Por Edição MMA Brasil | 02/08/2019 00:26

Após um evento de bom nível com o UFC 240,UFC retorna em mais uma semana, mas agora com um card bem mais humilde. Trata-se do UFC Newark, que aterrisa na cidade localizada em Nova Jérsei – também conhecida como a vizinha problemática da meca norte-americana Nova Iorque – diretamente na Prudential Center, que abrigava os jogos do antigo New Jersey Nets e é a casa oficial do New Jersey Devils, da NHL

Como destaque, a edição nos oferece um duelo entre o antigo rei da categoria dos meios-médios Robbie Lawler, que já não vive mais seus dias áureos, e o ex-campeão interino Colby Covington, que ascende na categoria com ótimas atuações e vitórias importantes.

Já na luta coprincipal da noite, um duelo entre dois veteranos de quilometragem de um Fiat 147 pela categoria dos leves. Em um duelo que seria interessante se estivéssemos no início da década, Clay Guida, que vive um momento positivo aos 37 anos com três triunfos em suas últimas quatro lutas, enfrentando Jim Miller, que tenta uma sobrevida em sua carreira no auge de seus 35 anos.

Também nos leves, um interessante duelo surge entre dois jovens e talentosos lutadores. De olho na sequência de sua ascensão na divisão, Nasrat Haqparast enfrenta o brasileiro Joaquim Silva, também conhecido como “Netto BJJ“, em um duelo que promete ser bastante animado. Além disso, Trevin Giles enfrenta Gerald Meerschaert pela categoria dos médios, enquanto Scott Holtzman encara Dong Hyun Ma, também pela categoria dos leves.

O UFC Newark terá transmissão neste sábado (3) ao vivo e na íntegra pelo Canal Combate. A primeira luta da porção preliminar deve ir ao ar às 13:00h, enquanto o card principal deve se iniciar às 16:00h, sempre no horário oficial de Brasíia.

Peso Meio-Médio: #2 Colby Covington (EUA) vs. #11 Robbie Lawler (EUA)

Por Alexandre Matos

Faz mais de um ano que Covington (14-1 no MMA, 9-1 no UFC) não sobe no octógono para lutar, mas ter ido a São Paulo xingar os animais imundos rendeu frutos. Ele deu um baita salto de dificuldade no nível de competição enfrentada e tirou proveito. O novo provocador do MMA venceu Demian Maia e Rafael dos Anjos, depois de superar gente como Dong Hyun Kim e Bryan Barberena, conquistando o cinturão interino da divisão e alcançando seis vitórias seguidas. Levou balão do UFC na hora de unificar e agora dá um passo atrás.

Apesar de ser um tremendo mala, Covington também é um lutador muito bom. Ex-parceiro de Jon Jones na modesta Iowa Central Community College e depois All-American na Divisão I pela Oregon State University, Colby é um wrestler fisicamente muito forte tanto no clinch quanto nas quedas, além de ter um equilíbrio poderoso para se manter em pé. Quando tem o controle na luta agarrada, ele consegue causar danos no dirty boxing e no ground and pound, situação na qual dificilmente perde posição. Seu forte ritmo de luta permite um volume intenso de socos, que são pouco contundentes e técnicos, mas que incomodam. Contra ele, uma enorme dificuldade de se defender no striking – até Demian o atingiu mais vezes que o recomendado. Nem sempre é bom confiar na capacidade de encaixe, ainda mais quando se tem do outro lado um sujeito que um dia foi a encarnação do satanás.

Houve um tempo em que Lawler (28-13 no MMA, 13-7 no UFC) era um extintor de vidas humanas no MMA. Uma renca de gente que passou pelo seu caminho entre 2013 e 2016 nunca mais voltou ao normal. Ele acabou com as carreiras de Josh Koscheck, Matt Brown, Carlos Condit e até mesmo Rory MacDonald nunca mais foi o mesmo depois de dois choques com a forma humanoide do sete-pele. Neste tempo, Lawler conquistou o cinturão do UFC e o defendeu duas vezes até ser destronado por um nocautaço de Tyron Woodley. Agora ele tem três derrotas nas últimas quatro apresentações.

Na verdade, os danos que Lawler causou aos adversários também refletiram nele. Dono de um estilo implacável, como diz seu apelido, Robbie tem um estilo visceral, que fica cada vez mais violento conforme o sangue escorre em seu rosto. O preparo físico atingiu níveis muito elevados, mas agora refletem a idade e as guerras travadas. Depois de velho, Lawler adotou postura de kickboxer contragolpeador sem mais gastar energia desnecessária atrás da hail mary. O wrestling de sua origem nas lutas se tornou uma ótima ferramenta defensiva e o clinch, um lugar desagradável para estar com ele. Porém, as duas valências caíram muito com o declínio físico.

