Por Edição MMA Brasil | 17/05/2019 10:50

Depois de gastar rios de dinheiro para legalizar o MMA no estado de Nova York, o UFC vai enchendo os fãs locais de eventos. Agora é a vez de visitar Rochester, terceira maior cidade do estado. A Blue Cross Arena receberá o UFC Rochester, décima edição no contrato com a ESPN+, evento que conta com algumas lutas importantes.

O combate principal repete a história dos dois confrontos anteriores de Rafael dos Anjos, que volta a encarar um wrestler forte, desta vez o também peso leve Kevin Lee.

Buscando a sexta vitória seguida e o ranking do peso médio, Antonio Carlos Cara de Sapato enfrenta Ian Heinisch. Pelo peso pena feminino, a ex-campeã do Invicta Megan Anderson tenta mais uma vitória no octógono contra Felicia Spencer. Antes delas, Vicente Luque defende a 15ª posição no ranking dos meios-médios contra o substituto de última hora Derrick Krantz.

Dois outros brasileiros abrem o card principal, ambos pelo peso leve. O primeiro será Davi Ramos, que enfrenta Austin Hubbard. Em seguida, Charles do Bronx enfrenta Nik Lentz pela terceira vez.

O canal Combate transmitirá o UFC Rochester ao vivo e na íntegra. O card preliminar se iniciará às 18:00h, enquanto a porção principal está marcado para começar ás 21:00h, no horário de Brasília.

Peso Meio-Médio: #3 Rafael dos Anjos (BRA) vs. #7 LW Kevin Lee (EUA)

Por Alexandre Matos

Foi bonito enquanto durou. Depois de subir de categoria e provar que tamanho não era (necessariamente) documento, Rafael dos Anjos (28-11 no MMA, 17-9 no UFC) venceu três seguidas como meio-médio, exorcizou Robbie Lawler com uma atuação magnífica e foi disputar o cinturão interino. Foi quando ficou preso na armadilha de Colby Covington e viu a chance de se tornar o primeiro brasileiro campeão de duas divisões ir pelo ralo. Em seguida, outro wrestler, desta vez o atual campeão Kamaru Usman, o barrou.

Rafael escreveu uma linda história de evolução ao lado do treinador Rafael Cordeiro. Deixou de ser um jiu-jiteiro voluntarioso para se tornar um lutador completo, com um muay thai muito agressivo e de alto volume de golpes, guiado por um condicionamento físico invejável. De quebra, usa as quedas para seguir imprimindo ritmo forte no ground and pound e, quando está no controle, é sufocante também no clinch. O problema é que toda essa volúpia se volta contra ele quando há do outro lado um wrestler fisicamente forte. Nestes casos, a pressão que Rafael imprime vira uma armadilha a qual ele tem dificuldade de se livrar. Em vez de controlar o ritmo na distância, ele acaba sugado para um duelo de força isométrica contra gente que faz isso desde a tenra infância – lastro de treino dá o tom desse tipo de revés do brasileiro.

A corrida de Kevin Lee (17-4 no MMA, 10-4 no UFC) lembra um pouco a do rival de sábado. Com nove vitórias em dez combates, ele escalou o ranking da divisão mais encardida do mundo e teve a chance pelo cinturão interino. O problema é que do outro lado estava o embalado Tony Ferguson, que soube suportar a pressão inicial antes de pegar o pescoço de Kevin. Em seguida, o “Fenômeno da Motown” aplicou uma surra canibalesca em Edson Barboza, mas teve uma atuação apática contra Al Iaquinta.

Wrestler formado na Grand Valley State University, da Divisão II da NCAA, Lee foi trazido para o MMA pela Xtreme Couture, onde desenvolveu o característico jogo da academia de boxe com wrestling, base do MMA americano. A mentalidade agressiva e a força física o conduzem a um jogo de pressão no qual o boxe funciona muito bem como ferramenta de aproximação para construir oportunidades de queda, mas o técnico Dewey Cooper poderia trabalhar melhor no seu kickboxing. Uma vez com o adversário no chão, Lee aplica um ground and pound matador e também mostra talento para submeter os adversários. No peso leve, o severo processo de corte de peso fez com que ele apresentasse queda de rendimento no final de lutas longas. Como meio-médio, esse problema não deve acontecer, o que pode fazer de Lee uma força na divisão, já que ele ainda não alcançou o auge físico e técnico, aos 26 anos.

