Por Edição MMA Brasil | 22/02/2019 01:25

Mais um país será desbravado na expansão internacional do UFC no próximo sábado. O octógono mais famoso do mundo será montado na O2 Arena de Praga, capital da República Checa, para o UFC Praga, também conhecido como UFC Fight Night: Blachowicz vs. Santos, a terceira incursão da organização na ESPN+ nos Estados Unidos.

Na luta principal, um confronto com um provável – e impensável – posto de desafiante do peso meio-pesado se dará quando o embalado polonês Jan Blachowicz enfrentar o também empolgado Thiago Marreta.

Outro brasileiro que se encontrou na divisão acima da sua tradicional é Marcos Rogério Pezão. O paulista, que retornou ao peso pesado em novembro, terá que olhar para cima contra o gigantesco Stefan Struve. Antes deles, Gian Villante enfrenta o polonês Michał Oleksiejczuk, enquanto os donos da casa serão representados por Lucie Pudilova, que luta com Liz Carmouche.

O maior candidato a combate da noite é o encontro dos pesos galos John Dodson e o super prospecto Petr Yan. Abre a porção principal do evento a estreia do brasileiro Klidson Abreu, que encara o talentoso Magomed Ankalaev.

Como se trata de um evento na Europa, atenção aos horários. A primeira luta preliminar está marcada para iniciar às 13:00h, enquanto o card principal terá início às 16:00h, sempre pelo horário oficial de Brasília. O canal Combate transmite o evento ao vivo e na íntegra.

Peso Meio-Pesado: #4 Jan Blachowicz (POL) vs. #6 Thiago Marreta (BRA)

Por Alexandre Matos

Lá se vão quase dois anos desde a última vez que Jan Blachowicz (23-7 no MMA, 6-4 no UFC) saiu derrotado de um combate. Após os reveses consecutivos contra Patrick Cummins e Alexander Gustafsson, o polonês emendou quatro triunfos, tirando a invencibilidade do prospecto Devin Clark, ajudando a empurrar Jared Cannonier ao peso médio, se vingando de Jimi Manuwa e atrapalhando a reestreia de Nikita Krylov.

Parte do sucesso recente de Blachowicz se dá quando ele vai treinar com o compatriota Pawel Nastula. Sob o comando do campeão olímpico de judô em 1996, Jan passou a misturar mais consistentemente seu jogo, adotando o wrestling e um surpreendente plano de ação no solo. O polaco soma sete quedas, sete passagens de guarda e duas vitórias por submissão na atual sequência positiva. Foi um belo adendo a um kickboxing que vinha se apresentando cada vez mais murcho, com pouco volume de golpes e muita previsibilidade, bastante diferente do cara que se destacou no cenário europeu antes de ser contratado pelo UFC, especialmente no ótimo KSW de seu país natal.

Quem também vive uma surpreendente boa fase, que, depois de tanto tempo, nem é mais surpreendente e talvez nem seja fase, é Thiago Marreta (20-6 no MMA, 12-5 no UFC). O ex-meio-médio virou peso médio e tinha cinco vitórias nas últimas seis lutas desde a derrota ridícula para Eric Spicely. Marreta resolveu então subir mais um degrau, mas apenas para tapar buraco contra Eryk Anders. Gostou tanto de lutar com pouco corte de peso que se manteve no meio-pesado para demolir o veterano Jimi Manuwa. Vendo Anthony Smith disputando o cinturão, Marreta, que nocauteou o americano, se empolgou para permanecer na divisão atual.

Diferentemente de Blachowicz, Marreta não precisou mudar seu plano de jogo na boa fase. Mais forte, mantendo a velocidade, ele segue com o muay thai hiper agressivo, agora com maior uso do boxe, um bom volume ofensivo, variação entre golpes na cabeça e no corpo, além de perigosos chutes. Defensivamente, o brasileiro ainda tem problemas em todas as áreas, o que é ainda mais perigoso contra concorrência fisicamente mais forte.