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Covington tem que confiar muito que Lawler não vive mais seus melhores dias. Juntar a defesa de striking lamentável de Colby com a capacidade de destruição de Robbie é um convite sério ao desastre.

O Lawler de quatro anos atrás manteria Covington no clinch e o mandaria para as profundezas da vala. Hoje, provavelmente o domínio da troca de força isométrica será do ex-campeão interino. Ainda assim, as inúmeras brechas que Colby dá podem permitir que Robbie aplique mais um nocaute escabroso. A aposta, no entanto, é que Covington conseguirá desgastar Lawler com uma pressão forte na grade até a vitória por decisão.

Peso Leve: Jim Miller (EUA) vs. Clay Guida (EUA)

Por Diego Tintin

Jim Miller (30-13 no MMA, 19-12 no UFC) chegou perto de disputar o cinturão dos leves no início desta década e era uma das maiores ameaças na divisão. De cartel gordo, muitas lutas repletas de danos causados e sofridos, a queda de rendimento chegou cedo para o “A-10”. Chegou a ter quatro derrotas em cinco lutas, parecia o fim da linha, mas se mantém empregado com vitórias pontuais. James até consegue vencer quando escalado contra outros veteranos ou lutadores abaixo da média, mas é só subir um pouco o sarrafo que ele não dá conta de competir contra gente no auge da forma.

Nos bons tempos, Miller era um bom wrestler e perigoso faixa-preta de jiu-jítsu. Com o tempo, o queixo vem deixando de ser confiável e os movimentos são mais lentos e carecem de explosão muscular. Ainda é capaz de incomodar com um boxe de golpes retos bem escolhidos e combinações de jabs com cruzados e ganchos de potência moderada. No chão, tem boa variedade de transições e oportunismo para liquidar a fatura, se tiver uma brecha. Contudo, defensivamente está vulnerável demais para fazer frente a uma concorrência mais sólida. Ainda consegue manter um bom condicionamento e sempre se apresenta com muita garra.

Clay Guida (35-18 no MMA, 15-12 no UFC) é mais um sujeito com muita história para contar dentro do octógono. Quando jovem, o “Carpinteiro” lutava com uma intensidade difícil de igualar, o que o tornava perigoso mesmo com certa inconsistência técnica. A certa altura, o declínio físico tirou o que Guida tinha de melhor, deixando apenas um wrestler burocrático e bastante pragmático no seu lugar. A trocação é desajeitada e defensivamente acessível a trocadores mais técnicos.

Clayton passou uma temporada no peso pena, onde sucumbiu diante de adversários do primeiro escalão. Resolveu voltar a sua divisão de origem e, com casamentos de lutas mais coerentes, voltou a se apresentar de forma digna, vencendo veteranos como Joe Lauzon e Erik Koch. Assim como seu oponente deste sábado, foi recentemente finalizado por Charles Du Bronx, mas voltou a vencer em seu último duelo, quando enfrentou uma versão lamentável da lenda BJ Penn.

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Este é mais um daqueles duelos em que nos perguntamos “como nunca aconteceu antes?”. Guida recuperou uma forma digna na volta para os leves e tem soltado um pouco mais o jogo. Contudo, Miller é superior tecnicamente em todas as áreas e consegue, no mínimo, equilibrar o aspecto físico. Com um controle bem executado na luta em pé, apostamos em vitória deste último por decisão.

Peso Leve: Joaquim Silva (BRA) vs. Nasrat Haqparast (ALE)

Por Gustavo Lima

Joaquim Silva (11-1, 4-1 UFC) come pelas beiradas desde que ganhou o contrato com a companhia ao avançar duas fases no TUF Brasil 4, mostrando serviço ao vencer bons oponentes apesar das limitações. Com nocautes notáveis contra Andrew Holbrook e Jared Gordon, o brasileiro desperta curiosidade por ser muito mais striker do que naturalmente se esperaria de alguém com a alcunha “Netto BJJ”.

Netto, que possui trinta anos e levou pra casa o bônus de cinquenta mil dólares por luta da noite após vitimar Gordon com um nocaute brutal no último mês de Dezembro, já se testou contra um nível um pouco mais elevado de competição ao ser derrotado com certa sobra por Vinc Pichel, único nome na coluna das derrotas de seu cartel. Apesar dos resultados positivos e da resiliência absurda que mostrou ao longo da jornada dentro do UFC, Silva demonstra grandes brechas no seu striking, especialmente no que tange ao sistema defensivo e a falta de cautela quando resolve tomar a dianteira. Apesar da vitória, Jarred Gordon tocou e ameaçou o brasileiro por um número considerável de vezes na memorável batalha travada no UFC on FOX 31.

