Por Edição MMA Brasil | 12/04/2018 16:20

Antes do couro comer na porção principal do UFC On FOX 29, com Justin Gaethje e Dustin Poirier prometendo anarquia no octógono, o evento do próximo sábado também trará um card preliminar bastante recheado de boas lutas.

Maior preliminar do ano até agora, com dez combates, teremos quatro brasileiros estrando em ação, com Antônio Cara de Sapato tendo seu maior teste até agora no peso médio contra Tim Boetsch, Wilson Reis duelando contra John Moraga no peso mosca, Gilbert Durinho sendo amplamente favorito contra o estreante Dan Moret, e Dhiego Lima lutando por sua sobrevivência no evento contra o veterano Yushin Okami.

A transmissão terá início às 16:25 no horário oficial de Brasília, sendo feita completamente pelo canal Combate. Confira a prévia:

Peso Médio: Tim Boetsch (EUA) vs. Antônio Cara de Sapato (BRA)

Por Bruno Costa

Tim Boetsch

O “Bárbaro” Tim Boetsch (21-11 no MMA, 12-10 no UFC) tenta, em 2018 (!), sua segunda vitória seguida no octógono, vindo de triunfo sobre um rascunho de lutador no corpo vergonhosamente roliço de Johny Hendricks – não que Boetsch seja exatamente um protótipo de atleta profissional, convenhamos.

O americano tem origem no wresting, onde competiu na Divisão I da NCAA. É um veterano limitado que esqueceu suas origens há muito tempo, dando preferência à troca de golpes na curta distância. Com o passar dos anos e a natural perda de velocidade, têm apresentado perigo aos adversários quase que exclusivamente por conta de sua força bruta, utilizada nos momentos de clinch e troca de marretadas no pocket. Defensivamente, ele já era dono de sistema precário de movimentação e sempre se expôs excessivamente aos golpes dos oponentes. O wresting defensivo funcionava à base do tamanho, que o ajudava a resistir a eventuais tentativas de quedas, ao menos da casta mais baixa de oponentes; contudo, essa foi mais uma área afetada gravemente pelo passar dos anos e o efeito do tempo surtido em Boetsch.

Antônio Cara de Sapato

Antônio Carlos “Cara de Sapato” (9-2 no MMA, 6-2 no UFC) é uma esperança de renovação para o peso médio do UFC, que conta com diversas estrelas em reta final da carreira. Campeão mundial de jiu-jitsu na faixa marrom, “Cara de Sapato” migrou relativamente cedo para o MMA e investiu muito nos seus treinos de boxe para se adaptar à nova modalidade. Gigante para a categoria e confortável na maior parte dos cenários que suas lutas apresentam, o brasileiro tem no desafio de sábado a chance de pular ao próximo nível de competição ingressando no top 15.

Os treinos na ATT parecem ter ajudado a melhorar o nível de wrestling de “Cara de Sapato”, importantíssimo para ajudá-lo a colocar em jogo o que tem de melhor: um jogo de chão recheado de finalizações. O brasileiro precisa ter aprendido, depois de uma dolorosa derrota para o terrível (porém resistente) Daniel Kelly, a dosar a sua energia e lutar com inteligência contra oponentes mais duros e experientes.

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A diferença de velocidade a favor de “Cara de Sapato” tende a ser abissal grande contra Boetsch, embora essa não seja sequer sua principal característica. O brasileiro deve trabalhar seu boxe mais polido controlando a distância com competência, entrando e saindo sem correr riscos de ser atingido, evitando o clinch e, no momento mais adequado apostar em uma investida nas pernas do seu adversário buscando a queda. No chão, a diferença de nível entre os dois lutadores é gigantesca, e o especialista em jiu-jitsu deve liquidar a fatura conquistando uma finalização primeira metade do combate.

Peso Meio-Médio: Muslim Salikhov (RUS) vs. Ricky Rainey (EUA)

Por Gabriel Carvalho

Muslim Salikhov

Muslim Salikhov (13-2 no MMA, 0-1 no UFC) chegou no UFC com bastante moral pelos belos nocautes e o currículo extenso em combates de kickboxing e sanda, mas pouco mostrou na derrota que sofreu para Alex Garcia, em novembro passado. Atleta de pouca movimentação, Salikhov normalmente vai crescendo ao longo do combate e assustando seus oponentes com um arsenal variado de golpes, alternando chutes na perna e na linha de cintura. O problema é seu chão, onde já mostrou problemas, além de uma certa falta de velocidade.

