Por Edição MMA Brasil | 27/07/2018 01:43

Dana White faz aniversário de 49 anos no próximo sábado, e ele se presenteou com o melhor card que o UFC já montou para um evento ao vivo na Fox americana.

O UFC On FOX 30 invadirá o Scotiabank Saddledome, em Calgary, no Canadá, com três ex-campeões nas três principais lutas. Eddie Alvarez, antigo detentor do título dos leves, faz revanche da polêmica luta com Dustin Poirier em duelo que pode aproximar o vencedor da disputa de título.

José Aldo faz o seu primeiro duelo sem cinturão em jogo pelo UFC, enfrentando o ascendente Jeremy Stephens, que busca a sua chance de disputar a coroa máxima do MMA. Além de Joanna Jedrzejczyk, que enfrenta Tecia Torres no seu primeiro duelo após as primeiras derrotas profissionais.

A parte preliminar do evento terá início às 17h no Horário de Brasília, enquanto o card principal, que se iniciará com Olivier Aubin-Mercier vs. Alexander Hernandez, está marcado para começar às 21h. O evento terá transmissão completa do Combate.

Peso Leve: #3 Eddie Alvarez (EUA) vs. #4 Dustin Poirier (EUA)

Por Gabriel Carvalho

Eddie Alvarez (29-5 no MMA, 4-2 no UFC) é um sujeito tão impressionante que precisou de apenas quatro lutas para se tornar campeão da categoria mais complicada do UFC, tamanha suas credenciais antes de entrar no octógono. Esculachado por Conor McGregor, vinha com dificuldades na primeira batalha contra Poirier antes de vencer Justin Gaethje na melhor atuação da carreira.

Alvarez é um lutador que traz o famoso pacote do MMA americano, com boxe e wrestling bem sólidos. Na troca de golpes, Edward é bem desprotegido, mas tem um trabalho de punhos muito interessante, principalmente com alinhamento dos socos e uppercuts na curta distância, além de saber variar o alvo de forma excepcional.

Por ser uma categoria complicada, nem todo mundo colocava a mesma fé em Dustin Poirier (23-5 no MMA, 15-4 no UFC) no peso leve, mas a decisão foi muito acertada e ele melhorou bastante. Com as vitórias sobre Anthony Pettis e Justin Gaethje, Poirier está muito próximo de disputar o cinturão, coisa que poucos imaginavam.

Poirier é um sujeito muito talentoso e que se destacou bastante pelo nível de pressão e intensidade que coloca nos combates. Está sempre se movimentando, utilizando potentes golpes longos e é difícil de parar. Além do trabalho muito bom em pé, Dustin é um sujeito dominante e criativo quando falamos de luta no solo. Qual o problema do “Diamante”? Ele se expõe mais do que deveria, o que promove duelos intensos.

Dustin Poirier vs Eddie Alvarez odds - BestFightOdds
 

O primeiro combate foi um dos melhores de 2017, e a esperança é que o segundo também seja um dos melhores de 2018. A luta pode se desenrolar por diversos cenários, e o principal deles é semelhante ao do primeiro combate: Estudos e pouca exposição no início, mas basta um golpe bem encaixado para o início da terceira guerra mundial, o que ficaria difícil de prever.

Pensando de forma mais inteligente, Alvarez precisaria encurtar os espaços de Poirier, trabalhar bastante na curta distância e aproveitando os espaços que Dustin dá pra machucar o máximo possível, mas sempre com bastante precaução, já que os braços longos do Diamante podem complicar a vida do ex-campeão.

Já no lado de Dustin, ele pode explorar a longa distância, com bastante combinações de socos e o uso dos chutes baixos e na linha de cintura de Eddie. Se conseguir isso, Poirier traz o combate totalmente para o seu controle, o que permitiria um crescimento que o conduziria ao nocaute. Apostar nessa luta é moedinha total por conta das inúmeras possibilidades, mas vamos de Eddie Alvarez por nocaute técnico, lá na metade final da luta.

