UFC On FOX 21: Maia vs. Condit – Prévia do Card Principal

UFC On FOX 21: Maia vs. Condit – Prévia do Card Principal
MMA

Demian Maia em busca do posto de desafiante, Anthony Pettis como peso pena, Paige VanZant tentando recuperação e Jim Miller e Joe Lauzon reeditando a luta de 2012 são as principais atrações do UFC On FOX 21, neste sábado.

O octógono retorna ao Canadá no próximo sábado para o segundo dos nove eventos semanais consecutivos que a maior organização do MMA mundial vai promover. A Rogers Arena, em Vancouver, será palco do UFC On FOX 21, a quarta aparição do UFC na TV aberta americana em 2016.

Para liderar o card, que sempre é movimentado na FOX, Demian Maia tenta dar o último passo antes de disputar o cinturão do peso meio-médio. Ele terá pela frente o ex-campeão interino Carlos Condit, que desafiou o título em janeiro.

Outro brasileiro tem lugar de destaque no evento. Charles do Bronx será o responsável por dar as boas vindas a Anthony Pettis no cenário dos penas. Antes deles, Paige VanZant tenta se recuperar da primeira derrota no octógono contra Bec Rawlings. Abrindo o card principal, Jim Miller e Joe Lauzon reeditam uma das melhores lutas de 2012.

Sempre é bom reforçarmos que eventos na FOX começam bem mais cedo que o normal. O card preliminar está marcado para iniciar às 17:30h, enquanto a porção mais importante do evento vai ao ar a partir de 21:00h, sempre pelo horário oficial de Brasília.

Peso Meio-Médio: #3 Demian Maia (BRA) vs. #4 Carlos Condit (EUA)

Demian Maia

Demian Maia

Já são cinco vitórias consecutivas desde o par de derrotas na virada de 2013 para 2014 e muitos já reclamam da falta de uma chance para Demian lutar pelo cinturão. É verdade que ele impressionou contra Matt Brown, Gunnar Nelson e Neil Magny, mas nenhuma dessas vitórias foi contra um representante da elite de uma das divisões mais acirradas do UFC. Então chegou a hora de encarar um top 5 para mostrar que a chance lhe é de direito.

Demian já está com 38 anos e isso apenas aumenta seu feito de se reinventar numa categoria em que precisou de um corte de peso mais severo. Para chegar novamente à posição de desafiante, agora com bem mais respeito do que na primeira vez, como peso médio, o paulista retornou às origens. É possível dizer que Demian é quem melhor implementa o jiu-jítsu no MMA moderno. Ele tem se mostrado implacável nas tentativas de queda, o que minimiza o fato de errar muito mais do que acertar (tem cerca de 30% de aproveitamento). Mesmo se a primeira tentativa falhar, Maia se mantém focado e logo emenda uma próxima, e uma próxima, tornando a vida dos oponentes um martírio. No chão, o jogo sufocante e praticamente sem perda de posição passou também a ser mais ostensivo e ofensivo. Definitivamente, ninguém quer estar no solo com Demian.

Carlos Condit

Carlos Condit

A vida de Condit se tornou uma gangorra de emoções desde que perdeu consecutivamente para Georges St. Pierre e Johny Hendricks. Ele então venceu Martin Kampmann, perdeu para Tyron Woodley, amargou mais de um ano de inatividade para tratar de uma lesão no joelho, voltou e venceu Thiago Pitbull, em Goiânia. Parecia pouco, mas Joe Silva lhe concedeu uma nova chance pelo título. Pois então o “Assassino por Natureza” fez o que mais sabe, que é se meter numa batalha épica. Ele perdeu para Robbie Lawler em decisão controversa, mas saiu na frente na disputa pela melhor luta de 2016.

O lutador inconstante que um dia me fez duvidar dele virou um sujeito ainda com alguns problemas, mas altamente empolgante. A mentalidade ofensiva, a obediência tática de uma das melhores equipes do mundo e o talento incrível no muay thai, tanto na longa distância, com um mix de chutes baixos, joelhadas voadoras, jabs, diretos e ganchos, com um thai clinch demoníaco, fazem de Condit uma eterna garantia de espetáculo. O wrestling até hoje é seu principal calo, mas ele compensa com uma atividade acima da média fazendo guarda e com um condicionamento físico que costuma deixá-lo em vantagem conforme as lutas se estendam. Já faz um tempo que eu me rendi a Condit, assim como imagino que não há um fã que não curta vê-lo em ação.