Jan Blachowicz vs Thiago Santos odds - BestFightOdds
 

As novas ferramentas de Blachowicz tornam este duelo tão apertado quanto indicam as odds. Se resolver trocar pau fixe, o polonês dificilmente chegará ao segundo intervalo. Porém, acredito que Jan não irá se expor dessa maneira.

Aí chegamos ao problema para o brasileiro. Embora tenha se tornado um lutador divertido, seu jogo é um tanto mapeável pela pouca probabilidade de mudança de nível. Esta previsibilidade não acontece mais com Blachowicz, que se tornou capaz de derrubar alguém com uma defesa de quedas não muito boa como a do carioca. Mais bem condicionado fisicamente, o polonês deve tentar derrubar e cansar Marreta desde o começo em busca de uma submissão no quarto ou quinto assalto, ou mesmo a vitória por decisão. Do outro lado, Thiago vai para matar, atrás de um nocaute nos primeiros dez minutos.

Odeio essa expressão, mas realmente vencerá quem impor sua vontade (ah vá). A mão coça para apostar em Marreta, mas Blachowicz andou se safando de pegadores viscerais como o brasileiro. Vou de Blachowicz por submissão no quarto assalto, no velho katagatame em cima de um Marreta exausto, mas sabendo que a possibilidade de o europeu acordar com a lanterninha do médico no olho é tão grande quanto.

Peso Pesado: #15 Stefan Struve (HOL) vs. Marcos Pezão (BRA)

Por Idonaldo Filho

O maior lutador em atividade no UFC – obviamente em estatura – é Stefan Struve (28-11 no MMA, 12-9 no UFC). O holandês de 31 anos tem 2,14m de altura, possui uma longa carreira, digna de um veterano, no UFC. Desta vez, Struve estará lutando pelo emprego, pois vem de três derrotas seguidas pela primeira vez como profissional. Em seus últimos desempenhos, mostrou fragilidade defensiva no wrestling e acabou sendo anulado por Marcin Tybura e Andrei Arlovski. Contra o oponente deste sábado, o “Arranha-Céu” terá uma vantagem de quase vinte centímetros de altura.

Grandalhão, o holandês incrivelmente falha em utilizar o que a natureza lhe deu, uma vez que mostra uma notória inépcia de como utilizar sua envergadura para se beneficiar no combate. Mesmo sempre em vantagem anatômica, deixa oponentes muito menores entrarem facilmente na curta distância, como Mark Hunt e Roy Nelson. Embora não saiba usar seus longos braços e sua técnica de defesa em pé seja ruim, as mãos de Struve são pesadas e já vitimaram oito oponentes, incluindo o ex-campeão Stipe Miocic. No solo, Stefan já mostrou certa habilidade e os longos braços e pernas ajudam, mas nem isso ele apresenta ultimamente, após ser anulado justamente no chão em suas últimas derrotas. Ele também é deficiente no jogo de quedas, tem falhas no condicionamento físico e, para piorar, teve histórico de problemas cardíacos no passado, além do queixo já ter o deixado na mão em várias oportunidades.

Marcos Pezão (16-5-1 no MMA, 5-3 no UFC) fez parte do plantel do TUF Brasil 3 como peso pesado e só não chegou na final pois o campeão Antonio Cara de Sapato o finalizou na semifinal. Logo após a estreia, ele tratou de descer para a categoria dos meios-pesados e mostrou o que era esperado, muitos problemas no chão – é bom recordar que Pezão fez carreira no kickboxing. O ano de 2017 em especial foi complicado para o brasileiro. Passando vergonha, Pezão ficou longe de bater o peso nos dois combates que fez e, embora tenha vencido o limitado Jeremy Kimball, foi vítima do estrangulamento von flue de Ovince Saint Preux e caiu na malha fina da USADA, posteriormente sendo inocentado. Subindo de categoria, fez uma luta chata contra o agora presidiário Adam Wieczorek.