Peso Pena: #2 José Aldo (BRA) vs. #4 Jeremy Stephens (EUA)

Por Matheus Costa

O confronto com Jeremy Stephens é perigoso para o ex-campeão do peso pena. É inegável que José Aldo Junior é superior ao seu adversário em todas as áreas, como tudo há um contexto na vida, não sabemos como está a cabeça do homem que reinou por tantos anos na categoria de 66kg.

A origem de José Aldo (26-4 no MMA, 8-3 no UFC) foi no jiu jítsu, onde foi campeão mundial na faixa marrom em 2004. Entretanto, o manauara virou especialista em muay thai com a ajuda de seu mentor Dedé Pederneiras, líder da Nova União. Por anos, Aldo foi incontestável na categoria e derrotou muitos lutadores de alto gabarito, seja no WEC ou no UFC, permanecendo invicto por 10 anos. Até chegar um irlandês e você já sabe o que aconteceu.

Bastante agressivo com uma ótima defesa de golpes, Aldo sempre foi muito completo em qualquer área. Em pé, ficou conhecido por seus chutes baixos que arrebentaram muitas pernas ao longo dessa caminhada, além de um ótimo volume de golpes e combinações letais. Entretanto, ao longo do tempo Aldo foi deixando o seu ótimo muay thai de lado e adotou uma postura de boxer, chutando menos e buscando trocar mais golpes. Seu boxe é sim de bom nível, mas ele não precisava ter praticamente abandonado a disciplina que lhe fez chegar ao topo. Com o declínio físico de suas performances, além da enorme quantidade de peso que ele corta para bater o peso, o brasileiro acabou se tornando um alvo mais fácil de ser atingido e sua movimentação, que era praticamente perfeita, já não é mais a mesma.

Em ascensão na categoria, essa é, indiscutivelmente, a maior luta da carreira de Jeremy Stephens (28-14 no MMA, 15-13 no UFC) por larga margem. Bastante alto para a categoria, Stephens aplica boas combinações usando seu bom muay thai e bom volume de golpes. E mesmo que não seja um lutador rápido para os padrões da categoria, a força de seus golpes e a precisão lhe rendem boas atuações e bons nocautes. Seu maior defeito é a inconsistência, já que nem sempre consegue manter o nível de suas atuações e acaba cometendo erros bem básicos para um lutador que almeja alcançar a elite da categoria. A experiência de tropeços em momentos importantes na carreira foram fundamentais para evolução do jogo do americano, que tornou-se mais inteligente e aguçou seu instinto de nocauteador.

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Há um ano, eu apostaria em Aldo de olhos fechados. Como citei acima, Aldo é um lutador melhor em tudo de forma significativa, mais experiente e fará sua primeira luta de três rounds desde 2009, diminuindo os problemas de cardio que o lutador costuma apresentar pelo quarto ou quinto round.

Não são as derrotas para Max Holloway que me fazem ficar um pouco preocupado em ser tão convicto com uma vitória do brasileiro com facilidade. Aldo perdeu muitos de seus principais aspectos e está em declínio físico e psicológico, então não sei até onde isso pode afetar sua atuação contra Stephens, que é maior, mais forte e vive a melhor fase de sua carreira. Sim, aposto na vitória de Aldo por decisão unânime dos juízes, mas o que mais me interessa nessa luta é a postura de Aldo nessa nova fase de sua carreira.

Peso Palha: #1 Joanna Jedrzejczyk (POL) vs. #5 Tecia Torres (EUA)

Por Anderson Cachapuz

Depois de provar do seu próprio veneno, ser obliterada e perder o cinturão para Rose Namajunas, Joanna Jedrzejczyk (14-2 no MMA, 8-2 no UFC) perdeu também a revanche para que não houvessem mais dúvidas de que precisava se reinventar.

O rastro de destruição causado pela polonesa forneceu dados suficientes para ser dissecada por Rose e destituída de seu trono. Agora, precisa juntar os cacos e reiniciar sua trajetória rumo ao topo novamente. As seis vitórias em disputas de cinturão no UFC ficaram para trás. O retrospecto atual é de duas derrotas que precisam ser recuperadas e a polonesa tem uma boa oportunidade para isso.

