UFC On FOX 24: Johnson vs. Reis – Prévia das Lutas Principais

UFC On FOX 24: Johnson vs. Reis – Prévia das Lutas Principais
MMA

Diversos combates movimentados vão deixar os fãs preparados para um possível momento histórico quando Demetrious Johnson tentar igualar o recorde de defesas consecutivas de Anderson Silva, no UFC On FOX 24.

Tão tradicional como a Páscoa é o card de abril do UFC na TV aberta americana. Neste sábado, o Sprint Center, numa das quatro cidades chamadas Kansas City nos Estados Unidos, será palco do UFC On FOX 24, mais uma vez contando com o número um peso por peso em ação.

A luta principal pode fazer história. Caso vença, Demetrious Johnson igualará o recorde de defesas consecutivas de Anderson Silva. Para impedir o feito, Wilson Reis luta contra sombrios prognósticos para conseguir um título inédito para o MMA brasileiro.

O excelente card principal traz ainda o confronto entre Rose Namajunas e Michelle Waterson, que deixará a vencedora perto de uma chance pela coroa do peso palha; o essencial duelo de pesos médios entre Ronaldo Jacaré e Robert Whittaker, além da promessa de pancadaria que envolverá Jeremy Stephens e Renato Moicano.

Como está virando tradição nas prévias colaborativas do MMA Brasil, algumas preliminares também foram analisadas. São os casos do confronto entre o ex-campeão dos pesados do Bellator Alexander Volkov contra Roy Nelson, a aguardada estreia de Tom Duquesnoy diante de Patrick Williams, além do retorno de Tim Elliott contra o jovem talento Louis Smolka.

Fique atento: como acontece em todos os eventos da TV aberta, o UFC On FOX 24 vai ao ar mais cedo que o normal. O canal Combate, que exibirá o card na íntegra e ao vivo, estará a postos para a primeira preliminar às 17:00h. Já o card principal está marcado para iniciar às 21:00h, sempre pelo horário oficial de Brasília.

Cinturão peso mosca: (C) Demetrious Johnson (EUA) vs. #3 Wilson Reis (BRA)

Por Alexandre Matos

Demetrious Johnson

O menor campeão da história do UFC, entre homens e mulheres, se tornou um dos maiores gigantes que o MMA já viu. Com nove defesas consecutivas em seu histórico, Johnson (25–2–1) está a uma vitória de igualar a icônica marca de Anderson Silva. Em seu último compromisso, o Super Mouse teve um trabalho tremendo contra outro azarão. Elliott, que também volta neste sábado, não conseguiu destronar Johnson, mas encerrou uma sequência de defesas unilaterais do campeão.

Há uma estatística que dá a ideia do monstro que Demetrious se transformou. Ele é o segundo lutador a ter abocanhado bônus nas quatro categorias instituídas pelo UFC (nocaute, submissão, desempenho e luta). Para que isso tenha acontecido, Johnson se transformou do wrestler competente e unidimensional em um dos strikers mais rápidos e elusivos do MMA mundial, com um preparo físico absurdo, confiança nas alturas e habilidade em transitar de uma área para outra do jogo com desenvoltura ímpar. Pará-lo significa ter que lidar com um sistema defensivo sólido e um arsenal ofensivo que não para de se alastrar. Para superar um sujeito assim, fora contar com a sorte, é preciso subjugá-lo em determinado aspecto do MMA. E, pelo que temos visto, há cada vez menos alternativas.

Wilson Reis

Desde que baixou para o peso mosca, Reis (22-6) venceu cinco dos seis compromissos. A única derrota aconteceu há quase dois anos, quando cedeu a Jussier Formiga seu primeiro knockdown. Desde então, o mineiro de Januária emendou três triunfos e transformou a chance de disputar o título, inicialmente dada com bem menos merecimento, em algo mais aceitável.

Radicado nos Estados Unidos há muitos anos, Wilson só lutou uma vez no Brasil antes de chegar ao UFC, em sua 16ª apresentação profissional. Campeão mundial de jiu-jítsu na faixa marrom, ele adicionou lá fora um wrestling bem acima da média de seus compatriotas, o que tornou seu versátil jogo de chão ainda mais perigoso. Em pé, mostra punhos rápidos, mas falha em diversificar a movimentação, tornando-se um alvo um tanto previsível para alguém do nível de Johnson.

