Por Edição MMA Brasil | 13/04/2018 02:33

A Gila River Arena, localizada em Glendale, Arizona, será a casa do UFC On FOX 29, que acontece no próximo sábado. Como já é clássico dos eventos da FOX, teremos um card principal curto, com apenas quatro lutas e todas com potencial alto de um entretenimento sublime.

O combate principal da noite pode resultar em um potencial desafiante ao cinturão dos leves e a melhor luta do ano de 2018, com Justin Gaethje e Dustin Poirier se enfrentando em um duelo com contornos de violência.

Antes disso, o ex-campeão interino Carlos Condit duela contra o sempre valente brasileiro Alex Cowboy, o curioso Israel Adesanya faz o seu segundo combate no UFC e Michelle Waterson encara Cortney Casey no duelo de abertura da porção principal.

A data do evento acaba coincidindo com o início dos playoffs da NBA, e como evento é transmitido pela TV aberta para os Estados Unidos, terá início às 16:30 no Horário de Brasília, pra evitar uma injusta concorrência. As quatro principais lutas da noite serão iniciadas a partir de 21:00,  todas com transmissão do canal Combate.

Peso Leve: #5 Dustin Poirier (EUA) vs. #6 Justin Gaethje (EUA)

Por Diego Tintin

Dustin Poirier

Dustin Poirier (22-5 1NC no MMA, 14-4 1NC no UFC) ficou com a fama de lutador talentoso, mas que falha no momento de conquistar aquela vitória que o leve para o ninho de cobras da divisão. Seria boa vontade demais afirmar que a vitória sobre o decadente Anthony Pettis esteja neste patamar de catapulta, mas o banho de sangue no ex-campeão foi animador.

Embora não esteja ainda entre os candidatos a desafiante, as habilidades de Dustin são inegáveis. Principalmente a habilidade de entregar luta boa pra caramba. A última contra Pettis, a penúltima contra Eddie Alvarez, a melhor de 2012 contra Chan Sung Jung, entre outras: é impossível colar o dorso no encosto do sofá enquanto Poirier está no octógono.

O “Diamante” costuma imprimir um ritmo forte em seus combates, lançando combinações longas de socos e chutes. Tem um nível muito decente na luta olímpica e traz a ameaça de capitalizar um descuido com finalizações eficientes. Todavia, em seu sistema defensivo consta uma deficiência que pode explicar as derrotas em momentos agudos da carreira. O americano se expõe mais do que deveria, o que é maravilhoso para os fãs, mas que não o ajuda a chegar perto do cinturão.

Justin Gaethje

Justin Gaethje (18-1 no MMA, 1-1 no UFC) teve uma das mais impressionantes estreias de toda a história do UFC. E isso bastou para conquistar o coração dos fãs que ainda não o conheciam. Ou dos que conheciam sua fama, mas não tinham visto o que esse alucinado já tinha aprontado nas suas lutas anteriores no finado WSOF.

O camarada simplesmente debutou contra Michael Johnson – um top 10 consolidado da divisão mais difícil do evento, que já nocauteou Poirier – e o deitou após entregar à audiência uma séria candidata a luta da década. Na sequência, outra luta espetacular contra Alvarez, quando o queixo sucumbiu pela primeira vez em sua carreira, não sem antes passar por outra guerra apocalíptica.

Iniciado no wrestling ainda criança, Justin chegou ao posto de All-American na universidade e iniciou a carreira amadora no MMA ainda enquanto estudava. No novo esporte, se transformou em um poço de coragem, que busca o nocaute sem pudores e sem descanso durante cada segundo de luta. Chutes e socos de todas as distâncias e combinados de todas as formas possíveis fazem parte de seu arsenal ofensivo.

No WSOF, Gaethje chegou ao cinturão deixando um rastro de corpos pelo chão e o defendeu aumentando a pilha com lutadores dignos. As duas lutas contra Luis Palomino ficaram entre as melhores de 2015. Um dado preocupante é que o tanto que apanhou de Palomino, Johnson e Alvarez mostra que, ao menos no lado defensivo, o “Highlight” tem um bom caminho para percorrer. Mas, tirando a necessária preocupação com sua saúde futura, acho que pouca gente está ligando para esse “detalhe”.