Carlos Condit vs Demian Maia odds - BestFightOdds

Temos aqui um confronto deveras intrigante. Por um lado, Condit é o integrante do top 5 mais viável para Maia, devido à defesa de quedas problemática que o americano insiste em apresentar. Por outro lado, o jogo previsível do brasileiro, que não dá o benefício da dúvida para o rival, facilita a tarefa de lutadores que mostram maior facilidade de controlar a distância, caso de Carlos.

Eventualmente Demian vai conseguir grudar em Condit e fazê-lo sofrer no chão. É provável que a defesa de submissões do americano dê conta dos ataques do brasileiro, que não são tão frenéticos como deveria. Depois de pegar o tempo das entradas, porém, a aposta é que Condit aos poucos vá negando as tentativas de Demian enquanto o agride com combinações até chegar ao nocaute técnico no quarto ou quinto assalto.

Peso Pena: #7 LW Anthony Pettis (EUA) vs. #6 Charles “do Bronx” Oliveira (BRA)

Anthony Pettis

Anthony Pettis

Três derrotas consecutivas rendem uma visita ao RH para a maioria dos lutadores no UFC. Pettis, porém, não é qualquer um. O ex-campeão dos leves teve então que pensar numa saída para revitalizar sua carreira e a decisão foi a de baixar para o peso pena depois de sucumbir perante Rafael dos Anjos, Edson Barboza e Eddie Alvarez, não por acaso o atual campeão e o último dentre eles.

Não é só pelo fato de ter sido campeão que Pettis tem benevolência do facão implacável de Joe Silva e Sean Shelby. Estamos falando aqui de um striker genial, um dos mais criativos que o MMA já viu, senão o mais. Um sujeito capaz de andar na grade para aplicar um chute, que usa o espalhafato sempre na direção ofensiva, que tem um leque de chutes que raros chegam perto e uma precisão cirúrgica nos golpes. De quebra, é um finalizador nato no chão e aguenta pancada como poucos enquanto mantém a chama da busca pela vitória o tempo inteiro. Como pontos negativos, que foram preponderantes para as derrotas, o boxe que não acompanha os chutes, o wrestling defensivo e a dificuldade de lidar com a pressão adversária.

Charles do Bronx

Charles do Bronx

Desde que se estabilizou como peso pena (bem, estabilizar não necessariamente se trata do desempenho na balança), Charles vive um momento bem mais favorável que Pettis. O jovem paulista venceu cinco de seus últimos seis compromissos, caindo apenas quando sentiu uma lesão contra Max Holloway. Atuações dominantes contra Myles Jury, Jeremy Stephens e Nik Lentz serviram para manter Do Bronx cercando o top 5 da divisão.

Estilisticamente, Charles lembra em vários aspectos seu oponente de sábado. Ele também é um striker criativo, que lança cotoveladas e joelhadas voadoras com a mesma tranquilidade de tomar um café no botequim da esquina. No chão, é um lutador infernal que perde pouco tempo trocando posições e logo enxerga uma oportunidade de encaixar uma finalização. Do mesmo modo que Pettis, o wrestling defensivo é um problema que ele compensa com a atividade no solo. Nas diferenças, Charles nunca demonstrou a capacidade de Pettis de lidar com adversidade e não tem o mesmo condicionamento físico do americano (vejamos como Pettis lidará com o corte de peso, no entanto). Outra diferença é que Pettis é um melhor striker do que grappler, enquanto o natural do Guarujá é superior na luta agarrada.

Anthony Pettis vs Charles Oliveira odds - BestFightOdds

Ao ver o aspecto cadavérico de Pettis, muita gente imaginou que Charles terá vida fácil em Vancouver. Esse pessoal provavelmente esquece que o paulista não é exatamente o cara mais parrudo da categoria e que costuma ter problemas cortando peso, o que lhe custa rendimento em lutas prolongadas.

Em situação de equilíbrio físico, o combate tem uma tendência de favorecimento ao ex-campeão, pois a defesa esburacada de Do Bronx é um convite à precisão dos golpes de Pettis. Ambos preferem atuar na distância e Charles já demonstrou anteriormente problemas em encaixar pancadas na linha de cintura. Como é especialidade do “Showtime” meter a canela na barriga alheia, a expectativa é que este movimento seja o começo do fim do brasileiro.

