UFC On FOX 25: Weidman vs. Gastelum – Prévia do Card Principal

Quatro duelos explosivos, dois deles de proporções bíblicas, compõem o card principal do UFC On FOX 25, mais uma incursão do octógono mais famoso do mundo pelo estado de Nova York.

O UFC On FOX 25 marca mais uma incursão da maior organização do MMA mundial pelo estado de Nova York. O Nassau Veterans Memorial Coliseum, em Long Island, será palco de mais um evento bombástico, o terceiro transmitido na TV aberta americana em 2017.

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A luta principal traz um confronto essencial no peso médio. O ex-campeão Chris Weidman tenta interromper a incômoda sequência de derrotas contra Kelvin Gastelum, que vive situação oposta na categoria. Antes deles, Dennis Bermudez e Darren Elkins lutam para invadir o top 10 do peso pena.

Seguindo a proposta das formações de card na FOX, os meios-pesados Patrick Cummins e Gian Villante prometem pancadaria de proporções bíblicas. Abrindo a programação principal, Thomas Almeida encara Jimmie Rivera, em outra promessa de tiroteio, visando o top 5 do peso galo.

O canal Combate fará a transmissão ao vivo e na íntegra do UFC On FOX 25. Preste atenção aos horários: a primeira luta preliminar está marcada para às 17:00h, enquanto o card principal deve ir ao ar a partir das 21:00h, sempre pelo horário oficial de Brasília.

Peso Médio: #5 Chris Weidman (EUA) vs. #8 Kelvin Gastelum (EUA)

Por Alexandre Matos

Chris Weidman

Há dois anos, Weidman e Gastelum viviam momentos muito distintos. O primeiro era o número um do mundo, campeão do UFC, tendo enfileirado lendas como Anderson Silva, Vitor Belfort e Lyoto Machida. O segundo passava um momento conturbado como meio-médio, perdendo lutas no octógono e na balança.

Desde então, Weidman perdeu o cinturão e emendou três derrotas por nocaute. Já Gastelum foi obrigado a subir de categoria, mas reagiu com três triunfos consecutivos, ainda que o último, contra o quarentão Belfort, tenha virado no contest depois que o descendente de mexicanos foi pego no antidoping por maconha.

O lado curioso da fase negativa do ex-campeão é que, nos três reveses, ele saiu na frente em todos e cometeu alguns erros capitais. Contra Rockhold, Weidman inventou um chute alto ridículo e acabou por baixo de um selvagem ground and pound. Contra Romero, ele se empolgou em ter colocado o medalhista olímpico de wrestling para baixo e errou clamorosamente numa nova entrada de queda, recebendo um joelhaço que abriu uma torneira de sangue em sua testa. No compromisso mais recente, contra Mousasi, viu seu gás se esgotar mais rapidamente do que nunca e entrou em colapso ainda no segundo round.

Kelvin Gastelum

Weidman até mostrou algumas melhoras nas derrotas, como por exemplo no jogo de pernas e movimentação mais inteligente, mas o que ficou registrado na memória de todos foram os erros e os problemas de condicionamento.

Por outro lado, Gastelum se tornou o lutador que todos esperavam que ele se tornasse, um dínamo ofensivo, de punhos rápidos, muita intensidade, potência nos golpes e variação de jogo, alternando entre o striking na longa distância, a pancadaria no infighting, o clinch na grade e as quedas e pressão no solo. Defensivamente ele ainda se fia no queixo de pedra e na pressão ofensiva, mas pode ter problemas se for exposto ao grappling do rival.

Até hoje, nenhum lutador passou incólume às quedas de Weidman. Provavelmente não será Gastelum, que terá desvantagem física contra o ex-campeão, que será o primeiro. O problema para Weidman é que sua maior arma pode se tornar sua maior inimiga.

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Há um caminho claro para o ex-campeão vencer. Ele terá que adotar uma postura inteligente para preservar o gás o quanto puder. Para isso, o melhor a fazer é variar entre o controle de distância na troca de golpes – sem inventar nenhum movimento estúpido – e pressionar Gastelum na grade visando derrubá-lo daquela posição. No chão, caindo por cima, Weidman encontrará a situação que mais lhe será favorável, tanto na busca pela finalização quanto nos maus tratos no ground and pound.

