Por Diego Tintin | 04/04/2013 23:30

UFC On FUEL TV 9

A Ericsson Globe, maior edificação em formato hemisférico do mundo, localizado em Estocolmo, na Suécia, receberá mais um evento do UFC, cerca de um ano depois da primeira aparição da maior organização de MMA do mundo na península escandinava. Alheios (ou não) à toda confusão que foi gerada com a contusão de Alexander Gustafsson, outros sete suecos se apresentarão para seus conterrâneos, cinco deles pelo card preliminar.

O peso médio Tom Lawlor, sempre uma atração com seus parafusos a menos, enfrenta o holandês Michael Kuiper, enquanto, pela mesma divisão, os integrantes do “The Ultimate Fighter 17” Tor Troéng e Adam Cella se enfrentam antes do fim da exibição do programa, algo inédito. Descendo um nível na balança, teremos três duelos: os locais Papy Abedi e Besam Yousef abrem os trabalhos na tarde/noite escandinava; o australiano Ben Alloway enfrenta o estreante Ryan LaFlare e o sueco Chris Spång é outro que pisa no octógono pela primeira vez, assim como seu adversário, o russo Adlan Amagov, ambos oriundos do Strikeforce.

Outro estreante em Estocolmo será o irlandês Conor McGregor, que enfrenta o integrante do TUF 14 Marcus Brimage, pelo peso pena. Fechando o card preliminar e também o “Team Suécia”, o sempre tenaz Reza Madadi encara o vice-campeão do TUF 12 Michael Johnson.

O canal Combate anuncia o início de suas transmissões para as 11:50h da manhã deste sábado. A página do UFC no Facebook transmitirá toda a porção preliminar do card.

Reza Madadi (SUE) vs Michael Johnson (EUA)

Reza MadadiReza Madadi é um tipo de atleta relativamente comum na Suécia, o wrestler iraniano que se naturalizou no país escandinavo. Campeão sueco de luta olímpica nos estilos livre e greco-romano, Madadi fez carreira no evento europeu Superior Challenge, onde venceu três atletas experientes e com passagens pelo UFC: o brasileiro Carlo Prater, o mala-sem-alça Junie Browning e Rich Clementi, quando alcançou o cinturão da organização e recebeu o convite para lutar no UFC em seu país natal.

Na estreia, catou o pescoço do cubano Yoislandy Izquierdo em uma guilhotina no início do segundo round. Em seguida, saiu na mão como se não houvesse amanhã com Cristiano Marcello. Madadi deveria ter vencido o combate, mas os juízes resolveram dar a vitória para o brasileiro. Tem uma postura diferente na trocação, usando quase sempre fintas para entradas em tentativas de quedas, visando praticar sua arma predileta, o ground and pound. O “Mad Dog” tem 32 anos, 1,80m de altura e 1,89m de alcance. Ostenta um cartel de 12-3, com dois nocautes e sete submissões a seu favor. Todas as suas derrotas foram por decisão.

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Michael JohnsonMichael Johnson iniciou sua história no UFC ao integrar o elenco do TUF 12, como o principal candidato ao título. Acabou perdendo a final para Jonathan Brookins e teve que recomeçar longe de holofotes e de maiores expectativas. Começou vencendo o fraco Edward Faaloloto, perdeu para o finalizador Paul Sass e conseguiu emendar três vitórias importantes contra adversários difíceis e conhecidos: Shane Roller, Tony Ferguson e Danny Castillo.

Em sua última luta, quando ensaiava um passo definitivo em direção à elite da divisão, Michael foi dominado pelo jovem talento Myles Jury e teve a boa sequência quebrada. Ele tem se apresentado com uma trocação cada vez mais sólida e um poder de nocaute que lhe salvou na luta contra Castillo, quando era dominado até achar o golpe decisivo. Além da trocação, seu jogo se baseia na luta olímpica, modalidade que pratica desde a adolescência. Precisa corrigir a queda de rendimento que costuma apresentar durante a segunda metade das lutas – começa a apresentar mudanças neste sentido após se juntar à galera da Blackzilians. O americano está com 26 anos, tem 1,78m de altura, 1,83m de envergadura e cartel de 12-7, com seis nocautes e duas submissões. Foi finalizado em cinco de suas sete derrotas e jamais nocauteado como profissional.

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Não consigo imaginar situação diferente nesta luta que um quebra-pau animado e dolorido por quinze minutos ininterruptos. Carregado pela torcida e mordido pela derrota injusta, aposto em vitória de Madadi por decisão.