Striker de elite, Joanna “champ pero no más” fareja o medo em suas adversárias. Normalmente começa suas lutas com bastante estudo e no menor sinal de precipitação de sua oponente, traz o inferno ao octógono. São socos, chutes, joelhadas, cotoveladas, quedas, thai clinch, tudo em um volume sobrenatural com precisão e explosão absurdas. O antídoto para isso? Seja tão demoníaca quanto ela. Raspe sua cabeça e seja além de mais precisa, mais urgente (deixa para estudar antes) como foi Namajunas.

Tecia Torres (10-2 no MMA, 6-2 no UFC) viu sua escalada rumo ao cinturão ser interrompida na última luta, com uma derrota contra Jessica Andrade.

A americana descendente de portorriquenhos nunca foi uma aposta sólida para a cinta, muito por conta de seu jogo baseado muito mais na segurança do que na emoção. Longe de ser perfeita nisso como Demetrious Johnson, por exemplo, a “Pequeno Tornado” é uma atração pouco vendável em uma disputa de cinturão de uma categoria que por si só já não atrai tanto os holofotes.

Tecnicamente, a americana é “ok” no geral. Striker de origem, é faixa-preta de taekwondo e muay thai, tem um jogo de pernas solto e bem fluído, mas carece de agressividade e (muito) caráter de urgência. A defesa de quedas é boa e normalmente não a obriga a colocar para rolo a faixa-azul de jiu-jítsu. Os chutes plásticos são aplicados com bastante cuidado em abordagens metódicas e muito planejadas. Torres agora precisará mais do que nunca testar seu jogo contra a nata da categoria se quiser disputar o cinturão algum dia.

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Essa luta é uma boa recuperação para ambas, onde a vencedora provavelmente participará de um title eliminator em seu próximo combate. Tecia Torres tem um defeito grave que é a falta de senso de urgência e também a displicência que a lentidão inicial trás, e isso certamente será explorado pela polonesa.

Ambas são strikers de elite e normalmente quando temos potencial para a chinela cantar, a luta vai para o solo. Eu até acredito que seja uma alternativa tentada por Tecia deixar a ex-campeã trabalhar de costas no chão, mas não acredito que consiga este feito, visto a boa defesa de quedas e a força explosiva que a ex-campeã tem para se levantar nas poucas vezes que é derrubada.

Joanna deve obrigar Tecia a trocar em pé e ao farejar o terror, partirá para definir o combate. O que pode atrapalhar a ex-campeã é saber como estará sua cabeça e principalmente sua confiança. As únicas chances de Tecia residem em Joanna ter sido mordida pelo mesmo bicho que picou José Aldo. Joanna só perde esse combate para ela mesmo. Jedrzejczyk por nocaute no segundo round.

Peso Leve: #13 Alexander Hernandez (EUA) vs. Olivier Aubin-Mercier (CAN)

Por Idonaldo Filho

Entrando de última hora para substituir Bobby Green, Alexander Hernandez (9-1 no MMA, 1-0 no UFC) surpreendeu a todos, nocauteando rapidamente o contender do peso leve Beneil Dariush e logo cavando sua posição no ranking –prematuramente, é claro. O americano treina wrestling desde os 12 anos e é faixa marrom de jiu-jítsu, porém não competiu nos esportes durante seu tempo na faculdade pois focava diretamente no MMA, sendo um membro da nova safra de atletas que não treinam uma só modalidade específica e já entram direto nas artes marciais mistas.

Hernandez é um atleta explosivo e de muita força, que tem o wrestling como modalidade principal no seu jogo, quedando o adversário e não soltando por nada, amarrando o oponente até encontrar brechas para golpear ou para conseguir pegar as costas e finalizar pelo mata-leão. Entretanto, ele também é competente nas outras áreas do jogo, se mostrando um lutador representante da nova geração, que treina todas as modalidades e é bom em todas. Em sua última luta, Hernandez também mostrou o seu poder de nocaute, conquistando o quarto nocaute de sua carreira.

