Por Edição MMA Brasil | 12/07/2019 09:40

Os fãs mal se recuperaram das emoções do último fim de semana e já vem um evento bem escalado em seguida. O Golden 1 Center, casa do Sacramento Kings (NBA) na capital da Califórnia, será palco do UFC Sacramento, uma agradável exceção na constante realidade de cards fracos consecutivos a fortes pay-per-view.

A ex-campeã do peso pena Germaine de Randamie volta para a segunda apresentação desde o retorno ao peso galo contra Aspen Ladd, invicta no UFC. Na mesma categoria, mas entre os homens, o ídolo local Urijah Faber dá uma parada na aposentadoria aos 40 anos para encarar Ricky Simón, 13 anos mais jovem.

Um dos principais nomes do peso pena está de volta depois de mais uma lesão. Mirsad Bektic tem a missão de parar o nocauteador Josh Emmett para enfim alcançar o top 10. Antes deles, Karl Roberson e Wellington Turman se enfrentam pelo peso médio, enquanto Cezar Mutante encara Marvin Vettori pela mesma categoria.

O UFC Sacramento terá transmissão ao vivo e na íntegra pelo canal Combate. A primeira preliminar está marcada para começar às 18:00h, enquanto o card principal deve ir ao ar a partir das 21:00h, sempre pelo horário oficial de Brasília.

Peso Galo: #1 Germaine de Randamie (HOL) vs. #4 Aspen Ladd (EUA)

Por Rafael Oreiro

Germaine de Randamie (8-3 no MMA, 5-1 no UFC) é uma das lutadoras mais criticadas do plantel do UFC e, por consequência, é também uma das mais subestimadas. Massacrada pelo público pelo periodo de sete meses em que foi campeã dos penas femininos, quando botou diversos obstáculos para dificultar um duelo contra a (na época) indiscutível top 1 da categoria em Cristiane Cyborg. Desde então, a holandesa não conseguiu recuperar sua imagem diante dos fãs. Tudo bem que, desde ter seu título retirado, Randamie sofreu com uma lesão no joelho que só a deixou retornar na reta final de 2018 para vencer a ex-desafiante Raquel Pennington com tranquilidade, em seu retorno a divisão dos galos.

Na realidade, Randamie é uma das strikers mais condecoradas a já pisar no octógono. Ela é multicampeã no muay thai, modalidade para qual dedicou 20 anos de sua vida, tendo em seu currículo um campeonato nacional, três europeus e dez mundiais na modalidade – estes últimos em três categorias de peso diferentes. Assim, a holandesa é uma trocadora de elite, qualidade que mostrou muito bem ao vencer três rounds contra a boxeadora Holly Holm na disputa de cinturão no peso pena. Possuindo ótima noção de distância – a qual mantém com uso constante de jabs -, ela demonstra um sistema de movimentação que a ajuda a ser pouco acertável, sabendo entrar e sair sem tomar grande dano, mas pecando ainda ao não impor um maior volume de golpes em seus combates. Apesar de apresentar um clinch perigoso, de onde solta joelhadas e uppercuts a rodo, demonstra uma certa dificuldade de lidar com situações na qual é pressionada na grade e demora para conseguir reverter ou se livrar da posição. Outro aspecto positivo a se citar é o seu condicionamento físico, capaz de aguentar cinco rounds de ação e manter um bom rendimento.

A maior incógnita em seu jogo é a capacidade de evitar quedas e se defender no chão. Estes aspectos já foram problemáticos no passado, mas acabaram pouco exigidos em seus últimos combates, o que torna difícil medir seu nível atual de evolução. Por conta das qualidades de sua adversária neste sábado, é difícil imaginar que manter a luta em pé não tenha sido o foco geral do camp da holandesa.

Apontada pelo MMA Brasil como uma Top 10 do Futuro em 2017, Aspen Ladd (8-0 no MMA, 3-0 no UFC) é reconhecida atualmente como a atleta com maior potencial no peso galo feminino. Porém, devido à atual condição da categoria – que tem pouco mais de 15 lutadoras contratadas – pode ter sido colocada rápido demais no topo da divisão (é atualmente a quarta ranqueada) mesmo sem ter enfrentado uma adversária de maior nível, com vitórias sobre Lina Lansberg, Tonya Evinger e Sijara Eubanks até agora no UFC. Assim, com Ladd tendo somente 24 anos, o duelo com Randamie mostrará se a jovem americana realmente tem capacidade atual de integrar a elite da categoria, ainda mais ao lhe colocar pela primeira vez nos grandes holofotes em uma luta principal.

