Por Edição MMA Brasil | 03/05/2019 02:00

Pela segunda vez desde 2016, quando estreou na cidade, o octógono mais famoso do mundo aterrissa em Ottawa, capital do Canadá. O Canadian Tire Centre, casa do Ottawa Senators, da NHL, será palco do UFC Ottawa, nono evento exibido na plataforma de streaming da ESPN nos Estados Unidos, que terá duelos importantes para o desenvolvimento de algumas categorias.

Liderando o curto card de 11 lutas, Al Iaquinta tenta se manter como integrante da elite mais competitiva do MMA diante do velho guerreiro Donald Cerrone, em sua segunda luta após retornar ao peso leve.

No constante tema de passagem de bastão do peso pena, o veterano Cub Swanson encara Shane Burgos. Na categoria abaixo, o georgiano Merab Dvalishvili faz duelo promissor contra Brad Katona. Derek Brunson encara o local Elias Theodorou, pelo peso médio, enquanto Walt Harris pega Sergey Spivak, pelos pesados. Abrindo o card principal, o campeão meio-pesado do TKO Marc-André Barriault estreia no UFC baixando de categoria contra o vencedor do TUF 23, Andrew Sanchez.

O UFC Fight Night: Iaquinta vs. Cowboy terá transmissão ao vivo e na íntegra pelo canal Combate, tendo seu início marcado para as 18:00h e seu card principal começando a partir das 21:00h, no Horário de Brasília.

Peso Leve: #4 Al Iaquinta (EUA) vs. #8 Donald Cerrone (EUA)

Por Alexandre Matos

Num certo momento, parecia que as lesões fariam com que Al Iaquinta (14-4-1 no MMA, 9-4 no UFC) nunca atingisse o ponto que pelo menos eu sempre acreditei, fadado ao meio de tabela da divisão dos leves. Porém, um acontecimento fora do padrão mudou tudo. Depois que Tony Ferguson e Max Holloway não conseguiram se manter saudáveis para o UFC 233, caiu no colo de Iaquinta a indigesta tarefa de trocar Paul Felder por Khabib Nurmagomedov de véspera, saindo de uma luta preliminar de três rounds para uma disputa de cinturão. Obviamente Al levou um vareio, mas a atuação corajosa lhe encheu de brios para retornar com uma importante vitória sobre Kevin Lee, em dezembro.

Hoje é possível verificar o talento de Iaquinta contra os melhores. De origem no sistema do ex-campeão Pat Miletich, Alexander é um lutador ofensivamente completo, com um boxe versátil, boas quedas e sólido jogo de chão. Ray Longo fez com ele um bom trabalho tático na troca de golpes: Iaquinta consegue se manter em pressão sabendo dosar o volume e variar o alvo, atacando bastante o corpo, que é um ponto de falha de seu oponente. Por outro lado, Matt Serra, seu outro treinador, ainda não conseguiu melhorar o grappling defensivo de seu pupilo, o que é um sonoro ponto de alerta para este confronto. O temperamento, que lhe rendeu o justo apelido de “Furioso”, até o atrapalha menos em ação do que deveria, já que ele consegue manter o prumo mental na maior parte das ocasiões.

Praticamente uma tradução literal do conceito de funcionário do mês, Donald Cerrone (35-11 no MMA, 22-8 no UFC) é o tipo de cara que aceita qualquer luta, a qualquer momento. Isso rendeu uma grande quantidade de derrotas – são quatro nas últimas sete lutas -, mas fez dele desafiante do cinturão dos leves e o recordista de vitórias na história do UFC. De volta ao peso leve, após três derrotas seguidas como meio-médio, conseguiu suportar pressão inicial para nocautear o prospecto Alexander Hernandez.

Em traços gerais, Cerrone se assemelha a Iaquinta. O “Cowboy” também é ofensivamente muito versátil, com a diferença de preferir o kickboxing ao boxe na luta em pé. Seu wrestling é subestimado e vem sendo mais utilizado nos últimos tempos. O jiu-jítsu é altamente oportunista e proveitoso, inclusive por baixo, quando as longas pernas são úteis para providenciais triângulos. Assim como Iaquinta, o sistema defensivo de Cerrone é problemático: ele é suscetível a golpes na linha de cintura, se expõe entre uma ação ofensiva e a próxima e, embora tenha melhorado num ponto da carreira, não é o mais indicado a defender quedas.