Olivier Aubin-Mercier (11-2 no MMA, 7-2 no UFC) é taxado por muitos como um lutador pragmático e não muito empolgante. Entretanto, seu último desempenho foi assustador, com uma joelhada no corpo seguida de socos lhe dando um nocaute sobre o duro Evan Dunham. A sequência de quatro vitórias seguidas chegou a levar o finalista do TUF Nations ao ranking por certo tempo – de onde ele saiu antes da realização deste evento – e a evolução do canadense é notada por todos.

Mercier chegou a ficar um ano com a seleção canadense de judô e mostra bastante essa habilidade no octógono, sendo um grappler completo e também um perigoso finalizador de combates, possuindo uma faixa marrom de jiu-jítsu. Em pé, o canadense vem evoluindo seu boxe, que era antes razoável, e vai ficando cada vez mais interessante. Seus chutes também são extremamente perigosos, e ele também tem qualidade para acertar golpes no tronco – um chute fez David Michaud rolar no chão e a joelhada contra Evan Dunham foi derradeira para o fim do combate.

Alexander Hernandez vs Olivier Aubin-Mercier odds - BestFightOdds
 

Alexander Hernandez conseguiu um resultado fora da curva contra Dariush. O americano é um ótimo prospecto sim, mas aquele nocaute foi algo surpreendente e a sua posição de 13º no ranking, na selvagem categoria até 70kg, é apenas em conta dessa performance. Aubin-Mercier é mais experiente e também é o melhor grappler – área onde Hernandez geralmente procura lutar. O canadense deve conseguir vencer na decisão dos juízes, já que é mais técnico em pé e, se a luta for para o chão, também terá vantagem.

Peso Leve: Kajan Johnson (CAN) vs. Islam Makhachev (RUS)

Por Idonaldo Filho

Recentemente entrevistado pelo MMA Brasil, Kajan Johnson (23-12-1 no MMA, 4-1 no UFC) teve um início de carreira turbulento, chegando a ficar com o cartel negativo em 6-8 no MMA. Entretanto Kajan não desistiu, e emendou diversas vitórias no circuito regional canadense até ser contratado pelo UFC em 2014, depois de participação no TUF Nations. Nocauteado pelo “fã de apostas” Tae Hyun Bang, Johnson se recuperou vencendo quatro em sequência, incluindo bons nomes como Adriano Martins e Stevie Ray.

Kajan é um atleta ao pé da letra, com bom condicionamento físico. O canadense consegue aplicar seu jogo de muita movimentação e esquiva – no esquema de “bate e sai” – tranquilamente durante os três assaltos, e isso é muito auxiliado por sua boa envergadura, que ele sabe utilizar bem. Além disso, ele tem inteligência para seguir a risca a estratégia proposta para a luta, treinando na Tristar Gym, uma das melhores academias do mundo. No grappling, Johnson recentemente ganhou a faixa preta de jiu-jítsu e possui onze finalizações no seu cartel. Uma coisa que pode ser melhorada é sua guarda na troca de golpes, que é pouco utilizada, já que ele confia demais em sua esquiva, e já foi nocauteado por isso.

Multicampeão de sambô de combate, Islam Makhachev (15-1 no MMA, 4-1 no UFC) é uma das promessas apontadas pelo Top 10 do Futuro no MMA Brasil, e não é por menos. Parceiro de treinos de Khabib Nurmagomedov de longa data, Makhachev é um monstrinho e só segue evoluindo. O lutador do Daguestão fará a segunda luta no ano, algo que aconteceu por último em 2015. Ele vem de três vitórias seguidas, a última com um nocaute rápido contra o veterano Gleison Tibau.

Makhachev é um excelente grappler, que tem um sambô agressivo, e que conta com um ground and pound que incomoda bastante – buscando desgastar o adversário – além das tentativas de finalizações sempre perigosas, aspectos que garantem que ele consiga placares largos na decisão dos juízes. O kickboxing é agressivo e potente, com bom jab e socos fortes, embora ainda precise evoluir defensivamente. Islam é um atleta que em seu auge pode tranquilamente figurar no top 10 da categoria e, caso vença Kajan, provavelmente o veremos enfrentando oposição ranqueada.

