Por Edição MMA Brasil | 16/02/2019 01:51

Data duplamente histórica no próximo domingo. Pela primeira vez, um card principal do UFC será exibido ao vivo na ESPN americana. O UFC Phoenix, que acontecerá na Talking Stick Resort Arena, casa do Phoenix Suns, na capital do estado do Arizona, foi montado para bater de frente com o All-Star Game da NBA.

O outro fato histórico do evento está em sua luta principal, a chave para a concorrência com o basquete. O monstruoso pegador Francis Ngannou, número três do ranking dos pesados, tenta dar mais um passo na recuperação rumo à nova disputa de título. Para impedi-lo, o retorno do ex-campeão Cain Velasquez depois de dois anos e meio de ausência.

Outros cinco duelos animados foram bem escolhidos para completar o card na ESPN. Valendo o avanço no top 10 mais insano do MMA, James Vick e Paul Felder prometem duelo violento. Antes deles, as ativas Cortney Casey e Cynthia Calvillo medem forças no peso palha. A aguardada estreia de Kron Gracie, filho do maior nome da história do jiu-jítsu, Rickson Gracie, acontecerá contra o “Bruce Leroy” Alex Caceres. Um interessante duelo de estilos confrontará Vicente Luque com Bryan Barberena, enquanto a chinela deve cantar ardida na luta que abre o card principal entre Myles Jury e Andre Fili.

O UFC Phoenix terá transmissão ao vivo e na íntegra pelo canal Combate. O card preliminar está marcado para se iniciar as 19:30h, enquanto a porção principal irá ao ar as 23:00h, no Horário de Brasília – já sem o horário de verão.

Peso Pesado: #3 Francis Ngannou (FRA) vs. Cain Velásquez (EUA)

Por Alexandre Matos

Francis Ngannou

Depois de fazer a luta mais desgraçadamente ruim da história moderna da organização – contra Derrick Lewis, no UFC 226 – Francis Ngannou (12-3 no MMA, 7-2 no UFC) era um homem numa missão em novembro, na China. Do outro lado do planeta, ele fez o que melhor sabe: deitar corpos no chão. A vítima da vez foi um velho conhecido, Curtis Blaydes, que já havia levado uma sova da besta-fera camaronesa dois anos e meio antes. O resultado serviu para recuperar a moral de Ngannou depois do par de derrotas em atuações lamentáveis (a primeira foi na disputa do cinturão contra Stipe Miocic).

Luta após luta, Ngannou vai se reinventando nos treinos no UFC Performance Institute. Não que ele esteja se tornando um novo lutador, mas já é possível afirmar que deixou de ser aquele cavalo que confiava apenas na força bruta. Ele continua um cavalo, mas consegue trabalhar combinações dentro de uma movimentação melhorada, em busca de abrir uma brecha para depositar os punhos batizados pelo sete-pele no queixo de um incauto. Deste modo, torna-se menos previsível, embora ainda tenha um longo caminho em outras áreas para se tornar realmente imprevisível, especialmente no wrestling, tanto o ofensivo quanto o defensivo. O condicionamento cardiorrespiratório também precisa dar uma resposta. Em resumo: os principais pontos falhos do jogo de Ngannou serão testados neste domingo de um modo que ele nunca viu na vida.

Parece mentira, mas reza a lenda que Cain Velásquez (14-2 no MMA, 12-2 no UFC) estará em ação no domingo – ainda falta tempo para o maior derrubador de lutas sofrer um novo problema (socorro deus me livre esconjuro isola saravá três vezes). É preciso puxar pela lembrança da última vez que o ex-campeão esteve em ação. Foi no UFC 200, em julho de 2016, no sacode aplicado em Travis Browne. Foi a primeira luta depois da derrota para Fabricio Werdum, quando Velásquez errou tudo o que podia numa mal ajambrada viagem para o México. Foram suas duas únicas lutas em quase cinco anos e meio.

Não tivesse estado às voltas com inúmeras contusões e cirurgias, estaríamos aqui falando do maior peso pesado que o MMA já viu. Velásquez simplesmente não sabe o que é vencer civilizadamente: todas as suas 14 vitórias aconteceram molestando violentamente os adversários. Não teve um que saiu derrotado sem levar uma coça homérica. Isso acontece porque Cain é (ou era, sei lá) uma aberração da natureza, um peso pesado capaz de operar no ritmo de um peso leve e de amassar carnes e ossos como poucos entre seus pares de peso. Um sujeito veloz e explosivo, que consegue transitar do kickboxing para o wrestling num piscar de olhos. Um camarada que, em condições normais, só para de atacar ao soar da buzina ou quando o árbitro interrompe. Um lutador que fez da curta distância um local de terror para os rivais.