Al Iaquinta vs Donald Cerrone odds - BestFightOdds

Um duelo com tais características ofensivas e defensivas tem tudo para se desenrolar como um ótimo entretenimento.

O começo mais lento de Cerrone deve ser uma boa oportunidade para Iaquinta implementar pressão. Numa luta mais longa, as quase 30 lutas a mais do “Cowboy”, somadas aos quatro anos a mais e a nítida incapacidade de atuar por mais de 15 minutos em alto nível, dão a Iaquinta uma vantagem.

Enfrentar alguém mais alto e com maior alcance não é novidade para Iaquinta, que encarou desafio semelhante na polêmica luta contra Jorge Masvidal. Para o baixinho, entradas e saídas constantes, ganchos na região abdominal e momentos de pressão intensa são as chaves para deixar Donald em situação incômoda. Por outro lado, uma brecha de Iaquinta deverá ser a oportunidade de Cerrone capitalizar uma finalização. Entre “Cowboy” por submissão no segundo assalto ou “Furioso” por decisão, fico com o segundo.

Peso Médio: #9 Derek Brunson (EUA) vs. #13 Elias Theodorou (CAN)

Por Thiago Kühl

Derek Brunson (18-7 no MMA, 9-5 no UFC) se transformou num clássico porteiro do topo da divisão. Desde que chegou ao UFC, venceu todas as lutas contra gente que aspirava chegar próximo da parte alta do ranking e contra aqueles que não tinham nível para isso. Quem passou pelo americano ou já era um lutador consolidado, como Yoel Romero e Ronaldo Jacaré, ou se mostrou digno do topo da divisão, como Robert Whitaker e Israel Adesanya. Talvez a exceção seja feita à sua vitória contra Lyoto Machida mas, naquele momento, o Dragão já estava em declínio.

Tal qual seu adversário da noite, Brunson tem um histórico de lutador chato. Porém, deixou para trás a figura de wrestler unidimensional e desenvolveu um striking potente e bem alinhado. O início de carreira focado no grappling reflete sua base formada na Divisão II da NCAA, tendo sido All American por três oportunidades. Para o jogo mais agressivo de hoje em dia, ele adicionou uma base invertida interessante e usa seu poder de derrubar corpos acima da média. O condicionamento de Brunson é bastante interessante, não ficando quicando na ponta dos pés por 15 minutos, mas conseguindo levar as lutas para a distância se necessário.

Elias Theodorou (16-2 no MMA, 8-2 no UFC) vem com boa sequência de três vitórias consecutivas, saindo com o braço levantado em cinco das últimas seis oportunidades nas quais esteve no octógono. A fama de lutador pouco empolgante vem do dom do canadense de transformar qualquer luta em um marasmo sem fim e carregar seus adversários para 15 minutos de clinch, chutes sem muita potência e meia dúzia de quedas – agarrando uma série de vitórias em decisões que normalmente irritam os presentes nas arenas.

Theodorou consegue aplicar seu jogo baseado em uma consciência tática muito rígida, sem abandonar a estratégia nem cair nas armadilhas de seus adversários e partir para a pancadaria. Mantendo um volume de chutes e uma movimentação, ele atrapalha as tentativas dos lutadores de impor seus ritmos. Quando o plano A falha, o canadense abusa do clinch e usa algumas quedas para abaixar a temperatura do combate com controle posicional. O condicionamento físico também é de bom nível, fazendo Elias chegar aos rounds finais normalmente com mais gás que os oponentes. Os problemas aparecem quando enfrenta lutadores tão, ou mais, fortes que ele e que consigam imprimir alto volume de golpes, colocando o canadense fora da sua zona de conforto.

