Por Edição MMA Brasil | 15/02/2019 00:02

Bem antes do encorpado confronto entre Cain Velásquez e Francis Ngannou, um card preliminar bem recheado foi montado para o UFC Phoenix deste domingo, evento que marca a estreia da organização no canal principal da ESPN americana. Com isso, o MMA Brasil reuniu para análise as quatro lutas mais relevantes da porção inicial da noite.

Liderando o card preliminar, veremos o confronto entre dois tops do peso galo em Jimmie Rivera e Aljamain Sterling, em combate que pode deixar o vencedor bem mais próximo de uma chance pelo cinturão. Antes disso, acontecerá um combate de jovens prospectos na divisão dos penas, entre Benito Lopez e Manny Bermudez.

Em outro combate preliminar que reúne ranqueadas, Ashlee Evans-Smith e Andrea Lee batalham para adentrar no top 10 das moscas. Enquanto isso, em uma das primeiras lutas do evento, Renan Barão buscará se recuperar da atual sequência de três derrotas seguidas, provavelmente lutando por seu emprego contra Luke Sanders, no peso galo.

Peso Galo: #5 Jimmie Rivera (EUA) vs. #7 Aljamain Sterling (EUA)

Por Idonaldo Filho

Na lista das lutas mais esperadas do evento esta pode até correr por fora, mas traz uma interessante rivalidade entre ex-campeões do CFFC que não se bicam.

Jimmie Rivera (22-2 no MMA, 6-1 no UFC) já poderia ser considerado um lutador rodado antes mesmo de entrar no UFC, tendo participado do TUF 14 e passado por diversos eventos tradicionais como o Bellator, WSOF, KOTC e Ring of the Cage. Na atual organização, o atleta da Tiger Schulmann’s MMA teve sua ascensão interrompida por Marlon Moraes de forma brutal, mas se recuperou recentemente ao bater John Dodson.

O “El Terror” é um lutador baixo mas muito forte, biotipo que é muito compatível com o seu jogo de pressão encardido e preferência nítida pela curta distância, onde demonstra um boxe potente e técnico, embora não muito plástico. Todavia, é o suficiente para frustrar os adversários, imprimindo um ritmo que é muito difícil de se quebrar. Seu wrestling também é uma ferramenta utilizada nos combates, sempre com um timing impecável para pegar os adversários de surpresa, conseguindo inclusive quedas de grande amplitude. Uma coisa na qual ainda poderia melhorar é sua defesa, já que muitas vezes ele se descuida e dá brechas quando se empolga ao atacar.

Aljamain Sterling (16-3 no MMA, 8-3 no UFC) – membro da Serra-Longo Fight Team – entrou no UFC como prospecto e se tornou realidade, já tendo se afirmado no top 10 da categoria, embora ainda lhe falte “aquela” vitória para poder alçar voos mais altos – esta que pode vir neste domingo. “Aljo” vem de duas vitórias consecutivas em cima de Brett Johns e Cody Stamman – tendo feito papel de porteiro – e agora recebe um desafio mais condizente ao enfrentar um lutador da parte de cima do ranking. Vale lembrar que em sua última derrota, Sterling levou uma joelhada monstruosa de Marlon Moraes e caiu de forma atabalhoada e excêntrica, inclusive posteriormente rindo de si mesmo.

Boa envergadura e grande atleticismo aliado a um preparo físico fenomenal são pontos onde Sterling é superior a quase todos os seus adversários. O americano vem evoluindo cada vez mais, e a trocação que por muito tempo só se baseou em chutes fracos de longa distância, vem melhorando. Mas o que devemos sempre ressaltar é o ótimo wrestling que foi muito bem trabalhado durante o período competitivo na universidade, sem falar no jiu-jítsu que já era bonito pelas transições e agora vai ficando mais belo ainda pelas finalizações. Sua última foi um Suloev Stretch, que só ficou meio apagada por que o hypado Zabit Magomedsharipov conseguiu a mesma finalização, na mesma noite, e de forma um pouco mais impressionante.

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Os dois lutadores vem da mesma modalidade e há muito tempo queriam lutar entre si, já que são rivais desde antes de assinarem com o UFC, e devem proporcionar um duelo curioso. Sterling é o melhor grappler, embora Rivera tenha um jogo de pressão ainda superior ao de Bryan Caraway, que venceu Aljo.

Fica a dúvida se os dois vão se respeitar e fazer um combate morno em pé após se anularem por serem ambos wrestlers, ou se algum deles conseguirá vantagem sobre o outro no domínio de clinch ou até mesmo quedando. Acho que veremos a primeira opção, e Rivera consegue a vitória na decisão por margem mínima.

