UFC On FOX 22: VanZant vs. Waterson – Prévia do Card Principal

Paige Vanzant e Sage Northcutt, provavelmente os dois mais famosos prospectos do UFC, lideram o card principal do UFC On FOX 22, que marca a despedida do ícone Urijah Faber em sua cidade.

A capital da Califórnia abre as portas de seu mais novo empreendimento para o último evento do UFC na TV aberta americana em 2016. O Golden 1 Center, inaugurado em outubro com um show de Paul McCartney e nova casa do Sacramento Kings, da NBA, será palco do UFC On FOX 22, cujo card principal promete o alto entretenimento de sempre na maior plataforma de exibição da organização nos Estados Unidos.

No duelo mais importante da noite, Paige VanZant e Michelle Waterson lutam para bater na porta de uma eliminatória do peso palha. Antes delas, os talentosos Sage Northcutt e Mickey Gall precisam mostrar que são mais do que prospectos bons de promoção.

Urijah Faber, maior ídolo da história do MMA de Sacramento, encerra a lendária carreira diante de seus torcedores contra Brad Pickett. Abrindo a programação principal, Alan Jouban e Mike Perry fazem a mais forte candidata a luta da noite.

O UFC On FOX 22 terá transmissão ao vivo e na íntegra pelo canal Combate. Como é de costume nos eventos da FOX, o horário de transmissão é mais cedo. O card preliminar está marcado para começar às 18:30h, enquanto o principal deve ir ao ar a partir das 23:00h, sempre no horário oficial de Brasília.

Peso Palha Feminino: #8 Paige VanZant (EUA) vs. #12 Michelle Waterson (EUA)

Paige VanZant

Passo a passo, a jovem VanZant (7-2 no MMA, 4-1 no UFC) vai pavimentando seu percurso no MMA. Depois de três vitórias seguidas nas primeiras apresentações, Paige sofreu um revés marcante. A surra aplicada por Rose Namajunas até freou a ascensão, mas mostrou a todos que, mesmo derrotada, ela tem coração para ir longe. Em seguida, novas ferramentas foram liberadas no plástico nocaute aplicado em Bec Rawlings.

A “Calibre 12” se notabilizou no MMA por um jogo físico, de muita agressividade, pautado na aproximação e na sufocante pressão na luta agarrada. Como essa abordagem deu muito errado contra Namajunas, Paige trouxe um novo cenário, usando mais o kickboxing de longa distância. É verdade que ela vinha tendo trabalho contra Rawlings, mas o chute alto voador que rendeu o nocaute fez muita gente esquecer os problemas dos minutos anteriores.

Michelle Waterson

Ex-campeã do Invicta FC no peso átomo e ex-número 1 do mundo na categoria, Waterson (13-4 no MMA, 1-0 no UFC) retornou ao peso palha para aceitar o convite da maior organização do mundo. No octógono, a estreia, ocorrida no TUF 21 Finale, não foi sem susto, mas, no final, rendeu uma bela vitória por chave de braço sobre Angela Magaña. Agora, com o nervosismo da estreia superado, a expectativa é que Michelle se junte à elite da divisão.

Como o apelido de “Gatinha do Caratê” indica, a origem da descendente de tailandeses vem da arte japonesa. Além do caratê, ela se especializou no kung fu e muay thai, que formam sua base no striking. O wrestling defensivo precisa de muito desenvolvimento – o que é o maior sinal de alerta para este sábado – enquanto o ofensivo é subutilizado. Isso é curioso, visto que Waterson costuma se meter no clinch mais do que deveria.

Michelle Waterson vs Paige Vanzant odds - BestFightOdds

O ponto forte de uma é um problema para a outra, o que explica odds tão próximas. Se VanZant repetir a estratégia de lutar na distância, provavelmente vai sofrer. Para sorte dela, Waterson tem uma certa tendência de encurtar mesmo quando está em vantagem na troca de golpes. Caso isso aconteça, Paige terá a força física ao seu lado para aplicar o velho jogo de quedas e pressão no chão.

Isto posto, o palpite para este combate é praticamente jogar a moedinha para o alto e ver qual lado cairá para cima. Aqui em casa foi o lado de Waterson, por decisão.

Peso Meio-Médio: Sage Northcutt (EUA) vs. Mickey Gall (EUA)

Sage Northcutt

Com apenas 20 anos de idade e contratado pelo UFC há 14 meses, Northcutt (8-1 no MMA, 3-1 no UFC) não perdeu tempo. Em todos os combates, seja lá por qual motivo, ele chamou atenção. Fosse pelo atropelamento contra Frank Trevino, pelo susto que acabou em virada contra Cody Pfister, pela famosa derrota para Bryan Barberena ou pela animada pelada do UFC 200 contra Enrique Marin.