Melhor atleta que Michael Page já venceu, Ricky Rainey (13-4 no MMA) recebe uma surpreendente chance no UFC após sua saída do Bellator. Com 34 anos de idade, Rainey é um atleta de grande envergadura (espere as desonestas comparações com Jon Jones em caso de vitória) e costuma adotar uma postura mais controlada na troca de golpes, cozinhando a luta na longa distância e esperando brechas para aproximação na curta, onde costuma aumentar o ritmo com socos e chutes, mas deixando muitos espaços.

Muslim Salikhov vs Ricky Rainey odds - BestFightOdds
 

Essa é uma luta interessante e que tem potencial para virar um arranca-rabo. A expectativa é que Rainey tenha um início melhor, forçando Salikhov a ficar com as costas voltadas para a grade e trabalhando a luta na longa distância. Ir para o chão pode ser uma boa alternativa para Rainey, que precisa tomar cuidado na hora das aproximações, já que Salikhov é um atleta bem poderoso e de bom arsenal. Muretaremos aqui

Peso Mosca: #6 Wilson Reis (BRA) vs. #10 John Moraga (EUA)

Por Felipe Freitas

Wilson Reis

Wilson Reis (22-8 no MMA e 6-4 no UFC) atualmente é o sexto colocado nos rankings do UFC. O brasileiro vem de derrota contra Demetrious Johnson e Henry Cejudo. Só gente fraca, né? #sarcasmo. Ele desceu para os moscas em 2014, decisão acertada para um lutador de 1,63m de altura. Na categoria de 57 quilos, Reis pode evoluir ao ponto de ser um dos principais nomes da divisão, algo que seria complicado como galo.

Treinando nos Estados Unidos desde o início da carreira, basicamente, juntou seu jiu-jítsu ao wrestling amricano e se tornou um baita grappler. Das 22 vitórias na carreira, dez vieram por submissão. O resto foi por decisão, fazendo aquele jogo que alguns chamariam de chato, mas ele é estratégico e busca as trocas de posições para ter vantagem e tentar um estrangulamento. Na trocação, é veloz ao lançar os socos, só que a movimentação limitada é perigosa para Reis. Sem movimentação na luta em pé, você acaba sendo facilmente acertado.

John Moraga

Principal porteiro dos moscas, John Moraga (18-6 no MMA, 7-5 no UFC) vem de uma vitória surpreendente sobre Magomed Bibulatov, russo que apontamos como Top 10 do Futuro. Com a moral lá no teto após vencer sendo a segunda maior zebra do UFC 216, Moraga vai querer botar o bicho para passear no cage novamente. Mas dessa vez será só um filhotinho.

Wrestler que já competiu na NCAA, John é da “escola tradicional americana” de  luta olímpica com boxe, mas não é um especialista em nada. Not the best but still good. Tem um poder de nocaute bom para a categoria, e sua habilidade na nobre arte pode ser um caminho para vencer o brasileiro.

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Difícil fazer uma previsão desse combate depois do retorno traumático fazendo a prévia de Joe Lauzon vs Chris Gritz, mas a gente tá aqui para levar tapa na cara e pagar pau quando acerta o resultado.

O combate é bem casado para Reis voltar a vencer, que tem o diferencial do jiu-jítsu contra Moraga. Minha previsão é que o brasileiro vença na decisão num combate que se desenrolará no solo com algumas tentativas de katagatame, mas uma vitória de Moraga por nocaute não seria um surpresa.

Peso Médio: #13 Krzysztof Jotko (POL) vs. #15 Brad Tavares (EUA)

Por Bruno Costa

Krzysztof Jotko

Após causar boa impressão em suas primeiras aparições no octógono e alcançar o top 15 da categoria dos pesos médios, Krzysztof Jotko (19-3 no MMA, 6-3 no UFC) amargou pela primeira vez a experiência de ser derrotado em ocasiões seguidas na sua carreira – sendo que na última delas, chegou a espancar Uriah Hall por maior parte do combate antes de ter seu interruptor desligado.