Faixa roxa de jiu-jítsu, Ladd tem como principal valência seu jogo de chão altamente ofensivo, com transições fluidas e diversar tentativas de finalizações. Porém, ainda inexperiente, ela por vezes se empolga demais ao tentar avançar muito rápido, perdendo posições desnecessariamente por sua ansiedade em terminar com o combate. Por cima, apresenta também um ground and pound muito violento, demonstrado perfeitamente em sua vitória sobre Lansberg. Para levar suas adversárias para o chão, usa principalmente sua força física acima da média da categoria, mas ainda com pouca técnica envolvida.

Em pé, Aspen se mostra muito inexperiente, deixando grandes brechas na defesa e descambando rapidamente para a troca franca de golpes, defeitos que mostrou repetidamente no combate com Eubanks e que não pode repetir contra oposição de nível superior. Ofensivamente, ela exibe boa potência, mas varia pouco os golpes, dando preferência para os retos, o que pode a tornar previsível. É bom deixar um alerta para sua capacidade de manter o condicionamento durante cinco rounds, uma vez que já teve problemas com corte de peso anteriormente, além de ter demonstrado alguma queda de rendimento em lutas de três assaltos.

Aspen Ladd vs Germaine De Randamie odds - BestFightOdds
 

Temos aqui um combate cujo resultado será decidido em fatores bastante óbvios. Enquanto estiver em pé, a vantagem será totalmente de Randamie, que saberá explorar facilmente as brechas de defesa da adversária e terá a superioridade técnica – contando ainda com uma vantagem de 16 centímetros na envergadura. O objetivo de Ladd será levar o combate para o chão, tendo mais facilidade para concluir este objetivo nos dois rounds iniciais, com grandes chances de finalizar a holandesa uma vez no tablado.

Imagino aqui que a ex-campeã conseguirá competir em questão de força física com a americana, barrando algumas de suas tentativas de queda e, ao menos, sobrevivendo na luta de chão. A partir do terceiro assalto, com o potencial desgaste físico de Ladd, a tendência é que Germaine de Randamie tome completamente as rédeas da luta na trocação, caminhando para uma vitória na decisão dos juízes ou em um nocaute técnico tardio.

Peso Galo: Urijah Faber (EUA) vs. #15 Ricky Simón (EUA)

Por Rodrigo Rojas

Profissional desde 2003, Urijah Faber (34-10 no MMA, 10-6 no UFC) foi um dos grandes nomes da história das categorias mais leves do MMA. Carismático e com estilo empolgante, o “California Kid” é um dos maiores responsáveis pelo ganho de notoriedade da categoria dos galos. No duelo de sábado, o californiano tenta uma volta da aposentadoria depois de quase três anos longe do octógono, lutando em sua terra natal de Sacramento.

Campeão dos galos do KOTC e dos penas do WEC, Faber enfrentou os melhores lutadores que sua geração tinha a oferecer, perdendo apenas para grandes nomes. Saiu derrotado em grandes lutas contra Frankie Edgar, José Aldo, Renan Barão e Dominick Cruz, embora tenha chegado a finalizar o último no primeiro encontro entre os dois. No auge, venceu  gente como Eddie Wineland, Takeya Mizugaki e Brian Bowles, todos ex-campeões ou desafiantes da categoria. Apesar disso, acabou sempre batendo na trave no maior palco do mundo, perdendo dois pares de disputas de cinturão, contra Cruz e Barão.

Wrestler da primeira divisão da NCAA, Faber destacou-se muito pelo jogo de grappling, sendo conhecido por seus estrangulamentos afiadíssimos – especialmente a guilhotina e o mata-leão – que viraram suas marcas registradas. As quedas e o ground and pound eram muito efetivos, mas foram prejudicadas pelo declínio na parte final de sua carreira. A trocação, apesar de não ser de elite, sempre foi de bom nível, priorizando acertar  overhands para encurtar a distância. O jogo de clinch também tinha qualidade, com boas joelhadas e cotoveladas na curta distância.