A finalização aplicada por Barberena, num katagatame que não parecia muito justo, fez a alegria dos fãs hardcore, que têm dificuldade de aceitar o imenso hype por cima do menino que nasceu com os holofotes sobre si. Deixando de lado a máquina promocional sobre o loirinho-branquinho-de-sorriso-largo, temos que dizer que Northcutt tem talento superior à da maioria em sua idade. O moleque é faixa-preta de caratê desde a infância e, no aspecto ofensivo, sabe atuar em todas as valências, além de ter um condicionamento atlético apurado. Defensivamente, no entanto, os buracos são do tamanho da pouca idade e experiência – e o mesmo vale para a variação tática e implementação de estratégia.

Mickey Gall

O “Super Sage” não é o único molecão deste card que sabe promover a própria carreira. Gall (3-0 no MMA, 2-0 no UFC) aproveitou muito bem a oportunidade de dividir o octógono com o superastro da luta armada CM Punk, atropelando o veterano estreante na luta e usando bem o microfone após o combate. Ele ficou famoso, mas isso não esconde o fato de só ter três compromissos profissionais, todos contra estreantes, sendo que Punk nem lutador é.

No entanto, assim como Sage, é bom dizer que Gall tem talento a ser lapidado, especialmente na luta agarrada, com quedas explosivas e um trabalho intenso no solo de transições, botes para finalizações e um ground and pound ostensivo. Assim como o adversário, Mickey costuma impor seu jogo físico, mas faltam testes para saber como ele reagirá na adversidade. Sábado é uma boa oportunidade para todos, inclusive ele próprio, aprendermos.

Mickey Gall vs Sage Northcutt odds - BestFightOdds

Apesar de ser quatro anos mais novo, Northcutt tem a vantagem da experiência aqui, não só por ter lutado mais, mas por ter sido derrotado num combate em que o mundo caiu em seus ombros.

O início deste duelo será preponderante, já que ambos têm a tendência de acelerar para controlar as ações. Se Gall conseguir encurtar, jogar Northcutt no chão e controlar a guarda do oponente, terá dado um belo passo para frustrá-lo. Porém, Sage tem maior capacidade em pé para dominar a distância e surpreender Mickey com algum golpe plástico daqueles difíceis de antever. E como são esses os que nocauteiam, esta é a aposta para o combate.

Peso Galo: #7 Urijah Faber (EUA) vs. Brad Pickett (ING)

Urijah Faber

A aura de nunca ter perdido um duelo que não fosse por cinturão caiu no ano passado, quando Faber (33-10 no MMA, 9-6 no UFC) foi atropelado por Frankie Edgar. Aquela foi a primeira luta como peso pena desde que José Aldo lhe dizimou as coxas, ainda no WEC, em 2010. De volta ao peso galo, Faber teve problemas, mas venceu Frankie Saenz antes de ser embaraçado por Dominick Cruz, na última tentativa de ser campeão do UFC. No combate seguinte, mostrando que a carreira chegou ao fim, foi derrotado pelo prospecto Jimmie Rivera.

Perder para Rivera aos 37 anos nem seria o fim do mundo, afinal, o peso galo normalmente é cruel com esta idade. O problema foi que Rivera nem teve uma de suas grandes atuações para estar sempre um passo adiante. O velho jogo de quedas explosivas e transições que fatalmente acabavam na guilhotina, marcas registradas do estilo Team Alpha Male, já não é mais natural no atual estado atlético do California Kid. Ele acabou se tornando um sujeito que fica em busca do overhand de direita, que é potente, mas bastante previsível no atual momento em que as combinações rarearam.

Brad Pickett

O retrospecto de Pickett (25-12 no MMA, 5-7 no UFC) no octógono nunca foi bom, mas hoje é de quatro derrotas nas últimas cinco lutas. Para piorar, o queixo, que já foi intransponível, foi maltratado por Thomas Almeida, por Cisco Rivera (apesar da vitória numa pancadaria clássica) e por Iuri Marajó, que lhe aplicou um vareio em outubro. Se está na hora de Faber parar, provavelmente veremos aqui a despedida de Pickett também.

O apelido do britânico é um dibre do Ronaldinho Gaúcho. Se Pickett um dia foi um lutador de “One Punch”, estes tempos estão lá atrás, na época em que se dedicava ao boxe. Brad usa a escola americana do boxe com o wrestling, usando combinações no pocket para abrir as defesas e entrar com uma queda. No chão, Pickett lembra Faber nas transições, no uso do ground and pound e na caça ao pescoço alheio.