Peso Palha Feminino: #10 Paige VanZant (EUA) vs. Bec Rawlings (EUA)

Paige VanZant

Paige VanZant

Ainda que tenha chegado ao estrelato muito mais por sua aparência física do que pelos resultados no octógono, VanZant é um talento em desenvolvimento que merece toda a atenção técnica do mundo. Ela abriu sua corrida no UFC com três vitórias impactantes, sobre Kailin Curran, Felice Herrig e Alex Chambers. Alçada antes da hora para a elite, acabou atropelada por Rose Namajunas. Porém, mesmo na derrota, Paige saiu do octógono ainda maior pela imensa dignidade mostrada em absorver a surra e seguir em frente. Como se diz no jargão do MMA, mostrou coração de lutadora.

Aos 22 anos, representante do Team Alpha Male, VanZant mostra um preparo físico invejável, o que foi fundamental para suportar o castigo de Namajunas. Isso também é a principal mola propulsora de um estilo de pressão constante, que não deixa pausas para as adversárias respirarem. Rose expôs diversos buracos defensivos, o que é natural para alguém ainda muito jovem, podendo ser acertada enquanto parte para cima da concorrência em busca do clinch – mas é preciso calma para capitalizar as oportunidades, já que o ritmo de VanZant é intenso. Uma vez grudada, a vice-campeã do Dança dos Famosos aplica um dirty boxing com toda sorte de golpes e busca as quedas. No chão, repete a receita do restante de seu jogo, muito agressiva e incessante, tentando finalizações quando oportunidades aparecem, mas que também deixa brechas que uma finalizadora como Namajunas pode tirar proveito, como tirou.

Bec Rawlings

Bec Rawlings

Ex-integrante do TUF 20, programa que VanZant foi impedida de participar por causa da idade, Rawlings tem experiência no Invicta, quando foi derrotada por Carla Esparza. No octógono mais famoso do mundo, ela tombou na primeira fase do TUF, perdeu para Heather Jo Clark no Finale do programa, mas se recuperou finalizando Lisa Ellis e passando por Seo Hee Ham.

Assim como Paige, Bec também faz parte de uma equipe de elite, no caso a Alliance MMA, do treinador Eric Del Fierro e Dominick Cruz. Aliás, ela é mais um fruto do ótimo trabalho do preparador físico George Castro, responsável pelas várias máquinas físicas que saem do time de San Diego. Ainda que não tenha uma movimentação frenética como a de VanZant, Bec é uma lutadora resistente, mas que costuma desperdiçar energia se lançando ao ataque como o mundo fosse acabar logo depois da luta. Seu boxe é técnico, mas sem muita potência, o que acaba fazendo com que ela exagere na dose de tentar terminar uma luta, criando situações de exposição que uma adversária mais técnica não tem dificuldade de dar conta.

Bec Rawlings vs Paige Vanzant odds - BestFightOdds

Aqui temos duas lutadoras bastante agressivas, mas uma delas, VanZant, mais impositiva fisicamente. A tendência que Rawlings tem de se lançar ao ataque é um convite para ser engolida por Paige. A expectativa é que VanZant não demore em ter a australiana debaixo de seu ground and pound e acabe encontrando uma brecha para finalizá-la.

Peso Leve: Jim Miller (EUA) vs. Joe Lauzon (EUA)

Jim Miller

Jim Miller

A última vez em que Miller venceu duas vezes seguidas foi na virada de 2013 para 2014, quando finalizou Fabricio Morango e Yancy Medeiros no primeiro round. Desde então, ele entrou numa inacreditável sequência negativa que contou apenas com uma vitória sobre Danny Castillo em cinco lutas, tombando no caminho para Beneil Dariush, Michael Chiesa, Donald Cerrone e até para Diego Sanchez. A fase era tão ruim que foi a única vitória justa de Diego nas últimas oito lutas. Quando tudo parecia perdido, Jim limpou um pouco da barra no UFC 200 aplicando uma surra no acabado Takanori Gomi.