Demetrious Johnson vs Wilson Reis odds - BestFightOdds

Em que pese o fato de ambos serem pupilos de técnicos geniais – Matt Hume e Eric Del Fierro -, há algumas diferenças fundamentais neste confronto.

Elliott deixou o ensinamento de pressionar Johnson no começo, mas é provável que o susto tenha deixado o campeão mais alerta. Conforme o tempo passar, a diferença física e técnica vai se tornando abissal, já que Demetrious não mostra queda de rendimento e se torna cada vez mais dominante na segunda metade dos combates. Se Reis pressionar no início e chegar ao chão, poderá aproveitar a chance nas costas de Johnson que o último desafiante não capitalizou. Mas, convenhamos, é difícil que este cenário se repita. O mais provável é que Anderson deixe de ser recordista isolado de defesas com a interrupção que Johnson anotará até o meio do terceiro assalto.

Peso palha: #4 Rose Namajunas (EUA) vs. #6 Michelle Waterson (EUA)

Por Anderson Cachapuz

Rose Namajunas

“Thug” Rose Namajunas (5-3 no MMA e 3-2 no UFC) é um dínamo. Ela chegou ao TUF 20 sem muitas expectativas por ser muito jovem, mas com o chamariz de ter aplicado uma das mais bonitas chaves de braço voadoras de todos os tempos, vencedora da finalização do ano em 2013. Sob o comando de Gilbert Melendez, Rose foi à final e perdeu o título de primeira campeã do peso palha para Carla Esparza. Na sequência, já oficialmente no UFC, largou com três vitórias, enfileirando Angela Hill e a também prospecto Paige VanZant com finalizações, derrotando depois Tecia Torres na decisão. Quando parecia que a jeripoca iria piar, foi dominada pela polonesa Karolina Kowalkiewicz e viu cair por terra sua segunda chance para o título.

É claro que isso não impactou tanto a carreira da jovem de 24 anos. Apesar de ainda ter um cartel com poucas lutas, Namajunas é experiente quando se trata de esportes de combate. Carateca desde os 5 anos e faixa preta desde os 9, começou a treinar mais modalidades ainda na adolescência. Praticou jiu-jítsu (chegou à faixa roxa) e, sob o comando de Duke Roufus na Roufusport, em Milwaukee, treina kickboxing, auxiliada também por seu marido Pat Barry. Ou seja, a mocinha é um perigo tanto em pé quanto no chão, por cima ou por baixo. Rápida, ágil, astuta, calma, precisa e oportunista, parece ser uma questão de tempo e de mais experiência para Rose integrar definitivamente e por vários anos o top 5 de sua categoria, até alcançando o título, eventualmente.

Namajunas é uma espécie de Belfort jovem quando se trata de iniciar seus combates. Impetuosa, não poupa esforços em busca de rápidas definições. Como gás não é um problema para uma menina de sua idade, Rose vai com tudo em busca da vitória. Tem um kickboxing ágil e bate bem de vários angulos, com boa movimentação e um jogo de pernas acima da média. Seu jogo de solo também é muito eficiente, mas seu wrestling precisa melhorar, tanto ofensiva quanto defensivamente.

Michelle Waterson

Peso átomo de origem – era a número um do mundo na categoria, ex-campeã do Invicta -, a “Gatinha do Caratê” Michelle Waterson (14-4 no MMA e 2-0 no UFC) desembarcou no peso palha do UFC após perder o cinturão para a brasileira Hérica Tiburcio disposta a mostrar para o mundo que, aos 31 anos, não é apenas mais um rostinho bonito para “cat fights”. Também começando cedo no mundo das lutas, porém muito mais experimentada que sua adversária, Waterson deixou de lado o início de carreira como ring girl para se consolidar como uma lutadora top em sua divisão, qualquer que seja. Estreou no UFC ainda um pouco nervosa apertando o pescoço de Angela Magaña no terceiro round para depois frear o hype de Paige VanZant, também com uma finalização.