O alemão Nasrat Haqparast (10-2 MMA, 2-1 UFC) é mais um dos grandes prospectos que o UFC possui no peso leve, com a organização demonstrando até aqui um cuidado coerente com o talentoso lutador de apenas 23 anos. O atleta da Tristar, que chegou a empilhar oito vitórias seguidas por nocaute/nocaute técnico nas primeira nove lutas de sua carreira, tem a oportunidade de aliar a jovialidade à outros fatores como uma grande academia e grandes credenciais para ir muito longe em sua jornada nas artes marciais mistas.

Após estrear na organização com derrota para o competente (e azarado) Marcin Held, Haqparast tem impressionado com trocação técnica, volumosa e inteligente, anotando triunfos sobre os bons Thibaut Gouti e Marc Diakiese. Dono de striking versátil e alta capacidade de adaptação a adversários de diferentes estilos, Nasrat mostra não só explosão para golpear e se movimentar, como também esperteza para explorar ângulos, contragolpear e variar ofensas retas ou cruzadas.

Se o teste do tempo provou que o peso leve não é mais o tanque de tubarões de outrora, o alto contingente que a categoria possui ainda exige de bons atletas sequências consideráveis para alçar voos mais altos. Ainda que Haqparast já possua algum teste contra oponentes de nível técnico considerável, existem outros bons atletas em circunstância parecida. “Netto BJJ” compartilha um momento similar dentro da organização e o casamento oportuno serve como uma espécie de “eliminatória” pela chance de alçar voos no escalão mais alto da categoria.

Quando colocamos as principais valências de Joaquim em comparação a Haqparast, destrinchando as minúcias dos jogos de luta em pé, é difícil considerar algum favoritismo do brasileiro neste duelo. Tendo em vista que não existem grandes possibilidades da luta tomar um contorno diferente de 15 minutos de kickboxing com clinch, o alemão tem superioridade na velocidade, envergadura, footwork, amplitude de repertório e longevidade, com as vantagens teóricas de Netto sendo sua força bruta e punch, aliados a um bom arsenal de chutes.

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Obviamente, a luta não será um passeio no parque para o alemão, que terá que suar a camisa para brecar o ímpeto de Netto. O brasileiro é um atleta perigoso e possui talento para surpreender qualquer um que subestime seu poder de fogo. Todavia, é raro vislumbrar um cenário em que Haqparast não mantenha a superioridade técnica ao longo do duelo e saia com as mãos levantas após ir à distância.

Assim, podemos esperar um grande duelo, bem movimentado e divertido para os apreciadores das artes marciais mistas. O alemão deve estar ciente dos perigos que Joaquim pode apresentar e com a maturidade que mostrou até aqui, é dono do meu palpite na competição de sábado.

Peso Médio: Trevin Giles (EUA) vs. Gerald Meerschaert (EUA)

Por Rodrigo Rojas

Jovem e atlético, Trevin Giles (11-1 no MMA; 2-1 no UFC) é um dos bons prospectos da envelhecida categoria dos médios. Depois de iniciar sua carreira no UFC com dois belos nocautes, foi vítima de uma guilhotina de Zak Cummings em uma luta que vencia tranquilamente, tendo sua primeira derrota como profissional.

Com background no wrestling, Giles tem suas principais armas no poder dos punhos. Seja no boxe ou no ground and pound, o americano joga todos os golpes com muita potência, sempre em busca do nocaute. A trocação é bastante dinâmica e ele sabe encontrar brechas na defesa dos oponentes, ainda que, às vezes, possa ser desleixado. Contra Antônio Braga Neto, mostrou que consegue sobreviver na luta agarrada, apesar de não ter conseguido desenvolver muita coisa de costas para o chão. Por cima, sabe utilizar a riding position para controlar os oponentes enquanto acerta bons golpes.

Na última luta, contra Cummings, Giles cometeu um erro provocado pela falta de experiência: deixou-se levar pelo fato de estar vencendo a luta com certa facilidade, abrindo a brecha para o overhand que deu início ao fim da luta. Se for esperto e bem orientado, Trevin deve utilizar a derrota como aprendizado, impulsionando-o para ascender dentro da divisão dos médios.

Ex-campeão do RFA, Gerald Meerschaert (29-11 no MMA; 4-3 no UFC) ainda não encontrou constância dentro do UFC. Com derrotas em todas vezes em que enfrentou oponentes de bom nível, estabeleceu-se como um lutador de ação, que entregará lutas divertidas, mas sem alçar voos mais altos dentro da organização.