Tor Troéng (SUE) vs Adam Cella (EUA)

Por Alexandre Matos

Nem todos os participantes de uma edição do TUF têm a oportunidade de lutar num card oficial do UFC. Dana White ficou tão empolgado com o nível do TUF 17 que garantiu pelo menos uma chance a todos os atletas que entraram na casa.

O sueco Tor Troéng (15-4-1, 6 vitórias por nocaute e 5 por submissão) e o americano Adam Cella (4-0, 2 nocautes e 2 submissões) serão os primeiros a pisar oficialmente no octógono. O curioso é que a temporada ainda nem definiu os finalistas (o episódio das semifinais só vai ao ar na próxima semana nos Estados Unidos), o que mostra que Troéng e Cella fizeram por onde receber a oportunidade.

Ambos foram eliminados na primeira fase da disputa, já dentro da casa. O gigante Troéng (1,89m de altura) mostrou o poder do jiu-jítsu de Roberto Gordo ao finalizar Scott Rosa na eliminatória, mas acabou nocauteado por Josh Samman nas oitavas-de-final. Cella, dois centímetros mais baixo que o oponente, passou por Jake Heun também por finalização e foi eliminado por Uriah Hall, no combate considerado o nocaute mais violento da história do TUF.

Na teoria, o duelo envolve o confronto de estilos entre o grappler (Troéng) e o striker (Cella). Como o americano deixa brechas que podem ser exploradas por quedas, devemos esperar que Tor tome esta iniciativa. Adam se vira no chão, principalmente se cair em posição favorável, mas dificilmente conseguirá sair de baixo do ground and pound brutal do sueco, que deve levar por decisão ou finalizar o rival na segunda metade da luta.

Michael Kuiper (HOL) vs Tom Lawlor (EUA)

Tom LawlorTom Lawlor é provavelmente o cara mais engraçado de todo o plantel do UFC. A figuraça que adotou o apelido de “Imundo” tem um histórico de pesagens e entradas no octógono hilárias, ora imitando famosos como Steven Seagal, Hulk Hogan ou Dan Severn, ora comemorando seu aniversário, ora passeando com seu “cão” ao som de “Who let the dogs out?”. Noves fora toda essa fanfarronice, o que resta é um lutador agressivo e raçudo, mas extremamente irregular e tecnicamente limitado. Ele tem oito lutas no UFC e as dividiu de maneira igual entre vitórias e derrotas, sem jamais ter repetido um resultado mais de duas vezes.

Participante do TUF 8, Lawlor foi eliminado pelo campeão Ryan Bader e iniciou sua carreira no UFC vencendo Kyle Kingsbury. Nas duas últimas lutas, nocauteou Jason McDonald com uma senhora tijolada e fez uma luta (aqui me falta um adjetivo para qualificar uma luta tão ruim) com Francis Carmont, quando foi prejudicado pelos juízes laterais e acabou derrotado pelo francês. O carismático americano está com 29 anos, tem 1,83m de altura e 1,88m de envergadura. O seu cartel profissional é de 8-5 (e um no contest, em sua luta de estreia). Lawlor já nocauteou três adversários, finalizou outros três e foi submetido por Chris Weidman e Joe Doerksen. A seu favor, o fato de nunca ter sofrido um nocaute ou nocaute técnico.

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Michael KuiperSeu adversário será Michael Kuiper, judoca faixa preta da importante escola holandesa, um atleta muito duro, também versado em muay thai e faixa roxa de jiu-jítsu.

Dono de punhos pesados, Kuiper acumulou onze vitórias em pequenos eventos europeus, contra adversários desconhecidos, até ser contratado pelo UFC para estrear na edição 143. Na ocasião, sofreu sua primeira derrota, em boa luta contra o brasileiro Rafael Sapo. O europeu chegou a mandar Sapo a knockdown e precisou defender um katagatame bem justo antes de ser derrotado na leitura das papeletas. Em seguida, outro adversário duro, o americano Jared Hamman. Mais uma vez, a luta vinha equilibrada, com pequena vantagem para Kuiper, que, no segundo round, não desperdiçou uma oportunidade e mandou Hamman para outra dimensão com uma boa sequência de socos e joelhadas.

A trocação do holandês melhora a cada luta e a confiança e experiência seguem o mesmo caminho. Ainda jovem, com 23 anos, o futuro pode ser interessante para este atleta de 1,85m de altura e de envergadura. Seu cartel é de 12-1, com sete vitórias por nocaute e quatro por submissão.