Outra faixa preta de caratê, Michelle também é especialista em wushu (kung fu) e muay thai, sem esquecer do boxe e do jiu-jítsu. Ela não tem o hábito de utilizar o wrestling ofensivamente em suas lutas, embora devesse, pois possui boa destreza e habilidade atirando corpos ao chão. O wrestling defensivo também não tem um nível de alguém que pertence à elite, com o agravante de, apesar de ter todas as ferramentas para controlar bem a distância, Waterson tende sempre a encurtar. Quando os combates vão para o solo, a americana descendente de tailandeses é mortal e precisa. Com botes certeiros, costuma aproveitar bem as oportunidades que tem. Defensivamente não se pode repetir o discurso, pois ainda é derrubada com facilidade e possui buracos no solo.

Michelle Waterson vs Rose Namajunas odds - BestFightOdds

Favorita nas casas de apostas por uma margem que inclusive é mais aberta do que a luta deverá ser, Namajunas tem a seu favor o ímpeto, a juventude e a facilidade que provavelmente vai encontrar para chegar ao chão – a aposta deste que vos fala é que Rose deverá usar este plano de jogo. A tendência é que a noiva de Pat Barry troque o suficiente para se aproximar, com o auxílio de Waterson, que também tende a encurtar, mesmo que esteja levando vantagem no longo alcance.

No clinch, Namajunas é muito mais perigosa e mortal, e pode encaixar finalizações tanto por cima, quanto por baixo (e até em pé também). O jogo para Waterson envolverá controlar o ímpeto da rival e fazer a chinela cantar na troca de golpes no centro. Forçando Rose a trocar, Waterson tem mais ferramentas para dominar o combate utilizando sua experiência de ex-campeã e evitar um jogo que a prejudique.

Minha aposta é que Michelle terá problemas ao lidar com o ímpeto deste furacão e que Namajunas chegará a uma finalização lá para o fim do segundo round ou início do terceiro. Outra hipótese plausível é vitória de Waterson por decisão, num cenário com menor probabilidade de acontecer.

Peso médio: #3 Ronaldo Jacaré (BRA) vs. #6 Robert Whittaker (AUS)

Por Gabriel Carvalho

Ronaldo Jacaré

Em tempos de Dan Henderson e Georges St. Pierre furando fila, a categoria dos médios recebe um combate bem interessante pode aproximar – ou não – o vencedor de uma provável disputa de título. O brasileiro Ronaldo “Jacaré” Souza fará o primeiro combate de seu contrato renovado nesta semana contra o jovem australiano Robert “The Reaper” Whittaker.

Jacaré (24-4 1 NC no MMA, 7-1 no UFC) pode ser considerado um dos melhores lutadores dentro do UFC e que nunca disputou o título da categoria. Depois de ter emplacado cinco vitórias seguidas, a chance do capixaba estava próxima, mas ele acabou sendo derrotado em uma controversa decisão contra Yoel Romero. Após atropelar Vitor Belfort, parecia que Jacaré conseguiria uma chance pelo cinturão depois de uma lesão de Chris Weidman, mas foi obrigado a recusar a luta contra Rockhold por ter ele próprio se machucado. Em seguida, ficou um tempo na geladeira e decidiu retornar ao octógono, vencendo Tim Boetsch com facilidade e sendo marcado contra Whittaker em seguida.

O réptil é um dos melhores grapplers da história do MMA. Jacaré é um atleta rápido nas quedas, rápido nas transições e se caracteriza muito pelo caminhão de pressão que joga em cima dos oponentes. O que Demian Maia faz magistralmente em 15 minutos, Jacaré faz em dois ou três. Em pé, a velocidade de Ronaldo não é tão grande em relação ao desempenho no solo, mas ele mostrou uma evolução gigante nos últimos tempos e consegue trocar com vários oponentes, o que não deve acontecer no sábado, mas é uma arma interessante pro brasileiro em certos combates.

Robert Whittaker

Vencedor do TUF Smashes, Whittaker (18-4 no MMA, 8-2 no UFC) tomou uma ótima decisão ao optar por retornar ao peso médio, categoria em que venceu o reality show. Em plena evolução e numa divisão na qual o nível técnico é menor, Whittaker conseguiu despontar como uma revelação e emplacou vitórias sobre Clint Hester, Brad Tavares, Uriah Hall, Rafael Sapo e, a mais recente delas, em uma pancadaria com Derek Brunson.