Para esta estratégia dar certo, Chris precisa ser menos afoito nas tentativas de queda, pois elas têm consumido muito seu reservatório de gás. Como Gastelum é incansável, ainda mais sem corte de peso extremo, cansar será a receita para a tragédia para Weidman.

O primeiro round será preponderante para definir os rumos do combate. Se Weidman impor domínio com pouco desgaste, dará um passo importante para vencer numa decisão apertada. Se Gastelum fizer o oponente cansar, abrirá caminho para nocautear o farrapo que restar lá para o quarto round. Nestes dois cenários, o mais provável de acontecer é o segundo, especialmente porque Chris deveria ter dado um tempo maior depois de ser nocauteado três vezes.

Peso Pena: #10 Dennis Bermudez (EUA) vs. #12 Darren Elkins (EUA)

Por Matheus Costa

Darren Elkins

Caso tudo corra dentro do esperado, Darren Elkins e Dennis Bermudez devem protagonizar um combate que justifique a escolha do UFC em colocá-lo em destaque, principalmente para aqueles que gostam do jogo da luta agarrada.

Na 11ª colocação no ranking dos penas, Elkins (22-5 no MMA, 12-4 no UFC)  vive excelente momento na carreira. Aos 33 anos, ele ainda tenta mostrar evolução técnica para tentar ser um lutador menos previsível e unidimensional, voltando a escalar o ranking. No momento, Darren vem de quatro vitórias consecutivas sobre Robert Whiteford, Chas Skelly, Godofredo Pepey e o nocaute contra o prospecto Mirsad Bektic, numa gigantesca virada.

Por mais que busque evolução em outras disciplinas, o carro-chefe de Elkins, ex-integrante da Divisão II da NCAA, sempre será o wrestling – certamente o meio pelo qual ele tentará a vitória. O clinch será fundamental na sua estratégia. Dali ele medirá forças com Bermudez no jogo de quedas, disputando uma batalha para ver quem cai por cima. Caso passe pelo teste, deve mostrar que está pronto para alçar voos mais altos na categoria.

Dennis Bermudez

Se o wrestling é a força de Elkins, também é parte vital no jogo de Bermudez (16-6 no MMA, 9-4 no UFC). Buscando retornar ao caminho das vitórias, a “Ameaça” sofreu um nocaute visceral contra o “Zumbi Coreano” Chan Sung Jung, que não lutava havia quase quatro anos.

Vice-campeão do TUF 14 contra Diego Brandão, a pressão deve ser a chave do jogo de Bermudez contra Elkins. Suas quedas talvez fiquem um pouco de lado contra o gabaritado wrestler adversário, fazendo com que Bermudez aproveite mais o boxe, que evoluiu bastante nas últimas lutas e é melhor que o de seu adversário, embora ainda apresente um elevado índice de socos desperdiçados, o que ele compensa com um volume assombroso. Será ainda curioso observar a defesa de golpes de Bermudez, tendo em vista que ele costuma amortecer os ataques dos rivais usando seu próprio rosto.

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Por mais que eu tenha a impressão que a chance de Bermudez entregar a paçoca defensivamente seja alta, a aposta é que ele sairá vitorioso em uma decisão unânime, controlando a luta em pé usando o boxe. Entretanto, vale ressaltar que, caso a luta se desenhe mesmo para o lado do wrestling, Elkins deve levar vantagem, principalmente se cair por cima. De qualquer forma, será uma luta bastante interessante de se assistir.

Peso Meio-Pesado: #12 Patrick Cummins (EUA) vs. #13 Gian Villante (EUA)

Por Matheus Costa

Patrick Cummins

Se você gosta do bom e velho confronto entre wrestlers que preferem meter a mão na cara alheia, devo avisar que o duelo entre Patrick Cummins e Gian Villante é, definitivamente, a sua escolha para a noite de sábado. Donos de alguns dos piores níveis de QI de luta entre todos os atletas do extenso plantel do UFC, os dois prometem fazer um combate bastante animado e que muito provavelmente terminará em nocaute.

