UFC On FOX 28: Prévia do Card Preliminar

Como de costume nos eventos programados para a FOX, o UFC escalou diversos combates explosivos para animar a audiênicia da TV aberta. No entanto, o UFC On FOX 28 tem mais atrações do que as quatro lutas do card principal.

Nas preliminares, temos o retorno do ex-campeão Renan Barão à divisão que lhe fez estrela, um duelo importante no top 10 do peso galo feminino, uma briga pelo ranking do peso palha, um dos mais refinados jiu-jiteiros em ação no MMA mundial e outras promessas de pancadaria.

Confira o que deve rolar no card preliminar do UFC On FOX 28.

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Peso galo: Renan Barão (BRA) vs. Brian Kelleher (EUA)

Vocês lembram de quando era legal ver Renan Barão (36-5 no MMA, 9-4 no UFC) lutar? O potiguar teve início impressionante no UFC, conquistou o cinturão dos galos, mas as complicações no corte de peso e o aparecimento de TJ Dillashaw acabaram destruindo a carreira daquele que chegou a ser citado como um dos melhores do mundo. Na luta mais recente, ele não entregou muito desafio a Aljamain Sterling e perdeu na decisão dos juízes.

Atleta de início devagar, Barão era muito forte na época que usava os chutes baixos, que eram bem fintados e de difícil defesa. Já com a confiança abalada, Renan tornou-se um lutador lento, facilmente marcado, impotente e sem a versatilidade de antes, além dos problemas defensivos que apresenta, compensados pelo queixo duro. O que ainda mantém um pingo de esperança em Renan é o ótimo jiu-jítsu, mas não podemos confiar tanto assim no brasileiro caso ele volte a lutar com o alto nível da categoria.

Ex-campeão do Ring of Combat, onde derrotou o ótimo Julio Arce, Brian Kelleher (18-8 no MMA, 2-1 no UFC)  chegou enfiando o pé na porta no UFC, com uma finalização rápida sobre Iuri Marajó, no Rio de Janeiro. Depois de tomar muito copo na cabeça, acabou finalizado um mês depois pelo equatoriano Marlon Vera, mas se recuperou com um nocaute no lutão contra Damian Stasiak. Para o duelo de sábado, Kelleher tem a oportunidade de vencer o maior nome de sua carreira.

Em pé, Kelleher é um atleta que começa o combate lento, mas vai aumentando o ritmo conforme a luta vai passando, sempre avançando em linha reta e buscando encurralar o oponente com socos. Ele consegue usar os chutes baixos de forma inteligente em algumas oportunidades, mas tem um apego enorme por golpes giratórios, que são usados com pouca eficiência. O wrestling é de nível bom, apesar de certos buracos, e “Boom” apresenta um jiu-jítsu oportunista e eficiente.

Brian Kelleher vs Renan Barao odds - BestFightOdds
 

Bem, caso Barão queira renascer na carreira, Kelleher é um atleta ideal pro atual momento. É importante para Barão iniciar o combate ditando o ritmo, soltando chutes baixos para garantir a sua superioridade e evitar o crescimento do americano, que apesar de menos técnico, pode levar perigo caso empolgue. Renan também tem uma boa opção caso queira levar a luta pro chão, onde é bem superior, mas não pode dar sopa para o azar. Com uma atuação dominante e sem empolgar, o brasileiro deve vencer por decisão unânime dos juízes.

Peso galo: #7 Sara McMann (EUA) vs. #8 Marion Reneau (EUA)

Medalhista olímpica e ex-desafiante, Sara McMann (11-4 no MMA, 5-4 no MMA) vem encontrando dificuldades em receber a sua segunda chance de disputar o cinturão. Ela ficou bem próxima no ano passado quando emendou três boas vitórias, mas acabou barrada pela jovem Ketlen Vieira. Aos 37 anos, é complicado imaginar que Sara voltará a lutar pelo título novamente. McMann é uma atleta de ótimo wrestling. Muito forte, ela sabe o momento de aplicar quedas e controlar as adversárias no clinch. No chão, é uma ótima controladora, muito por conta de sua força física absurda, mas ainda apresenta alguns problemas em certos âmbitos do jogo.

Falando em idade avançada, Marion Reneau (8-3-1 no MMA, 4-3-1 no UFC) já chegou aos 40 anos, mas ainda se mantém como uma top 10 legítima da divisão dos galos. Em sua luta mais recente, conseguiu uma vitória bem contundente sobre a brasileira Talita Bernardo. Na troca de golpes, Reneau sabe trabalhar os chutes em todas as partes do corpo. Os socos até carregam uma certa potência, mas falta ajuste e a chance dela tomar um contragolpe é grande, como aconteceu na luta contra Holm. O jogo de chão é o mais forte. Mesmo sem uma defesa de quedas boa, ela aposta sempre no jiu-jítsu de nível decente para buscar um pescoço e sair com a finalização.