Faixa preta de caratê e de hapkido, o cruzeirense tem uma movimentação pouco ortodoxa e um arsenal interessante de golpes, sempre disparando combinações de socos, chutes com uma abordagem bem agressiva. Um dos problemas do jogo de Whittaker é o striking defensivo, que é meio esburacado e deixa margem para outros lutadores o atingirem, como foi o caso de Rafael Sapo. O clinch e a luta agarrada são incógnitas quando falamos de Robert – o combate deste sábado será o teste definitivo.

Robert Whittaker vs Ronaldo Souza odds - BestFightOdds

Jacaré é um atleta que gosta de iniciar as ações na troca de golpes antes de passar o carro no chão, mas não acredito que isso se repetirá no sábado. O brasileiro chegou a levar golpes de Boetsch e ele sabe que o risco de ser nocauteado é maior quando falamos de Whittaker, que provavelmente será bem cuidadoso na troca de golpes para não levar uma rápida queda do capixaba. Apesar do cuidado do neozelandês radicado na Austrália, Jacaré deve levar o combate para o solo e finalizar com um katagatame ou um armlock ainda no primeiro round.

Peso pena: #5 Jeremy Stephens vs. Renato Moicano (BRA)

Por Diego Tintin

Jeremy Stephens

Afinal de contas, “Who da fook is that guy?”

Jeremy Stephens não é o lutador mais regular do mundo, como suas 12 vitórias e 12 derrotas dentro do octógono deixam bem claro. Ele também não pode ser considerado o cara mais empolgante do plantel do UFC, uma vez que já fez algumas lutas monótonas quando a expectativa sobre a peleja era grande. Porém, o sujeito tem algumas qualidades que o tornam um atleta muito respeitado pelo público e crítica do MMA.

A lista de virtudes começa com um poder de nocaute avassalador para o seu tamanho. Em algumas vezes, já esteve soterrado por adversários mais completos e conseguiu viradas espetaculares graças à força descomunal que consegue aplicar em seus golpes. Foi assim nas vitórias sobre o ex-campeão dos leves Rafael dos Anjos e sobre o duro Dennis Bermudez. Seria assim também contra outro ex-campeão se Frankie Edgar fosse um ser humano comum e não tratasse como um dia normal na firma o chute monstruoso que absorveu na estreia do UFC em Nova York.

Outra qualidade do “Esquentadinho” é aceitar todo tipo de adversário que a empresa ofereça, lidando quase sempre com gente do nível de Rafael, Edgar, Anthony Pettis, Max Holloway, Renan Barão, Donald Cerrone e Charles do Bronx.
Além do poder de nocaute, Jeremy tem uma boa técnica na troca de golpes, sabendo compensar a falta de velocidade com precisão e experiência. O grappling defensivo apresenta melhoras, mas ainda não é suficiente contra a elite e o ofensivo é pouco utilizado devido ao gosto pela luta em pé.

Renato Moicano

Renato “Moicano” Carneiro chegou ao UFC como um dos mais promissores brasileiros entre as divisões mais leves do MMA. Fez carreira no Jungle Fight, enfileirando alguns dos nomes mais fortes do cenário nacional, como Alexandre Capitão, Iliarde Santos, João Paulo Rodrigues e Ismael Marreta, chegando ao cinturão interino da organização. Ele nem precisou buscar a unificação, uma vez que a chance na maior organização do mundo veio logo em seguida. Com atuação marcante, finalizou o arisco e experiente Tom Niinimaki com categoria. Em seguida, uma lesão o deixou sem lutar por um ano e meio, até retornar com vitória duríssima por decisão dividida contra Zubaira Tukhugov, no histórico UFC 198 de Curitiba. Nova lesão o deixou fora de combate por mais onze meses até a volta deste sábado contra o carniceiro Stephens.