Consagrado na trocação, Pezão tinha boa vantagem física na categoria até 93kg, de onde nem deveria ter saído. Caso fosse mais disciplinado com sua dieta e o corte de peso como um todo, poderia se manter nos meios-pesados, como alguns atletas maiores que ele conseguem. Agora no peso pesado, ele não tem mais a vantagem física que sempre teve e seu poder de nocaute provavelmente não é mais o mesmo. Além disso, precisará lidar contra oponentes que batem mais pesado. Agora, o trunfo de Marcos Rogério é a velocidade em comparação com a oposição que enfrenta. Para contrariar, em sua última luta ele adotou uma estratégia  surpreendente insistindo no grappling, com pressão na grade e quedas.

Marcos Rogerio De Lima vs Stefan Struve odds - BestFightOdds
 

Wieczorek é parecido com Struve, lutador grande, magro, ruim em pé e que prefere o jiu-jítsu. Por isso, acredito que o brasileiro vai tentar a mesma estratégia do último combate e deixar de lado o histórico na trocação. Pezão pode amarrar o combate, levar a luta para o solo e apenas administrar, só que aí temos um problema.

Pezão foi finalizado em três de suas cinco derrotas e mostrou muitos problemas defensivos no chão, chegando ao ponto de cair na mais tola das finalizações, que é o estrangulamento von flue. E, considerando que Struve é decente o suficiente no chão mesmo aparentando ter desaprendido, isso é um perigo. Veremos uma finalização do gigante holandês no segundo round, após o brasileiro cair de ritmo.

Peso Mosca: #6 Liz Carmouche (EUA) vs. #14 Lucie Pudilova (CZE)

Por Diego Tintin

A veterana Liz Carmouche (12-6 no MMA, 4-4 no UFC) já esteve bem próxima de conquistar os dois cinturões mais importantes do MMA feminino. No Strikeforce, ela aplicava uma pequena surra em Marloes Coenen até ser pega em um triângulo no quarto round. Já no UFC, na primeira luta feminina da história da organização, teve boa chance de finalizar Ronda Rousey antes de virar estatística em forma de chave de braço. Depois deste debute amargo no octógono, Liz vive em uma gangorra de resultados, com importantes vitórias sobre Jéssica Andrade e Katlyn Chookagian e derrotas para Miesha Tate e duas vezes para Alexis Davis.

A Girl-Rilla é uma wrestler de tenacidade e intensidade, porém acessível defensivamente, tanto na luta agarrada quanto na trocação. O preparo físico já foi um dos melhores da turma, mas ultimamente parece que há um declínio natural nesta área. Outro ponto a se destacar é o alto número de lesões que Carmouche tem enfrentado, o que tem limitado seu número de aparições no octógono.

A atleta da casa Lucie Pudilova (8-3 no MMA, 2-2 no UFC) é uma antagonista a Carmouche em vários aspectos. É jovem, prefere a luta em pé e tem lutado em boa frequência nos últimos anos. Sua estreia no UFC foi contra a antiga rival Lina Lansberg, que lhe concedeu a revanche e repetiu na Inglaterra a vitória que tinha conquistado na Suécia. Pudilova se recuperou desta (injusta) derrota  com vitórias sobre Ji Yeon Kim e Sarah Moras. Porém, voltou a sair derrotada no seu último compromisso, em um duelo empolgante e equilibrado contra Irene Aldana.

Lucie tem um bonito estilo de luta em pé, com iniciativa e criatividade. Suas combinações são interessantes, variando entre o simples jab-direto até algo mais elaborado, envolvendo chutes e cotoveladas. Um problema recorrente é que, ao ficar mais desgastada, ela passa a apostar em golpes isolados e sem fintas, que são mais fáceis de evitar. A defesa de quedas é funcional neste ponto de sua carreira, entretanto ainda não enfrentou uma especialista como Carmouche.