Seu atleticismo foi muito acima da média, com muita força explosiva e condicionamento excelente, apesar de ter arrefecido com a idade. O jogo completo de Faber atravessou gerações, competindo com bons nomes desde o início da última década, chegando a disputar um cinturão do UFC em 2016. Porém, a aposentadoria e o tempo parado geram muitos questionamentos para o duelo desse sábado, e as odds refletem isso.

Ex-campeão do Legacy, Ricky Simón (15-1 no MMA, 3-0 no UFC) teve passagem pelo Titan FC, onde sofreu sua única derrota na carreira, para Anderson Berinja. Depois, chegou a participar do Contender Series, quando venceu uma decisão dividida e não impressionou Dana White. Somente após conquistar o título do LFA contra Chico Camus e defendê-lo com um belo nocaute sobre Vinicius Zani ele recebeu o chamado do UFC.

Na estreia, se encaminhava para uma derrota por decisão contra Merab Dvalishvili, até que encaixou uma guilhotina e viu o árbitro interromper a luta, achando que o duro georgiano, que lutava para sobreviver, havia apagado no estrangulamento. Na luta seguinte, tornou-se o primeiro homem a bater Montel Jackson e teve o melhor desempenho da carreira ao dominar o brasileiro Rani Yahya, no começo deste ano.

Oriundo do wrestling, Simón conta com uma defesa de quedas excelente, tendo a capacidade de escolher onde suas lutas vão transcorrer. Quando cai por cima, tem um bom ground and pound e arrisca algumas finalizações, apesar de não ser dos mais ativos no chão. Em pé, tem uma movimentação ofensiva interessante e solta todos os golpes com muita potência, apesar de não ter muita proeza técnica. A defesa de golpes é pouco eficiente, com ele tendo sido muito atingido até pelo jiu-jiteiro Rani Yahya. Seu principal diferencial está nos aspectos físicos: Ricky é explosivo e forte, e seu condicionamento é suficiente para mantê-lo ativo por pelo menos três rounds.

Ricky Simon vs Urijah Faber odds - BestFightOdds
 

Tecnicamente, Faber é o lutador superior tanto em pé quando no chão. Porém, a decisão de se aposentar em 2016 foi consequência das performances cada vez piores que o americano vinha tendo, que o levaram à conclusão de que não tinha mais condições de lutar em alto nível. A idade – o “California Kid” já tem 40 anos –  e o tempo parado com certeza terão efeito sobre Urijah nesse duelo. Ricky Simón aproveitará sua condição física superior para defender as quedas e implementar seu boxe ofensivo, superando o californiano no volume e frustrando a volta de Urijah Faber na frente de sua cidade natal.

Peso Pena: #10 Josh Emmett (EUA) vs. #12 Mirsad Bektic (BIH)

Por Alexandre Matos

Baixar do peso leve para o pena foi o divisor de águas de Josh Emmett (14-2 no MMA, 5-2 no UFC). Na categoria de cima, contratado já com mais de 30 anos, ele parecia um daqueles que cumpriria uma rápida trajetória e seria dispensado. Porém, o corte de peso revelou uma potência enorme e ele passou a enfileirar corpos pelo caminho. Não nocauteou Felipe Sertanejo, mas espancou o paulista. Piores sortes ainda tiveram Ricardo Lamas e Michael Johnson, violentamente nocauteados. Ele só parou, já inserido no ranking, no igualmente bruto Jeremy Stephens.

Wrestler de origem, Emmett se juntou à academia de Urijah Faber depois de completar o ciclo na Menlo College. Em seguida, conquistou a faixa roxa de jiu-jítsu sob o comando de Fabio Pateta. Muita gente pensou que um produto clássico do Team Alpha Male desabrocharia. Que nada. O aumento de potência como peso pena transformou Emmett numa bomba-relógio capaz de nocautear com apenas um soco. A base no wrestling permite que ele mantenha os combates em pé em busca do momento decisivo. No entanto, Josh poderia variar mais seu jogo, para ser menos previsível – e isso será fundamental neste sábado.

É uma pena que as lesões tenham deixado Mirsad Bektic (13-1 no MMA, 6-1 no UFC) tanto tempo longe do octógono. Um dos prospectos mais importantes da história das categorias mais leves, o bósnio fez apenas sete lutas em cinco anos no UFC. Nas seis vitórias, o único que não apanhou pra valer foi Ricardo Lamas. Até o único que o venceu, Darren Elkins, levava uma surra antológica, com direito a um 10-7, antes de tirar da cartola um dos nocautes mais surpreendentes dos últimos tempos.