Com boas habilidades ofensivas e pouquíssimas proezas no âmbito defensivo, Meerschaert costuma envolver-se em duelos acirrados, em que consegue alguns bons momentos e vários maus momentos, principalmente quando a luta chega ao solo. É ali que Gerald desenvolve a maior parte de seu jogo, utilizando os longos membros para atacar finalizações. Porém, o jiu-jitsu não é nem um pouco justo, e ele acaba se perdendo ao ser ofensivo demais.

A defesa no chão é bastante esburacada e o wrestling é praticamente nulo. Em pé, ele sabe combinar golpes retos e acerta alguns bons chutes, mas a defesa é inexistente. Além disso, o condicionamento e a resistência não são dos mais louváveis, como mostrou nos duelos contra Kevin Holland e Thiago Marreta.

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O casamento de sábado favorece bastante o jovem Giles. A defesa extremamente esburacada de Meerschaert será um convite para os fortes golpes do americano, e as fracas quedas do oponente não serão suficientes para manter o duelo na luta agarrada. Caso a luta chegue ao solo, é provável que Trevin esteja por cima, batendo no ground and pound. Assim, a não ser que dê mole para alguma das inúmeras tentativas de finalização do adversário, a aposta é em Trevin Giles, que deve conseguir uma interrupção por nocaute técnico em uma luta bastante movimentada.

Peso Leve: Scott Holtzman (EUA) vs. Dong Hyun Ma (COR)

Por Idonaldo Filho

Um legítimo membro do meio de tabela da selva que é o peso leve, Scott Holtzman (12-3 no MMA, 5-3 no UFC) nunca teve destaque significativo na organização, e aos 35 anos, provavelmente não terá tempo para chegar em um nível superior. O americano foi contratado em 2015 e sempre foi presença carimbada em cards preliminares do UFC, atuando apenas uma vez em um evento principal e fazendo a segunda aparição neste fim de semana. Holtzman chegou a vencer oponentes do pior escalão que aparecia no UFC, tais como os horripilantes Tony Christodolou, Michael McBride, Cody Pfister e Darrel Horcher. Quando enfrentou oponentes melhores, foi dominado por Drew Dober, Josh Emmett e em sua última luta contra Nik Lentz.

Holtzman não oferece nada de relevante ou impactante em seu jogo. Ele faz o básico em uma trocação sem muito poder e de baixo volume de golpes, preferindo sempre os chutes. Tem um jogo de pressão e condicionamento de nível adequado e sabe amarrar a luta muito bem quando precisa, conseguindo três de suas vitórias no evento na decisão dos juízes. Um lutador acertável que está se encaminhando para o fim de carreira, o foco atual de Scott é a luta agarrada, já que possui um bom leque de transições e um ground and pound que já apareceu muito bem contra o brasileiro Alan Patrick. Sobre seu próximo duelo, o estilo casa bem para o americano, que é mais forte e completo.

Por muito tempo chamado de cópia falsa do mais famoso Dong Hyun Kim, o coreano Dong Hyun Ma (16-9-3 no MMA, 3-3 no UFC) fez seu nome no UFC como um lutador de nível duvidoso e que não se deve dar destaque. Sua luta contra o mexicano Polo Reyes o fez mostrar quem realmente é, pois o que ele mostrou é uma das melhores dos últimos anos, em um combate recheado de knockdowns e viradas espetaculares que foi vencido por Reyes. Após uma vitória contra o fraco Brendan O’Reilly o UFC o presenteou com uma luta contra o rascunho de Takanori Gomi, que foi dizimado pelo coreano. Depois, fez uma luta chata contra Damien Brown e acabou nocauteado por Devonte Smith.

O coreano não é nada técnico em pé e nem tem velocidade nos golpes. Sua defesa é muito esburacada e engole muitos golpes. Mas como é dono de um grande coração se provocado ele é capaz de fazer combates intensos, mas se deixar para ele ter iniciativa o que o Maestro apresenta é sua trocação desengonçada já descrita – mas ele tem poder nos punhos – e um jogo de quedas e disputas no clinch que nem é lá grande coisa. Contra um grappler mais forte como Holtzman ele pode se dar mal pela defesa de quedas duvidosa, mas em pé o nível é tão parecido que eu nem duvido que vejamos uma disputa amadora de kickboxing.

Dong Hyun Ma vs Scott Holtzman odds - BestFightOdds
 

São dois lutadores que passam longe de representar o que é o peso leve no UFC. Na trocação é pau a pau, já que Maestro é mais agressivo que o americano, mas Scott chuta mais e melhor. Só que no chão a vantagem de Holtzman é maior e ele já mostrou que tem boas transições, além de um bom camp por trás que é a MMA Lab. Não acho que o favoritismo de Holtzman é tão grande mas mesmo assim ele deve vencer em uma decisão dos juízes.