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É bem provável que os dois saiam na mão durante os quinze minutos, valendo-se de seus punhos pesados e queixos resistentes, em que pese a falta de técnica, principalmente para Lawlor. Neste cenário, prevejo uma vitória de Kuiper por decisão.

Chris Spång (SUE) vs Adlan Amagov (RUS)

Chris SpangChris Spång é o irmão mais novo de Andreas Spång, atleta do Bellator que se meteu em uma grande confusão com Maiquel Falcão recentemente. Chris começou a carreira lutando boxe quando criança, influenciado pelo pai, um boxeador profissional, e pelo irmão. Foi também ginasta na juventude e chegou a fazer algumas lutas de boxe profissionalmente. Ele fez sua estreia no MMA em um pequeno evento sueco e se mandou com o irmão para os Estados Unidos. Desembarcou no Strikeforce com banca de prospecto e conquistou duas vitórias, uma sobre o também jovem e talentoso Nah-Shon Burrell e sofreu uma derrota para Ricky Legere.

É até óbvio que o estilo de Spång se baseia na trocação e que seus punhos lhe garantem a maioria de suas vitórias. Mas, comparando ao mano primogênito, Chris tem menos potência e mais técnica de trocação e se vira melhor nas quedas e no chão. O que ambos têm em comum é um enorme coração e o bom preparo físico. O sueco está com 25 anos, 1,85m de altura e 1,94m de envergadura. Seu cartel atual é de 5-1, com três vitórias por nocaute e uma finalização.

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Adlan AmagovNascido na Chechênia (que, apesar dos conflitos separatistas, ainda é uma república da Federação da Rússia), Adlan Amagov é mais um representante da nova geração soviética que tem invadido os eventos americanos nos últimos anos. Depois de fazer boa campanha em seu país natal, Amagov chegou ao mesmo Strikeforce e venceu de maneira bonita e impressionante os desconhecidos Ronald Stallings e Keith Berry, além do pouco mais famoso Anthony Smith. Ele perdeu a única luta grande que fez, quando caiu diante da potência de Robbie Lawler, que o mandou para a luz com uma joelhada voadora monstruosa.

Adlan treina com os irmãos Jim e Dan Miller na AMA Fight Club de Mike Constantino. Tem uma respeitável base de wrestling, kickboxing e foi vice-campeão do mundial sem quimono da NAGA. Sua trocação é inteligente e perigosa (já nocauteou um oponente no melhor estilo Edson Barboza) e seu jogo de quedas é potente. O “Lobo” está com 26 anos, tem dois centímetros a menos na altura e dois a mais no alcance que Spång. O seu cartel apresenta 11-2-1, com sete vitórias por nocaute.

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Este combate é muito promissor, por confrontar atletas jovens, corajosos e versáteis. A trocação na curta distância favorece Spång, enquanto Adlan deve buscar a longa distância e levar vantagem na luta agarrada. Com um leque mais variado no âmbito ofensivo, Amagov deve conquistar a vitória, a despeito de toda a torcida na arena para o sueco.

Marcus Brimage (EUA) vs Conor McGregor (IRL)

Marcus BrimageRevelado na ótima safra do TUF 14, de onde saiu eliminado por Bryan Caraway, Marcus Brimage é um striker com ótimo preparo físico e já apresenta três vitórias seguidas no UFC, as duas primeiras sem muito brilho (sobre Stephan Bass e Maximo Blanco), mas a última muito convincente, contra o talentoso Jimy Hettes.

Fã de Dragon Ball Z, que despertou nele a vontade de praticar MMA, Brimage tem como principal característica a velocidade, além de curtir uma pancadaria (algo que ficou muito no débito contra o também agressivo Blanco). O atleta da American Top Team tem 27 anos, 1,63m de altura e 1,80m de alcance, além de ostentar cartel de 6-1 na carreira e 3-0 no UFC.

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Conor McGregorConor McGregor será o quarto atleta irlandês a lutar pelo UFC. Ele fez toda sua carreira no Reino Unido, onde conquistou consecutivamente os cinturões peso leve e pena do Cage Warriors e protagonizou um documentário produzido pela MTV britânica.

Muito forte para a divisão, McGregor é um nocauteador baseado na boa escola de boxe irlandesa. Tem 24 anos, 1,75m de altura e 1,80m de alcance. Seu cartel é de 12-2, com impressionantes onze nocautes e uma submissão. Foi submetido nas duas derrotas.

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Brimage é um teste interessante para o ascendente europeu, uma das mais aclamadas promessas do MMA na atualidade. A expectativa é de uma boa apresentação de McGregor e uma vitória por nocaute.