Kevin Lee vs Rafael Dos Anjos odds - BestFightOdds

Rafael tem uma dificuldade histórica com quem imprime contrapressão, especialmente se o adversário tiver boa base de wrestling, força e condicionamento físico. Kevin tem os dois primeiros e tende a ser um motorzinho constante no peso meio-médio. A favor do brasileiro, o fato de, agora, encarar alguém de seu porte físico.

Nem é preciso reforçar que Dos Anjos deve adotar uma abordagem mais metódica e menos agressiva. Basta ver as duas derrotas recentes para confirmar que nem rola pressionar um wrestler como ele costuma fazer com strikers. Em praticamente todas as derrotas do brasileiro, o adversário usou contra ele a própria agressividade. Porém, como dito acima, o fato de haver um equilíbrio físico deve tornar o duelo bastante equilibrado. Ainda assim, estilos fazem lutas e Lee é favorecido neste embate. Vitória do americano com um daqueles 48-47 que vai fazer meio mundo reclamar do resultado.

Peso Médio: #12 Antônio Cara de Sapato (BRA) vs. Ian Heinisch (EUA)

Por Rodrigo Rojas

Um dos bons nomes brasileiros na categoria dos médios, Antônio Carlos Júnior (10-2 no MMA; 7-2 no UFC), o “Cara de Sapato”, chegou ao UFC após vencer a terceira temporada do TUF Brasil, superando Vitor Miranda por decisão unânime na final do reality show, ainda entre os pesos pesados. Em sua segunda luta, baixou de categoria e foi controlado pelo wrestling de Patrick Cummins. Então, percebeu a necessidade de nova mudança e desceu mais uma divisão, passando a atuar como peso médio. Ali, finalizou o fraco Eddie Gordon antes de ter o último percalço em sua caminhada até hoje, quando cansou de dominar o tiozão Dan Kelly e acabou nocauteado no terceiro round.

Após a péssima atuação contra Kelly, o brasileiro se encontrou na categoria e evoluiu muito seu jogo com os treinos na American Top Team. Então, enfileirou cinco oponentes, quatro deles com seu mata-leão. Na última luta, teve um excelente desempenho contra Tim Boestch, atuando muito bem em pé e derrubando o veterano wrestler, chegando à finalização ainda no primeiro round.

Campeão mundial de jiu-jítsu em sua categoria e no absoluto, com vitórias sobre lendas como Romulo Barral, Leandro Lo e Bernardo Faria, a arte suave do paraibano figura entre as melhores dentro do UFC. Apesar disso, ele já mostrou que pode ser controlado por wrestlers fortes, com suas quedas funcionando mais no ímpeto do que na técnica, além de ainda não terem sido testadas contra a elite da categoria. A trocação melhorou exponencialmente com os treinos com o amigo Júnior Cigano, hoje contando com um boxe ofensivo decente, baseado na gigantesca envergadura para a categoria e numa movimentação bastante digna, com habilidade para entrar, bater e sair, mas sempre com o objetivo de encurtar a distância e levar a luta para sua área de conforto. A capacidade de dosar as ações para conservar a energia tem evoluído, mas o condicionamento ainda não é dos melhores, assim como o jogo defensivo, já que Sapato é bastante tocado em pé e foi derrubado e brevemente controlado por lutadores medianos como Eric Spicely e Marvin Vettori.