Wrestler parceiro de Weidman na Hofstra University, Villante (15-8 no MMA, 5-5 no UFC) muitas vezes esquece suas raízes e adota um estilo kamikaze de trocar pancadas alucinadamente. Caso sua defesa de quedas consiga frear o wrestling de nível olímpico de Patrick Cummins, que é basicamente a única arma do rival, Gian deve controlar o combate por ser superior em pé. Não que Villante seja um assasino quando se trata de striking, mas seu kickboxing deve ser suficiente para dar conta de Cummins. Entretanto, o pupilo de Ray Longo e Matt Serra pode sofrer consequências caso não consiga defender as tentativas de quedas do adversário.

Gian Villante

Cummins (9-4 no MMA, 5-4 no UFC) terá que mostrar serviço nesse sábado, de um jeito ou de outro. Para isso, ele precisa seguir a estratégia, evitando a todo custo cair no jogo de trocação com Villante a fim de não acabar nocauteado. Se optar pela estratégia segura, o ex-integrante da seleção americana de wrestling deverá colocar Villante de costas no chão quantas vezes tentar. E é neste ponto que reside o problema: se tentar. Mesmo vindo de vitória sobre Jan Blachowicz, no UFC 210, Cummins soma três derrotas nas últimas cinco lutas e precisa de um triunfo para garantir o seu emprego.

Por fim, por mais que o wrestling Cummins seja um trunfo que deve ser usado, ele deve vacilar novamente, abandonar sua estratégia e acabar nocauteado pelo bruto Villante. Não seria surpreendente se Cummins dominasse e amarrasse o rival, mas, depois de tanto apostar em seu jogo de quedas e esbarrar na ausência de inteligência durante as lutas, fica difícil acreditar que ele chegará em algum lugar no UFC. A aposta definitiva é nocaute de Gian Villante no segundo round.

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Peso Galo: #4 Jimmie Rivera (EUA) vs. #9 Thomas Almeida (BRA)

Por Anderson Cachapuz

Jimmie Rivera

Subindo na categoria dos galos mais rápido do que uma ratazana fugindo pela parede, Jimmie Rivera (20-1 no MMA, 4-0 no UFC) vem numa sequencia de 19 vitórias na carreira, enfileirando bons nomes no UFC. Depois da estreia fantástica, com um nocaute brutal sobre Marcos Brimage, Jimmie fez uma excelente luta contra Pedro Munhoz na casa do adversário, levando por decisão dividida, e adicionou outro brasileiro à sua conta quando despachou de virada Iuri Marajó. A cereja do bolo veio com uma tranquila vitória sobre o “California Kid” Urijah Faber, o que foi a primeira derrota de Faber na categoria dos galos sem valer o cinturão.

“O Terror” é um clássico lutador da tradicional escola americana. Com base no boxe e no wrestling, apesar de ter começado no kickboxing aos 13 anos, Jimmie exerce com certa competência as modalidades de base de seu jogo. Com uma forte defesa de quedas, possui habilidade suficiente para manter a luta onde quer que ela se desenvolva. Suas combinações normalmente vêm em forte explosão, com potência e precisão em bons cruzados, especialmente no infighting, onde o queixo de pedra lhe garante a coragem necessária para entrar no raio de ação dos oponentes e maltratar o corpo com duros ganchos ou mudar a luta de nível. Defensivamente, Rivera usa a boa movimentação e agilidade, além da capacidade para encaixar golpes. No chão, ainda não foi testado o suficiente, mas o americano é habilidoso e gosta de um estrangulamento.

Thomas Almeida

Um dos maiores prospectos da categoria, que em 2013 já era destacado no Radar MMA Brasil, Thomas Almeida (21-1 no MMA, 5-1 no UFC) chegou ao maior palco do mundo correspondendo às expectativas que depositaram sobre ele. O rastro de destruição que conta com apenas uma decisão em suas 21 vitórias (17 por nocaute e três por finalização) apavora qualquer um que divide o octógono com a besta-fera paulista. Sua única derrota aconteceu no confronto que virou eliminatória para Cody Garbrandt, outro dos mais balados prospectos na época e, agora, campeão da categoria, num nocaute fúnebre e frustrante.