Marion Reneau vs Sara McMann odds - BestFightOdds
 

Marion é uma atleta muito boa no jiu-jítsu, mas o seu jogo é do tipo que McMann adora anular. Caso não tenha nenhuma queda de rendimento por conta da idade, Sara deve buscar o primeiro chute de Reneau para colocar a luta no chão e segurar a luta ali mesmo. Para Marion, o ideal é controlar a distância em pé, cansar Sara pra se impor ou conseguir uma finalização no round final. Nossa aposta é no primeiro cenário.

Peso palha: #14 Maryna Moroz (UCR) vs. Angela Hill (EUA)

Ainda com 26 anos, Maryna Moroz (8-2 no MMA, 3-2 no UFC) tenta alavancar uma nova ida ao top 10 da divisão dos palhas. Após conseguir duas vitórias em lutas bem medianas contra Cristina Stanciu e Danielle Taylor, ela acabou sendo anulada pela ex-campeã Carla Esparza. Atleta bem alta para a categoria – 1,70cm – Moroz mostra pouca desenvoltura na troca de golpes e um sistema defensivo até duvidoso, apesar de ter bastante volume nos socos. Moroz possui um jiu-jítsu de bom nível e aposta bastante nele, inclusive preferindo cair por baixo pra poder mostrar melhor suas habilidades.

Angela Hill (7-4 no MMA, 2-4 no UFC) conseguiu evoluir bem ao ponto de conseguir garantir o seu retorno ao UFC, e agora tenta alcançar uma posição no disputado top 15 da categoria. Após reestrear com uma vitória sobre Ashley Yoder, acabou derrotada por Nina Ansaroff, dando alguns passos para trás. Especialista em muay thai, Angela mostrou evolução nos últimos tempos, apostando em bastante finta, troca de base e chutes baixos, mas provavelmente não chegará longe se não mostrar evolução no sistema defensivo e no solo, que é bem ruim.

Angela Hill vs Maryna Moroz odds - BestFightOdds
 

Temos um casamento bem legal aqui. Moroz tem alguns problemas defensivos na trocação e Hill buscará explorar na deficiência da ucraniana, que deve responder na mesma moeda com rápidos socos na curta distância. O que desequilibra a luta aqui é a rapidez e o oportunismo de Maryna no chão, já que ela consegue dar botes no clinch ou pode atrair Angela a trocar guarda com ela. A ucraniana deve conseguir uma finalização, provavelmente uma chave de braço, em algum momento dos 15 minutos de luta.

Peso meio-médio: Ben Saunders (EUA) vs. Alan Jouban (EUA)

Sempre divertido de assistir, Ben Saunders (21-8-2 no MMA, 8-5 no UFC) segue alternando resultados no octógono. Recontratado no início de 2017, começou bem quando venceu Court McGee, mas não viu a cor da bola quando encarou Peter Sobotta, em maio passado, seguindo afastado desde então, e agora retorna pegando uma encrenca. Saunders tem base no jeet kun do, além de diversos traços do muay thai no seu jogo, como os chutes na costela e o bom uso das joelhadas. Tem alguns problemas com velocidade e o wrestling defensivo sempre lhe deixou na mão, apesar de ser um bom jiu-jiteiro.

Alan Jouban (15-6 no MMA, 6-4 no UFC) é um dos lutadores preferidos da galera por conta do seu potencial imenso de pancadarias. Afinal, já lutou dez vezes no evento mais famoso do mundo e não me recordo de alguma luta que não foi animada. Nas lutas mais recentes, tomou um choque de realidade de Gunnar Nelson e acabou surpreendido pelo também violento Niko Price. Striker de origem, Jouban sempre impressionou os fãs com a psicopatia apresentada nas lutas, já que age bastante e pouco pensa, o que acabou expondo os seus problemas na defesa.

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Eventos na grande FOX sempre tem as suas anarquias escondidas, caso do evento com Saunders e Jouban. Caso não tenha nenhum tipo de queda de rendimento por conta da quantidade de socos sofridos na palhaça, Alan deve impor a sua velocidade no começo, encurralar Saunders e conseguir um nocaute entre o primeiro e o segundo assalto. A capacidade de Saunders no clinch é muito boa, mas acho o confronto desfavorável para o “Killa B”.

Peso meio-pesado: Sam Alvey (EUA) vs. Marcin Prachnio (POL)

O carismático Sam Alvey (31-10 no MMA, 8-5 no UFC) segue tentando ser o Donald Cerrone do peso meio-pesado com a frequência absurda de lutas, mas é uma pena que ele não possui um pingo da técnica do “Cowboy” e nem o mesmo nível de entreter as pessoas nas suas lutas. O sorridente americano é bem conhecido pelo poder de fogo altíssimo nos punhos, mas ele não apresenta muita técnica, tem uma movimentação bem pífia e o trabalho de solo é realizado de forma porca.

Depois de espancar muita gente na Europa e na Ásia, o polonês Marcin Prachnio (13-2 no MMA) desembarca na América do Norte com a promessa de se tornar um nome interessante no peso médio. Com o porte físico semelhante à um cavalo, Prachnio é um striker poderoso, que carrega bastante volume nos golpes e a chance de mandar qualquer um pra vala. Apesar disso, tem seus problemas em relação ao acerto de golpes e do wrestling defensivo, que é ruim.