Islam Makhachev vs Kajan Johnson odds - BestFightOdds
 

Kajan é um atleta muito móvel, e até de um estilo de luta um pouco estranho, porém Makhachev faz tudo ficar simples. O canadense não terá luta fácil, e será o primeiro wrestler de alto calibre que o russo irá enfrentar. Makhachev deve quedar e manter o canadense no chão por três rounds, amassando e utilizando o ground and pound, vencendo na decisão unânime.

Peso Meio-Pesado: #14 Gadzhimurad Antigulov (RUS) vs. Ion Cutelaba (MDA)

Por Idonaldo Filho

O Top 10 do Futuro Gadzhimurad Antigulov (20-4 no MMA, 2-0 no UFC) não nasceu no Daguestão, mas treina na região e luta como um daguestani. Ex-campeão do ACB, Antigulov não soma ainda nem cinco minutos de luta no UFC, já que suas duas vitórias foram atropelos no primeiro assalto, pegando os pescoços de Marcos Rogério Pezão e Joachim Christensen. Vale lembrar que o combate contra Cutelaba chegou a ser marcado para o UFC 207, mas o russo se lesionou e acabou deixando o combate.

Das 20 vitórias de Antigulov, 17 foram no primeiro round, e só isso já demonstra que ele não entra para amarrar o combate. Seu wrestling é excelente – auxiliado pelo físico, baixo para a categoria, porém corpulento – com single legs precisos e controle posicional de alto nível, fazendo com que o russo seja um dos melhores grapplers dos meios-pesados. Seu jogo em pé também não deixa a desejar, contando com uma direita poderosa que, embora não tenha aparecido no UFC, já deixou gente babando no cenário regional russo. Antigulov não parece ter muitos defeitos pelo que mostrou até agora e aparenta estar no auge. Uma coisa que não faria mal para o russo é lutar mais de uma vez por ano, já que ele só fez duas lutas desde 2016 e tem capacidade para adentrar o top 5 da categoria tranquilamente.

Atleta da Moldávia, o brucutu Ion Cutelaba (13-3 no MMA, 2-2 no UFC) é mais conhecido por imitar o Hulk em pesagens e por ter sido pego fazendo terapia de ozônio. Ele busca neste combate quebrar a irregularidade, já que desde sua estréia no UFC, sendo finalizado por Misha Cirkunov, ele não repetiu o mesmo resultado: vencendo Jonathan Wilson, perdendo para Jared Cannonier e vencendo Luis Henrique Frankenstein.

Cutelaba, como um bom lutador do leste europeu, veio do grappling, tendo vencido campeonatos nacionais de judô, sambo de combate e também treinado luta greco-romana. Entretanto, ele tem mais gosto por trocar porrada e já mostrou no UFC que não é ruim nisso. Cutelaba é um lutador louco, e isso empolga os fãs. Ele não tem lá muita técnica, mas tem poder nas mãos e muita força de vontade, o que o leva a produzir bons momentos de pancadaria. O moldavo também já proporcionou bonitas quedas de judô e, embora não tenha mostrado muito de seu jiu-jítsu, possui duas omoplatas no cartel. As maiores deficiências são relacionadas em grande parte a pouca idade, já que o atleta de 24 anos ainda tem problemas defensivos significativos e não dosa bem seu cardio.

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Cutelaba está em maus lençóis. Ele é bem jovem e certamente irá evoluir, mas Antigulov é um dos melhores da categoria e está em seu auge. O russo é melhor grappler por boa margem e é bastante objetivo, mal entrando no cage e já saindo com a vitória. Embora Cutelaba seja mais lutador que os demais derrotados por Antigulov no UFC, acredito que o destino será o mesmo, com uma finalização no primeiro assalto.