Na troca de golpes, o canhoto Jotko é eficiente em estabilizar seu jab, controlando bem a distância e o ritmo de suas lutas. Também tem um competente trabalho de clinch – em que pese tenha sofrido nessa fase contra David Branch, especialista no assunto – onde trabalha bem seu dirty boxing e o eficiente jogo de quedas, seguidas de um bom jogo de pressão no controle posicional ao solo.

Brad Tavares

Brad Tavares (16-4 no MMA, 11-4 no UFC) têm se esforçado nos últimos anos para tentar entediar ao máximo os fãs de MMA quando sai vitorioso em seus combates. As poucas variações entre jab, jab-direto e chutes baixos se repetem exaustivamente em suas lutas, mixadas eventualmente com utilização de um competente wrestling ofensivo, baseado no ótimo timing do havaiano.

A boa condição cardiorrespiratória, durabilidade e regularidade de Tavares permitem que esteja há muito tempo beirando o top 15 da divisão dos médios, mas não são o suficiente para levá-lo ao próximo estágio na carreira, com ele sempre sendo parado quando enfrentou oposição de melhor qualidade, como contra Robert Whittaker e Yoel Romero.

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O duelo de sábado deve ser pautado pelo equilíbrio nas ações. Tavares tem mais experiência e possui plenas condições de levar a luta em seu ritmo monótono por três rounds, usando as mesmas combinações repetidamente no combate. Contudo, a aposta (e principalmente, esperança) é que Jotko consiga em algum momento quebrar a barreira de monotonia imposta pelo rival usando sua maior envergadura para conseguir um knockdown e finalizar o adversário na metade final do combate. Do contrário, esperemos por uma sonolenta decisão dos juízes a favor de Tavares.

Peso Leve: Gilbert Durinho (BRA) vs. Dan Moret (EUA)

Por Gabriel Carvalho

Gilbert Durinho

Depois do decepcionante cancelamento de última hora em fevereiro, Gilbert Durinho (11-2 no MMA, 5-2 no UFC) está de volta. Em sua luta mais recente, o brasileiro conseguiu um impressionante nocaute em cima do canadense Jason Saggo. Jiu-jiteiro de origem, Durinho é um lutador de bote rápido no chão, sempre procurando espaço para anotar uma queda. Ele vem mostrando uma interessante evolução na troca de golpes, principalmente tentando corrigir buracos adotando uma postura diferente.

Dan Moret (13-3 no MMA) estreará no evento substituindo de última hora o lesionado Lando Vannata. O americano treina na MMA Lab e já disputou o cinturão dos penas do RFA. Moret tem alguns pontos bons, como o jiu-jítsu ofensivo e um jogo até rápido e fluido de quedas.

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Talvez seja injusto este combate para Durinho, que está no UFC há mais tempo e sofreu com os cancelamentos recentes com oponentes mais qualificados. Moret pode até ser um lutador talentoso, mas ele é bom justamente no ponto em que Durinho é especialista. Caso não finalize na primeira parcial, a esperança é que o brasileiro vença em uma decisão dominante.

Peso Mosca: #15 Shana Dobson (EUA) vs. Lauren Mueller (EUA)

Por Gabriel Carvalho

Shana Dobson

Shana Dobson (3-1 no MMA, 1-0 no UFC) foi uma das participantes do The Ultimate Fighter 26, tendo sida eliminada ainda na primeira fase ao ser nocauteada por Roxanne Modafferi, mas conseguiu assegurar o emprego na organização após vencer Ariel Beck no card preliminar da final do programa. Shana é uma atleta com uma postura bem interessante na trocação, apresentando bons chutes baixos e joelhadas de encontro que abrem espaço para rápidas combinações de socos. É uma lutadora de início mais lento e que vai crescendo durante o combate.

Mais um produto do Contender Series, Lauren Mueller (4-0 no MMA) ganha a oportunidade de estrear no UFC em Glendale. Considerada alta para a divisão dos moscas, Mueller apresentou bastante vigor em sua apresentação no Contender Series, lutando em um ritmo acelerado e dominando as ações, principalmente no clinch e na curta distância, onde também apresentou bastante agressividade.

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Temos aqui o combate mais subestimado da noite e de difícil previsão, já que existe pouco material das duas atletas, que são bastante inexperientes ainda. Dobson tem uma força anormal para uma peso mosca, e deve aplicar uma estratégia visando limitar a movimentação de Mueller, com a intenção de ver frustração e um ritmo reduzido da adversária, que deve aproveitar a sua vantagem de envergadura para golpear na longa distância e buscar o chão em alguns momentos. A previsão é que Dobson deve vencer depois de 15 minutos animados.

