tais brechas se estiver em nível de preparação adequado. Favoritismo considerável para Julianna Peña, com palpite de que não veremos quinze minutos de luta.

Peso Pena: Darren Elkins (EUA) vs. Ryan Hall (EUA)

Por Diego Tintin

Darren Elkins (24-7 no MMA, 14-6 no UFC) é um sólido teste para qualquer peso pena da organização. Em tantos anos na estrada, perdeu somente para gente de pedigree e conquistou vitórias sobre concorrência de respeito, como Michael Johnson, Mirsad Bektic, Dennis Bermudez, Lucas Mineiro, entre outros. Basicamente funcionou por muito tempo como um filtro que barrava o acesso a quem não pertencia à elite da divisão. Entretanto, já apresenta alguns sinais de declínio físico e desgaste do corpo, natural para um lutador de 35 anos e mais de 30 lutas profissionais no currículo.

Darren escora seu jogo no wrestling, modalidade que praticou no ensino médio e no superior com relativo sucesso nos dois estilos (livre e greco-romano), mostrando muito coração e resistência. O preparo físico não é mais o mesmo de outrora, mas ainda dá pro gasto. Sua trocação já foi prioritariamente defensiva, evitando maiores riscos, mas vem abrindo o jogo nas últimas apresentações, fazendo combates mais animados. Quando leva a peleja ao solo, tem bom controle e se defende bem na maioria das vezes, mesmo contra gente de gabarito na luta agarrada.

Ryan Hall (7-1 no MMA, 3-0 no UFC) passou a se dedicar em tempo integral ao MMA somente em 2015. Antes, dividia o tempo com o jiu-jítsu de competição, mas isso mudou ao conseguir uma vaga no TUF 22. Um dos menos cotados do programa, chegou a ser eliminado nas quartas de final para Saul Rogers. Todavia, deu sorte de herdar a vaga do mesmo Rogers na final, após este ficar impedido de lutar por questões burocráticas. Não deixou a chance passar e dominou Artem Lobov, conquistando assim o contrato com a organização. Hall já tinha ficado conhecido por um vídeo que viralizou em 2011, quando imobilizou um valentão que o importunava em um jantar.

Como já mencionado, a praia de Hall é a arte suave. Hoje faixa preta, campeão mundial com e sem quimono na faixa roxa, ele possui um jogo de guarda perigoso, mas é especialista em trabalhar por cima. Até parecia ter um jogo de quedas decente mas, contra Gray Maynard, ficou claro que diante de oponentes de base mais sólida, dificilmente vai conseguir derrubar. Passou a luta se deitando e chamando Maynard para duelar no chão, virando alvo de vaias da torcida. Até venceu este combate, graças a alguns chutes bem colocados, mas esta não é uma estratégia sustentável a longo prazo. Depois disso, outro teste inconclusivo, diante de um decrépito BJ Penn, que não oferece nenhuma resistência a qualquer atleta de condicionamento profissional e acabou rapidamente finalizado.

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O salto de nível dos últimos dois veteranos vencidos por Hall para Elkins é bem considerável.“O Dano” é outro veterano, que também apresenta queda de desempenho nos últimos tempos, mas ainda consegue concorrer em bom nível. As estratégias adotadas pelo “Bruxo” contra Penn e Maynard não devem funcionar contra um wrestler decente e de bom atleticismo, como Elkins, que deve manter a luta na trocação sem maiores problemas e conquistar uma vitória por decisão. Mas, ainda que seja no chão, onde Ryan é mais perigoso, Darren também tem as ferramentas necessárias para, de forma mais arriscada, conduzir o duelo a uma vitória.

Peso Palha: Livinha Souza (BRA) vs. Brianna Van Buren (EUA)

Por Thiago Kühl

Já na sua terceira luta no maior evento do mundo, Livinha Souza (13-1 no MMA, 2-0 no UFC) fez uma boa carreira no cenário nacional e chegou ao Invicta FC em 2015 diretamente na luta pelo cinturão do peso palha. Naquela oportunidade, conquistou o título e conseguiu defendê-lo em duelo contra DeAnna Bennett. Quando se imaginava que a brasileira conseguiria a maior vitória da carreira, sofreu seu primeiro revés para Angela Hill, perdendo seu título. Após duas vitórias na organização de lutas femininas, Livinha foi contratada pelo UFC, mas viu sua estreia ser adiada devido a uma lesão na mão. Em setembro passado, ela finalmente conseguiu subir no octógono e venceu Alex Chambers ainda no primeiro round. Em sua segunda luta, em Fortaleza, teve que superar Sarah “Treta” com muitos quilos acima do peso da divisão, em uma luta em que soube se valer da maior experiência para controlar a adversária e chegar a segunda vitória.

Livinha é uma lutadora empolgante: agressiva, impondo pressão nas adversárias com certa eficiência na trocação, com capacidade de derrubar e possuindo um bom jogo de solo para encontrar finalizações. O problema da paulista é que tudo isso muitas vezes é feito de forma afobada. Algumas guilhotinas mal posicionadas e erros de aproximação custaram seu cinturão do Invicta na derrota para Hill, por exemplo. De toda forma, há espaço ainda para evolução já que, com 27 anos, Lívia mostrou que tem talento, para o qual precisa de lapidação. Na última apresentação, soube ser estratégica para superar o tamanho e a força de Sarah, o que pode ser fundamental neste sábado.

Brianna Van Buren (8-2 no MMA, 0-0 no UFC), assim como sua adversária, chega no evento após conquistar o título do Invicta FC. O título vago por Virna Jandiroba foi conquistado após Brianna vencer três lutas na mesma noite, incluindo vitórias sobre a experiente Juliana Thai na semifinal e Kailin Curran na final, há pouco mais de dois meses. Imediatamente, assinou com o UFC para substituir Cynthia Calvillo de última hora.

A americana tem um jogo muito pautado na estratégia de quedas e controle posicional, tendo oportunismo para achar finalizações e força para manter as adversárias no chão. É provável que Brianna seja a mais forte no octógono nesse final de semana, mas as brechas mostradas em alguns momentos por Ju Thai têm que ter sido endereçadas, se não poderá amargar a terceira derrota na carreira, uma vez que enfrentará concorrência muito mais qualificada que enfrentou antes – ainda mais se tratando de uma luta de três rounds (contra Ju Thai a luta teve apenas um round devido às regras do torneio).

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Pouca preparação e após dois meses de um exaustivo GP. O cenário para Brianna é bem complicado para quem irá enfrentar uma lutadora agressiva como Lívia. Outro agravante é a disposição mostrada pela brasileira em sua última luta, quando conseguiu lidar com uma diferença de tamanho considerável, como já citado.

O mais provável é que Lívia coloque sua maior agressividade para jogo e consiga deixar a americana em maus lençóis logo no início da luta. Se Brianna irá aguentar a pressão da brasileira por três rounds ou sucumbir, não é simples de prever, mas o provável é que vejamos a terceira vitória de Livinha no UFC.