Peso Galo: Benito Lopez (EUA) vs. Manny Bermudez (EUA)

Por Rafael Oreiro

Um dos muitos Alpha Males atualmente no UFC, Benito Lopez (9-0 no MMA, 1-0 no UFC) retornará ao octógono depois de passar o ano de 2018 encostado devido a uma lesão no tornozelo. O “Garoto de Ouro” chegou a organização em 2017 por meio do Contender Series – depois de passagens por organizações como o Bellator e o King of The Cage, onde construiu um cartel invicto e recheado de vitórias por interrupção no primeiro assalto. No programa revelador de talentos para o UFC, ele impressionou ao fazer uma luta bastante empolgante contra Steven Peterson e, logo após garantir seu contrato, foi rapidamente casado para enfrentar Albert Morales – vencendo o combate em uma decisão bastante criticada pelo público.

Lopez é um atleta que busca ao máximo ser atrativo para os fãs, apresentando um estilo de luta bastante ofensivo e plástico. Apesar de possuir uma boa envergadura e ter a capacidade para trocar golpes em uma distância longa de forma mais segura – usando um jab bastante decente – ele prefere pressionar seu adversário desde o início. Soltando combinações diversas entre socos e chutes e mostrando certa predileção pela joelhada voadora, ele espaça algumas blitz durante o tempo de round, explodindo para soltar combinar o máximo de golpes possível quando sente cheiro de sangue. Devido a esse estilo, o sistema defensivo de Benito é quase inexistente, com ele se expondo completamente quando entra em modo de ataque e, além disso, diminuindo o ritmo de luta de acordo com o passar dos minutos, se cansando ao tentar impor pressão.

Não usando muito o grappling de forma ofensiva, sua defesa de quedas quando de costas para a grade é boa, mas ele se expõe demais por vezes ao tentar golpes plásticos demais, podendo tranquilamente ser levado ao chão por um oponente de melhor nível. Quando de costas para o chão, ele é bastante limitado, mostrando saber somente o básico para se defender de algumas posições.

Manny Bermudez (13-0 no MMA, 2-0 no UFC) é um jovem nome que vem atraindo atenção depois de duas boas vitórias em suas primeiras lutas no UFC. Considerado por alguns anos o melhor peso galo da região americana de New England, o “Triângulo das Bermudas” começou sua carreira no CES MMA e no Cage Titans, conquistando 11 vitórias até receber o chamado da maior organização de artes marciais mistas do mundo. Chegando no UFC em fevereiro de 2018, ele emendou duas finalizações em sequência sobre os mais experientes Albert Morales e Davey Grant.

Treinando na pouco conhecida South Shore Sportfighting, Bermudez – que atualmente divide seu tempo entre a academia e a faculdade de gestão de negócios – não possui material humano de qualidade para realizar um camp de treinamento, condição totalmente diferente de seu adversário neste evento.

O jovem de somente 24 anos tem como sua principal virtude o jogo de chão, apresentando um jiu-jítsu bastante agressivo nas transições e nos botes de finalização. Ele é principalmente perigoso nas tentativas de guilhotina e triângulo, tanto por cima quanto de costas para o tablado. Porém, ainda com muito para evoluir, Manny por vezes se empolga demais ao tentar avançar posições, abrindo espaço para o adversário se levantar ou conseguir uma raspagem. Em pé, o americano é bastante cru, mostrando boa noção de distância, mas com pouca variedade de combinações e golpes, além de um sistema defensivo bastante duvidável. Seu wrestling é bom, mas ele normalmente se precipita demais ao tentar quedas, tendo dificuldade para achar o timing correto.

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Este é um confronto que será vencido pelo lutador que conseguir se manter longe do ponto forte do oponente. Enquanto Bermudez tem altas chances de conseguir uma finalização se conseguir arrastar o combate para o chão, Lopez deve levar vantagem na troca de golpes em pé e tem capacidade para conquistar um nocaute.

Em um confronto entre dois jovens ainda inexperientes e com pouca noção defensiva, qualquer das duas opções é igualmente provável. Porém, imagino que – como a disputa de wrestling deve definir o resultado do combate – Benito tenha perícia para se evadir das tentativas de queda telegrafadas de Bermudez, podendo até encaixar uma joelhada caso acerte o timing da entrada. Assim, com a crença de que Lopez virá com a defesa de quedas preparada após seu camp de treinamento, acredito que o Alpha Male consiga a vitória na decisão dos juízes.

Peso Mosca: #11 Ashlee Evans-Smith (EUA) vs. #13 Andrea Lee (EUA)

Por Bruno Costa

Ashlee Evans-Smith (6-3 no MMA, 3-3 no UFC) busca sua segunda vitória seguida como peso mosca após uma corrida inconsistente na categoria dos galos no UFC – onde conquistou somente duas vitórias em cinco lutas, em cima de Marion Reneau e Veronica Macedo.