Bektic é um absoluto dínamo em ação. Enquanto tem gás, ele imprime um ritmo intenso em pé e muito pior ainda no chão. O sujeito aplica quedas brutais com facilidade e provavelmente é o dono do ground and pound mais impressionante da categoria, com excelente senso de equilíbrio para o controle posicional e a facilidade de descer socos e cotoveladas de praticamente qualquer ângulo, inclusive dentro da guarda dos rivais. A derrota para Elkins pode ter mostrado um problema de condicionamento cardiorrespiratório, mas é normal que alguém baixe o ritmo depois de dez minutos de uma sova homérica. De qualquer forma, o Bombardeiro Bósnio mostrou recuperação em seu último compromisso.

Josh Emmett vs Mirsad Bektic odds - BestFightOdds
 

Neste combate será muito importante cada um manter sua principal característica. Para Emmett, defender as quedas do europeu e forçá-lo a cometer um erro para deitar mais um. Para Bektic, arremessar mais um incauto no chão e fazer seus ossos se espalharem no tablado.

Mirsad precisará mudar sua abordagem padrão, evitando entrar em linha reta. A melhor pedida para completar quedas sem correr risco de acordar no vestiário será aplicá-las entrando em diagonal ou ainda usando combinações que façam Emmett ter que se preocupar em erguer a guarda. Beirando a possibilidade sempre real de ser nocauteado, a expectativa é que Bektic chegue à vitória na metade final da luta.

Peso Médio: Karl Roberson (EUA) vs. Wellington Turman (BRA)

Por Tiago Paiva

Após entrar como substituto de última hora em seu mais recente combate, Karl Roberson (7-2 no MMA, 2-2 no UFC) desta vez está do outro lado da moeda, já que seu oponente original, o galês John Phillips, se lesionou e teve que ser retirado do evento.

Fruto do Contender Series, onde garantiu seu contrato com o UFC após brutalizar Ryan Spann aos 15 segundos da primeira parcial via cotoveladas, Roberson obteve até o momento uma trajetória irregular na organização. Esta com duas vitórias e duas derrotas, sendo a última por finalização para o brasileiro Glover Teixeira, numa luta válida pela categoria dos meio-pesados – acima da sua divisão de peso habitual.

Ex-kickboxer profissional, inclusive tendo passagem pelo Glory – a maior organização da modalidade – o “Baby K” tende a manter as lutas na média para a longa distância, tentando capitalizar os combates por meio de contragolpes, especialmente usando as pernas por meio de chutes e joelhadas. Seu problema segue sendo a luta agarrada, que foi responsável por suas duas únicas derrotas da careira. Sua defesa de quedas também é esburacada, tendo defendido apenas 57% das tentativas que lhe foram lançadas.

Wellington Turman (15-2 no MMA, 0-0 no UFC) é um dos maiores prospectos brasileiros para a categoria até 84 quilos. O “Fofão” tem apenas 22 anos, mas luta MMA profissionalmente desde os 18 anos recém-completos. Também vale citar que o produto da Gile Ribeiro Team estreou no MMA amador com apenas 17 anos, fazendo quatro combates antes de estrear profissionalmente. Ele vem embalado numa sequência de quatro vitórias consecutivas sobre alguns nomes de valor no cenário nacional, sendo a última uma finalização no primeiro round sobre o ex-UFC Márcio Lyoto.

Faixa-marrom de jiu-jítsu, Turman possui a maior parte de suas vitórias por finalização, carro-chefe do seu jogo, mas também apresenta um eficiente boxe em linha, apostando em sequências curtas de jab e direto, mesclados com regulares chutes na linha de cintura que incomodam seus oponentes. Embora seja relativamente pequeno para a categoria, tendo apenas 1.82m, o paranaense apresenta bastante força física e explosão, além de um oportunismo que lhe renderam 11 interrupções em 15 combates na carreira.

Karl Roberson vs Wellington Turman odds - BestFightOdds

Roberson é o melhor trocador neste duelo e também se sobrepõe fisicamente sobre o brasileiro, tendo a possibilidade de conseguir a vitória caso consiga manter a luta em pé. Por outro lado, é improvável que o americano tenha melhorado sua defesa de quedas e jogo de chão em tão curto espaço de tempo.