Brad Pickett vs Urijah Faber odds - BestFightOdds

Parar diante de seus alunos, vizinhos e fãs que fizeram dele o primeiro astro das divisões mais leves deve ter feito Faber se preparar como se fosse disputar o cinturão. Mais do que o lado físico, Faber deve ter atentado para o aspecto tático, para não deixar que Pickett transforme a luta em pancadaria. Controlando a distância, Urijah poderá definir quando levar a luta ao chão. Para obter sucesso, terá que usar as combinações que não dão as caras há anos. Por este motivo, as chances de derrota são mais consideráveis do que as odds indicam, mas a aposta é que o California Kid executará sua última guilhotina antes de deixar o octógono em lágrimas, aplaudido de pé pelos fãs de sua cidade.

Peso Meio-Médio: Alan Jouban (EUA) vs. Mike Perry (EUA)

Alan Jouban

Se a juizada em Uberlândia não tivesse aprontado uma das suas, Jouban (14-4 no MMA, 5-2 no UFC) estaria com um belo retrospecto de 6-1 no UFC. Fora a controversa derrota para Warlley Alves, o único revés de Alan foi o nocaute aplicado por Albert Tumenov. Nas vitórias, ficam registradas as pancadarias doidas contra Matt Dwyer e Belal Muhammad.

Se não fosse tão maluco, talvez Jouban pudesse vislumbrar um futuro no top 10. Para alegria da garotada, ele é daqueles que se protegem com a cara e que mandam um mim acher para a defesa. Aos 35 anos, Jouban provavelmente não vai mudar, o que não só não será bom para a carreira no MMA, mas também nem para a de modelo. Enfim, estamos aqui falando de um camarada que esquece que é faixa-marrom de Eddie Bravo no jiu-jítsu – Alan praticamente se limita ao muay thai de ritmo alucinado e thai clinch violento.

Mike Perry

Perry (9-0 no MMA, 2-0 no UFC) chegou ao UFC apenas em agosto, no histórico UFC 202. Porém, deixou uma impressão tão forte que já está abrindo card na TV aberta. Na estreia, nocauteou violentamente o durável Hyun Gyu Lim no primeiro assalto. No combate seguinte, bateu em Danny Roberts como se o oponente fosse uma mala velha, mas levou sua dose também. Em resumo, são nove nocautes em nove lutas profissionais.

É fácil perceber que Perry é um lutador ultra agressivo, mas que ainda tem um caminho a percorrer no desenvolvimento técnico. Alguns detalhes defensivos podem lhe deixar em enrascadas, como a tendência de atuar com o queixo alto e o jogo de pernas que ainda não é fluido para garanti-lo defensivamente. Porém, sua capacidade de encaixar golpes tem se mostrado muito eficiente e o contra-ataque normalmente é violento.

Alan Jouban vs Mike Perry odds - BestFightOdds

Parabéns aos envolvidos no casamento desses dois sujeitos tão afeitos a enfiar a mão na palhaça alheia. A possibilidade disso aqui relembrar o épico Swanson-Choi da semana passada é bem palatável.

Jouban tem um arsenal ofensivo mais vasto e costuma começar as lutas num nível insano. Porém, a capacidade de apanhar de olho aberto e encaixar um contragolpe faz de Perry um sujeito apto a explorar as várias brechas defensivas que Alan deixa pelo caminho. Usando estratégia semelhante à que aplicou para quebrar a envergadura de Lim, Perry deve encontrar sua oportunidade para anotar o décimo nocaute consecutivo.

  • Arthur Malaspina

    Esse card principal está beeeem legal, acho que esse evenzto vai surpreender. Aposto que o main event será uma baita luta.

  • James sousa

    Evento bem bacana a primeira luta do card principal e o main event devem ser bem animados tenho uma boa expectativa em relação a Waterson nessa categoria uma pena ela ter ficado todo esse tempo lesionada

  • Roberto Edificações

    Michelle Waterson S2 S2 S2

  • Sexto Empírico

    Card bom, apesar dos preconceitos dos “fãs hardcore”. Independente do hype, as lutas foram bem casadas e meus favoritos, a partir daí, serão os que finalizarem ou nocautearem.
    Obs: pra quem luta para ganhar por pontos “estrategicamente”, eu torço para que tenha um desses fins:
    – ser nocauteado
    – ser finalizado
    – ser aposentado

  • Marcos E

    “UFC Hype Night” é a piada fácil dessa edição. Mas tá bem interessante o cruzamento das lutas! As disputas realmente justificam as apostas acirradas. Os palpites estão bem parelhos, tirando o Faber.