Pupilo de Ataíde Júnior na Constrictor Team, Moicano foi moldado no tradicional pacote “muay thai + jiu-jitsu” do MMA brasileiro. O brasiliense tem qualidade nos contra-ataques, trabalha com volume interessante de golpes e combinações curtas e justas. Aproveita seu bom tamanho no peso pena para a luta agarrada, evitando as tentativas de queda e levando a luta para o solo quando o oponente tem problemas nesta área. Para completar o pacote, Renato é muito oportunista no solo, buscando a submissão com tenacidade, principalmente o mata-leão, método com o qual conseguiu todas as suas cinco submissões como profissional.

Jeremy Stephens vs Renato Moicano odds - BestFightOdds

O “veteraníssimo” americano e o “garoto” brasileiro têm entre eles uma diferença de apenas três anos na idade. Porém, as 27 lutas a mais no cartel dão a Stephens uma vantagem considerável na experiência. Ambos preferem atuar nos contragolpes, com o americano mais potente e o brasileiro mais veloz. O teste de fogo para Moicano é exigente de verdade e imagino que ele vai bater na trave, com uma decisão apertada em favor do americano.

Peso pesado: #11 Alexander Volkov (RUS) vs. Roy Nelson (EUA)

Por Anderson Cachapuz

Alexander Volkov

Se a categoria dos pesados no UFC já é uma selva devastada, Alexander Volkov (27-6 no MMA e 1-0 no UFC) foi por muito tempo membro da ainda mais rasa elite do concorrente Bellator, sendo ex-campeão do evento e do M-1 Global. No auge de seus dois metros de altura, o russo ainda possui idade de prospecto aos 28 anos. Faixa-preta de caratê kyokushin e faixa-roxa de jiu-jítsu, o grandalhão tem boas combinações de socos e alguns chutes malucos saídos de sua cartola que costumam fazer estrago na concorrência, como mostram seus 18 nocautes até aqui.

O “Drago” chegou ao UFC com bastante expectativa, mas fez uma luta chata equilibrada contra Timothy Johnson, levando por decisão dividida, freando bastante seu hype. Agora, continua sua caminhada rumo ao encontro de “Torres Gêmeas” contra seu “corpo metade” Stefan Struve (sério, anotem isso aí em algum lugar porque eu quero ver essa luta – me julguem). Volkov treina com gente da estirpe de Fedor Emelianenko e Gegard Mousasi, ou seja, olho nele. Por baixo, Alexander consegue se virar bem, mesmo sem ser genial. Não costuma lidar bem com wrestlers que fazem o jogo do abafa, pesando bem o quadril, mesmo com tanta perna para apoiar e levantar.

Roy Nelson

Maior representante da categoria com mais sujeitos simpáticos da face da terra (a dos gordinhos, que incluem, além do próprio, eu mesmo), Roy Nelson (22-13 no MMA e 9-9 no UFC) já se encontra dobrando o Cabo da Boa Esperança aos 40 anos, prestes a aposentar as luvas e ir alisar sua pança em frente a uma churrasqueira qualquer no Texas, bebendo uísque e fumando um charutão.

Outrora um grande lutador (literalmente), o simpático “Big Country” hoje é apenas um rascunho do que já foi, apostando apenas no canhão que ainda reside em sua mão direita batizada pelo sete-pele. Roy é (ou era) especialista em jiu-jítsu, faixa-preta de Renzo Gracie. Porém, a idade já afeta sua memória e nosso representante pouco se lembra disso em seus combates. Com seis derrotas nas últimas nove lutas, Nelson vem em rota descendente e já até saiu do ranking oficial, que conta até com Tim Johnson, Marcin Tybura, Alexey Olieinik e outras figuras que poderiam dar lugar ao gorducho, muito embora apresente sinais de melhora (!!!): em suas três últimas apresentações, bateu Antônio Pezão e Jared Rosholt (ambos já demitidos) e perdeu para Derrick Lewis.

Alexander Volkov vs Roy Nelson odds - BestFightOdds

Qualquer análise que se faça sobre Nelson falará do passado e do que ele poderia fazer e nunca faz. Todos sabemos que Roy vai ficar rodando com a direita engatilhada, buscando um vacilo do oponente para estirar mais um corpo no chão, adicionando o 15° nocaute à sua coleção.