Cain Velasquez vs Francis Ngannou odds - BestFightOdds
 

Não há em todo o MMA um confronto de estilos tão cruel para Ngannou quanto Velásquez. O americano é capaz de expor todas as deficiências do africano de uma só vez. As odds só estão um tanto próximas porque Cain já se apresentou mal depois de longos hiatos mais de uma vez. Em condições normais, não seria exagero algum apostar que Francis seria executado.

O cruzado de Cigano que derrubou Velásquez pode se repetir neste domingo, mesmo em forma de uppercut. Se o americano vacilar na passada ou estiver com a mobilidade deficiente, o cavalo do cão provavelmente o enviará para a mais profunda das valas com passagem só de ida. No entanto, Ngannou tem que ficar muito ligado em como fará essa abordagem, uma vez que se aproximar muito de Velásquez é pedir para transar em filme de terror.

A diferença de dez centímetros de altura e 15 de envergadura devem ser utilizadas com sabedoria por Ngannou. Como a diferença de velocidade e de fluxo de golpes é atroz em favor de Velásquez, o camaronês terá que ser cirúrgico para encontrar o botão liga-desliga do ex-campeão. E ainda terá que ficar atento quando encurralar Cain, já que este é especialista nas quedas da grade para o centro, onde executa um ground and pound que suga anos de vida da vítima.

Se o cenário de Cigano-Velásquez I pode se repetir, o de Miocic-Ngannou também. Embora ressabiado com a falta de ritmo, é neste último cenário que reside a minha aposta. Cain Velásquez vai ligar o modo turbina, derrubar Ngannou e aniquilá-lo no ground and pound na riding position.

Peso Leve: #10 James Vick (EUA) vs. #14 Paul Felder (EUA)

Por Diego Tintin

James Vick (13-2 no MMA, 9-2 no UFC) é uma revelação do TUF 15 que, apesar de seu notório talento, teve dificuldades em se firmar como um sólido top 15 do UFC. Isso aconteceu, principalmente, por conta das muitas lesões que enfrentou. O texano emendou duas boas sequências dentro da organização, a primeira com cinco vitórias e a segunda com quatro, interrompidas por derrotas para Beneil Dariush e Justin Gaethje, esta última em sua mais recente aparição no octógono. Entre suas vítimas estão bons nomes como Joseph Duffy, Francisco Massaranduba e Jake Matthews.

O “Texecutioner” fica mais confortável na luta em pé, concentrando seus golpes nos punhos. Ele aproveita seu tamanho colossal para um peso leve – com braços longos e mãos velozes – para ter um ótimo controle de distância. Na luta agarrada, Vick é faixa azul de jiu-jítsu, pupilo do lendário Lloyd Irvin. Ele consegue se virar bem na luta de solo, embora não seja um especialista e não tenha o costume de tentar derrubar seus oponentes. Outra característica positiva é o oportunismo, possuindo poder de definição via nocaute ou mesmo aproveitando momentos agudos para capturar pescoços alheios.

No início de sua jornada no octógono, Paul Felder (15-4 no MMA, 7-4 no UFC) era visto como um nocauteador criativo, mas ainda gerava desconfiança por trazer uma instabilidade típica dos jovens. Um lindo nocaute via soco rodado sobre Danny Castillo e uma troca de chumbo pesado com Edson Barboza (apesar da derrota) foram suficientes para colocá-lo no radar do densamente povoado peso leve. A trajetória é de mais vitórias que derrotas, porém, sempre que desafiado a mudar de nível, Felder sucumbiu. Massaranduba e Mike Perry impediram em oportunidades diferentes que ele se fixasse dentro do ranking da divisão.

O Dragão Irlandês é um striker mais habituado a contra-ataques, que abusa da criatividade em chutes e socos inesperados e eficientes. Ostenta faixa preta de taekwon-do e caratê e, baseado na movimentação destas artes, confunde os oponentes e semeia oportunidades de contragolpes. Esta postura ainda é uma eficiente forma de escapar de ataques e tentativas de quedas quando necessário. Seu wrestling defensivo ainda necessita de evolução, mas não é tão fácil derrubá-lo simplesmente por ser difícil pressioná-lo. Paul é graduado ainda com a faixa roxa de jiu-jítsu e apresenta uma perceptível evolução para se defender e retornar à luta em pé, após passar alguns sufocos no início da carreira.

