Por Edição MMA Brasil | 26/01/2018 11:49

O Spectrum Center, na cidade de Charlotte, Carolina do Norte, recebe neste sábado o primeiro evento do UFC em TV aberta de 2018. O UFC On FOX 27 aposta num card principal com duelos equilibrados e de alta probabilidade de ação.

Pelo peso médio, Ronaldo Jacaré, número três do ranking oficial do UFC, e Derek Brunson, oitavo colocado, fazem revanche mais de cinco anos depois em momentos bastante distintos. Antes deles, o número 11 dos penas, Dennis Bermudez, encara o instável, mas sempre empolgante Andre Fili.

Outros dois duelos igualmente explosivos abrem o card principal. No primeiro deles, Drew Dober e Frank Camacho devem protagonizar a anarquia da noite. Em seguida, o super prospecto Gregor Gillespie defende a invencibilidade contra Jordan Rinaldi.

Atenção aos horários: o UFC On FOX 27, que será transmitido ao vivo e na íntegra pelo canal Combate, iniciará mais cedo que o padrão dos eventos do UFC. A primeira preliminar está marcada para às 19:00h, enquanto o card principal vai ao ar a partir das 23:00h, sempre pelo horário oficial de Brasília.

Peso Médio: #3 Ronaldo Jacaré (BRA) vs. #8 Derek Brunson (EUA)

Por João Gabriel Gelli

Ronaldo Jacaré

Um dos principais nomes que o UFC levou quando adquiriu o Strikeforce, Ronaldo Jacaré (24-5 no MMA, 7-2 no UFC) provou que se tratava de um lutador top 5 da categoria dos médios. Ele chegou no UFC com 5 vitórias seguidas até ser freado em uma potencial eliminatória de resultado controverso contra Yoel Romero. Duas vitórias tranquilas sobre Vitor Belfort e Tim Boetsch depois, foi colocado como favorito diante de um ascendente Robert Whittaker. No entanto, para a surpresa da maioria, o atual campeão o nocauteou no segundo round e atrapalhou todas as pretensões do brasileiro, que está inativo desde então.

É impossível falar de Jacaré sem começar pelas suas credenciais no jiu-jítsu. Um do melhores grapplers que já participaram de uma luta de MMA, ele é um finalizador da mais alta estirpe. Uma vez que consegue derrubar seus adversários, o que faz de forma razoavelmente eficiente, controla completamente os oponentes, avançando por posições de forma rápida, sempre da maneira mais objetiva possível, com a finalização sempre em mente. Já na luta em pé, mostrou melhorias que o tiraram do patamar de um lutador unidimensional para um capaz de variar o que faz e se tornar mais imprevisível. Apesar disso, sua técnica ainda é básica, baseada no poder de nocaute, mas de movimentos lentos, o que o prejudica contra concorrência mais qualificada.

Derek Brunson

Derek Brunson (18-5 no MMA, 9-3 no UFC) também estava na leva que chegou no UFC por meio do Strikeforce, mas sem ter a maior das expectativas em torno de seu nome. Mesmo assim, o americano ganhou seu espaço na divisão dos médios aos poucos, inclusive levando perigo a Yoel Romero, que precisou de uma virada com um nocaute brutal no terceiro round para superá-lo. Após essa derrota, Brunson superou Lorenz Larkin por decisão e entrou em sequência de destruição, com quatro nocautes seguidos, todos no primeiro assalto. Sua subida no ranking foi parada em nocaute de Robert Whittaker seguida por derrota contestada contra Anderson Silva. Em suas duas últimas aparições, vitimou Dan Kelly e Lyoto Machida na parcial inicial, o que lhe rendeu uma luta principal na maior plataforma de exibição do UFC.

Enorme para a categoria, Brunson baseia muito de seu jogo na força física. Sua modalidade de origem é o wrestling, na qual foi três vezes All-American da Divisão II da NCAA. Ele tem entradas de queda explosivas e é capaz de promover uma estratégia sufocante no clinch. Entretanto, isto parece ter ficado esquecido quando tomou gosto pelo nocaute e começou a derrubar corpos com frequência. Com isso, passou a adotar uma abordagem muito ofensiva, com patadas tresloucadas capazes de derrubar qualquer um, mas que deixam enormes buracos defensivos para que adversários mais refinados tecnicamente possam aproveitar, como foi o caso de Whittaker.

Derek Brunson vs Ronaldo Souza odds - BestFightOdds
 

Este duelo é uma revanche da época quando os dois estavam sob contrato com o Strikeforce. Foi a última luta de Brunson pela organização e a penúltima de Jacaré e terminou no primeiro nocaute aplicado pelo brasileiro em sua carreira, na marca de 41 segundos.