Ian Heinisch (12-1 no MMA; 1-0 no UFC) tem uma história de vida digna de cinema e que dificilmente poderá ser resumida por aqui. Após ser condenado por tráfico de drogas, o americano fugiu para a Europa. Lá, refugiou-se por algum tempo, até ser preso novamente, pelo mesmo crime de antes. Voltando ao país de origem, acabou na ala de segurança máxima de uma das prisões mais infames do mundo – a Rikers, em Nova York.

Após treinar kickboxing e lucha canaria na prisão, Heinisch estreou no esporte profissional ainda sob condicional, em 2015. Lutou pelo extinto WSOF e chegou a disputar o cinturão linear do LFA, sendo finalizado de maneira espetacular por Markus Maluko. Mais um lutador talentoso descoberto através do Contender Series, Ian conseguiu um violento nocaute de virada no programa, chamando a atenção de Dana White e carimbando seu passaporte para a estreia no UFC, quando venceu o brasileiro Cézar Mutante por decisão unânime.

Com origem no wrestling, o americano destaca-se por sua capacidade atlética. Extremamente forte para a categoria, ele carrega potência suficiente para mudar o rumo da luta em todos os golpes que joga. A força também serve para reverter as posições no chão ou no clinch, além de também levantar quando julga necessário. Porém, o jogo em pé é muito desleixado, o que abre espaço para que seja derrubado com frequência. Na trocação, ele aposta em golpes singulares com capacidade de encerrar a luta a qualquer momento, mas peca pelo baixo volume de jogo. Heinisch mostrou-se muito ativo de costas para o chão, inclusive chegando perto de finalizar o faixa preta Cézar Mutante mais de uma vez. O bom condicionamento permite que o ataque mantenha a mesma intensidade inclusive no último round.

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O americano é muito perigoso e deve dar mais trabalho do que o esperado. Porém, Cara de Sapato tem as armas para evitar os golpes mais potentes de Heinisch e, muito provavelmente, aproveitará as inúmeras brechas de Ian na luta em pé, conseguindo levar a luta para o solo mais de uma vez. Ali, a diferença de técnica é abissal. Antônio Carlos tem habilidade para passear através da guarda do oponente, avançando posições e controlando com certa facilidade. Caso não consiga uma finalização, o brasileiro deve passar tempo suficiente por cima para levar pelo menos dois rounds, vencendo na decisão dos juízes laterais.

Peso Pena: Megan Anderson (AUS) vs. Felicia Spencer (CAN)

Por Idonaldo Filho

O UFC assinou recentemente com algumas pesos pena e aparentemente quer tentar dar vida a divisão – que até então apenas existia para abrigar Cris Cyborg. Uma já veterana no UFC com duas lutas, Megan Anderson (8-3 no MMA, 1-1 no UFC) estreou contra o alto nível do MMA de fato apenas no UFC, enfrentando Holly Holm e sendo derrotada no grappling pela campeã de boxe. Em seu segundo combate – contra uma adversária também oriunda da divisão de baixo em Cat Zingano – ela conquistou a vitória, mas esta foi bastante controversa, causada por um dedo de seu pé entrar no olho de Cat durante um chute, causando uma lesão que impossibilitou a americana de voltar ao combate.

Megan é gigante até mesmo para a categoria dos penas, obviamente necessitando de um corte de peso até que significante. Com 1,83m de altura, a australiana possui vantagem na força e na envergadura sobre a grande maioria da divisão, além de um alto poder de nocaute e habilidade no clinch ofensivo. De resto, não temos muito o que falar de bom; sua defesa é muito ruim, tanto na troca de golpes – que é desengonçada – e principalmente defendendo quedas. A australiana mostra total inabilidade de obter sucesso em uma disputa de chão contra qualquer oponente minimamente bem treinada nesta área, tendo tomado um baile de Holly Holm, que sempre foi contestada justamente no chão.

Após sua adversária neste fim de semana assinar com o UFC, Felicia Spencer (6-0 no MMA, 0-0 no UFC) se tornou a campeã do Invicta FC na categoria. A canadense fez sua carreira como profissional toda no evento exclusivo para mulheres e já atuou inclusive nos meios-médios (até 77kg) no MMA amador. Sua última luta – a que assegurou seu título no Invicta – foi contra Pam Sorenson, que acabou finalizada no quarto assalto após muito domínio de Spencer no solo, com quedas e controle posicional bem feito.