Peso Meio-Médio: Dhiego Lima (BRA) vs. Yushin Okami (JAP)

Por Gabriel Carvalho

Yushin Okami

Vice-campeão de duas temporadas do The Ultimate Fighter, Dhiego Lima (12-6 no MMA, 1-4 no UFC) provavelmente recebe a sua última chance de se firmar no UFC. Irmão do ex-campeão do Bellator, Douglas Lima, Dhiego se caracteriza por um trabalho interessante de mãos e por saber se virar de vez em quando no jiu-jítsu, mas seu sistema defensivo é muito fraco, com ele sendo um lutador que nunca ofereceu muita resistência em pé ou no chão.

Depois de uma jornada de quatro anos longe do UFC, Yushin Okami (34-11 no MMA, 13-6 no UFC) foi surpreendido com um convite de retorno para pegar Ovince St-Preux com cinco dias de antecedência. Óbvio que ele tomou um passeio, e agora tenta evitar a segunda demissão em combate no peso meio-médio, categoria onde vinha atuando antes do novo contrato. No auge, Okami era conhecido pelo forte jogo do “abafa”. Faixa-preta de judô, era muito forte no clinch e no chão, com capacidade para amarrar a maioria dos seus oponentes. Com o passar do tempo, acabou ficando mais fraco fisicamente e mais lento, virando alvo fixo de seus oponentes na troca de golpes.

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Rapaz, tem muita coisa que pode acontecer nesta luta. Com os dois lutadores em seus respectivos auges, não existiria dúvidas que Okami seria o grande favorito, mas a situação é bem diferente, já que o japonês vem se arrastando no octógono há um tempo, mas Dhiego nunca venceu alguém que tenha um nível técnico semelhante ao de Yushin, mesmo no estado atual. Vou confiar no melhor lutador, e mesmo sem convicção alguma, Okami deve conseguir quedas nos três assaltos para garantir a vitória.

Peso Pesado: Arjan Bhullar (CAN) vs. Adam Wieczorek (POL)

Por Gabriel Carvalho

Arjan Bhullar

Um dos escolhidos no peso pesado para o Top 10 do Futuro, Arjan Bhullar (7-0 no MMA, 1-0 no UFC) estreou no octógono com uma vitória sobre o brasileiro Luis Henrique KLB. Wrestler participante dos Jogos Olímpicos de 2012 e medalhista de prata nos Jogos Pan-Americanos de 2007, disputados no Rio de Janeiro, Bhullar é um atleta de bastante pressão no solo, principalmente pela força física e pelo bom ground and pound. Ele ainda mostra problemas com a trocação e principalmente com a forma como se aproxima dos oponentes, mas é um nome promissor e pode melhorar.

Outro nome com uma luta e uma vitória no UFC, Adam Wieczorek (9-1 no MMA, 1-0 no UFC) sofreu um pouco para bater Anthony Hamilton no ano passado. Apesar de ser atlético para a divisão, ele tem problemas com sua defesa de quedas e um queixo bastante duvidoso. O polonês usa bastante os chutes e joelhadas em pé, apesar de sempre se abrir muito ao aplicar os golpes. Seu ponto mais forte é o jiu-jítsu ofensivo e o ground and pound, apesar da estratégia ter boas chances de dar errado se pegar um cara mais forte fisicamente.

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Pode ser que o peso da estreia tenha influenciado no desempenho de Bhullar, que aparentou nervosismo em alguns momentos. Caso isso tenha melhorado, ele é um dos grandes favoritos da noite aqui. Tomando cuidado com os longos braços de Wieczorek, o canadense/indiano não deve ter grandes dificuldades para derrubar e dominar a luta no solo. A chance do polonês aqui é no trabalho na longa e média distância, principalmente com o uso dos chutes, mas o primeiro cenário é o mais provável.

Peso Galo: Matt Lopez (EUA) vs. Alejandro Perez (MEX)

Por Rafael Oreiro

Matt Lopez

Wrestler de pedigree alto, tendo já sido All-American em 2005, Matt Lopez (10-2 no MMA, 2-2 no UFC) fez a transição para o MMA bastante tardiamente, com quase 25 anos. Chegando UFC por meio do programa Looking For a Fight, Lopez poderia ser até considerado um bom prospecto, mas a idade já avançada – agora 31 anos – fez com que fossem feitos pulos em seu desenvolvimento natural, o que ocasionou o passo maior que as pernas que foi seu último combate contra Raphael Assunção, onde foi dominado e acabou nocauteado no terceiro round.