Striker muito violento, Thomas possui um muay thai bastante refinado ofensivamente. Agressivo, preciso e muito potente, ele adora um tiroteio e fazer a chinela cantar como se não houvesse amanhã. Golpeia muito bem o corpo dos oponentes, trabalhando mais o boxe, sem muitos chutes, mas as joelhadas e cotoveladas normalmente dão conta do recado. No chão, sua faixa marrom de jiu-jítsu lhe deu as primeiras vitórias na carreira, mas o gosto de sangue na boca lhe faz tão bem que ele esqueceu que pode lutar na horizontal. Defensivamente, não sabemos como Almeida se sai no chão, pois a boa defesa de quedas e o controle da luta em pé, aliadas a uma boa movimentação, escorada por um queixo de pedra e uma mente cheia de psicopatia impede que a luta chegue a esse nível. Confiante de que não vai ser derrubado, ele não se preocupa muito com a defesa em pé.

Jimmie Rivera vs Thomas Almeida odds - BestFightOdds
 

Este é mais um combate com excelente potencial de entretenimento no sábado. Jimmie terá que ser cirúrgico e lutar com inteligência. Sua abordagem metódica pode lhe ajudar a encontrar o caminho para derrubar Thominhas, ou acertando o seu queixo ou quedando e trabalhando o ground and pound por cima. O brasileiro deve seguir sua escolha tradicional de luta, o “dane-se, vamos pro pau”, buscando o nocaute todo o tempo.

Se o brasileiro quiser dar um passo além na carreira e efetivamente fazer o que se espera dele há muito tempo, terá que entender que precisa se defender em pé e não ficar tão exposto, pois já ficou claro que ele não é impossível de ser nocauteado. A paciência e as habilidades de Rivera podem – e com certeza irão – causar problemas, mas o americano, apesar de excelente lutador, ainda não está no nível de Garbrandt. Logo, minha aposta é que o americano será abatido na segunda metade do combate, contrariando as casas de apostas e quebrando a banca.

  • James sousa

    Weidman e o grande teste para o Gastelum nos médios ele venceu Kennedy vindo de longo tempo inativo e Belfort em fim de carreira .
    Rivera merecia um adversário mais bem rankeado como Cruz , Assunção ou o Caraway

    • Anderson Tomaz

      Tentaram casar a luta com o Tate ano passado, mas às vésperas do confronto ele se lesionou. Quando não é lesão é tempo inativo… Não sei qual é a do Tate

      • Gabriel Carvalho

        Quem raios seria “o Tate”?

        • Rafael Oreiro

          Obviamente o Brian Caraway

          • Gabriel Carvalho

            Nossa, que baixo.

  • Tonny Varela

    Acho que não dá pro thominhas hein, queria que o gastelum ganhasse, mas não queria ver o Weidman perder mais uma, que vença o melhor !

    • Gabriel Carvalho

      Também acho que não.

    • Anderson Cachapuz

      Certamente a parada será duríssima pra ele….

      Mas eu ainda assim consigo vê-lo vencendo!

  • Gabriel Carvalho

    Alexandre indo contra o Weidman. Que nível que o All American chegou, hein?

    • Matheus Araujo

      Nunca iria imaginar

      • Tô aqui há nove anos fazendo trabalho sério.

        • Fernando Cruz

          Sempre que o Weidman tem queda de desempenho energético, ele faz besteira. O segundo cenário é bem possível, mas creio que pela diferença de tamanho, o Weidman não vai chegar ao ponto crítico energético que foi exposto ao enfrentar adversários de mesmo peso que o seu. O vejo melhor em tudo, além de ser maior, mais pesado e ter bem mais envergadura. Meu palpite: vitória do Weidman, antes do 5 Round.

        • Matheus Araujo

          Ehehehehehehehehehehe

    • Pensei que não havia dúvida sobre a seriedade do meu trabalho.

    • Lero

      Hahahah. Acabei de comentar uma parada parecida na materia dos palpites