Liz Carmouche vs Lucie Pudilova odds - BestFightOdds
 

Enquanto a estadunidense já fez duas lutas no peso mosca, a europeia se arriscará pela primeira vez em 57 quilos. Esta adaptação já consolidada pode ser uma vantagem para Liz neste clássico grappler x striker. Em condições normais, Carmouche aproveita a dificuldade de Pudilova sustentar o ritmo e leva o duelo na decisão. Mas é bom ficar atento a uma possível queda de rendimento da veterana, que pode acontecer nesta altura da sua carreira.

Peso Galo: #9 John Dodson (EUA) vs. #14 Petr Yan (RUS)

Por Thiago Kühl

John Dodson (20-10 no MMA, 9-5 no UFC) não repete um resultado desde a trinca de vitórias contra Darrell Montague, John Moraga e Zack Machovsky entre 2013 e 2015. Após tal sequência, ele perdeu pela segunda vez para Demetrious Johnson e decidiu subir de peso e voltar à categoria na qual venceu o TUF 14. Na nova divisão, teve vitórias em cima de Manny Gamburyan, Eddie Wineland e Pedro Munhoz, intercaladas com derrotas para John Lineker, Marlon Moraes e Jimmie Rivera, esta última em luta bem monótona no UFC 228.

Houve um momento durante o reinado de Johnson no peso mosca em que se imaginava que apenas Dodson tinha condições de vencê-lo, seja por ser o único com velocidade comparável à do Mighty Mouse, seja por ter técnica e poder de nocaute suficientes para derrubar o ex-campeão. Porém, o resultado não chegou e o “The Magician” decidiu voltar à sua categoria de origem. A velocidade na movimentação dentro do octógono continua fazendo a diferença, mas contra adversários de 62kgs seu punch se mostrou menos eficiente. No lado do grappling, Dodson tem bons fundamentos: a movimentação elusiva deixa os oponentes distantes e seu nível no wrestling é bom – ele lutou na Divisão I da NCAA – mas mudar de nível e variar o jogo dificilmente tem surgido como opções para americano.

Ex-campeão do ACB, Petr Yan (11-1 no MMA, 3-0 no UFC) tem feito jus às expectativas que foram colocadas sobre ele. Após um bom nocaute contra Teruto Ishiihara, o russo venceu Jin Soo Son na decisão em uma luta bastante animada e, em seu último combate, no UFC 232, bateu o brasileiro Douglas D’Silva aplicando uma bela surra no segundo round.

Yan é um excelente striker. Ele acerta golpes dos mais variados ângulos e possui uma movimentação muito boa, tanto para encontrar caminhos para golpear, quanto também como forma de defesa de quedas. Até sua luta contra Douglas, ele aceitava levar muitos golpes, mas contra o brasileiro, soube mudar de nível e se defender melhor, melhorando o lado defensivo do seu jogo e inclusive utilizando-se do clinch para chegar em posições de controle no solo. Quando fica por cima no chão, Petr abusa das cotoveladas e de um bom controle posicional para causar muito dano nos oponentes.

John Dodson vs Petr Yan odds - BestFightOdds
 

Dodson terá muitos problemas caso o russo consiga ter o controle do octógono como fez contra Douglas. Inclusive, pela diferença de força entre ambos, o americano poderá ter um triste fim caso seja encontrado muitas vezes por Yan. Por outro lado, o ex-peso mosca é especialista em cortar ângulos para evitar ser encurralado, e suas retaliações e uppers na curta distância são boas armas para minar seus adversários, já que quase sempre tem a vantagem da velocidade na luta.

Dentre os cenários acima, imagino que o primeiro deva prevalecer, pois me parece que o americano tem ficado cada vez mais preso ao “esquema” que o deixou próximo do cinturão da categoria de baixo, e isto pode se tornar um problema contra a agressividade do russo. Dessa forma, apostamos em vitória de Petr Yan na decisão.