Mesmo já tendo lutado em divisões mais pesadas, Felicia não é lá tão grande com 1,68m, possuindo condições de bater o peso galo caso queira – o que a deixa em condição física desfavorável contra Megan, embora isso nunca tenha aparentemente a afetado em sua curta carreira. Bem forte, Spencer ainda se abre bastante na trocação, não se defende bem e nem é habilidosa com as mãos, mas aplica muito bem chutes,  graças a seu background como faixa-preta de taekwondo. No grappling, ela ainda precisa melhorar suas quedas, mas quando consegue levar a luta para o solo é quase que garantia de sucesso e domínio, pois a faixa-preta de jiu-jítsu é boa nas transições e sempre ameaça seja com estrangulamentos ou com o ground and pound que incomoda bastante. Para uma divisão rasa e quase inexistente fora do Bellator, Spencer é notavelmente um bom talento.

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Spencer tem um caminho claro que é levar a luta para o solo e conquistar a vitória, já que Megan é mais do que leiga no chão e só se defende com a força que tem, não possuindo nenhuma habilidade relevante no jiu-jítsu. Ainda que o combate se mantenha em pé, a canadense é mais técnica, só que a trocação seria uma área mais perigosa devido a diferença de poder e tamanho que favorece a australiana, principalmente na longa distância. Como Spencer é uma atleta paciente, a submissão deve acontecer no segundo assalto, após um primeiro de mais estudo.

Peso Meio-Médio: #15 Vicente Luque (BRA) vs. Derrick Krantz (EUA)

Por Pedro Carneiro

Vindo de uma sequência positiva que chegou a quarta vitória seguida, Vicente Luque (15-6-1 no MMA, 8-2 no UFC) prossegue sua escalada na categoria, que só teve empecilhos contra o top 15 Leon Edwards. Excetuando esse desvio de rota e a estreia com derrota, o lutador que abraça a nacionalidade brasileira e americana (e um pezinho no Chile) conseguiu oito vitórias, muitas delas em ótimos combates. Luque teve uma carreira irregular no MMA brasileiro, com um cartel de 7-4-1, tendo surgido para o UFC na vigésima primeira edição do The Ultimate Fighter, no qual as equipes rivais American Top Team e Blackzillians se confrontaram. Ali, finalizou Nathan Coy, perdeu para Hayden Hassan em uma decisão dividida e estreou com derrota no UFC contra Michael Graves. A partir daí, vieram as vacas gordas com quatro vitórias seguidas por interrupção – vingando a derrota contra Hassan, inclusive e, após o citado tropeço contra Edwards, mais quatro interrupções, destacando-se seu último compromisso contra Bryan Barberena, onde os dois lutadores fizeram uma animada guerra, com Vicente nocauteando o americano aos 4:54 do terceiro round.

O brasileiro é bom no boxe, trabalhando bem as combinações e apresentando um controle de distância eficiente. Os chutes são outro aspecto positivo no arsenal ofensivo, que é complementado com um alto poder de nocaute ao aplicar golpes com a mão esquerda. Seu wrestling é bem adaptado ao MMA e age conjuntamente com um jiu-jítsu ofensivo, com boas finalizações. Defensivamente, Luque também é eficiente e possui uma ótima absorção de golpes. Comparando o lutador irregular de anos atrás com o atual, não é um exagero afirmar que Vicente conseguiu mudar as expectativas e hoje pode ser considerado um lutador versátil e bom em várias áreas.