Uma wrestler muito agressiva, com pouca mentalidade defensiva e com menos inteligência de luta do que o recomendável, ela baseia seu jogo no entorno de uma capacidade física incomum às suas competidoras – fator que pode ser amplificado agora na nova divisão.

A “Garota Rebelde” frequentemente apresenta problemas em traçar ou seguir plano de jogo para combates contra adversárias de bom nível. Embora seja bem versada na troca de golpes, que tem como maior funcionalidade exercer pressão sobre as oponentes, Ashlee não é especialista na área. Também aparenta se desconcentrar em diversas ocasiões de transições no chão, eventualmente se expondo a tentativas de finalização.

Andrea Lee (9-2 no MMA, 1-0 no UFC) é uma kickboxer experiente e de bom nível, que parece confortável trocando golpes com competência na longa distância ao utilizar jabs e chutes frontais constantes, mas tem no trabalho de clinch sua principal arma. A “KGB” tem uma boa defesa enquanto o combate se mantém na troca de golpes em pé e. quando atingida, demonstra ter queixo suficiente para seguir em frente no combate mesmo diante de dificuldades. Boa grappler ofensivamente, Lee acumulou quatro vitórias por finalização na carreira profissional e exibe bom nível de controle posicional a partir de quedas que saem do trabalho no clinch. Contudo, ela tem a defesa de quedas vazada e muitas dificuldades em trabalhar para sair das posições de desvantagem quando de costas para o chão.

Ainda fica a se verificar o estado emocional e técnico em que Andrea se apresentará, uma vez que foi vítima de violência de seu ex-marido e treinador – que a acompanhava desde o início da carreira profissional – e terá seu primeiro compromisso no octógono desde o desagradável ocorrido.

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Prognósticos do combate são difíceis por se tratarem de lutadoras de nível parecido, com bons instintos de ataque, mas defesas desguarnecidas em alguns pontos. Como Smith depende muito de exercer domínio físico sobre as adversárias para garantir suas vitórias, a “KGB” tende a fazer jogo duro por ser tão forte quanto a oponente.

Como Andrea Lee parece ter menos falhas defensivas e maior poder de concentração, a aposta é que saia vitoriosa finalizando o combate no segundo round, após um movimentado início de luta.

Peso Galo: Renan Barão (BRA) vs. Luke Sanders (EUA)

Por Pedro Carneiro

Renan Barão (34-7 no MMA, 9-6 no UFC) é um dos maiores casos de queda de rendimento já vistos na história do MMA. Campeão com três defesas de cinturão, nove anos de invencibilidade, listado como um dos 5 melhores lutadores peso por peso do mundo, tudo isso foi terraplanado por TJ Dillashaw no traumatizante UFC 173 em 2014. Como se não fosse suficiente, o potiguar repetiu a dose e o resultado acachapante um ano depois. Daí pra frente parece até que outro lutador assumiu o corpo do ex-campeão, que conseguiu apenas uma vitória em cinco lutas nos últimos três anos, e sem nenhum sinal de melhora significativa no desempenho do brasileiro.

Barão era um lutador que unia bem o controle de distância com golpes potentes, sejam os socos ou os chutes baixos. As combinações eram criativas e a confiança era impositiva nas lutas. Na luta agarrada, o jiu-jítsu era agressivo e a defesa de quedas era eficiente, uma das marcas do período de ouro da Nova União. Porém, o novo Barão é um lutador reticente, lento, que abandonou a defesa de quedas e confia mais na sua absorção de golpes que qualquer outra coisa. Havia uma esperança de que o intercambio na American Top Team, na Flórida, pudesse ressuscitar o antigo campeão, porém infelizmente os recentes resultados não permitem tal afirmação.

Vindo de derrota para Rani Yahya, Luke Sanders (12-3 no MMA, 2-3 no UFC) precisa de uma vitória para se manter no UFC e evitar uma possível passagem no RH da empresa. Lutador com certo potencial, o texano tem um estilo dinâmico em pé, se movimentando bastante e atacando usando principalmente as mãos. Sanders também é rápido e possui um condicionamento que o permite lutar os 15 minutos bem. Suas maiores dificuldades estão nas brechas que deixa tanto em pé quanto no chão, e em suas combinações que, por serem repetitivas, acabam se tornando facilmente evitadas pelos oponentes. Esses problemas resultaram nas derrotas para Iuri Marajó e Andre Soukhamthath, que frearam a pequena expectativa que foi gerada na sua estreia contra Maximo Blanco, em 2016.

Luke Sanders vs Renan Barao odds - BestFightOdds
 

Se Renan Barão apresentar minimamente as características do lutador que já foi, pode vencer o combate por nocaute ou finalização, afinal tem recursos e Sanders dá diversas brechas para isso. Todavia, o cenário atual não é tão otimista, e Sanders deve usar sua movimentação e combinações velozes para vencer a luta na decisão dos juízes.