O ideal para Nelson seria encurtar a distância, chegar ao clinch, quedar e pesar por cima, maltratando o russo no ground and pound até encontrar brechas para finalizar. Como este cenário para mim é impossível de acontecer atualmente, o que deve nortear o combate é o russo controlando a distância, golpeando com jabs e chutes que devem varar a guarda de Nelson, mas não o nocautearão, como sempre, até chegar a uma tranquila vitória por decisão. Mas é bom o russo tomar bastante cuidado, senão…

Peso galo: Tom Duquesnoy (FRA) vs. Patrick Williams (EUA)

Por João Gabriel Gelli

Tom Duquesnoy

Última promessa a ser destacada pelo Radar MMA Brasil, Tom Duquesnoy (14-1) finalmente fará sua estreia no UFC. O francês desenvolveu a maior parte de sua carreira no BAMMA, um dos principais celeiros de talentos do MMA europeu. Lá foi campeão do peso pena e defendeu o posto em duas oportunidades. No entanto, ao sentir problemas contra adversários mais físicos, resolveu descer para o peso galo. Esta decisão se mostrou acertada, com mais três vitórias e um novo título somados ao seu currículo.

Aos 23 anos, Duquesnoy já é um lutador com arsenal ofensivo muito desenvolvido, combinado a um nível atlético fantástico. Sua principal característica é a agressividade na luta em pé. Ele costuma combinar os golpes com velocidade e mostra predileção pelos chutes. Além de se mostrar bastante criativo, baixar de categoria parece ter apurado sua capacidade de destruição, como a cotovelada aplicada em sua penúltima luta, contra Shay Walsh, destacou. Além disso, Tom cada vez mais apresenta melhorias no wrestling e os treinos com Greg Jackson parecem estar apurando sua consciência tática. Com a luta no solo, ele é oportunista e busca finalizações a todo momento. Contudo, como quase todo atleta jovem, precisa evoluir consideravelmente no aspecto defensivo em todos os setores, o que ainda pode lhe trazer problemas.

Patrick Williams

Seu adversário será Patrick Williams (8-4 no MMA, 1-1 no UFC). Pouco conhecido, viu suas duas aparições no octógono acabarem de maneira explosiva. Na estreia, foi vítima de uma espetacular joelhada de Chris Beal. No compromisso seguinte, conseguiu se recuperar e superou Alejandro Pérez com um guilhotina em pé em apenas 23 segundos, a finalização mais rápida da história da categoria no UFC.

Williams também é um bom atleta, capaz de se impor na força física. Tendo disputado o circuito universitário da Divisão I da NCAA no wrestling pela Arizona State University, que produziu nomes como Cain Velasquez e Ryan Bader, Williams costuma se dedicar à modalidade como seu jogo-base, capaz de realizar a transição da troca de golpes em pé para uma entrada de quedas com eficiência. No entanto, sua habilidade no striking deixa a desejar, apesar dos punhos pesados. Ademais, é adepto da estratégia do matar ou morrer – apenas uma de suas últimas sete lutas chegou ao segundo round e somente duas em sua carreira alcançou a decisão dos juízes laterais.

Patrick Williams vs Tom Duquesnoy odds - BestFightOdds

A experiência prévia de Williams no octógono pode ser um fator importante no começo do combate, enquanto Duquesnoy deve se acostumar com a nova casa e talvez sofra com o nervosismo da estreia. Assim, o americano deve ter a oportunidade de pressioná-lo contra a grade, usar o dirty boxing e tentar quedas. Por mais que possa ter sucesso em alguma de suas investidas, o francês não deve aceitar a luta de solo. Conforme o tempo passar e os nervos deixarem de atrapalhar, a vantagem considerável de talento deverá pender para o lado de Duquesnoy, que deve adicionar mais um nocaute para sua conta até a metade do confronto.

Peso mosca: #9 Tim Elliott (EUA) vs. #12 Louis Smolka (EUA)

Por Rafael Oreiro

Tim Elliott

Encontrada no meio das lutas preliminares, o embate entre os pesos moscas Tim Elliott e Louis Smolka promete ser um dos mais movimentados da noite.