Derek Brunson vs Elias Theodorou odds - BestFightOdds

Por sorte essa luta não foi marcada há quatro anos, se não estaríamos diante de um provável episódio dantesco da história do MMA, já que ficaríamos vendo uma troca de força interminável no clinch, alternada com tentativas de queda. Com a evolução de Brunson na trocação e o gosto que tomou por estirar corpos, apostamos que o americano será o responsável por conferir a Elias sua primeira derrota pela via rápida dolorosa, em algum momento do segundo round.

Peso Pena: #10 Cub Swanson (EUA) vs. Shane Burgos (EUA)

Por Rodrigo Rojas

Cub Swanson (25-10 no MMA, 10-6 no UFC) não está em boa fase. Após três derrotas seguidas – duas delas para jovens prospectos da divisão – o veterano tenta se recuperar, aceitando seu papel como teste para lutadores ascendentes.

Oriundo do extinto WEC, onde disputou o cinturão contra José Aldo, o californiano estreou no UFC sendo finalizado por Ricardo Lamas. Após isso, engatou seis vitórias seguidas, incluindo oponentes como Charles do Bronx, Jeremy Stephens e o atual campeão interino dos leves, Dustin Poirier. Então, foi parado pelos gigantes da categoria Max Holloway e Frankie Edgar. Cub ainda conquistou uma modesta sequência de quatro vitórias contra oponentes de menor nível, até chegar na atual má fase.

Com origem no boxe, Swanson tem um jogo bastante completo. Seus pontos mais fracos são o wrestling e o grappling defensivo, que falham contra a elite da divisão. Apesar da faixa preta de jiu-jítsu, quase todas suas derrotas foram por finalização. Na última luta, demonstrou sinais de declínio físico ao ser derrubado por um jab de Renato Moicano, o que é normal para alguém com a idade e a quilometragem de Cub no MMA.

O principal talento do Killer Cub é na luta em pé. O boxe é alinhado e preciso, utilizando-se de combinações velozes e potentes e uma defesa bastante sólida. Ele também arrisca golpes mais plásticos, como chutes mirabolantes e quedas de judô de grande amplitude. O problema é quando ele é pressionado por adversários mais velozes e com maior volume de golpes, situação na qual Cub acaba se perdendo em sua defesa e pode acabar suplantado.

Shane Burgos (11-1 no MMA; 4-1 no UFC) tem o maior desafio de sua carreira pela frente. O nova-iorquino de 28 anos estreou no UFC passando por cima de Tiago Trator. Depois, nocauteou Charles Rosa em uma luta dura e conseguiu sua principal vitória, ao espancar o brasileiro Godofredo Pepey. Burgos foi parado em uma batalha de prospectos contra Calvin Kattar, mas recuperou-se com uma finalização rápida sobre Kurt Hollobaugh, após receber um knockdown.

Um dos maiores prospectos dos penas, Shane foi destaque do Top 10 do Futuro do MMA Brasil. Alto e com boa envergadura para a divisão, Burgos conta com um boxe preciso e com alta pressão, o que pode incomodar o adversário desse sábado. As mãos hábeis são apoiadas por uma defesa de quedas bastante sólida, além de um bom jiu-jítsu ofensivo, que lhe rendeu cinco vitórias por finalização.

Burgos pode se complicar em trocas de golpes mais extensas – como foi evidenciado em suas duas últimas lutas – e a defesa de golpes, apesar de bonita, pode ser trespassada por strikers versáteis. Ele ainda mostrou boa capacidade de recuperação contra Holobaugh, quando levou um violento knockdown e ainda assim conseguiu finalizar o adversário em seguida, além de boa resistência ao engolir golpes duríssimos de Kattar e não se render.

Cub Swanson vs Shane Burgos odds - BestFightOdds

O duelo de sábado é de difícil prognóstico, já que coloca um lutador em franca evolução contra um veterano em fase de declínio.  A luta deve transcorrer majoritariamente em pé, com altas doses de entretenimento. Nesse cenário, Burgos tem pressão suficiente para acertar o combalido queixo de Swanson e conseguir knockdowns ou até uma finalização com o adversário já avariado. Portanto, sua vitória não seria surpreendente. Ainda assim, a aposta é no lutador mais completo e mais experiente. Cub deve utilizar sua trocação mais versátil para acertar os melhores golpes, levando a vitória nas papeletas dos jurados em uma luta bastante animada.