James Vick vs Paul Felder odds - BestFightOdds
 

Temos aqui uma promessa de luta animada e tensa entre um especialista em chutes criativos e um trocador mais ortodoxo, baseado na boa e velha nobre arte. Como os dois habitam a mesma casta na divisão e com alguns anos de bons serviços prestados, é até surpreendente que não tenha surgido antes a ideia de convocá-los para este duelo. Vick parece ter um pouco mais de volume de golpes, além de um sistema defensivo mais confiável. Com mais dúvidas que certezas, apostamos aqui em uma vitória de James por decisão.

Peso Palha: #11 Cortney Casey (EUA) vs. #12 Cynthia Calvillo (EUA)

Por Matheus Costa

Lutando para manter manter alguma estabilidade na maior organização de MMA do mundo, Cortney Casey (8-6 no MMA, 4-5 no UFC) tem a difícil missão de vencer uma das melhores lutadoras da categoria. Conhecida por sua inconsistência na carreira, Casey vem de uma vitória bem questionável sobre Angela Hill, por decisão dividida, encerrando umaa má fase de três derrotas em quatro lutas. Entretanto, a lutadora não consegue emplacar uma sequência que transmita confiança e uma derrota para Calvillo pode muito bem a deixar em uma situação complicada na divisão.

A base do jogo de Cortney Casey é o jiu-jítsu, arte na qual mostra bom controle posicional e boas transições. Porém, cada vez mais, ela se tem buscado manter as lutas em pé, utilizando-se de sua avantajada estatura em comparação com o restante das lutadoras do peso palha. Sua defesa de quedas não é nada espetacular, fator que poderá ser preocupante para o confronto deste domingo, pois Casey precisará evitar que sua adversária consiga levar o combate para o chão.

Cynthia Calvillo (7-1 no MMA, 4-1 no UFC) é uma estrela em ascensão na categoria das palhas, que ainda batalha para se consolidar como uma das tops da categoria. Depois de sua primeira derrota na carreira em um combate bem disputado contra a ex-campeã Carla Esparza, a californiana se recuperou ao atropelar a brasileira Poliana Botelho com uma finalização no final do primeiro round, em atuação de alto nível.

A lutadora de 31 anos é especialista na luta agarrada e tem evoluído cada vez mais na troca de golpes. A base de seu jogo é a incansável pressão que impõe a suas adversárias, principalmente colocando-as de costas para a grade. No jiu-jítsu, Calvillo possui ótimo controle posicional e tem enorme facilidade nas transições. A atleta da Team Alpha Male é muito agressiva e sempre busca brechas para finalizar suas lutas, geralmente mostrando superioridade na área com relação a suas adversárias.

Cortney Casey vs Cynthia Calvillo odds - BestFightOdds
 

Cortney precisa manter a luta em pé para ter alguma chance de vitória, usando sua envergadura para manter a distância e ditar o ritmo do combate. Porém, essa tarefa será bem complicada. A pressão e o ritmo de Calvillo costumam furar qualquer bloqueio e, sinceramente, presumo que terão efetividade em mais uma vez. Imaginando que Cynthia deverá encurtar com facilidade e dominar por cima, aposto na sua vitória por finalização até o segundo round.

Peso Pena: Alex Caceres (EUA) vs. Kron Gracie (BRA)

Por Thiago Kühl

Alex Caceres (14-11 no MMA, 9-9 no UFC) já está na organização há quase 9 anos – se contarmos sua participação no TUF 12 – e, desde sempre, se mostrou um lutador muito irregular. Seu cartel é um grande perde-ganha e, muitas vezes, ele desafia a lógica nos resultados de suas lutas. Caceres já deu trabalho para gente muito boa e passou perrengue contra lutadores de nível bem duvidoso. Sem lutar muito nos últimos tempos e, tendo vencido apelas os limitados Martin Bravo e Rolando Dy desde 2016, ele mantém seu emprego por entreter em suas atuações e não por seu nível técnico. Uma derrota neste domingo, contra um estreante de nome, talvez não seja o suficiente para sua demissão, mas ficar com o cartel negativo na maior organização do mundo é um passo grande para o RH.