Ben Alloway (AUS) vs Ryan LaFlare (EUA)

Ben AllowayBen Alloway foi revelado pelo TUF: The Smashes, disputado entre Austrália e Reino Unido no ano passado. No programa, foi eliminado pelo vice-campeão Brad Scott na semifinal, mas se recuperou no evento da final, quando derrotou Manny Rodriguez com um belo chute alto frontal, no melhor estilo Anderson Silva.

Alloway é um kickboxer empolgante, mas que apresenta alguns problemas contra grapplers de bom nível. Ele tem 32 anos, 1,80m de altura, cartel de 13-3 e treina com Marc Fiore, um dos fundadores da HIT Squad, equipe de Matt Hughes, mas começou na AXIS Jiu-Jitsu, academia filiada ao projeto internacional de Rickson Gracie, para manter a forma para jogar futebol. Alloway é faixa azul na arte suave.

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Ryan LaFlareRyan LaFlare é mais uma contribuição do forte evento Ring of Combat, onde foi detentor do cinturão dos meios-médios, para o plantel do UFC. O atleta de 29 anos, alto e forte para a divisão, é mais um que estreia neste card com boa expectativa. Nas sete lutas realizadas como profissional, foram quatro nocautes e três submissões a seu favor. Ryan é cinco centímetros mais alto que seu oponente e tem mais habilidade na luta de solo.

Integrante da Long Island MMA and Fitness Center, onde treina com Ryan Needle, ex-all-american da Divisão I da NCAA, Ralph Mann, ex-integrante da equipe americana de boxe, e Robert Labiento, que já trabalhou a preparação física de Chris Weidman, LaFlare é faixa-roxa de jiu-jítsu, mas começou ainda criança no wrestling, esporte que lhe deu a condição de all-american na Divisão III.

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Neste duelo, atuar na longa distância é o ideal para o australiano, que terá dificuldades no clinch e no solo contra o adversário mais versátil. Caso não caia na armadilha de Alloway, LaFlare deve estrear com o pé direito no UFC, com mais uma submissão para o currículo.

Papy Abedi (SUE) vs Besam Yousef (SUE)

Papy AbediNascido na República Democrática do Congo quando ainda se chamava Zaire, radicado na França, detentor da nacionalidade belga e naturalizado sueco, Papy Abedi poderia concorrer ao cargo de embaixador da ONU, mas preferiu seguir carreira no MMA. Fez carreira em pequenos eventos europeus, contra adversários completamente desconhecidos, quando formou seu cartel de 8-0 que o levou ao UFC. Estreou na edição 138, contra o experiente e talentoso Thiago Pitbull, e fez uma luta até certo ponto dura para o brasileiro, apesar de ter sido finalizado ainda no round inicial.

No primeiro UFC na Suécia, durou um minuto a mais contra James Head, porém acabou dentro de outro mata-leão e de novo no primeiro round. Com base no judô, também treinou muito boxe e luta olímpica e tem na sua potente mão esquerda a principal arma ofensiva. Depois da derrota para Thiago, passou a treinar com Alexander Gustafsson em Las Vegas e precisa da vitória para não precisar “sacar o FGTS”. Aos 34 anos, tem 1,80m de altura e 1,90m de alcance. Seu cartel é de 8-2 no MMA profissional e 0-2 no UFC.

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Besam YousefDa mesma forma que Abedi, Besam Yousef também chegou ao UFC invicto após lutar contra atletas desconhecidos em pequenos eventos suecos. Na estreia, no mesmo evento em que Abedi perdeu para Head, Yousef foi submetido também com um mata-leão pelo já demitido norueguês Simeon Thoresen. Ele enfrentaria Stephen Thompson no UFC 154, mas contusões afastaram ambos os lutadores do evento canadense.

O atleta, nascido em Al-Hassakem, na Síria, e naturalizado sueco, está com 28 anos e tem a mesma altura de Abedi, mas possui seis centímetros a menos na envergadura. No seu cartel de 6-1 constam duas vitórias por nocaute e três por submissão, quatro destas interrupções acontecidas no primeiro round. Seu estilo é de intensidade e raça, porém com uma técnica limitada para o maior evento de MMA do mundo. Yousef treina com Luke Barnatt, integrante do TUF 17, na Shooters MMA.

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Com algumas deficiências defensivas graves, os dois atletas devem abrir o evento com muita troca de socos. Dono de maior contundência, Papy Abedi deve levar a melhor e conseguir um nocaute em algum momento do duelo.