Dustin Poirier vs Justin Gaethje odds - BestFightOdds
 

Chega aquela hora do texto em que precisamos analisar e, de acordo com a característica de cada lutador, projetar a forma mais provável da luta transcorrer. É possível afirmar que desde que ocupo este nobre espaço, nunca foi tão fácil o citado exercício de imaginar o possível cenário de um combate. Esses dois inconsequentes vão sair loucamente na mão como se o sol não estivesse pronto para sua visita diária na manhã seguinte. Temos aqui uma candidata a luta do ano desde o último 19 de janeiro, dia do anúncio desta peleja. Para não sair com a fama de caco de vidro que fica fixo em cima do muro, a aposta é em Gaethje, apenas porque este parece suportar mais castigo.

 

Peso Meio-Médio: #12 Carlos Condit (EUA) vs. Alex Cowboy (BRA)

Por Pedro Carneiro

Carlos Condit

Carlos Condit (30-11 no MMA e 7-7 no UFC) é um dos lutadores mais agressivos e versáteis que o MMA já viu. Com uma caixa de ferramentas lotada de socos e chutes dos mais diversos ângulos, cotoveladas que saem do mais profundo abismo do inferno e uma guarda bastante agressiva, Condit é uma máquina de machucar pessoas. Ex-campeão do WEC e interino do UFC, a cada ameaça de se aposentar, Carlos deixa os fãs tristes. Felizmente não será dessa vez.

Apesar de tudo, o “Assassino por Natureza” vem de resultados irregulares nos últimos combates. Após uma atuação magistral no espancamento aplicado em Thiago Pitbull, em Goiânia, há dois anos e meio, ele foi superado pelo ex-campeão Robbie Lawler numa luta apertada e acabou completamente anulado por Demian Maia no ano retrasado, que expôs as dificuldades do americano quando pressionado nas costas. No seu último compromisso, o americano mostrou sinais de que está na descendente da carreira quando foi derrotado por Neil Magny, no UFC 219.

Alex Cowboy

Alex Cowboy (18-5-1 no MMA e 7-3 no UFC) é um dos mais carismáticos lutadores brasileiros. Estreou tapando buraco em um combate contra Gilbert Durinho e ganhou a atenção de todos quase vencendo a luta. Após a estreia, Alex venceu combates contra K.J.Noons, Joe Merritt e Piotr Hallmann, até ser parado pelo outro cowboy, Donald Cerrone. Engasgado com a derrota, o brasileiro enfileirou James Moontasri, Will Brooks, Tim Means e Ryan LaFlare, isto com um No Contest no caminho e problemas com a balança. Sua sequência foi novamente encerrada em seu último compromisso contra Yancy Medeiros.

Cowboy é um lutador de bom nível, com um muay thai habilidoso e bastante potência. O brasileiro é um lutador versátil já que também tem um jogo de grappling de bom nível e sabe dosar a sua agressividade com a hora de mudar o rumo onde a luta transcorrerá. Soma-se isso a sua força física e o instinto que foi moldado nas constantes brigas que participava em boates, criando assim um lutador bem completo.

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Se essa luta fosse anos atrás, não teríamos muito assunto e a aposta em Carlos Condit seria nítida. Todavia, o americano já não é mais o mesmo e nos deu o recibo da sua atual situação quando foi dominado pelo wrestling nada robusto de Neil Magny.

Caso a luta se desenrole em pé, ambos tem chances de nocaute, já que mesmo em má fase, Condit é um striker extremamente perigoso e Alex já provou que tem um poder de nocaute considerável. Porém, se Magny foi capaz de derrubar Condit e controla-lo ali, Cowboy também tem ferramentas para fazer a mesma coisa. Além disso o brasileiro é inteligente e versátil para mudar situações de perigo na luta em pé e colocar a luta no chão. Não é descartável a possibilidade de Condit nocautear Alex, ou vice-versa, porém, a aposta aqui é que o brasileiro consiga controlar o americano e leve a luta na decisão.

Peso Médio: Israel Adesanya (NZE) vs. Marvin Vettori (ITA)

Por Gabriel Carvalho

Israel Adesanya

Bastou apenas uma apresentação em um card preliminar para Israel Adesanya (12-0 no MMA, 1-0 no UFC) cravar um lugar na porção principal de um evento do UFC na FOX. Ex-desafiante ao cinturão do GLORY Kickboxing, Adesanya estreou no octógono com uma apresentação segura contra o limitado Rob Wilkinson,

Israel trouxe um estilo bem diferente do que já foi visto no UFC. Como um atleta bem alto pra categoria, ele adota uma postura calma nas lutas, como se tivesse o controle de definir o combate a qualquer instante. Ele utiliza a longa envergadura com seus bons socos retos, costuma manter a luta na longa distância e vai crescendo conforme o combate vai passando, utilizando mais as joelhadas e encurralando o adversário.