O já veterano Elliott (13-7-1 no MMA, 2-5 no UFC) tem uma das melhores histórias do atual plantel do peso mosca. Ele foi demitido do UFC em 2015 após sofrer três derrotas consecutivas – o que, na época, não foi nenhum demérito, pois fez boas lutas contra Ali Bagautinov e Joseph Benavidez – e foi contratado pelo Titan FC, onde já chegou conquistando o cinturão e enfileirando os brasileiros Pedro Nobre, Iliarde Santos e Felipe Efrain. Pronto para outra chance no UFC, Elliott foi chamado para participar do TUF 24, quando demonstrou que realmente tinha evoluído tecnicamente neste periodo fora do UFC, vencendo o programa e virando o próximo desafiante de Demetrious Johnson. Apesar de levar algum perigo para o campeão no primeiro round, Tim acabou dominado no restante da luta.

Elliott é um lutador incrivelmente dinâmico e imprevisível. Ele utiliza uma movimentação pouco ortodoxa em pé para confundir os adversários e entrar em queda, e costuma ter um ótimo timing para isso. No chão, ele é muito agressivo, sempre trabalhando muito o ground and pound, com excelente visão para as tentativas de finalização no meio das transições, assim como quase fez com Johnson. Sua movimentação também o ajuda com a defesa de golpes em pé, apesar de se abrir muito de vez em quando quando aplica golpes.

Louis Smolka

O jovem Smolka (11-3 no MMA, 5-3 no UFC) passa pela pior fase da carreira até agora. Após impressionar e conseguir quatro vitórias seguidas no octógono – uma delas a finalização em cima de Paddy Holohan no combate principal de um evento na Irlanda – o havaiano foi surpreendido por Brandon Moreno com uma rápida finalização no primeiro assalto, numa das maiores zebras do ano passado. Smolka voltou a lutar então no UFC 207 e perdeu novamente por Ray Borg, desta vez sendo completamente dominado no jogo de abafa e no chão.

Antes considerado um dos melhores prospectos da categoria no UFC, o havaiano periga agora ficar numa situação horrível dentro da organização. Incrivelmente alto para a categoria, Smolka é muito habilidoso tanto na luta em pé quanto no chão, com muita facilidade em encaixar chutes – ele é faixa-marrom de caratê kempo – e em fazer transições rápidas no chão, mas deixa a desejar na transição entre essas facetas de seu jogo. O “Último Samurai” falha defensivamente também – contra Borg, a defesa de quedas lhe causou problemas, muito devido ao desgaste físico que ele demonstrou durante a luta, fruto provavelmente do corte de peso severo que ele passa para lutar no peso mosca.

Louis Smolka vs Tim Elliott odds - BestFightOdds

Smolka não terá a diferença de alcance que normalmente exibe contra a maioria dos pesos moscas e por isso não deve encontrar tanta facilidade de impor seu jogo de caratê no decorrer do combate. Em pé ou no chão, os dois devem fazer uma disputa muito movimentada, mas Elliott tem a vantagem no wrestling e um condicionamento físico mais confiável, apesar de também passar por um corte de peso severo. Embora tenham habilidades para encontrar uma finalização nas transições de chão a qualquer momento, acredito que Elliott terá mais facilidade em controlar a situação no chão por cima, dando pouco espaço para o havaiano, chegando à vitória na decisão dos juízes.

  • Asisz Marco

    Adorei essa passagem ” O que Demian Maia faz magistralmente em 15 minutos, Jacaré faz em dois ou três.” há quem fale que Demian tem mais chão que jacaré, para mim é uma blasfêmia esse tipo de afirmação, o jiu do Demian aparece mais, e usando novamente a frase destacada, ele aparece mais pois alem do demian somente contar com ele, ele não tem a pressão de passador igual o Jacaré tem, Jacaré joga pro chão, o oponente só sai finalizado, nocauteado via gnp, ou quando milagrosamente sobrevive a um round inteiro por baixo.

    • A questão é que o jiu-jítsu do Demian foi mais bem adaptado ao MMA. Jacaré é mortal, mas perde mais posição que o Demian.

      Reveja Jacaré-Rockhold que vai relembrar que sua última frase não é tão bem assim.