Peso Galo: Brad Katona (CAN) vs. Merab Dvalishvili (GEO)

Por Rafael Oreiro

Uma das únicas coisas boas saídas do TUF nos últimos anos, Brad Katona (8-0 no MMA, 2-0 no UFC) teve que suar para vencer a temporada de número 27 do reality show, no peso pena. Fazendo parte de um elenco bastante talentoso, ele conseguiu passar por cima da boa desvantagem de envergadura e força para vencer Kyler Phillips e Bryce Mitchell, chegando na final para dominar completamente Jay Cucciniello e garantir seu contrato com o UFC. Em sua primeira luta após contratado, ele já recebeu um adversário de bom nível no ex-ranqueado Matthew Lopez, luta na qual teve novamente uma atuação interessante e acabou vencendo nos pontos após quase conseguir uma finalização nos instantes finais.

O “Super-Homem” começou muito cedo no mundo das artes marciais, chegando a faixa preta tanto no jiu-jítsu quanto no caratê shotokan. Buscando se tornar um lutador de MMA, começou a frequentar times universitários de wrestling e boxe, chegando até ao título de Golden Hands canadense em 2013. Mesmo se mantendo invicto desde o começo de sua carreira em 2014, Katona buscou sair de sua zona de conforto e se mudou para a Irlanda para treinar com John Kavanagh na SBG Ireland. Ele se destaca por ser um lutador inteligente, capaz de seguir um plano de luta ou de fazer alterações pontuais durante o confronto, além de possuir um jogo bem desenvolvido em todas as áreas de combate.

Katona possui um bom boxe, mas nada que seja excepcional, se mostrando bem rápido nas combinações quando chega na curta distância, mas abrindo grandes espaços para ser contragolpeado quando se encontra em uma distância mais longa. Também possui um wrestling decente, capaz de levar para o chão oposição de nível mediano, mas com a defesa de quedas ainda necessitando ser testada contra oposição de melhor nível – seu adversário neste sábado já promete uma dificuldade a mais neste quesito. No chão, possui facilidade em tentar botes para finalização, tanto por cima quanto por baixo.

Tendo chegado no UFC com boas expectativas e o título de campeão do Ring of Combat – bom celeiro de talentos do UFC – Merab Dvalishvili (8-4 no MMA, 1-2 no UFC) sofreu com obstáculos até chegar a sua primeira vitória na organização. Fazendo sua estreia no octógono, o georgiano recebeu como adversário – o recém saído do top 15 – Frankie Saenz, para quem acabou perdendo em uma decisão dividida bem contestada. Na sequência, foi casado para enfrentar o também prospecto Ricky Simón, em luta cujo final também foi bastante polêmico. Caminhando para uma vitória nos pontos, Dvalishvili acabou caindo em uma guilhotina nos momentos finais da luta e, mesmo sem o confronto ter sido interrompido, acabou sendo declarado derrotado por nocaute técnico após avaliação posterior do juiz. Recebendo uma terceira chance ao enfrentar Terrion Ware em setembro de 2018, finalmente conseguiu a vitória com uma performance burocrática.

Atleta da Serra-Longo Fight Team, Merab é um atleta extremamente bruto e físico, tendo como grande destaque seu jogo de pressão e quedas. Faixa preta de judô e antigo competidor de sambô amador, o georgiano avança incessantemente durante o combate, na maior parte do tempo buscando levar a luta para o chão. Porém, quando consegue as projeções, possui dificuldade com seu controle posicional, normalmente deixando seu adversário se levantar sem tanta dificuldade. Em pé, Dvalishvili é também agressivo e costuma sempre andar para a frente, mas possui um repertório de golpes limitado e um pouco lento para a categoria, o tornando ligeiramente previsível. Sua grande potência nos punhos equilibra esse fator, podendo desequilibrar um combate, mas ele também se mostra particularmente vulnerável em situações de troca de golpes no pocket – sendo muito acertado por joelhadas. Por fim, o jogo de pressão constante costuma lhe cobrar um preço, com seu rendimento podendo cair bastante na parcial final.