No entanto, um duelo muito mais complexo é esperado dessa vez. Desde agosto de 2012, ambos demonstraram boas evoluções, sobretudo na luta em pé. Enquanto Brunson se tornou mais agressivo e passou a acreditar mais em seu poder de nocaute, Jacaré ganhou mais confiança e começou a variar melhor sua abordagem. Dessa maneira, é de se esperar que os dois não tenham problemas para trocar socos, o que pode abrir brecha para que o brasileiro consiga uma queda e coloque seu jiu-jítsu de elite para jogo e anote mais uma finalização.

Contudo, já com 38 anos, parado há nove meses e vindo de uma derrota por nocaute, é possível acreditar que Ronaldo sofra uma queda de produção atlética e tenha dificuldades para usar sua força para derrubar ou absorver os golpes do mais jovem Derek. Pensando nisso, o palpite aqui é de que o ímpeto do americano será o suficiente para para encontrar o queixo de Jacaré e aproveitar seu grande poder de nocaute. Assim, a interrupção pela via rápida dolorosa deve chegar na primeira metade da luta e Brunson conseguirá sua vingança.

Peso Pena: #11 Dennis Bermudez (EUA) vs. Andre Fili (EUA)

Por Diego Tintin

Dennis Bermudez

Atleta formado no wrestling universitário estilo livre, Dennis Bermudez (16-7 no MMA, 9-5 no UFC) tem algumas ferramentas interessantes no aspecto ofensivo. Raçudo e voluntarioso, gosta de partir para cima dos adversários com muita fúria e uma técnica meio grosseira de trocação, mas que costuma funcionar. Sabe mudar de nível, tem um bom jogo de quedas, mas raramente identifica bem as oportunidades para que isso aconteça.

Além de erros estratégicos recorrentes, Dennis também paga um alto preço de ser extremamente descuidado na defesa. A guarda é uma peneira e não é raro o vermos saindo despudoradamente na mão, levando desvantagem em lutas que estavam bem encaminhadas na pontuação. Os fãs adoram, mas não é algo que lhe renderá uma posição de palestrante em gerenciamento de carreira.

O resultado dessa inconsequência é uma carreira irregular, com vitórias sobre alguns nomes importantes como Clay Guida, Tatsuya Kawajiri, Rony Jason e até o atual campeão da divisão Max Holloway (em um garfo grotesco). Já a sequência atual de Bermudez é de duas derrotas: na luta de retorno do “Zumbi Coreano” Chan Sung Jung e sendo mais uma vítima da grande fase de Darren Elkins.

Andre Fili

Andre Fili (17-5 no MMA, 5-4 no UFC) está há mais de quatro anos na maior organização de MMA do mundo, onde chegou como aposta para um futuro de sucesso no peso pena. Mas, com o decorrer do tempo, a empolgação com o jovem prospecto do Team AlphaMale arrefeceu com uma intensidade que não era prevista. Já são nove lutas no octógono sem conseguir repetir um resultado na luta seguinte – tentamos evitar os clichês por aqui, mas não há expressão melhor para definir esse currículo que a boa e velha “gangorra de resultados”.

Os brasileiros Hacran Dias e Felipe Sertanejo e o russo Artem Lobov foram os oponentes mais qualificados que Fili derrotou até hoje no UFC. Sempre que o nível de competição aumentou um pouco, ele se complicou e acabou sucumbindo frente a gente mais talentosa, como Holloway, Yair Rodrigues ou Calvin Kattar.

Andre tem qualidades ofensivas, principalmente na trocação, com volume interessante de golpes e pressão constante. Assim como seu oponente, o problema está na defesa displicente, que muitas vezes faz com que o bom trabalho no ataque seja desperdiçado. Além de repetir a tática de Bermudez de defender golpes com o rosto, tem deficiências no solo que não condizem com seus colegas de equipe mais famosos.

Andre Fili vs Dennis Bermudez odds - BestFightOdds
 

Uma receita infalível para entretenimento, que é usada à exaustão nos cards “UFC on FOX”, é casar lutadores com grande ímpeto ofensivo e deficientes na arte de se proteger. Esses dois sujeitos devem trocar bolachas, sopapos e cachações até o camarada de preto mandá-los parar. E é disso que o povo gosta, já dizia o espetacular locutor Januário de Oliveira. Depois de 15 minutos de pura anarquia, Bermudez é o favorito a ter a mão erguida no fim da conversa.

Peso Leve: Jordan Rinaldi (EUA) vs. Gregor Gillespie (EUA)

Por Alexandre Matos

Gregor Gillespie

Depois de estrear vencendo Glaico “Nego” França por decisão, Gillespie (10-0 no MMA, 3-0 no UFC) mostrou porque é um dos prospectos mais quentes da divisão mais encardida do MMA mundial. Ele levou 20 segundos para nocautear Andy Holbrook e sacudiu Jason Gonzalez antes de finalizá-lo no segundo round.