Bruce Leeroy é um bom trocador, que sabe manter a distância, tem capacidade para lançar golpes plásticos, se movimenta bem e até consegue imprimir algum volume. No solo, não é cego, mas nada perto do nível do seu adversário. O problema está em todo o resto. A defesa, seja em pé, parando quedas ou no solo, não é grande coisa. Ele para golpes com a cara, é derrubado sem grande dificuldade e tem um QI de luta questionável, muitas vezes tomando decisões no mínimo imbecis. Quem lembra da estabanada tentativa de finalização no semi-nocauteado Martin Bravo, que quase lhe custou a vitória? Sugiro reverem, é hilário.

Filho de uma das maiores lendas do MMA, Kron Gracie (4-0 no MMA, 0-0 no UFC) chega na maior organização do mundo carregando o nome da família responsável pela criação do jiu-jítsu e do próprio UFC. Com apenas quatro lutas profissionais e afastado dos combates desde o final de 2016, o filho de Rickson fez sua carreira de MMA inteira no Japão, vencendo três concorrentes bem ruins e um decadente Tatsuya Kawajiri.

Campeão europeu e do ADCC, Kron é (pasmem) dono de um jiu-jitsu de elite. Outra informação que pode surpreender muitos é que a trocação deste Gracie é bem rudimentar. No oriente, ele se valeu de overhands e clinchs desajeitados para se aproximar e levar seus adversários ao solo, algumas vezes puxando os incautos para a guarda. De seu habitat natural, conseguiu finalizações em todos os seus combates. Para não ser injusto na análise, é possível que nesse período de 2 anos parado, os constantes treinos com os irmãos Diaz tenham colocado seu jogo em pé em nível suficiente para o maior palco do MMA mundial.

Alex Caceres vs Kron Gracie odds - BestFightOdds
 

Caceres é um lutador na medida para a estreia de Kron. Burro o suficiente para deixar o brasileiro se aproximar, ele será presa fácil se a luta chegar ao solo, o que por si já justifica a posição de azarão do americano nas casas de apostas. Por outro lado, é impossível deixar de lado a inexperiência e inatividade do Gracie. Assim, uma vitória de Alex não pode ser tomada como uma grande surpresa. De toda forma, apostando na falta de inteligência de Bruce Leeroy, devemos ver a quinta finalização de Kron em cinco lutas profissionais.

Peso Meio-Médio: Vicente Luque (BRA) vs. Bryan Barberena (USA)

Por Pedro Carneiro

Vindo de 3 vitórias seguidas, Vicente Luque (15-6-1 no MMA, 7-2 no UFC) prossegue sua escalada na categoria, que só teve empecilhos contra o top 15 Leon Edwards. É de se destacar que Luque teve uma carreira bem irregular no cenário nacional, com um cartel de 7-4-1, não havia muita expectativa sobre ele até o momento em que recebeu a oportunidade de participar da vigésima primeira edição do The Ultimate Fighter, no qual as equipes rivais American Top Team e Blackzilians se confrontaram. Após finalizar Nathan Coy, perder pra Hayden Hassan na decisão dividida e ser derrotado por Michael Graves em sua estreia no UFC, Vicente venceu quatro lutas seguidas com interrupções – uma delas tendo sido inclusive uma revanche contra Hassan. Seu retrospecto recente também é de lutas que foram no máximo ao segundo round, e não é um exagero afirmar que Luque conseguiu mudar o cenário e hoje é pode ser considerado um lutador versátil e bom em várias áreas.

O brasileiro é bom no boxe, trabalhando bem as combinações e apresentando um controle de distância eficiente. Os chutes são outro aspecto positivo no arsenal ofensivo, que é complementado com um alto poder de nocaute ao aplicar golpes com a mão esquerda. O wrestling é bem adaptado ao MMA e age conjuntamente com um jiu-jítsu ofensivo, com boas finalizações. Defensivamente, Luque também é eficiente e possui uma ótima absorção de golpes. Se for bem orientado e tiver uma boa gestão na carreira, o brasileiro poderá ter um futuro promissor no UFC.

Bryan Barberena (14-5 no MMA, 5-3 no UFC) se tornou conhecido pelos fãs de MMA depois de vencer Sage Northcutt e Warlley Alves, ambos na época apontados como prospectos na categoria. Desde então, o descendente de colombianos alternou as vitórias em cima de Joe Proctor e Jake Ellenberger com as derrotas para Colby Covington e Leon Edwards.