Derrick Krantz (22-10 no MMA, 0-0 no UFC) aceitou o desafio de enfrentar Vicente com menos de uma semana de antecedência, em virtude da saída de Neil Magny do evento, adversário original do brasileiro. Através da oportunidade, o ex-lutador da LFA pula uma etapa na carreira, já que colocaria a chance de entrar no UFC em jogo em uma luta do Contender Series nos próximos meses. O americano vem de um retrospecto de 5-1 nos últimos três anos, e talvez não tenha tantas dificuldades em bater o peso da categoria, tendo vencido Justin Patterson duas semanas atrás.

Krantz é um lutador agressivo que gosta de atacar em linha reta, tendo um bom poder de nocaute e, apesar de já ser experimentado, gosta de fazer lutas animadas. Isto porém não deve ser confundido com burrice, já que no combate contra Kassius Kayne, quando se viu em apuros na troca de golpes, Derrick soube usar o seu jogo de quedas e controle das posições para vencer uma luta que estava complicada para ele. Os problemas defensivos estão na abertura deixada enquanto solta golpes, brecha que pode ser bem explorada por Luque no sábado.

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O que seria uma luta de prognóstico interessante se transformou em uma situação onde um lado tem tudo a perder e o outro tudo a ganhar.
Tentar atrair Vicente para uma porradaria franca é o melhor caminho para Krantz, que usaria a potência dos punhos e o posterior cansaço de Luque como trunfos. As chances de cair babando são grandes, mas vimos no combate contra Barberena que o brasileiro ainda possui falhas que o expõem a um nocaute. Todavia, Vincente Luque é melhor em todas as áreas do jogo que  seu adversário, é mais técnico e potente para nocautear e bom o suficiente para conseguir uma finalização. A aposta é que a zebra não passará pelo estado de Nova Iorque e Luque saia com a mão levantada pelo juiz.

Peso Leve: #15 Charles do Bronx (BRA) vs. Nik Lentz (EUA)

Por Thiago Kühl

Charles Oliveira (26-8-0-1 no MMA, 14-8-1 NC no UFC) pode não ter evoluído da forma e na velocidade que muitos esperavam quando o talentoso grappler chegou no UFC. É fato que falhas consecutivas ao bater o peso pena e algumas derrotas na conta da diferença de força para outros lutadores com 70 quilos tornaram a vida do paulista bastante complicada no maior evento do mundo mas, após quatro vitórias nas últimas cinco lutas nos leves – sobre nomes como Clay Guida, Jim Miller e David Teymur – ele parece ter se estabelecido como uma força dentro do ranking do peso.

Recordista de finalizações dentro do UFC, Do Bronx é mestre no quesito e nem precisamos falar sobre sua qualidade e agressividade no chão. Seu jogo de quedas ficou mais forte depois da subida de peso pois, com mais força, conseguiu aumentar o número de ferramentas no seu jogo para levar a luta ao solo. No striking, tem o clássico estilo chute boxe: muita agressividade, mas muitos buracos na defesa, que deixam seu queixo exposto mais vezes que o necessário.

Nik Lentz (30-9-2-1 no MMA, 14-6-1-1 no UFC) já tem uma longa caminhada de quase 10 anos no evento, tendo tido muitos bons momentos, principalmente como peso pena, quando frequentava o top 10 da categoria e chegou a ter uma sequência de vitórias somente interrompida por Chad Mendes. Depois de voltar a divisão dos leves, chega a sua terceira luta contra Charles após voltar a emendar duas vitórias, mas sem conseguir uma verdadeira regularidade em suas atuações.

Lentz é um sujeito pequeno e forte, que consegue abafar muito bem seus oponentes, pressionando fortemente contra a grade e na troca de força. Apesar de ter capacidade para pegar desavisados tanto no grappling quanto no striking, entretanto, o problema é que quase sempre pode enfrentar gente mais talentosa em alguns dos dois aspectos. Nik sofre para manter o seu jogo de pressão funcionando, seja contra grapplers de bom nível ou contra strikers que consigam manter a distância.

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A pergunta que resta aqui é: quem achou que seria interessante marcar uma trilogia que ninguém quer ver? O atual momento de Charles não deixa dúvidas que uma nova luta contra Nik é um passo para trás. A inconsistência que tem acompanhado o americano, por outro lado, junto à dificuldade que tem em vencer lutadores talentosos, torna a vantagem do brasileiro ainda maior.