Caso consiga ignorar a vantagem física de Karl e o peso da estreia no evento de MMA mais famoso do mundo, é possível que Turman repita a receita utilizada por Cezar Mutante em 2018: não se expor a riscos, jogar fechadinho e sempre com a guarda alta, utilizar a trocação apenas para encurtar a distância, derrubar e tentar a finalização. É neste segundo cenário em que apostamos.

Peso Médio: Marvin Vettori (ITA) vs. Cezar Mutante (BRA)

Por Thiago Kühl

Um dos poucos italianos que chegaram ao grande palco do MMA mundial, Marvin Vettori (12-4-1 no MMA, 2-2-1 no UFC) vai se mantendo no evento com resultados inconstantes. Depois de estrear com vitória sobre Alberto Uda, amargou uma derrota para Antônio Cara de Sapato e se recuperou vencendo Vitor Miranda. Em suas duas últimas lutas, um empate contra Omari Akhmedov e derrota para o agora detentor de cinturão interino Israel Adesanya. Ex-campeão do evento italiano Venator, Marvin iniciou sua carreira treinando em seu país natal, mas há anos que aprimora suas sob a batuta de Rafael Cordeiro na Kings MMA, fazendo também treinos de trocação na Tailandia.

O destaque do jogo de Vettori é o grappling pautado em boa força física, com oportunismo para finalizações. Sua trocação tem melhorado – apesar de não ter passado nem perto de causar algum tipo de problema para um gênio do calibre de Adesanya, foi suficiente para não passar vergonha e abrir espaços na vitória contra Vitor Miranda, por exemplo. Defensivamente, deixa brechas tanto em pé quanto no chão, o que se deve também a pouca experiência. Mesmo tendo vencido o último round contra Israel, mostrou em diversas oportunidades que a condição cardiorespiratória não permite que ele faça os três rounds no mesmo ritmo, um efeito da grande quantidade de massa corporal que carrega.

Cezar Mutante (13-7 no UFC, 9-5 no UFC) foi campeão da primeira edição do TUF Brasil e, desde então, conviveu com uma gangorra de momentos. Por duas vezes teve sequências de três vitórias na organização, mas também amargou derrotas violentas, como os nocautes sofridos para CB Dollaway, Sam Alvey e Jorge Masvidal. Na sua última luta no evento, não conseguiu encontrar soluções para o jogo de Ian Heinisch, interrompendo uma sequencia de duas vitórias. É fato que levantou-se muita expectativa sobre o paulista no começo de sua carreira, muito por sua relação próxima com Vitor Belfort. Porém, com o passar do tempo, Mutante se estabeleceu apenas como um valoroso lutador de meio de tabela, que pode até vir a frequentar os rankings da combalida categoria do peso médio, mas sem ter muita chance de almejar voos mais altos no evento.

Lutador que começou na capoeira, Mutante é dono de um jogo de trocação bastante interessante. No início de sua caminhada, era agressivo e possuía bom volume de golpes, mas cuidava muito mal da parte defensiva. Com o passar dos anos, soube dosar melhor as investidas e cuidar mais do queixo, que já o deixou na mão algumas vezes. No grappling possui muito oportunismo, faz bem transições e chega em bons estrangulamentos.

Cezar Ferreira vs Marvin Vettori odds - BestFightOdds
 

É interessante ver que ambos os lutadores, dentro de seus cartéis, tem lutas que podem servir de estudo para este combate, já que os adversários envolvidos naquelas oportunidades tem semelhanças com os adversários deste sábado. Vettori sofreu contra Cara de Sapato, sem conseguir achar a distancia na primeira parte da luta e, após um bom segundo round, se entregou à pressão do brasileiro no final do combate. Assim, deixou claro que o caminho para Mutante está na manutenção de distancia até o italiano se cansar, evitando a pressão e, no fim do duelo, buscar brechas para encerrar o combate. Do outro lado, temos a recente derrota de Cezar para Ian Heinisch, que conseguiu evitar os botes do brasileiro, impôs pressão e faturou uma vitória quase que tranquila na decisão.

A questão aqui é que Cezar tem muito mais possibilidade de implementar o seu jogo do que Vettori repetir a atuação de Heinisch, uma vez que o italiano não está no mesmo nível do americano. Colocadas as possibilidades, apostamos em uma vitória de Mutante por finalização lá pelo final da luta.