Peso Mosca: #3 Alexis Davis (CAN) vs. #7 Katlyn Chookagian (EUA)

Por Gabriel Carvalho


Ex-desafiante ao cinturão dos galos do UFC, Alexis Davis (19-7 no MMA, 6-2 no UFC) tenta repetir o feito na divisão dos moscas, e ela já deu um grande passo em dezembro passado, com uma vitória na revanche contra Liz Carmouche, no UFC Fight Night 123.

Faixa-preta de jiu-jítsu, Alexis Davis tem a arte marcial japonesa como sua principal arma no octógono. O sistema de quedas é bem oportunista, aproveitando de brechas da adversária, e também é uma atleta bem sufocante por cima. O complicado para Alexis é que os reflexos não são os mesmos depois da gravidez que teve em 2016. Seus problemas de velocidade e força física são bem expostos pelos oponentes.

Um antigo nome forte do peso mosca fora do UFC, Katlyn Chookagian (10-1 no MMA, 3-1 no UFC) voltou ao habitat natural em janeiro, depois de curta passagem pelo peso galo, vencendo a italiana Mara Romero Borella por decisão unânime dos juízes. Um triunfo no sábado pode aproximar a “Lutadora Loira” de uma disputa de título.

Campeã do Golden Gloves nos tempos de adolescência, Chookagian adaptou o boxe para o MMA de forma muito boa, com bastante controle de distância, bons jabs e uso dos chutes baixos para evitar previsibilidade nos ataques. Na categoria de peso original, não tem muitos problemas com força.

Alexis Davis vs Katlyn Chookagian odds - BestFightOdds
 

O favoritismo aqui vai para a americana Chookagian. Com velocidade superior, a expectativa é que Katlyn controle a distância a todo momento, utilizando sua boa movimentação lateral e os jabs para segurar as aproximações de Davis, que deve cansar rápido caso não consiga acertar a americana.

Para o lado de Alexis, a melhor estratégia seria abafar e esperar um erro de Katlyn para colocar a luta no chão, mas isto tem que acontecer nos momentos iniciais do combate, já que a chance do ritmo canadense cair é grande, e a estratégia poderá ter pouca eficiência. Vamos de Chookagian por decisão dos juízes.

Peso Mosca: #9 Dustin Ortiz (EUA) vs. #12 Matheus Nicolau (BRA)

Por Matheus Costa

Vindo de grande sequência na carreira, o brasileiro Matheus Nicolau (13-1-1 no MMA, 3-0 no UFC) mostrou que é um bom prospecto na categoria dos moscas, que anda precisando de novos nomes. Dono de um boxe muito bom, Nicolau usa boas combinações, encurta com tranquilidade e consegue se adaptar as dificuldades facilmente. Seu preparo físico também é muito bom, fazendo com que o atleta de 25 anos use um ritmo constante e pressione com inteligência ao longo do combate, sem sofrer com o cardio. Nicolau também possui uma defesa de quedas decente e um jogo de chão subestimado e nem sempre utilizado.

Wrestler de origem, Dustin Ortiz (18-7 no MMA, 7-5 no UFC) vem de uma importante vitória sobre Alexandre Pantoja que lhe dá moral e confiança para alçar voos maiores na categoria. Em pé, Ortiz não é tão bom tecnicamente, mas possui mãos pesadas – nocauteou Hector Sandoval em míseros 15 segundos. Entretanto, ele não reage bem quando é pressionado e acaba sendo engolido por trocadores com bom nível técnico. No chão, o jogo de quedas é sua especialidade e seu jiu jítsu é de bom nível, embora seja faixa marrom.

Dustin Ortiz vs Matheus Nicolau odds - BestFightOdds
 

Caso consiga manter a luta em pé, Nicolau não deve ter dificuldades para vencer o combate. Ele é muito mais técnico e ativo em pé, e seu boxe deve ser chave importante nesse quesito. Embora seja bom de chão, ficar por baixo de Ortiz não pode ser uma opção, já que o americano trabalha muito bem por cima e possui bom controle posicional. Apesar do risco, aposto na vitória do brasileiro, que deve vencer por decisão unânime.

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