Brad Katona vs Merab Dvalishvili odds - BestFightOdds

Como indicam as odds, este é um casamento complicado para Katona, mas nada impossível. Melhor boxeador do que Merab, o canadense deverá vir preparado para se movimentar bastante no octógono e impedir a aproximação do georgiano, sabendo muito bem a hora de entrar e sair para não se deixar exposto a uma entrada de queda.

A tendência é que, com base em seu jogo físico de pressão, Dvalishvili consiga dominar e vencer a primeira parcial. Daí pra frente, a luta se tornará bem mais equilibrada, com seu resultado dependendo bastante da capacidade de Katona de se movimentar e levantar quando for derrubado – ou de conseguir alguma finalização no processo. Em uma apertada decisão dos juízes, Merab Dvalishvili tem mais chances de sair vencedor.

Peso Pesado: Walt Harris (EUA) vs. Sergey Spivak (UKR)

Por Idonaldo Filho

Não é exagero dizer que, aos 35 anos, Walt Harris (12-7 no MMA, 5-6 no UFC) está na melhor fase de sua irregular carreira. O “The Big Ticket” teve uma primeira passagem esquecível pelo evento, perdendo duas lutas, mas logo foi recontratado para substituir Daniel Omielanczuk. Ele acabou perdendo na nova oportunidade, mas ainda teve mais chances e, evoluindo um pouco, foi crescendo no evento, se consolidando como um lutador razoavelmente acima do nível péssimo da grande maioria dos pesados no elenco. A sequência atual é de duas vitórias seguidas, um nocaute contra o horrível Daniel Spitz e, por último, um triunfo na decisão dividida em uma luta sem vergonha ao vencer Andrei Arlovski.

Muitos falam da passagem de Harris no basquete, mas poucos lembram que o americano é campeão do Golden Gloves – campeonato de boxe amador nos Estados Unidos – e, portanto, tem certo background na nobre arte, mesmo que notavelmente seja um dos piores do UFC com tal credencial. Harris possui habilidade atlética digna, o que lhe credita uma maior velocidade além da potência que obviamente um sujeito de seu tamanho possui nos golpes. Ele geralmente utiliza seus punhos como principal arma, optando também por alguns chutes baixos, mas sem tanta insistência. Porém, seus defeitos são nítidos: o condicionamento dele é pavoroso e, no chão, Harris é de faixa transparente. Para piorar, o americano também não mostra muita inteligência em suas decisões, com isso já tendo lhe custado uma derrota para Mark Godbeer, quando continuou golpeando mesmo após o árbitro ter pedido para que a luta parasse.

O primeiro membro do “De Olho no Futuro” a assinar com o UFC – após possivelmente Dana White consultar nosso site – Sergey Spivak (9-0 no MMA, 0-0 no UFC) vem da Ucrânia, onde foi campeão do WWFC e com apenas 24 anos – vencendo dois dos maiores veteranos do MMA mundial em Tony Lopez e Travis Fulton, que somam 402 lutas em suas carreiras. Sua contratação aconteceu devido a realocação de seu compatriota Alexey Oleinik e, embora não esteja nas condições ideais de preparo, certamente veremos um nome que pode ter impacto na divisão a médio-longo prazo.

Muito agressivo, Spivak tem muita noção de quando manter a luta tranquila e, principalmente, de quando acelerar, quando se transforma em uma máquina. Com boa habilidade em todas as vertentes do MMA – esporte no qual ele entrou diretamente – o ucraniano é bom trocador e tem potência natural, mas ainda precisa de adicionar mais volume e refino técnico, que naturalmente devem aparecer com a experiência e idade. O jogo de quedas ainda mostra certo afobamento, mas é efetivo e, no solo, suas transições são boas. O ground and pound constante e poderoso é a sua principal opção para encerrar o combate, além de estrangulamentos grosseiros típicos desse pessoal do leste europeu. Resta saber como ele vai atuar contra oposição do nível que existe no líder do mercado, e se a pouca idade será um empecilho frente aos veteranos.