Barberena tem como destaque o seu jogo de chão, onde as quedas são bem-feitas, o ground and pound é razoável e as finalizações são variadas e mostrando bastante oportunismo. A luta em pé é mais baseada na vontade, porém serve como pressão para usar o clinch e se aproveitar da força física para bater no dirty boxing e tentar quedas. Bryan é um lutador ardiloso, que mesmo sem possuir um jogo vistoso, consegue capitalizar nas brechas que os adversários deixam,  principalmente no chão. Porém, os seus punhos não deveriam ser subestimados já que, das suas 14 vitórias, 10 foram por nocaute ou nocaute técnico. Lutando na categoria dos meio-médios, o barbudo também não terá tanto desgaste no corte de peso, beneficiando o preparo físico que é necessário para um lutador que precisa tanto da força isométrica.

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Apesar de ter um bom arsenal de finalizações, Barberena enfrentará um adversário que se vira muito bem no chão. Além disso, Bryan se vê em apuros quando é pressionado, e é justamente essa a proposta de Vicente. O brasileiro tem superioridade na luta em pé, mostrando força e pressão para não deixar Barberena em paz e possuindo bons recursos defensivos para não sucumbir as finalizações do americano. A aposta é que Vicente Luque consiga um nocaute lá pelo segundo round.

Peso Pena: Andre Fili (EUA) vs. Myles Jury (EUA)

Por Thiago Kühl

Andre Fili (18-6 no MMA, 6-5 no UFC) chegou ao UFC no auge da Team Alpha Male, mas nunca foi um lutador do nível dos membros da academia de Urijah Faber. O californiano venceu nomes da casta baixa do peso pena, como Artem Lobov, Jeremy Larsen e Gabriel Benitez e perdeu quando colocado frente a frente com talentos ascendentes, como Max Holloway, Yair Rodriguez e Calvin Kattar. Do ponto de vista do entretenimento, por outro lado, Fili nunca deixou de entregar bons combates. Seja na derrota para Michael Johnson ou na vitória em cima Felipe Sertanejo, ele sempre entregou combates interessantes e movimentados.

Mesmo sem o destaque dos outros parceiros de treino, Fili sempre mostrou um jogo interessante. Muito ofensivo, com bom volume de golpes e considerável precisão, ele possui boxe para incomodar os incautos. Sua defesa não acompanha o nível do ataque, com “Touchy” sendo um daqueles que sempre acaba as lutas com o rosto inchado, já que tem o péssimo hábito de defender golpes com a cabeça. Pelo lado do grappling, Andre parece ter evoluído nas últimas lutas, tendo conseguido derrubar Dennis Bermudez algumas vezes e dando bastante canseira em Johnson no chão, quase conseguindo uma finalização. Porém, tal qual no jogo em pé, sua defesa de quedas e finalizações é mais esburacada.

Myles “Fury” Jury (17-3 no MMA, 8-3 no UFC), assim como seu adversário, surgiu como um bom prospecto, sendo cotado inclusive para ser um membro da elite do peso leve. Entretanto, lesões e derrotas chave diminuíram bastante essa expectativa. Em seu último combate, Jury recepcionou Chad Mendes no retorno de sua suspensão, sofrendo um belo nocaute ainda no primeiro round. O resultado jogou Myles alguns passos para trás e não permitiu uma nova passagem de bastão na categoria.

Pupilo do excelente Eric Del Fierro, Jury tem uma trocação de alto nível, conseguindo soltar os mais diversos tipos de golpes na distância, principalmente contra o corpo de seus adversários. Ele possui uma movimentação bastante elusiva, aproveitando bem o espaço do octógono para encurralar os adversários. Tem bastante potência no ground and pound para causar estragos e seu grappling é sólido. Myles consegue encontrar quedas contra oponentes menos versados no wrestling e é oportunista para encerrar as lutas no chão. Jury ainda tem espaço, aos 30 anos, para avançar e subir de nível, mesmo que as expectativas não sejam as mesmas do início da carreira.

Andre Fili vs Myles Jury odds - BestFightOdds
 

A luta que abre o card principal promete ser muito boa. Com dois strikers de bom nível, é provável que tenhamos ao menos um round intenso. A questão é que Fili se lança ao ataque de forma aberta muitas vezes. o que é um ótimo defeito para o contragolpeador Jury aproveitar. Como Andre não tem um poder de nocaute como do seu parceiro Chad Mendes, será difícil conseguir parar Fury com um golpe solitário. Assim, acreditando na precisão e movimentação de Myles, apostaremos em sua vitória por decisão ou interrupção tardia.