Lopez é um protótipo do ideal de lutador de MMA americano, usando bastante o wrestling e o boxe, porém por enquanto só sendo especialista na primeira modalidade. Na troca de golpes, ele possui bastante potência nas mãos, mas é demasiado lento e costuma soltar golpes muito abertos, dando muito espaço para contragolpes de seus adversários. O americano ainda possui alguma dificuldade também no timing de suas transições, desperdiçando algumas tentativas de queda, mas quando chega ao chão é muito dominante, aplicando um violento ground and pound.

Alejandro Perez

O mexicano Alejandro Perez (19-6-1 no MMA, 5-1-1 no UFC) vem surpreendendo até agora em sua passagem na organização. Oriundo da primeira temporada do The Ultimate Fighter: América Latina – onde venceu José Quiñones na final e ganhou a competição – o “Diablito” só perdeu uma de suas seis lutas no octógono, sofrendo na maior parte de suas vitórias e conquistando decisões bastante apertadas e por vezes controversas.

Perez é um lutador de constante movimentação e bom controle de distância, usando bem os jabs e os chutes baixos, sendo rápido em suas investidas, porém pecando por vezes pela falta de contundência. A defesa de quedas nunca foi nenhuma especialidade do mexicano, mas ele evoluiu consideravelmente no aspecto nos últimos tempos, se tornando um lutador razoavelmente difícil de ser levado ao chão e inclusive buscando mais o jogo de grade para tentar quedas, mas Perez ainda é bem estabanado e acaba se apressando demais em algumas transições, entregando posições para seus adversários.

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A luta entre os dois lutadores próximos do top 15 será decidida por quem conseguir cometer menos erros no aspecto onde o adversário é melhor. Enquanto Lopez pode ter dificuldades de furar a distância estabelecida pelo mexicano para se aproximar e levar o combate para o chão, Perez não tem habilidade o suficiente ainda para negar a queda durante 15 minutos para um wrestler do calibre do americano, e por baixo pode acabar se complicando.

O fator que deve desequilibrar a luta é a velocidade de Alejandro Perez, que provavelmente fará uma luta burocrática na trocação, mas conseguirá se afastar do chão para no mínimo vencer dois rounds, levando a luta na decisão dos juízes.

Peso Galo: Luke Sanders (EUA) vs. Patrick Williams (EUA)

Por Gabriel Carvalho

Luke Sanders

“Cool Hand” Luke Sanders (11-2 no MMA, 1-2 no UFC) chegou ao UFC com moral e logo emplacou uma boa vitória sobre Maximo Blanco na categoria de cima, mas ainda não conseguiu vencer no peso galo, sua categoria de peso original, com derrotas para Iuri Marajó e Andre Soukhamthath em situações curiosas. Luke tem um estilo agradável de se assistir na troca de golpes, com movimentação e ataques em diversas direções, além dos punhos rápidos. O problema é que o jogo de Sanders costuma se tornar mapeável conforme a luta transcorre, e a sua consciência defensiva não é das melhores.

Patrick Williams (8-5 no MMA, 1-2 no UFC) nunca chegou na decisão dos juízes no octógono. Tomou um nocaute lindo de Chris Beal em sua estreia, finalizou Alejandro Perez rapidamente e tomou outro nocautão, aplicado pelo francês Tom Duquesnoy. Williams foi wrestler da Arizona State University, onde treinou com gente do calibre de Cain Velasquez, Ryan Bader, CB Dollaway e John Moraga. Hoje com 36 anos, Williams é um lutador de poucos recursos, já que aplica quedas se aproveitando de erros dos adversários e apresenta limitações no restante do jogo.

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Para a abertura do evento, o cenário é mais favorável para Luke Sanders, que é mais talentoso e tem mais condições de controlar a luta no centro do octógono, se aproximando com rápidas combinações e evitando as chegadas de Williams. O ritmo de Luke pode cair conforme o tempo passar, mas Patrick nunca foi conhecido por ser um lutador cheio de gás. O palpite aqui é Sanders por decisão ou com um nocaute no terceiro round.