Peso Meio-Pesado: Magomed Ankalaev (RUS) vs. Klidson Abreu (BRA)

Por João Gabriel Gelli

Magomed Ankalaev (10-1 no MMA, 1-1 no UFC) chegou ao UFC como uma grande promessa. Tido por muitos, inclusive na equipe do MMA Brasil, como um forte candidato ao top 5 dos meios-pesados no futuro, ele teve ampla carreira amadora e fez a maior parte de sua trajetória profissional no Akhmat. Lá, participou do grand prix e se tornou o campeão da categoria, com duas defesas posteriores. As melhores vitórias em sua passagem pelo circuito regional foram contra Maxim Grishin e Wagner Caldeirão. Com um cartel de 9-0, assinou com o UFC e, depois de dominar 14:58 de sua estreia, acabou finalizado por Paul Craig em um triângulo a um segundo do fim. No entanto, se recuperou ao atropelar Marcin Prachnio no primeiro round.

Com uma base de canhoto, Ankalaev é um sólido kickboxer. Ele executa combinações básicas em bom nível e exibe algum poder de definição. Poderia ser mais ameaçador se mostrasse um volume superior de golpes, mas não luta em ritmo excessivamente lento. Também mostra a capacidade de levar o combate para o solo quando necessário. Quando está por cima, exerce um forte controle posicional e ainda pode aplicar um ground and pound destruidor. Entre alguns pontos negativos estão o fato de que não é uma ameaça em finalizações e em sua única derrota sofreu com um vacilo defensivo no quesito. Além disso, não tem uma defesa de quedas intransponível e que inclusive foi vazada pelo limitado Craig duas vezes, mas dificilmente aceita lutar por baixo por muito tempo.

Um dos nomes de maior destaque na categoria fora do UFC, Klidson Abreu (14-2 no MMA) finalmente conseguiu seu contrato com a organização quando se ofereceu para substituir Darko Stosic de última hora. O brasileiro tem um forte retrospecto, com vitórias sobre Johnny Walker e o cinturão do Brave CF na divisão. Desde uma derrota para o limitado Bruno Cappelozza em 2016, Klidson emendou seis triunfos, inclusive com sucesso recente no inóspito cenário russo, no qual superou Viktor Nemkov – maior nome em seu cartel- e o enorme peso pesado Anton Vyazigin.

Klidson tem como grande força a luta agarrada. Seu propósito sempre é levar os combates para o solo e, de lá, ele faz um ótimo trabalho de buscar finalizações, método pelo qual encerrou dez de seus combates. Quando está no chão, costuma realizar rápidas transições para as costas e também é uma ameaça quando está na montada. De pé, mostra alguma potência, mas é um tanto descoordenado em seus golpes e perde o equilíbrio com facilidade, por isso usa a trocação como um meio de encurtar a distância. No entanto, seu maior problema se encontra no wrestling, no qual não exibe o melhor tempo para entrar nas quedas e ainda é péssimo defensivamente.

Klidson Farias De Abreu vs Magomed Ankalaev odds - BestFightOdds
 

Como um recente “caçador de russos”, Klidson terá a tarefa mais difícil de sua carreira. Em pé, possui uma grande desvantagem técnica e seu wrestling não parece ser o suficiente para levar o combate para seu ponto de preferência. Dessa forma, a expectativa é que Ankalaev controle o duelo na trocação sem se expor a grandes riscos e talvez anote um nocaute no final da luta. Contudo, não se espante caso o russo aceite lutar por cima no chão ou se o brasileiro acertar o tempo de uma queda e consiga uma finalização.

Peso Leve: Rustam Khabilov (RUS) vs. Carlos Diego Ferreira (BRA)

Por Rafael Oreiro

Depois de uma ascensão meteórica ao chegar no UFC em 2012 – tendo impressionado ao vencer em sequência Yancy Medeiros, Vinc Pinchel e Jorge Masvidal – o russo Rustam Khabilov (23-3 no MMA, 9-2 no UFC) foi imediatamente comparado ao, na época ainda prospecto, Khabib Nurmagomedov. Porém, após entrar no top 15 do lotado peso leve e ser derrotado por Ben Henderson em sua primeira luta principal, Rustam nunca mais chegou a uma posição de destaque na organização. Tendo perdido também para Adriano Martins, o “Tigre” venceu seis combates em sequência desde então, todos na decisão dos juízes com desempenhos pouco impressionantes. O último triunfo veio na única luta que fez em 2018, quando bateu Kajan Johnson com placares bastante contestados pelo público.