Sergey Spivak vs Walt Harris odds - BestFightOdds

Confesso que estranho muito o favoritismo de Harris por boa parte da mídia e dos oddmakers. Óbvio que não é impossível uma vitória do americano, que é dono de uma trocação até decente para a categoria, principalmente na primeira metade do combate. Entretanto, é mais do que conhecido que Harris é totalmente unidimensional e, um oponente como Spivak – que não é bobo nem em pé e muito menos no solo – é um problema gigante para o americano. Sergey deverá mostrar o porquê de ser considerado como um dos principais prospectos do mercado, finalizando o combate ainda no primeiro assalto.

Peso Pesado: Arjan Bhullar (CAN) vs. Juan Adams (EUA)

Por Bruno Costa

A esperança depositada sobre Arjan Bhullar (8-1 no MMA, 2-1 no UFC) antes de sua estreia no octógono era significativa, afinal de contas não surge a todo o momento no combalido peso pesado um atleta olímpico – o wrestler descendente de indianos representou o Canadá nos jogos de 2012.

Além do bom histórico em alto nível no esporte de origem, Buhllar tem o amparo de uma academia de excelência no que tange a transformar wrestlers pesos pesados em máquinas de destruição, sendo companheiro de treinos de Cain Velasquez e Daniel Cormier na AKA durante os camps de treinamentos.

Apesar do histórico esportivo e dos companheiros de treinos, Bhullar ainda não impressionou no octógono. Sua trocação é ainda rudimentar, dependendo muito de overhands e cruzados que servem basicamente como meio de aproximação para as tentativas de quedas. O trabalho de controle posicional ainda precisa de melhoras, assim como o jiu-jítsu defensivo – o maravilhoso feito alcançado de ser finalizado numa omoplata pelo fraco Adam Wieczorek atesta para isso. A falta de confiança em manter o adversário sob controle de costas para o chão custa até mesmo falta de agressividade e eficiência no ground and pound, menos violento do que o necessário na faixa de peso.

Um jovem prospecto para a categoria, Juan Adams (5-0 no MMA, 1-0 no UFC) é um lutador bizarramente gigante e com atleticismo mais do que suficiente para um peso pesado, embora ainda necessite de polimento e ajustes ao seu jogo.

O que se percebe com facilidade nas pouca lutas de amostra que se possui de Adams, é a velocidade anormal para um sujeito do seu tamanho se movimentar e trabalhar com golpes retos. A simples sequência de jab-direto sem muita proteção defensiva costuma funcionar muito bem para o americano, ao menos enquanto enfrentar adversários menos dotados de técnica e com potência física inferior à sua. O cenário ideal para trabalhar ofensivamente se dá quando obtém sucesso em colocar o adversário de costas para o solo e trabalha o ground and pound muito agressivo, em busca da interrupção do combate.

Em seu primeiro compromisso no octógono, passou pela primeira vez pela provação de passar dos cinco minutos de combate. A notícia boa é que o preparo físico pareceu em dia para um sujeito de quase dois metros de altura e aproximadamente cento e trinta e cinco quilos, tendo apresentado boa recuperação após uma queda de rendimento perfeitamente comum no segundo round.

Arjan Bhullar vs Juan Adams odds - BestFightOdds

Para o duelo de sábado, Bhullar depende de uma luta perfeita pela totalidade dos três rounds para sair vitorioso, uma vez que não parece ter efetividade o suficiente para conseguir nocautear ou finalizar o combate, e também terá problemas para quebrar o controle de distância e grande vantagem física do adversário. Para Adams, será um teste importante em que precisa evitar superexposição desnecessária e testar o grappling defensivo, a fim de se impor física e tecnicamente. A aposta é que o gigante americano consiga resistir às investidas de Bhullar, se defenda com competência no início do combate e consiga a interrupção na segunda metade da luta, partindo de um knockdown e terminando o serviço no ground and pound.