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Temos dois lutadores distintos e pouca certeza do que vai acontecer. Prachnio é um lutador muito volumoso na trocação, mas é trouxa ao ponto de tomar um pedradão de Alvey, ou de cansar o suficiente pro carismático americano impor o seu jogo chatíssimo ao longo do tempo. Apesar de ter zero convicção nisso, apostarei no lutador mais técnico, com o polonês conseguindo derrubar o duro queixo de Alvey.

Peso galo: Rani Yahya (BRA) vs. Russell Doane (EUA)

Rani Yahya (24-9 no MMA, 10-3 no UFC) deu alguns passos atrás na carreira quando perdeu para Joe Soto, mas o brasiliense vem trabalhando para alcançar um lugar novamente no top 15 da divisão, e vem de boa vitória sobre Henry Briones. Um dos nomes mais condecorados em jiu-jítsu atualmente no UFC, Yahya se mudou para a American Top Team e apresentou uma certa melhora, com um grappling mais objetivo, evitando muita enrolação e buscando o ajuste certo para finalizar.

A carreira de Russell Doane (15-7 no MMA, 3-4 no UFC) no octógono é uma montanha russa. Começou bem, emplacou duas vitórias e foi derrotado por Iuri Marajó em uma decisão bem controversa. Acabou perdendo mais três lutas depois disso, e quando parecia perto de um adeus, conseguiu a redenção ao nocautear Kwan Ho Kwak. Russell é um atleta bem agressivo na troca de golpes, avança em linha reta, solta ganchos perigosos e usa bem os chutes, mas a parte de chão é bem fraca, sendo derrubado por quase todos os lutadores que enfrentou no UFC.

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A luta aqui está nas mãos de Rani. Se ele não se engraçar com Doane em pé, é até previsível que ele consiga a queda rapidamente e finalize o americano com um estrangulamento ainda na primeira parcial. Se engraçar, existem boas chances de Russell ganhar confiança e conseguir um nocaute lá pelo segundo assalto. O primeiro cenário é o mais provável.

Peso mosca: Eric Shelton (EUA) vs. Alex Perez (EUA)

Uma das boas surpresas do TUF 24, Eric Shelton (11-4 no MMA, 1-2 no UFC) finalmente venceu a sua primeira luta no octógono em novembro passado, quando bateu o filipino Jenel Lausa. Eric tem uma abordagem cautelosa na troca de golpes e normalmente não consegue levar vantagem pelo tamanho que tem. Suas entradas de queda são interessantes e, mesmo com algumas falhas no chão, ele exibe uma resistência admirável na luta agarrada.

Revelação do Contender Series, Alex Perez (19-4 no MMA, 1-0 no UFC) agarrou bem a oportunidade que teve no octógono, finalizando o também filipino Carls John de Tomas. Perez é um lutador que tem a velocidade como uma das principais características, sendo dono de um boxe alinhado, ele é um atleta bem oportunista no chão, com diversas boas finalizações.

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A luta pode ter um certo equilíbrio em pé, já que não estamos tratando de dois garbos na troca de golpes. No chão, a situação é mais favorável para Perez, que tem melhor defesa de quedas, é um atleta melhor nos ataques e mais oportunista na hora das finalizações, provavelmente arrancando um pescoço lá pelo segundo round.

Peso galo: Albert Morales (EUA) vs. Manny Bermudez (EUA)

O sempre divertido Albert Morales (7-3-1 no MMA, 1-3-1 no UFC) tenta manter o seu emprego no combate que abre a noite. Depois de vencer sua única luta no UFC contra Andre Soukhamthath, acabou varrido por Brett Johns e perdeu para Benito Lopez em uma batalha animada. Morales é um atleta forte no muay thai, normalmente carrega bons chutes baixos e jabs de encontro. Tende a crescer conforme a luta vai passando e às vezes se empolga, tentando partir para a briga e se abrindo demais, o que pode ser um ponto positivo pra galera que gosta de assistir carnificina. O chão também não é das melhores alternativas para Albert, que tem dificuldades de defender quedas e não é muito ágil por baixo.

Único estreante da noite, Manny Bermudez (11-0 no MMA) deixou boa impressão no período que lutou em Massachussets, o que motivou o UFC a contratá-lo. Faixa-roxa de jiu-jítsu, Bermudez é um grappler perigosíssimo, que tem o total controle da luta em pé com a sua abordagem cautelosa e os golpes retos antes de aproveitar a primeira brecha para levar a luta pro chão. No solo, Manny é letal, com uma capacidade absurda de encaixar estrangulamentos de qualquer posição.

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Manny pode se tornar um lutador muito interessante no futuro, mas o nível de competição pode pesar em seus primeiros combates, então, não estranhe caso Morales consiga dar trabalho, principalmente na troca de golpes. Como Albert não é o melhor lutador no aspecto defensivo, é de esperar que Bermudez aproveite as brechas para levar a luta pro chão e conseguir uma finalização no primeiro assalto.