Campeão mundial de sambô de combate, Khabilov vem usando cada vez menos seu jogo de quedas, pressão e ground and pound, muito por conta de seu condicionamento físico já não ser mais o de outrora. Hoje com 32 anos e não treinando mais na Jackson Wink MMA, o russo tem mostrado preferência pela troca de golpes em pé, área na qual mostra boa técnica e variedade de socos, mas aplica um volume baixíssimo de golpes, que também não são muito velozes. Ele possui dificuldade principalmente ao enfrentar adversários que tenham um bom controle de distância e não o permitem se aproximar facilmente no infighting. Quando tem necessidade de roubar a vantagem em um assalto, Rustam recorre ao seu jogo de quedas, que ainda tem um ótimo timing, apesar de não ser mais tão explosivo. No chão, ele por vezes deixa brechas gigantes para botes de finalização, o que pode ser sua derrocada neste combate.

Falando em lutadores que chegaram no UFC e rapidamente se destacaram na organização, Carlos Diego Ferreira (14-2 no MMA, 5-2 no UFC) não teve vida fácil desde sua estreia em 2014. Depois de conseguir interrupções rápidas em suas duas primeiras lutas no octógono, o manauara encarou Beneil Dariush e Dustin Poirier em sequência, perdendo para o primeiro na decisão e sendo nocauteado pelo segundo. Então, se recuperando da série de derrotas ao vencer Olivier Aubin-Mercier, Ferreira foi pego em um exame antidoping e suspenso por 17 meses pela USADA. Retornando somente em 2018, já relativamente esquecido pela grande massa de fãs, emendou vitórias por nocaute em cima dos menos talentosos Jared Gordon e Kyle Nelson.

Há muito tempo treinando na Fortis MMA, Diego Ferreira é um dínamo ofensivamente. Em pé, o brasileiro gosta de imprimir pressão na troca de golpes, nunca lançando um golpe singular e tendo predileção por terminar suas combinações com chutes. Sua técnica de boxe não é tão refinada, e ele costuma deixar grandes brechas na guarda quando golpeia na curta distância. Faixa preta terceiro dan de jiu-jítsu, Carlos possui um jogo de chão bastante agressivo, buscando transições rápidas para a montada ou as costas, não abrindo mão de golpear para abrir mais facilmente o caminho. Porém, ao não possuir tanta facilidade ao tentar levar o combate para o chão, ele demonstra seu talento para a luta agarrada na maioria das vezes de costas para o chão, dificultando a vida de seus adversários com vários botes de finalização e tentativas de raspagem.

Diego Ferreira vs Rustam Khabilov odds - BestFightOdds
 

Apesar de todos os últimos combates de Khabilov terem sido chatíssimos, a presença de Carlos Diego deve garantir uma boa movimentação para a luta. Para o russo, a melhor estratégia seria cozinhar o confronto no primeiro assalto, buscando gastar o condicionamento físico do brasileiro, que diminuiria o ritmo em pé e não apresentaria tanto perigo por baixo no chão. Para Carlos – já que uma queda sobre o campeão de sambô é bem improvável – o plano deveria usar chutes e combinações de golpes longos, não se deixando cair na trocação no pocket.

Não é nada improvável que vejamos Diego Ferreira finalizando após um vacilo de Rustam no chão, ou até que o brasileiro acabe sendo mais ativo em pé e leve uma decisão apertada dos juízes. Porém, Khabilov tem capacidade para explorar os buracos de seu oponente em pé, além de poder recorrer ao jogo de quedas e abafar o combate no chão. Assim, vejo o russo saindo vencedor da peleja após a leitura das papeletas.