Campeão da Divisão I da NCAA pela mesma Edinboro University que revelou Josh Koscheck, Gillespie a cada luta deixa de ser um lutador que confia apenas no wrestling. Já desde o começo da carreira, ele tem adaptado transições do jiu-jítsu ao folk wrestling, produzindo um estilo rápido, versátil e de muito controle posicional e pressão no solo, seja para usar o ground and pound violento ou para abrir brechas para finalização. Gregor também desenvolve um interessante arsenal na troca de golpes em pé, treinado pelo ex-campeão mundial de boxe Chris Algieri. De quebra, tem mostrado coragem para sair na mão vigorosamente e queixo para aguentar as brechas defensivas que ainda são mais frequentes que o desejado.

Jordan Rinaldi

Velho conhecido do circuito regional americano, com passagens por extintas organizações como RFA, Legacy e WSOF, Rinaldi (13-5 no MMA, 1-1 no UFC) só fez duas lutas no octógono mais famoso do mundo. Na estreia, chamado em cima da hora, caiu diante de Abel Trujillo por decisão. Com mais tempo para se preparar, pegou o local Alvaro Herrera com um estrangulamento von flue no alto do morro da Cidade do México, no ano passado.

Wrestler formado pela University of North Carolina, integrante da filial da academia de Royce Gracie em Charlotte e faixa-marrom de jiu-jítsu de Sergio Penha, Rinaldi tem na luta agarrada seu carro-chefe. Seu pacote de finalizações é versátil e o controle posicional quando está por cima é interessante, mas são duas características que dificilmente terão resultado neste sábado. Jordan também não é um craque no striking, mas sabe mesclar alguns chutes ao boxe tecnicamente mediano.

Gregor Gillespie vs Jordan Rinaldi odds - BestFightOdds
 

Com tantos bons casamentos em eventos da FOX, este não é um exemplo. Gillespie é superior a Rinaldi em todas as áreas do jogo, como as odds indicam.

Como a possibilidade de Rinaldi acertar uma queda em Gillespie é remota, restará uma tentativa de knockdown para chegar ao chão em posição de vantagem. Porém, se entrar no tiroteio com Gregor, Jordan corre o risco de acordar com a lanterninha do médico no olho. O mais provável é que o prospecto acerte algumas pedradas em pé antes de anotar uma queda violenta e fechar a conta no ground and pound na primeira metade da luta.

Peso Meio-Médio: Drew Dober (EUA) vs. Frank Camacho (GUM)

Por Bruno Costa

Uma pancadaria ao melhor estilo “UFC On FOX” abre o card principal neste sábado, em uma luta que envolve dois lutadores com histórico de alto volume de ação no octógono.

Drew Dober

Drew Dober (18-8 no MMA, 4-4 no UFC) fará sua estreia no peso meio-médio por recomendação da Comissão Atlética do Estado da Califórnia após sua última luta – vitória contra Josh Burkman (glorioso concorrente do Baranga Awards 2016 e merecidíssimo vencedor do prêmio em 2017), e têm alternado resultados no octógono. Um competente kickboxer quando iniciou sua trajetória no UFC, Dober teve sua troca de golpes refinada e melhorou a capacidade de pressionar os adversários, com potentes chutes baixos e boas combinações curtas, levando perigo aos oponentes principalmente na curta distância. O wrestling ofensivo, quase inexistente no início da carreira, melhorou e passou a ser arma constantemente explorada em suas lutas, com boas quedas trabalhadas inclusive partindo do clinch. Contudo, defensivamente Dober ainda demonstra falhas na luta agarrada, que acabaram por lhe custar finalizações nas últimas derrotas sofridas no UFC – embora a mais lembrada delas seja uma imaginária, “sofrida” bizarramente contra Leandro Buscapé.

Frank Camacho

Frank Camacho (21-5 no MMA, 1-1 no UFC) volta à categoria dos meios-médios após falhar em atingir o peso leve na sua última luta, vencida numa bela pancadaria contra Damien Brown. Camacho, assim como seu oponente, gosta de trocar socos na curta distância e trabalha com naturalidade nesse cenário. Defensivamente, até pela distância em que prefere trabalhar, fica muito exposto aos golpes dos adversários e acaba por depender muito de seu queixo. O wrestling defensivo também não é confiável. O alto volume e intensidade em que trabalha nas suas lutas ocasionalmente também expõem o condicionamento físico inferior de Camacho.

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Em uma provável luta cheia de ação, a aposta é que Dober consiga evitar a pancadaria franca em curtíssima distância por 15 minutos que Camacho tende a buscar, variando suas ações e utilizando-se de sua caixa de ferramentas mais vasta do que a de seu duro oponente, levando a vitória por decisão em um embate cheio de entretenimento.