Marvin Vettori

Um dos poucos representantes dignos do MMA na Itália, Marvin Vettori (12-3-1 no MMA, 2-1-1 no UFC) até teve sucesso dentro do UFC. Registrou vitórias sobre os brasileiros Alberto Uda e Vitor Miranda, interrompidas por um revés contra o também brasileiro Antônio Cara de Sapato. Na última vez que lutou, empatou contra Omari Akhmedov em um duelo animado.

Dono de um kickboxing desajeitado, Vettori mostra desconforto em pé, já que pouco varia sua movimentação e tem o arsenal limitado, sem muitas respostas, apenas com a sua joelhada de encontro como ponto positivo. Quando falamos de luta no solo, Marvin é mais entrosado, costuma aplicar boas quedas em nível de concorrência baixo e mostra bons ataques para estrangulamentos.

Israel Adesanya vs Marvin Vettori odds - BestFightOdds
 

Israel Adesanya deve ser um novo produto que o UFC pretende trabalhar bastante em cima. O nigeriano naturalizado neozelandês deve adotar a mesma postura da luta inicial, controlando Vettori na longa distância, pontuando o combate com jabs e se movimentando para ficar fora do raio de ação do italiano. Marvin deve conseguir uma queda ou outra, e quem sabe pode surpreender Adesanya, já que apresenta mais recursos que o adversário anterior, mas este cenário é um pouco mais complicado.

Também é possível que Marvin prenda Israel na grade por alguns segundos, mas a esperança é que o “Dobrador de Estilos” vá crescendo ao longo da luta, tirando a confiança do italiano aos poucos e anotará um nocaute técnico entre a segunda e a terceira parcial da luta.

Peso Palha: #7 Michelle Waterson (EUA) vs. #10 Cortney Casey (EUA)

Por Thiago Kuhl

Michelle Waterson

Michelle “The Karate Hottie” Waterson (14-6 no MMA, 2-2 no UFC) chegou com status de ex-campeã peso átomo do Invicta FC e correspondeu ao vencer suas duas primeiras lutas por finalização, inclusive parando o hype da favorita dos fãs Paige VanZant. O início impactante foi o suficiente para colocá-la frente a frente com Rose Namajunas, que conquistou o cinturão da divisão posteriormente. Após perder para Rose, Michelle também foi derrotada por Tecia Torres.

Em que pese o apelido e a faixa preta de american freestyle karate, Waterson tem se mostrado uma grappler bastante sólida, inclusive levando a melhor nesse jogo em determinados momentos contra Tecia Torres. Waterson não é mais uma promessa e quando foi colocada contra a elite da categoria não deu conta do desafio, precisando de uma vitória pra se manter relevante dentro do topo da categoria dos peso palha, o que será facilitado se conseguir aplicar seu jogo mais técnico de striking, mantendo a distância e evitando a luta franca com uma lutadora fisicamente mais privilegiada.

Cortney Casey

Cortney Casey (7-5 no MMA, 3-4 no UFC) tem tido uma carreira bastante inconstante no UFC, depois de perder as duas primeiras lutas e se recuperar com duas vitórias seguidas foi jogada contra uma Claudinha Gadelha ferida pela derrota na disputa de cinturão, também não dando conta do nível mais alto da categoria. Casey tem um bom background no jiu-jitsu e mostrou evolução após a mudança de academia, principalmente na parte estratégica do jogo, o que contribuiu para uma vitória contra Jessica Aguilar e uma atuação sólida contra Felice Herrig.

Ser mais comedida e estratégica nas lutas pode não ser a melhor decisão neste final de semana, de modo que não poderá se manter distante como fez contra Herrig em sua última luta, devendo buscar usar a vantagem física para encurtar e fazer da luta uma pancadaria, ou mesmo buscar o clinch e a luta de solo, no intuito de se valer da vantagem física que possui.

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O fato aqui é que as lutadoras precisam muito da vitória. Em baixa na carreira, ambas podem ter de volta o prestígio que já lhes foi dado anteriormente. No fim das contas, o maior talento está do lado de Michelle, que tem um striking técnico o suficiente para levar a luta se conseguir evitar a pancadaria, podendo trabalhar as entradas e saídas na longa distância nos três rounds ou até mesmo facilitar o caminho para uma finalização, como fez com Paige. Por outro lado, se Cortney conseguir transformar a luta em uma pancadaria, ou mesmo reagir no solo com sua guarda arisca, poderá beliscar uma vitória contra uma adversária de nome, mudando de patamar na categoria. Dentre as opções expostas, apostarei no maior talento de Waterson em uma vitória na decisão.

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