Quando estava na boa fase, Miller mostrou um jogo sólido, muito forte no clinch, bom nas quedas, agressivo no jiu-jítsu, com um boxe volumoso e muay thai versátil, tudo conduzido por um preparo atlético acima da média, uma mentalidade ofensiva e inteligência para enxergar no olho do furacão. O problema é que as inúmeras batalhas começaram a cobrar o preço e o queixo, antes uma arma na aproximação, foi esmorecendo – e este pode ser um problema no sábado, especialmente no começo do combate.

Joe Lauzon

Joe Lauzon

Lauzon também se meteu numa fase de resultados claudicantes, mas bem menos grave do que a de Miller. O último par de vitórias de Jim aconteceu na mesma época do último par de Lauzon. Depois disso, Joe foi nocauteado por Al Iaquinta, nocauteou Gomi, tombou frente a Evan Dunham e promoveu o primeiro nocaute de Diego Sanchez, no mesmo UFC 200 que Miller se recuperou.

Recentemente superado por Nate Diaz como o maior papa-bônus da história do UFC, J-Lau é um dos mais empolgantes lutadores do plantel da organização. Ele tem bons momentos em pé, com um uso inteligente dos jabs e uma geração de potência elevada para um sujeito magriça como ele, mas é no chão que Lauzon faz a alegria do povo. O sujeito tem um arsenal vasto de finalizações a partir de várias posições, além de ser autor de incríveis transições e raspagens plásticas, que são beneficiadas pela enorme capacidade de reagir mesmo banhado de sangue e levando pancadas no ground and pound. Seu maior problema na derrota para Miller, em 2012, e que pode se repetir é a dificuldade de lidar com strikers canhotos, uma vez que ele se enrola quando há o choque de jab com jab e acaba deixando brechas defensivas gritantes.

Jim Miller vs Joe Lauzon odds - BestFightOdds

Miller e Lauzon estavam sob dúvidas em relação a suas durabilidades e ambos entregaram resultados poderosos no UFC 200, ainda que os oponentes estivessem em fases descendentes nas respectivas carreiras. Portanto, agora um contra o outro, temos a hora da verdade.

Eu não espero que eles vão entregar uma repetição da primeira luta, que foi uma das melhores do ano de 2012, mas aposto que será o suficiente para divertir qualquer um. Miller tem mais ferramentas, especialmente com o wrestling a seu favor, o que deve garantir que ele caia sempre por cima, a não ser que seja vitimado por um knockdown. Um pouco mais ciente da necessidade de se preservar, já que Lauzon não tem nenhuma, Jim deve tomar conta das ações para não deixar o oponente transformar a luta em pancadaria neurótica. Mesclando quedas com o boxe, Miller deve machucar o adversário com socos sobre a guarda e com cotoveladas no ground and pound, fazendo o árbitro interromper debaixo de banho de sangue, com direito a protestos de Lauzon.

  • Bruno carrer

    Nao e por nada nao mas…… Sinto cheiro de finalização nessa luta do Maia hein….

  • Rafael

    O que acho ridículo no Condit é ver ele se jogando na curta para cair na porrada, quando falo de se jogar, é pq ele fica na longa tendo domínio e repentinamente bate uma loucura e ele se joga pra curta, se não me engano St Pierre capitalizou nisto derrubando, e Lawler encaixando pancadas de encontro. Se ele melhorasse esse simples aspecto do jogo ao meu ver ele estaria em outro nível falando de resultados. Se ele repetir isto contra Maia ele pode acabar nesta gangorra de resultados mesmo.

  • Guilherme Yamashita Anami

    Sobre o main event, acho que podemos ter um highlight do Condit ou senão uma luta com domínio do Demian no solo, que provavelmente seria bastante tensa pra nós fãs hardcore e “chata” pra maioria do público. Aliás, se fosse uma luta de 3 rounds, eu até apostaria no Demian…

  • James sousa

    Vejo dois cenários na luta principal ou o Demian Maia conseguir uma vitória por 48-47 ou o Condit arrumar um nocaute nos dois rounds finais

    • Alex Silva

      Demian q mingua com o decorrer das lutas vencer uma máquina de cárdio como Condit na decisão em 5 rounds? difícil!

      • James sousa

        ganhado os 3 primeiros rounds

      • Thiago Marques

        kkkk

  • Gabriel Carvalho II

    Miller vs. Lauzon é a final do torneio dos aposentados iniciado no UFC 200.

  • Thiago Marques

    Eu sabia que a aposta do MMA Brasil seria pelo Condit, vim apenas conferir… rs