Sem muito medo de errar, apostaremos em Charles por finalização na primeira metade da luta.

Peso Galo: #6 Aspen Ladd (EUA) vs. #15 Sijara Eubanks (EUA)

Por Gustavo Lima

Em uma revanche não necessariamente descabida, mas certamente evitável, Aspen Ladd (7-0) recepcionará Sijara Eubanks (4-2) de volta ao peso galo após boa passagem da mesma entre as moscas. O último embate entre ambas foi também a despedida de cada uma das atletas do Invicta FC, tendo terminado com vitória de Ladd na decisão. Aspen partiu para estrear diretamente no plantel do UFC, enquanto Eubanks foi escalada para participar da edição número 26 do TUF, que decidiria a campeã inaugural do peso mosca – competição na qual se credenciou para a final, mas não pode competir graças a problemas com o corte de peso.

Com 24 anos, Aspen é a jovem melhor estabelecida no peso galo feminino e talvez a atleta com maior potencial evolutivo nesta faixa de peso dentro do UFC. Com duas vitórias convincentes dentro da organização, a faixa roxa de jiu-jítsu não mostrou grandes deficiências em nenhum aspecto de seu jogo em seus embates anteriores, embora tenha suado no clinch contra Tonya Evinger. Dona de força notável, Ladd é usualmente um tratorzinho no ground and pound quando por cima no chão.

Ladd, todavia, escapou de ser jogada rapidamente aos leões quando Holly Holm foi retirada do combate entre as duas, que deveria acontecer no último mês de março. Por mais que a sorridente californiana de 24 anos viva bom momento e venha em franca ascensão, há um grande salto técnico quando comparamos a ex-campeã com suas últimas duas adversárias – Lina Lansberg e Evinger. Eubanks, porém, é uma luta que não traz muitos benefícios a Aspen dentro dos rankings em caso de vitória.

Já Sijara Eubanks retorna ao peso galo após dificuldades recorrentes com o corte para os moscas, onde se deu muito bem e entrou em evidência pela primeira vez na carreira. A experiente grappler de 34 anos – faixa preta de jiu-jítsu com grande experiência em competições da arte suave – empilha três vitórias no TUF no qual participou, além dos dois duelos oficiais vencidos sob a bandeira do UFC – em cima de Roxanne Modafferi e Lauren Murphy. Vista antes do reality show como uma atleta sem nível para figurar na maior organização de MMA do mundo, “Sarj” apareceu como uma peso mosca muito rápida e forte, com wrestling cada vez mais ofensivo e polido. Em contraponto, o jogo de trocação carece de ajustes, especialmente no que diz respeito a movimentação defensiva.

Eubanks tem a chance de mostrar o que evoluiu em todo esse tempo na volta ao antigo peso, sanando as dúvidas que haviam sobre o quão imponente era sua vantagem física como mosca. Será crucial ser eficiente e gastar o mínimo possível do tanque de combustível nas investidas para derrubar Ladd, de modo com que haja preparo físico para não sucumbir ao striking da atleta mais jovem na segundo metade da batalha.

Aspen Ladd vs Sijara Eubanks odds - BestFightOdds

Para alguém que já fez isso antes e agora tem mais rodagem e experiência, é difícil acreditar que Aspen terá dificuldades em segurar o jogo de grappling da oponente. A longevidade física aqui deverá ser crucial, tal como a força para conseguir bater de frente com Sijara no chão. São oito centímetros a mais de altura para Ladd contra envergadura virtualmente similar, o que corrobora com o favoritismo da atleta do córner vermelho em pé.

Chances grandes de que essa duelo vá para a decisão, assim como o primeiro entre as duas. Favoritismo leve para Aspen Ladd, que pode ser surpreendida com a maturidade adquirida por Eubanks – que não teve o privilégio de já “nascer” dentro do MMA.